Colégio Estadual (Central) de Minas Gerais

Maquete do Colégio Estadual e Oscar Niemeyer

Visitei meu Colégio, recentemente, em Belo Horizonte. Estudei nele entre 1963 e 1970, desde o Ginásio (Ensino Fundamental) até o Colegial Científico (Ensino Médio). Foi a primeira vez que lá voltei, desde minha formatura há quarenta anos. Comoveu-me, mas fiquei triste com a deterioração de suas condições físicas. Um dos colégios mais tradicionais de Minas, símbolo da vanguarda da arquitetura nacional e famoso por contribuir com a formação educacional de jovens que se transformaram em personalidades notáveis da literatura, música, política, esporte e várias outras áreas profissionais e artísticas, pede socorro!

A Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida também como Estadual Central, poderia estar em melhor estado de conservação. Parece que nunca passou por qualquer revitalização. Infiltrações no teto do segundo andar, a má conservação da parte externa do auditório, calçadas esburacadas, pichações, falta de cantina com infra-estrutura para atender os cerca de 4,6 mil alunos e vidros quebrados se opõem à beleza e à inteligência do projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Ele deu ao prédio principal, com salas de aula, laboratórios, biblioteca e administração, a forma de régua T, ao teatro a de mata-borrão, à caixa-d’água a de um giz e ao anexo isolado (cantina) a forma de borracha.

A importância da instituição e os tantos problemas inspiraram ex-alunos, com apoio de atuais estudantes e professores, a criar o movimento Paixão pelo Estadual Central, com lançamento realizado em 2008, com o grupo dando abraço simbólico na escola. Inaugurado em 1956, e tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), o prédio se destaca no encontro da Avenida do Contorno com a Rua Fernandes Tourinho, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul da capital.

A origem do Colégio começa no século 19. O Colégio Estadual de Minas Gerais foi inaugurado na cidade histórica de Ouro Preto, a 95 quilômetros de BH, com o nome de Liceu Mineiro, em 1854. O Colégio já funcionou em outras sedes. Ocupou salas no prédio do Minascentro; na sede do Corpo de Bombeiros, no alto da Avenida Afonso Pena; na Biblioteca Pública, na Praça da Liberdade; e em casarão demolido, onde hoje se encontra o Fórum Lafayette, no Barro Preto.

O Colégio Estadual era vanguarda do ensino e esporte em Minas Gerais. Das suas salas saíram várias personalidades, como a primeira Presidenta da República, Dilma Rousseff, o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT), atual Ministro de Indústria e Comércio, o ex-governador e senador Eduardo Azeredo (PSDB), o médico, cronista esportivo e tricampeão mundial de futebol, Eduardo Gonçalves, o Tostão, o escritor Humberto Werneck, o compositor Fernando Brant, o ator Antonio Grassi, atual presidente da Funarte, entre tantos outros nomes conhecidos ou não.

A lista é grande e eu também gostaria de reforçar a importância patrimonial e cultural do Estadual. Como era vizinho e aluno, freqüentei o Colégio entre 1963 e 1970, durante todo período de efervescência política, cultural e futebolística dos anos 60. Lá passei meus melhores (e piores) momentos dessa fase política, quando era adolescente “mais ou menos alienado”, mas bom aluno. Sou então outro modesto defensor da instituição, reivindicando também tratamento mais decente para o prédio, considerado obra arquitetônica de grande importância. O Niemeyer fez belo projeto, em área nobre, e o Colégio está desleixado, maltratado. Não pode ficar como está. Quando governos locais disputam o privilégio de ter os últimos projetos de Niemeyer, o de Minas Gerais não cuida da revitalização de um dos primeiros, projetado em 1954, antes de Brasília!

É necessária revitalização em que as intervenções restaurem a imponência da obra de Niemeyer. Quando for fazer o projeto, o responsável terá que fazer também réplica da escultura criada por Alfredo Ceschiatti. A imagem de mulher nua em tamanho natural, deitada de lado e apoiada em um dos braços chamava a atenção! Originalmente, ela ficava na frente do auditório, mas desgastes provocados pelo contato acariciador dos alunos e pelo tempo, obrigaram a direção a colocá-la em caixa de vidro. Ela não suportaria nova restauração?

Enquanto isso, a instituição continuará contribuindo na formação educacional de jovens que, daqui a alguns anos, também serão conhecidos como personalidades da literatura, música, política, esporte e várias outras áreas. Em Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), o Estadual obteve nota 60,06, pontuação bem acima das médias nacional (48,142), estadual (49,909) e municipal (50,449).

Em última instância, a responsabilidade é do Governo de Minas Gerais. Ele acabou de gastar bilhões de reais com sua nova sede administrativa. Também é projeto de Oscar Niemeyer. Porém, os projetos iniciais, como o do Colégio Estadual, dizem mais a respeito da criatividade original do grande arquiteto brasileiro.

Originalmente, sem árvores (estava estudando lá quando presidiários de Neves plantaram o gramado), “puxadinhos” e prédios em torno, havia melhor visão de sua arquitetura. Veja abaixo:

Leia maisOscar Niemeyer: Educa-se dando Exemplo

PS: Lembrança pessoal de lá? Inúmeras, desde a primeira namorada (Míria) até grandes amigos (Camilo, Eulálio, Romero e outros), mas lembrança política marcante foi quando entrei em 1963, um ano pré-golpe. Ainda havia “trote“, até o dia 13 de maio, quando ocorria a “libertação de escravos“. Acabamos com essa prática. Uns sádicos obrigavam o calouro medir quantos palitinhos de fósforo equivaliam ao comprimento do “mata-borrão”, mas a vítima tinha de ir até o finalzinho, quando mal cabia sua cabeça…

Entendi, logo, o que era “populismo”: foi quando vi um líder estudantil, se não me engano chamava-se Amílcar, subir em um banco para discursar e jogar balas para os pirralhos, que acabavam de entrar no Colégio, em troca de votos!

Outra “lenda”, que se contava entre os alunos, era a estória que o Tostão chegou atrasado, porque estava treinando no Cruzeiro, em jogo decisivo do campeonato de futebol de salão entre as turmas. Já estava no segundo tempo e sua turma perdia de 4 X 0. Ele entrou, e virou o jogo para 5 X 4, inclusive com o último gol chutando sem ângulo entre o goleiro e a trave!

Lá estudei inclusive Latim, aquela “língua morta”… O Professor Kiloga era considerado uma fera, mas consegui tirar 10 na sabatina, isto é, argüição na última aula de sábado à tarde.

