Festa de Aniversário de 80 Anos da Maria da Conceição Tavares

A festa foi ecumênica e inesquecível! Conceição estava felicíssima – e bem humorada: – Ganhei tantas flores que parecia meu velório! Antigamente, davam-me livros. Com 80, acham que não leio mais?!

O frisson já estava estampado nas páginas do principal jornal. Artigo personalíssimo do Serra: “Maria e eu”. Outro artigo: “Nossa Senhora Conceição”. Manchete chama a atenção geral: “Conceição Tavares faz 80 anos e festa reúne, no Rio, Serra e Dilma”. Informa local e horário. Anuncia presença de inúmeros notáveis. Só não garante o convite. Disputadíssimo…

Do Serra ao pé-de-serra, da Dilma à extrema esquerda, todas as camadas sedimentares estavam representadas. Dos anos 50 a hoje, amigos da vida estavam presentes. Geração 68: Vladimir Palmeira e Carlos Minc. Geração Chile do Allende. Geração 70 da Universidade Estadual de Campinas. Geração 80 da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Não se deve discriminar: amizade é igualdade.

Entra o Serra: murmúrio. Entra a Dilma: aplausos. Abraçam-se os dois: muito mais aplausos! Fotos de ambos ladeando a Professora: euforia!

O ecumenismo aparece também na música. Surpresa do Clube Minho: grupo paramentado surge tocando e dançando o vira. Conceição boquiaberta entra na roda. Seu filho músico é o DJ que toca suas músicas preferidas. Sai Portugal e entra Brasil: grupo do neto com percussão fantástica, cada qual com a camisa de times de futebol do Rio. Clima do Maracanã. Belluzzo trouxe a camisa prometida do Palmeiras. Conceição coloca a do Vasco com a Cruz da Malta. Seu nome está na costa. Alegria (na) geral!

Muita dança, samba, todos os ritmos. Conceição puxa o trenzinho imenso, todos seguem a líder. Simbólico.

Bolo de aniversário. Hinos da esquerda tocando. Levantamos os punhos. Cantados em espanhol, vêm à memória as lutas históricas: Espanha, Chile… São 80 anos de história!

Anotações de cidadão brasileiro anônimo:

“Cruzei com Maria da Conceição Tavares, aniversariante de hoje, 4 vezes. A primeira, eu era casado com a Fofazinha, e estávamos os dois na praia do Leme quando a vimos tentando explicar ao sorveteiro que deixara o dinheiro em casa [o sorteve, porém, ela já havia mordido]. Aí, fomos lá e pagamos o sorvete pra ela. Ao nos despedirmos, eu disse: ‘Que ironia, pagar um sorvete pra uma economista’. Ela deu uma gargalhada. Anos depois, à época do Movimento pró-PT, quando ela era do PMDB e deu palestra junto com a Chauí, um carinha saiu da platéia e entregou um ramo de rosas pra paulista. ‘Ela é mais bonita, merece’ – Maria disse, sorrindo levemente. Aí, eu fui lá fora, comprei uma orquídea e entreguei pra ela, no meio do discurso da Chauí. Há cerca de 5 anos, encontrei-a no hall do Cinema São Luiz, e quis apertar sua mão, e ela perguntou de onde nos conhecíamos: ‘Sim, eu conheço você’, ela disse. Respondi: ‘Eu sou um cidadão brasileiro’. Aí, ela me deu um abraço e um beijo. Hoje, liguei pra sua casa, e ela disse que se eu ligar de novo, ano que vem, ela só aceitará os parabéns se eu disser o meu nome. À recem, numa palestra [ela vive palestrando], ouvi-a dizer: ‘Já chega, já temos tanto tempo de transição democrática quanto tivemos de ditadura, cadê a democracia?’ A uma mulher que chega aos 80 tão altiva e combativa, o brinde é:

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