Outra “doida” era uma professora de Francês (“bunduda e solteirona”) que exigia, quando entrava em sala de aula, a turma sentada em ordem alfabética. Aí, então, tinha de levantar-se e rezar o “Ave-Maria” em francês! Era colégio laico, mas… e daí?! Ela começava a argüição de conjugação de verbos irregulares: ” Je… suis! Tu… esqueci, ‘fessora!”. “Pas de probléme: un demi-point! Suivant!” No final do mês, toda a turma estava devendo pontos na nota! Quase todos os alunos foram reprovados no primeiro ano ginasial, devido ao Francês. Não importava se tirasse ótimas notas em outras disciplinas se fosse reprovado em alguma. Duas reprovações em anos seguidos significavam expulsão do Colégio. Portanto, havia seleção tipo vestibular na admissão e, dois anos depois, só os bons alunos permaneciam.

70 thoughts on “Colégio Estadual (Central) de Minas Gerais

  1. Formei tambem no Colegio Estadual Central. Estou fazendo uma pesquisa sobre as obras do Niemeyer e como grandes arquitetos influenciam e ajudam estabelecer e manter a imagem de uma cidade. So encontrei fotos do Colegio Estadual no seu blog. Tristeza ver patrimonios assim serem dilapidados.

    • Prezada colega Sonia,
      concordo contigo, como disse, eu me emocionei ao visitá-lo, pois quase toda minha vida em BH, da infância até entrar na FACE-UFMG, morei na vizinhança dele: Rua Fernandes Tourinho, Rua Antonio Aleixo, Rua Curitiba. Desde o Primário, quando passava em frente a ele, para ir à Escola na Rua Rio de Janeiro, dizia para mim mesmo: vou estudar nele!
      Hoje, está em mau estado, coitado, pedindo socorro. Estou sempre o observando. Ele aparece na foto no alto do página do blog à direita. É a vista do apartamento da minha mãe.
      Abraço

  2. Fernando,

    que bom ver alguem interessado no CE. Estudei lá até Dez 1970, quando fui para o D. Silverio fazer o 3º cientifico, no primeiro ano do integrado com o Pitagoras.
    No CE fui aluno de algumas figuras dificeis como Generino de Quimica, e uma maluca do ingles.Na educação fisica tinha aquele cara que virou tecnico da seleção e um que só pensava em handball.E quem não se lembra do Barbosinha? E o barbeiro? Como falava! Bons tempos.
    A Sonia Parizzi da mensagem acima foi colega minha no Estadual da serra.
    Voce tem acesso aos nomes de nossos colegas da epoca/
    Abs
    Sergio Perrella

    • Prezado Sergio,
      parece que você foi meu “calouro” (sem “trote”), pois completei o 3o. Científico em 1970. Lembro-me dos nomes dos colegas mais amigos. Dos outros, terei que achar onde estão minhas “fotos de turma”.
      Abraço

  3. Sou ex-aluno do Estadual Central e faremos um “Memorial da Caminhada do Lipa”. O Biólogo Prof.Liparini organiza uma caminhada ecológica de Belo Horizonte até Nova Lima, faz isso desde 1969, uma vez por ano.
    Ele tem um arquivo fotográfico maravilhoso de todos os alunos que participaram dessas caminhadas.
    A intenção é identificar alguns desses ex-alunos e convidá-los a participar desse memorial.
    Para isso peço encarecidamente sua ajuda.
    Você tem algum contato de ex-aluno do Estadual Central que possa repassar? Ou informar sobre o memorial e pedir a pessoa para fazer contato conosco.
    marchelopereira@hotmail.com
    Abraços,

    Marcelo Pereira
    9642-0345

  4. Prezado Fernando, hoje me emocionei ao descobrir este site do Estadual.
    Fui diretor do Estadual de 05/2003 a 2007. Tenho um carinho muito grande por ele e sempre me vejo conversando sobre o Estadual.

  5. Prezado Fernando:
    Você foi meu calouro, visto que entrei no Colégio Estadual em 1962. Saí em 1968.
    Tenho pelo colégio um carinho muito grande. Até hoje, quando passo por lá, não deixo de dar uma entradinha.
    Recentemente, fui lá para doar um livro de minha autoria sobre a transposição do Rio São Francisco e estou aguardando o término da greve para fazermos um debate no auditório sobre esse e outros temas de interesse nacional.
    Se na década de 1960 debatíamos sobre a redemocratização do país, agora vamos debater sobre o desenvolvimento do país.
    Com relação a sua observação sobre o Amílcar, ele mais tarde se tornou deputado estadual e candidato a prefeito de Belo Horizonte, lançado por seu concunhado, o ex-governador e ex-aluno do Estadual Eduardo Azeredo.
    Um abraço.
    Paulo Afonso da Mata Machado
    P.S. Sugiro uma visita ao site do Pico (ex-alunos do Estadual), onde postei um texto denominado A Lei de Alcides.
    Alcides não era apenas companheiro do Barbosa na Praça de Esportes. Era também um matemático. Vale a pena ler.

    • Prezado Paulo Afonso,
      “o mundo gira e a gente roda”, como o mundo dá volta, não?
      Houve, de fato, uma geração brilhante formada no Estadual, que não era Colégio de elite sócio-econômica, mas sim de elite intelectual, embora a correlação entre uma e outra seja significativa. Havia um “vestibulinho” difícil, para seleção anual de 50 alunos, se não me engano. Quem fosse reprovado duas vezes, era expulso.
      Com a repressão do regime militar e, posteriormente, a massificação em que se colocou o critério de mérito em segundo plano, o ensino público de qualidade se deteriorou.
      Agradeço as informações, irei atrás. Soube que meus ex-colegas, bem sucedidos profissionalmente, se reúnem todas quinta-feiras em BH. Infelizmente, não posso comparecer, pois estou morando em Campinas.
      Abraço,
      Fernando

      • Muito obrigado pela resposta.
        Se você souber onde os colegas se reunem, conta para nós.
        Há outros colegas também interessados.
        Você falou no Amílcar e no caso das balas. Realmente, foi algo desagradável e sua chapa, a Grade, perdeu meu voto por isso.
        Amílcar tinha por onde puxar em seu interesse pela política. Seu pai também era um combatente do regime militar.
        A propósito, quando meu irmão formou-se em medicina (ele era conhecido no Estadual como Matinha), o pai do Amílcar foi homenageado.
        Era um verdadeiro desafio ao regime, pois o Prof. Amílcar havia sido aposentado compulsoriamente na Faculdade de Medicina.
        O orador foi chamando cada homenageado pelo nome. Por último, falou de forma solene:
        – Professor Amílcar Moreira Martins!
        Todos os formandos se levantaram e o aplaudiram de pé, sendo seguidos pela plateia.
        O orador esperou que os ânimos se serenassem e complementou:
        – Muito acima da justiça dos homens está a justiça de Deus.
        Em 1993, realizamos uma grande festa no colégio. Estiveram presentes inúmeros ex-alunos. O Roberto, irmão do Amílcar, esteve presente e eu lhe lembrei esse episódio, que ele desconhecia e que lhe arrancou lágrimas dos olhos.

  6. Bom dia Fernando,
    Estudo hoje no 3º ano do Ensino Médio no Estadual Central. Nós alunos também achamos que o governo deveria começar uma reforma no colégio, e disseram para nós que precisam da aprovação do Niemeyer para começar uma reforma e bem, até hoje nada né!
    Mas tomara que inicie rapidamente, se não nem a riqueza cultural do colégio irá resistir a deterioração.

  7. estudei no Colegio estadual Central de 1963 a 1967 gostaria de foyos daquela epoca certa da atençao fr vcs Maria Beatriz Rosi irma do Angelo Mario Rosi

  8. Olá Fernando!
    Estudei no Estadual Central de 1960 a 1967, com uma passagem pelo anexo da Gameleira em 1963.
    Você foi aluno do Prof. Sardinha? E o Mário de Oliveira? E o Floriano? E o Ernesto?

      • Geraldo Sardinha Pinto, de Latim; Mário de Oliveira, de Matemática; Ernesto, de Geografia. Mas também Francisco Floriano de Paula, de Geografia, Tabajara Pedroso, de História, Sami Sirihal, de Português, Nicoloas Marie Donnard, de Francês, Fernando Pierucetti, de Desenho, o Mangabeira, autor dos mascotes dos times mineiros: Raposa (Cruzeiro), Leão Vila Nova), Coelho (América), Jacaré (Democrata-SL), Periquito (Bela Vista), os mais importantes. Dona Ethel, de Música; dona Diva, de Artes Manuais; José Altimiras, de Latim; José Quiroga, de Espanhol e Latim. Todos eles foram meus professores em 1958, quando entrei, após passar num tal de Exame de Admissão. Saí de lá em 1964 e retornei em 66, como professor…

    • Fui aluno do Sardinha de Latim, do Mário de Oliveira de matemática ( e depois do Wagner Brandão) do Floriano de Geografia ainda no Ginásio Mineiro no Barro Preto, da Liliane Jacqueline Romeo de francês ( q usava uma pulseirinha no tornozelo)…

      • Tive aula de música com D. Ethel e de Artes Manuais com D. Diva, por volta de l968/70 no Estadual da Serra. As duas professoras deixaram saudades em materias que muitos não tiveram oportunidade de ter. Tive estas materias no Instituto Santa Teresa, colégio da Cidade de Lorena/SP.

  9. boa noite! gostaria que resgatassem o principal motivo da escola existir ou seja, seus alunos. prezem pelo nome desta instituiçao que tanta orgulha os mineiros.

  10. olá!
    Passei por aqui e fiquei admirada,que pela história tem o meu colégio.
    Emocionei ao ver os comentários,”a estrutura”em que é formada(pessoas que construiu o status do estadual,hoje conhecido e ”respeitado” por muitos…fecho os olhos e imagino a época em que vc estudou lá Sr Fernando,assim sinto uma vontade imensa de também ter sido desse tempo.A imagem que vejo acima me encanta,quero fazer arquitetura e desde de já tenho o Oscar como referência.
    Concordo com vc quando disse,em outras palavras q é preciso ter olhos para uma obra como essa:A ESCOLA ESTADUAL GOVERNADOR MILTON CAMPOS uma dádiva dos mineiros que ainda não soubem valorizar.Enquanto isso,q mais histórias formem nesse paradisiaco e fiquem na memoria,marcado,como está nos ex-alunos do estadual.
    Agradecida
    Isabela Silva aluna do estadual central (2ºano E.M)
    2012

  11. Boa noite, Fernando,
    Meu primeiro ano no Milton Campos foi em 1961. Lembro-me perfeitamente do Professor Sardinha, Marcel Debrot, Mário de Oliveira, Samir Cyrial (?), Rioko Kamei, Juscelino Paraíso e muitos outros mais. Bons tempos, com muitas saudades…

  12. estudei nos anos de 1981 a 1983, na Unidade I em 1981 e os anos seguintes na unidade II. Um garoto do interior, também vindo de escola pública e ter passado no exame de admissão no Estadual Central era um grande feito na época. Quando visito BH, não deixo de passar pelo menos uma vez próximo para ver o colégio. Merece mais atenção do Estado sim. É um verdadeiro patrimônio mineiro.

  13. Fui aluno do Estadual Central I e II, em 76,77,78. Época maravilhosa, éramos felizes e não sabíamos.Estudei no turno da noite, naquela ocasião, havia 4 turnos(7as11, 11as15,15as19, 19as 2230, com aulas de reposição sábado a tarde.Me lembro de uma prof. de história, D Cletí(bem reacionária), Madame Dolores lecionava frances(desequilibrada emocionalmente) Lembro-me deProf,Paulo e Alceu Crhammer???de biologia,ERAM EXCELENTES, DAVAM AULAS TAMBEM NO pALOMAR quem dava matemarica era um atleticano fanático que pintou o seu fusquinha de preto e branco(Gelson???),grande prof. O prof de Portugues não lembro o nome acho que era Luiz Gonzaga, um grande prof. literário de poeta, fez um livro coletando todos os sinônimos de “guimba” de cigarro,e publicou, dizia ele” quem fuma é um tarado social, um troglodita e um monstro pré histórico” Prof. Thomaz dava aulas de física, geografia era o brilhante Adhemar impecável com as roupas, perfumes e talcos…..Não me lembro do prof do curso técnico de eletricidade(profisionalizante e obrigatório naquela época, não me lembro do prof de química lembro-me do Alcides disciplinador e da diretora do turno da noite, quando formamos ela chamou eu e minha turma de barderneiros e disse” vocês me envelheceram 20 anos durante este 3 anos que passaram por aquí, tinha um “boteco” na Fernandes Tourinho logo em frente a unidade II, onde íamos para lá para tomar uma gelada e o apelidamos de unidade III. A diretora me disse que eu não seria ninguem na vida que eu estava fadado ao caos.Hoje 35 anos depois, sou médico com Phd em ginecologia e obstetricia, doutorado,conferenciasta brasileiro de norte a sul e leste a oeste, prof. universitario de 2 escolas médicas no Espírito Santo onde resido. Há 6 anos fui visitar o Estadual Central, e somente encontrei com o Prof. Paulo de Biologia já veterano quase se aposentando, tomamos café juntos e recordamos 35 anos passados, andei pelos corredores e salas do colégio, que já não funcionava no turno da noite por falta de alunos em função da violência noturna em BH. Fiquei muito triste…..de ver o estado de deterioração da minha escola..Faço reflexões e vejo como foi bom ter passado por aí, tenho muito orgulho de ter sido aluno do estadual e de ter me projetado como consegui. A presidenta bem que poderia fazer um projeto de restauração do Estadual para o bem da memória de muitos, principalmente dela que por lá tambem passou, acho que mais ou menos na minha época.O homem é eterno quando sua obra permanece, a minher tambem!!!!!

    • Caro Fernando,
      Também fui aluna do Colégio Estadual Central em 1976, 1977 e 1978, Unidades I e II, nos turnos da manhã e tarde, e orgulho-me de ter estudado nesta escola. Era uma época de efervescência política e cultural. Discutia-se muito política naquela época, de forma velada, e tínhamos nossa conexão com a FAFICH-UFMG, no bairro Santo Antônio, palco de resistência contra a ditadura. Era preciso fazer um “vestibular” para estudar neste colégio. Lembro-me bem do Prof. Ademar que lecionava Geografia, uma figura emblemática do colégio e tantos outros mestres e funcionarios, como o Prof. João Júlio, de Biologia, o Prof. João Bosco, de Química, a Prof. Liseta, de Matemática, o carismático Barbosinha, professor de Educação Física e o Alcides, disciplinário da escola. O jardim era bem cuidado e eu gostava de ler sentada na grama, antes do início das aulas. O ensino era de qualidade e não precisávamos de cursinho para aprovação no vestibular. A minha turma do 3.º ano funcionava na sala 5 do Anexo II. Sou formada em Psicologia e Direito pela UFMG e trabalho na Prefeitura de Belo Horizonte. Tenho boas lembranças deste tempo, e hoje quando vejo o estado precário em que se encontra o prédio, sinto tristeza. Concordo com você sobre a restauração do colégio, não só da estrutura física, como também do ensino. Preservar o colégio é resgatar a memória de Minas e de todos que por ali passaram e fizeram sua história.

  14. Obrigado Fernando por resgatar estas imagens e estes comentários,por manter viva acessa a chama da história, nós mineiros temos este dom. “Minas é um trem que tá dentro da gente, é esse gostinho, gostoso de se sentir diferente uai sô!!!!

  15. Tambem eu tive a honra e a felicidade de estudar no CE nos anos de 68, 69 e 70. Alguns da turma ainda se encontram até hoje. Toda 5ª feira num bar de BH. É o encontro do 3º G (nossa turma do estadual central). Dia 14/7/2012 faremos o 2º Grande encontro. Creio que estarão lá: Cidão Carvalhais (organizador), Octavio Lanna, Atila Freislieben, Ieso Coutinho, Jose Neto, Eulalio Ernesto, Camilinho, Oswaldo Starling, Antonio Carlos “Baiano”, o chefe da turma Virgilio Moreno, Romero, Ivan “Pitangui”, Carlos Heitor, Mauro.
    Verei se consigo levar a Maria Perpetuo. Gostariamos muito que um tal de Fernandão, goleiraço do nosso time, comparecesse também. Seria uma gde alegria para todos nos.
    Grande abraço goleirão
    Afonso Garchet

    • Prezado Afonso,
      grato pelo gentil convite, lembrando-me dos queridos colegas.
      Gostaria muito de estar presente no próximo sábado. Entretanto, meu filho veio passar férias conosco e ainda não a programamos.
      No dia 4 de agosto irei ter o primeiro encontro com os primos de toda a minha família, aí em BH. Talvez eu consiga chegar na quinta-feira, dia 2 de agosto, para o encontro semanal de vocês.
      Em que bar (endereço)? Será o mesmo local do Grande Encontro?
      Abraços para todos os colegas, que me deixaram muita saudade!
      Abraço especial em você pelo convite,
      Fernando

  16. Olá estava lendo a historia do colégio e achei muito interessante, adoro a arte, construções antigas. tenho meus 16 anos, e procuro mudar de colégio. Estou a procura de uma escola que tenha uma historia correndo em suas veias, E o Colégio central me pareceu muitíssimo interessante estava mesmo pensando em ir ao Pedro II mas ainda estou a procura. Saberia me informar se a alguma prova pra admissão, qualidade do ensino, Se os alunos são “ruins”, os professores são atenciosos, se a alguma atividade extra. Desculpe as perguntas e que não tenho mesmo a quem recorrer sob as questões.

    Muito obrigada, Luiza

    • Prezada Luiza,
      infelizmente, eu não posso lhe informar a respeito, pois estudei no Colégio Estadual há 50 anos e moro fora de BH há quase 40 anos.
      Sugiro visitar o Colégio e consultar os próprios estudantes e professores. Não se iniba e vá atrás de “uma escola que tenha um história correndo em suas veias”, pois isto será relevante para sua formação como cidadã e futura profissional bem preparada.
      att.

  17. Fernando, eu também estudei no colegio Estadual Central, sou irmã da Míria, tenho saudades daqueles tempos. Um grande abraço.
    Tárcia

  18. Prezado Fernando,
    Foi muito bom encontrar esta página, ontem, preparando uma aula especial para meus alunos em Brasília. Também estudei no “estadual”, de 61 a 68, juntamente com mais dois irmãos. Meu nome é Nonato Veloso, fui colega do Paulo Afonso da Mata Machado, excelente aluno e colega, assim como a grande maioria daqueles que ali estudavam. Me lembro do Helvécio Alvim, a quem chamávamos de “gabarito”, e era a referência depois das provas. Saíamos em grupo, atrás dele, conferindo os resultados. Ele só tirava 10. Me lembro de vários outros, e tenho notícias de alguns, através do meu irmão que ainda mora em BH: [ do Virgílio, hoje no Ministério de Ciências e Tecnologia, a convite da presidente Dilma, que também estudou no estadual; Carlos Eduardo, o Calé; Bruno Versiani, professor na UFMG; o Cícero; o Túlio, e vários outros ]. Da minha turma do 3º ano, soube que de 32 estudantes, 30 ou 31 passaram no vestibular de engenharia, na federal, sem “cursinho”. Era a época do “Henfil”, e do “Irmão do Henfil”.
    Moro em Brasília, sou arquiteto e professor da Unb, desde 1976. Me lembro nitidamente das proporções do edifício do colégio, e tínhamos o maior orgulho quando cruzávamos, no recreio, com visitantes de outros países querendo conhecer aquela obra do arquiteto que já despertava o interesse internacional, depois de Pampulha; de sua implantação e suas formas, e a beleza que era circular pela rua que divide os prédios da área de esportes, com um muro baixo, à época, com uma grade simples, e o gramado visível para o pedestre, fazendo o auditório “mata-borrão” parecer flutuar. Visitei o edifício, tempos depois, e me informaram que tiveram que levantar a altura dos muros, por questões de segurança.
    A restauração desta obra de Oscar Niemeyer é urgente e talvez não encontre muitas dificuldades, já que tivemos prefeito, vereadores, deputados e até mesmo a presidente, como ex-alunos, além de empresários de sucesso, artistas, profissionais de diversas áreas, todos orgulhosos de terem vivido um momento no Brasil onde o ensino público era de muita qualidade. É preciso restaurar também aquele exemplo de educação, onde éramos motivados por um corpo docente preparado e empolgado. Quem sabe o colégio, com seu patrimônio tombado e devidamente restituído de suas condições originais, possa de novo representar uma espécie de escola modelo.
    Parabéns pelo trabalho,
    nv

    • Prezado Nonato,
      grato pelos comentários. Faço deles também as minhas palavras. Acho incrível que haja tantos ex-alunos influentes e nenhuma iniciativa de restauração do Colégio.
      Ele fica em frente ao apto de minha mãe. Quando a visito, eu o vislumbro pela janela. Acompanhei, diariamente, a plantação de grama por detentos do Presídio de Neves. Conversávamos com eles e também eram fonte de aprendizado sobre a vida.
      Hoje, tem árvores que tampam a visão dessa original obra arquitetônica do Niemeyer: colégio sob forma de régua T, mata-borrão, borracha e giz.
      abs

      • Raimundinho, que surpresa!
        Há quantos anos não nos vemos!
        Você falou de nossos colegas Helvécio, Cícero, Bruno e Calé. Todos se formaram comigo na Engenharia.
        Temos um encontro anual da turma da Engenharia e neste ano o Cícero foi. Não o via por décadas.
        Quanto ao Helvécio, é figurinha carimbada nos encontros. A propósito, perdeu o pai no mês passado.
        Também não via o Calé por muito tempo. Telefonei para ele e marcamos um encontro no Bar Tip Top.
        O Bruno eu vejo com mais frequência. Ele aposentou-se na UFMG.
        Enquanto estava escrevendo as notas acima, recebi uma mensagem do Miguel Ângelo (lembra-se?) convidando para assistir a um vídeo de seu pai (Zé da Beka) amanhã às 9 horas na Rede Minas. Vamos prestigiar.
        Você estava falando que 30 dos 31 estudantes passaram no vestibular de 1968.
        Não sabia desta estatística, mas tenho outra que talvez você não saiba. Três dos nossos colegas passaram no vestibular em 1º lugar: Helvécio em Engenharia, Ivo em Matemática (depois se transferiu para Engenharia Mecânica) e Cléber em agronomia.
        Um abraço.
        Paulo Afonso da Mata Machado

  19. Olá Paulo,
    tenho muita saudade daquela época. Meu irmão, Paulo Márcio, me deu notícias suas, numa das festas de ex-alunos do colégio. Mande um grande abraço a todos,
    nv

  20. Prezado Fernando
    Não fui aluna do Colégio Estadual mas como arqueóloga amo muito nosso patrimônio. Parabéns pela iniciativa. Quanto a restauração dos predios, acredito que só um grande e “insistente” movimento poderá reverter o quadro de deteriorização em que se encontram. Tania Porto

  21. Estudei lá entre 1965 e 68. Lembro desse episódio do Amilcar distribuindo balas. Eu era da chapa oposta e perdemos. Mas continuamos amigos. Fui colega do Fernado Brant no Colégio Arnaldo, onde estudei até a 1ª série do científico e também no Estadual. O Humberto Werneck continuo encontrando toda semana em São Paulo. O Maurício Andrés, filho da Maria Helena Andrés, também encontro de vez em quando. No Facebook tem um pequeno grupo do pessoal dessa época. Meu id lá https://www.facebook.com/#!/flavio.carvalhoserpa. Tenho uma foto marota de 1966: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150238583151184&l=56d092289a

  22. Caro Fernando,
    Estudei no Central de 1968 a 1970, ou seja, do 1º ao 3º cientifico. Anteriormente, estudei no anexo da Serra de 63 a 66. Em 67, tranquei a matricula para servir ao exercito pelo fato de ter tomado bomba em 66 e nao correr o risco de ser jubilado ao cursar conjuntamente com o serviço militar. No Central fui aluno de Dª Sonia de fisica, do Generino de quimica, do Sirhial de portugues, do Milton de matematica e outros.
    Tenho muitas saudades daquela epoca. Pratiquei handball e futebol de salão. Tenho pouco contato com os meus ex-colegas e gostaria muito de reve-los.Um abraço e continue sendo um defensor e saudosista desta grande instituição.

  23. Amoooo essa escola… saudadee dms.. nn vejo a hora das aulas voltarem e fazeer novas amizades e matar. essa saudadee q esta me doendooo…

  24. Fernando, boa tarde!
    Não estudei na Escola, mas trabalhei lá de maio/69 até 1993, quando aposentei, mas nunca o abandonei , pois adoro aquela escola. Vejo que vc deve estar meio afastado de lá, entendo de suas críticas, algumas tem sentido, mas foram feitas algumas reformas internas na escola, embora esteja precisando de uma revitalização na parte externa, tal como o jardim. Quem sabe vc conhece alguém influente que possa resolver estes problemas. Sempre fico atenta a todos os comentários sobe o Colégio uma vez que meus filhos estudaram lá e ainda, lembram com carinho da Escola. Hoje o seu Diretor é um jovem Professor que com certeza irá cuidar bem do aspecto físico, como também, tenho certeza da qualidade de ensino, que é a mais importante.

  25. Olá, Fernando. Foi uma surpresa muito agradável encontrar o seu blog! Fiz o meu segundo ano científico no Colégio Estadual Central em 1967. Recém-saída de um colégio de freiras só para meninas, e muito tímida, levei o maior choque ao me ver em uma escola mista. Após 4 meses de adaptação à presença dos meninos, eu consegui me apaixonar pelo Colégio. O terceiro ano científico eu cursei no Colégio Universitário da UFMG e posso lhe dizer que o ano que eu vivi no Estadual foi essencial para enfrentar novos obstáculos. Amava as aulas de português e de história! Sou professora de química na UFRJ, passei vários anos fora do país, mas os laços afetivos com o Estadual nunca se desfizeram. Gostaria muito de contribuir de alguma maneira para a sua restauração! Será que existe uma associação de ex-alunos? Parabéns pelo seu blog!!

    • Cara Sônia,
      vamos destacar sua pergunta, para alguns dos alunos ou ex-alunos nos responder: existe uma associação de ex-alunos do Colégio Estadual de Minas Gerais?
      A Presidenta da República poderia tomar a iniciativa de fundar uma… e nos reunir lá no Palácio do Planalto, não? :)
      Grato pelo elogio.

      • Eu é que fico muito feliz por receber uma resposta sua, Fernando! Já imaginou uma associação de ex-alunos? Poderemos lutar pela conservação do colégio. Não faltarão ex-alunos interessados, e o seu blog pode ajudar muito nisto. Começamos por onde? Por reunir uma lista de interessados? Qual seria o passo a passo? Eu gostaria muito de contribuir nisto, só ainda não sei como… Amanhã retornarei ao Rio de Janeiro para retomar as minhas atividades no campus do Fundão, mas continuarei em contato!

  26. Uma foto obtida ontem no link, bhnostalgia.blogspot.com – 1212 × 889 do Colégio Estadual na Augusto de Lima, antigo “Gymnásio Mineiro”, me emocionou particularmente, pois pertenci à última turma que frequentou o Estadual antes da nossa mudança para o Santo Antônio.

    Foi essa foto que me incentivou a pesquisar e encontrar colegas (mais novos, claro) nesse magnífico blog

    Sou assim parte de um grupo de afortunados que estava presente quando se fechou um e no ano seguinte se inaugurou o outro.

    O novo Estadual, como toda obra do Niemayer, sempre me passou a sensação de uma beleza arquitetural, mas nenhuma funcionalidade.

    As salas de aula recebiam (ainda recebem?) o sol durante todo o dia: cada sala tinha 4 janelinhas tipo persiana de banheiro e, desnecessário dizer, os 30 alunos de cada sala assavam no verão.
    O telhado, feito com caimento para calha central sub-dimensionada, à primeira chuva transformou o segundo andar numa cachoeira…

    Mas subir por aquela rampa, fazer o lanche na cantina e esperar pela pelada depois da aula de Educação Física, ministrada pelo sempre bem humorado Barbosinha. ainda me traz emoções indescritíveis.

    Contemporâneo do Sérgio, que postou aqui em dezembro de 20012, também fui aluno por 4 anos de latim do Sardinha, (ainda recito o prólogo das Fábulas de Esopo e conjugo corretamente todas as declinações), além dos demais mencionados por ele:
    Mário de Oliveira, de Matemática, (que me gelava o coração nas provas orais de final de ano, quando sorteávamos um papelzinho e íamos ao quadro negro desenvolver as 3 fatídicas questões: ele nunca nos deixava terminar e ordenava que passássemos à seguinte. Resultado: nunca sabíamos se tínhamos nos saído bem ou mal, até a publicação da nota…
    Francisco Floriano de Paula, de Geografia, que me fez decorar (e ainda sei) todas as capitais dos países do mundo.
    Tabajara Pedroso, e o Amaro Xisto de Queirós, na História, que me exigiu uma temporada na Biblioteca Estadual para, aos 15 anos, desenvolver o tema; “Catolicismo x Comunismo”
    Sami Sirihal, de Português, Grande figura! Os alunos da primeira fila tinham de se proteger da saraivada de perdigotos que choviam sobre nossas cabeças, que ele, com sua dentição prognata, não tinha como controlar
    Nicoloas Marie Donnard, meu professor no velho Estadual, que exigia á cada prova que se dobrasse a folha de papel almaço ao meio no sentido vertical, para, de um lado, escrever o ditado e do outro a tradução…
    Do Fernando Pierucetti, de Desenho, falo mais abaixo.
    Dona Ethel, e Dona Maiby a dupla dinâmica de Música.
    A gentileza e paciência da santa Dona Diva, de Artes Manuais;
    Do José Quiroga,, de Espanhol, que muito me facilitou a comunicação quando tornei-me consultor de uma multinacional para a América Latina.
    E mais: O Leopoldo, de Matemática, o Eládio do meu primeiro ano de Quimica , (que me deu uma segunda época), o sempre fantasticamente jovem de espírito Elias Murad, também de Química. e o Vellosão, de Filosofia, que nos, avisava na primeira aula; “vocês todos vão passar na minha disciplina porque são do Científico”, com um tom de ironia e desprezo, e que toda vez que falava de Kant desenhava no quadro seu nome com uma flor ao lado….
    O Peluzzo, na física e o Wagner na matemática, que foi involuntariamente responsável pela minha derrocada no primeiro vestibular de Engenharia, pois “matou” 75% das aulas aquele ano…

    E o chefe de disciplina, o Irineu, sempre correndo de um lado pro outro, apagando os “incêndios” que criávamos, usando seu grande coração….

    Mas quero aqui fazer minha homenagem especial a Profª.Liliane Jacqueline Sassard, de quem fui aluno, ela nos seus vinte e poucos anos, e por quem o menino de 13 anos se apaixonou…
    Para impressiona-la, esmerei-me nas aulas… Ainda hoje canto as 7 estrofes da Marselhesa
    Tempos depois, na França, descobri que falava francês com qualidade para entender e me fazer entendido.
    Soube que se casou e foi morar em Brasília.
    Obrigado Liliane!

    Apesar de ter cursado no então recém inaugurado Estadual da segunda série do ginásio até o 3º anos científico, e morando a um quarteirão do colégio, na Marques de Maricá, tenho muitas saudades do velho Estadual, onde o Mangabeira, velho atleticano, nas classes de desenho fazia suas charges sobre o galo, raposa e coelho, que por vezes me mostrava ao final da aula, com indescritível prazer de ver a reação de um já então um sofrido torcedor do América…
    Dos lindos corredores do prédio dando para o pátio interno… da casa do reitor, Heli Menegalli, de onde se podia ouvir sempre o piano de sua jovem filha, que viria a ser a famosa concertista, Berenice Menegalli… e finalmente do seu porão onde, pelas gretas do piso de madeira, nós nos escondíamos para ver as pernas das jovens professoras, que, por respeito omito seus nomes.
    Bons tempos dos meus doze anos, quando um pedaço de perna ativava nossa fantasia…

    Saudações aos caros ex-colegas.

  27. Boa noite, prezados (as).
    eu me emocionei bastante ao ler e assim desfrutar do compartilhamento de lembranças de cada um de vocês. Não sou aluno do Estadual Central, estou cursando o 1º ano do médio (antigo cientifico), nascido no ano de 1998 não tenho ilustres e belas histórias como as de vocês, vivemos em tempos remotos e completamente diferentes. Infelizmente não temos mais colégios públicos/estaduais seguindo o padrão daquelas inesquecíveis décadas. Realmente me sinto maior (em conhecimento) após a leitura de tais comentários.

    Tenho alguns colegas de classe que são ex alunos do Central, e com muita tristeza não ouço bons comentários a respeito do Colégio que um dia foi o maior e melhor de toda a nossa capital mineira, o público estudantil não é mais dos melhores, a garotada de hoje ”não quer nada com a dureza”.

    Certamente vivemos tempos difíceis, em décadas antigas professores, funcionários, diretores; autoridades em geral impunham mais respeito e ordem sobre seus alunos. Porém em dias atuais a situação se encontra em ritmo cada vez mais acelerado à decadência, temos noticiários de alunos agredindo verbalmente, fisicamente e até mesmo tirando a vida dessas autoridades. A minha pergunta em relação a vivência em que nos encontramos é se a sociedade continuará a caminho da desordem e desleixo ou ainda temos uma solução?

    • Prezado Pedro,
      contra a barbarie, luta-se pela civilização, isto é, conquista de direitos civis, políticos, sociais e econômicos para todos!

      Visitei, no início de maio de 2014, minha mãe que mora em apartamento em frente ao Colégio Estadual Central. Estão o reformando. Espero que o recuperem, tanto em infraestrutura, quanto em qualidade de ensino.

      Concordo que muitos estudante não desfrutam (e não têm consciência) da oportunidade de obter um bom ensino, esforçando-se para a aprendizagem nesse período de dedicação exclusiva à educação. É mais importante do que todos os demais prazeres.
      att.

  28. Olá Fernando,

    Que satisfação ter encontrado um Blog que retrata fatos do nosso querido e terno Estadual Central. Antes de mais nada quero parabeniza-lo pela iniciativa e lhe agradecer por nos proporcionar esse canal para falarmos e relembramos de uma época fantástica.

    Estudei no colégio de 80 a 83, achava o colégio tão bom que demorei quatro anos para me formar brincadeirinha, é que no primeiro ano estranhei a forma de como o colégio funcionava e para piorar estudei na unidade 1.

    Vinha de um colégio de bairro e estranhei tudo,pois tudo era muito diferente e eu era muito tímido então nesse meu primeiro ano as coisas não foram muito boas. Mais depois no ano seguinte fui para a unidade ll e logo peguei o jeito e graças a Deus foi muito legal.

    Lembro de alguns professores fantásticos como o querido Barbosinha, também do seu filho que era meu professor de Ed .Física e outros não consigo recordar. Tinha um professor de Física que era uma figura muito estranha e eu não entendia p. nenhuma das aulas dele se não fossem os colegas de classe que me ajudaram e muito.

    Enfim, Fernando, foi uma alegria ter a oportunidade de falar um pouco de uma época maravilhosa em minha vida. Eu me graduei em Educação Física e ministro aulas em escolas públicas e particulares.

    Quero aproveitar a oportunidade para mandar um grande abraço a todos com quem eu convivi e fazer um clamor as autoridades competentes que preservem essa maravilha que é e sempre será o nosso querido Estadual Central.

    Obrigado pela oportunidade e desculpe-me se postei algo que não foi legal.
    Que Deus abençoe a você e todos os seus.
    Obrigado,
    Eustáquio Luiz.

  29. Fernando, bom dia!
    Navegando pela net, deparei -me com seu blog, e me emocionei muitíssimo ao ler…
    Meu nome é Alexander, sou filho mais novo do prof. Mário de Oliveira.
    Ler coisas bacanas sobre meu pai realmente emociona…
    Se puder, terei o maior prazer em ser “inundado ” com histórias do velho professor, que assim, de certa forma, estarei mantendo viva sua lembrança!
    Um abraço.
    Alexander

    • Prezado Alexander,
      o que posso lhe dizer é que, mesmo agora, 1/2 século depois, Mário de Oliveira é um nome que não me esqueço!
      Estudei Matemática na apostila de autoria dele no Colégio Estadual.
      Isto é o que mais agrada a um professor — sou da UNICAMP — saber que sua obra e aulas serão inesquecíveis.
      abraço

  30. Caro Fernando

    A Revista VEJA BH publicou esta semana uma matéria sobre o Colégio Estadual, com o nome “Passado a limpo”, informando que “histórias de bastidores e travesssuras de ex-alunos do Estadual Central vêm à tona em livro que será lançado no sábado (13)”, de autoria do jornalista Renato Morai, que diz: “Passo a história da escola a limpo, como uma espécie de testemunha das gerações que ali estudaram”.

    Destaco alguns trechos da referida matéria:

    “Projetado por Oscar Niemeyer, o colégio foi símbolo da qualidade do ensino público: auge da excelência nas décadas de 60 e 70.
    Numa pose digna do libertador Simón Bolívar e montado em um cavalo branco, o aluno Francisco Wykrota – hoje um conceituado médico ortopedista – subiu a rampa da Escola Estadual Governador Milton Campos, o Estadual Central, em pleno horário de aula e levou os alunos ao delírio na década de 60…

    … Os grandes nomes que se formaram ali são a fonte de inspiração para o livro. Figuras carimbadas no horário eleitoral, como Dilma Rousseff, Fernando Pimentel e Pimenta da Veiga já responderam “presente” à lista de chamada. E eles não estão sozinhos entre as personalidades – frequentaram também a escola o ex-presidente Getúlio Vargas, o atual governandor, Alberto Pinto Coelho, o escritor Fernando Sabino, os músicos Fernando Brant e Márcio Borges e os irmãos Henfil e Betinho…A estrutura arquitetônica também entrou em decadência, com a instalação de grades e a falta de conservação dos prédios. Uma reforma iniciada em 2013 e com previsão de ser concluída em julho do ano que vem é tida como esperança para resgatar o glamour das linhas de Niemeyer”.

    Imagine você que eu estava procurando no google sobre o local do lançamento do livro, pois a revista não o mencionou, e eis que me deparo com o seu blog. Assim como os demais ex-alunos, fiquei muito emocionada ao ler e compartilhar com todos as lembranças de tempos tão bons, felizes e por isso mesmo tão memoráveis. Fiquei pesarosa de não ter comparecido ao “ abraço” simbólico dado no colégio pelos ex-alunos e mais sentida ainda com o descaso de nossas autoridades, como bem anotou Humberto Werneck, no artigo que escreveu no Estadão, “Pena, que hoje miseravelmente degradado, irreconhecível no criminoso abandono a que não relegaram nenhuma outra criação de Niemeyer”.

    Eu estudei no Colégio Estadual de 1963 a 1969. Fiz o Curso Clássico e fiz o vestibular para Direito na UFMG – primeiro vestibular unificado, no Mineirão!

    Lembro-me bem de vários dos professores citados, em especial do Professor Quiroga, que ensinava Latim (que me foi extremamente útil na Faculdade). Tínhamos que rezar a Ave Maria em latim, no início das aulas e tínhamos “ arguição” todas as aulas. E o Prof. Neif Sáfady, de Português? Uma fera. Em todas as aulas, os 15 minutos iniciais eram dedicados a uma redação: eram escolhidos 2 alunos, o quadro negro dividido ao meio com giz, um aluno de cada lado, deveria então escrever sobre o tema que ele, professor, escolhia. A redação não deveria ultrapassar 15 linhas e era proibido repetir os verbos auxiliares em qualquer tempo ou modo, vale dizer, só podia ser usado uma única vez. Ah! E fazer uma análise do famoso “Lusíadas”, sem nemhum direcionamento ou ajuda? Corríamos desesperados para a Fafich, para pedir socorro aos alunos dele no Curso de Letras!!!

    Por essas razões, com certeza, o Colégio era considerado como referência em ensino.

    Ah! São tantas histórias… Me desculpe o excesso, mas vou contar-lhe uma coisa engraçada: nós tínhamos uma colega, que se chamava Beth, era morena, bonita, porém muito alta e magérrima, atributos que não correspondiam aos padrões de beleza de uma cidade provinciana. Por isso tinha o apelido de “Beth coqueiro”. Pois bem, essa moça foi parar na França, onde acabou virando modelo de grandes nomes da moda francesa. Casou-se com um milionário, e tornou-se uma personalidade internacional, inclusive foi mentora da ex primeira-dama Carla Bruni para regras de etiqueta em compromissos oficiais (isso eu li em uma revista na França e me chamou atenção porque falava de uma personalidade brasileira); é a conhecida Betty Lagardère, que, tem vindo com certa frequência ao Brasil e em especial a BH, onde tem família. Veja só…a Beth coqueiro!!! Se isso acontecesse nos dias de hoje, certamente seríamos repreendidos por bullying!

    No Google, quando encontrei o seu blog, encontrei também um belo e interessante trabalho com o nome “UMA ESCOLA SEM MUROS’ – COLÉGIO ESTADUAL DE MINAS GERAIS (1956-1964), referente a uma Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Educação da UFMG, por Aleluia Heringer Lisboa Teixeira em 2010. Esse estudo contou com a participação, através de entrevistas, de vários ex-alunos e ex-professores. Segundo ela, o que mais a atraiu, além de ser a escola considerada como referência em ensino, foi a “produção de uma memória coletiva que marca a excelência acadêmica, a cultura e a liberdade dos alunos como fatores distintivos.”

    Como eu descobri essa Tese há poucos dias, não tive tempo de lê-la, pois são quase 200 páginas, mas dei uma olhada geral e me pareceu muito legal, como os trechos transcritos abaixo:

    “Em destaque e compondo esse mesmo desenho, o objeto da memória dos ex-alunos e
    professores que têm como referência uma escola “sem muros”, de excelência
    acadêmica, cujo cotidiano institucional era definido pelo exercício da liberdade. O
    objetivo dessa pesquisa, portanto, é apreender o modo como a produção da memória
    coletiva dos alunos do Colégio Estadual de Minas Gerais (1956-1964) foi se
    constituindo.

    No 4º capítulo, intitulado, “Uma escola sem muros”, apresentamos a dimensão
    espacial da escola, dada a centralidade que tem esse lugar na produção da memória dos
    seus ex-alunos e na composição da representação de liberdade.

    No 5º capítulo, abordamos “A distinção de ser aluno do Colégio Estadual”, distinção
    essa, construída em cima de certas práticas que eram valorizadas e reconhecidas por
    esse grupo e entre os seus subgrupos. Do livro debaixo do braço, passando pelo
    uniforme escolar, até chegar às práticas de sociabilidade, acompanharemos como o jeito
    de ser, o gosto, ou determinados programas culturais, marcaram a memória desses
    alunos e estão associadas à produção de uma memória de liberdade e de cultura.”

    Por isso mesmo não dá para perder o lançamento do livro, que será no próximo sábado, dia 13, na Livraria MINEIRIANA, à Rua Paraíba, na Savassi, às 11H!

    Um abraco
    Maria Christina

    • Prezada Maria Christina,
      grato pelas deliciosas memórias! Se eu estivesse aí, em BH, não perderia o lançamento do livro!

      Pela época que você lá estudou, fomos contemporâneos. Eu também estudei no Colégio Estadual de 1963 a 1969. Fiz o Curso Científico e fiz o vestibular para Economia na UFMG – primeiro vestibular unificado, no Mineirão!

      Graças à qualidade do estudo no Colégio Estadual, passei em 13o. lugar no Vestibular Geral e em 2o. lugar no da FACE-UFMG, um ponto a menos que os 181 do primeiro. O que foi ótimo para ter humildade intelectual… O que é difícil para quem lá estudou… :)

      Abraço

  31. Prezado Fernando Boa Noite
    Fiquei impressionado com a Memória sobe esta Escola com “E” maiúsculo que é o Estadual Central Milton Campos. Estudei no antigo Científico de 1985 a 1987. Um pouco mais recente diante dos fatos narrados no blog mas que como eu digo a formação que tive me levou a iniciar no entendimento do que é a cidadania, da política, convívio social, aprendizado, troca de conhecimento, etc, etc, etc. Tenho muitas saudades daquele momento e hoje vivo no Rio de Janeiro. Sempre tento encontrar ex-alunos deste período mas infelizmente não tenho sucesso. Como poderia levantar estas informações? Será possível contatar a administração? Tenho que me identificar é claro. Te agradeço pelo resgate desta história tão importante na vida pública do nosso país!

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