Mercado de Câmbio Manual

Há menos de mil correspondentes cambiais espalhados pelo país e número pequeno das 170 instituições fazem operações de varejo no mercado de câmbio manual em suas agências para não-clientes, devido ao alto custo e baixo retorno. Boa parte da demanda é atendida pelos hotéis e, obviamente, pelo mercado paralelo. Para identificar os problemas e buscar soluções para ampliar a capilaridade, o Banco Central do Brasil, segundo Fernando Travaglini (Valor, 21/02/11) vai promover seminário internacional sobre o tema. A ideia é chamar representantes do mercado e do governo, incluindo especialistas de países que já sediaram grandes eventos esportivos, para comparar os modelos e saber onde o país pode melhorar em termos de regulação.

Uma das explicações para a pequena oferta de casas de câmbio é o baixo fluxo de turista para o país. As trocas no ano de 2010 feitas por estrangeiros somaram pouco mais de US$ 1,6 bilhão (ver tabela acima). Há também questão cultural. Com seguidas crises de Balanço de Pagamento, o mercado de câmbio no Brasil foi ficando cada vez mais fechado, com normas e regulações feitas para impedir a saída de moeda estrangeira.

Outro problema é a burocracia, que acaba fomentando o mercado paralelo. Mesmo com as aberturas recentes feitas na legislação, a troca de moedas ainda é muito burocrática. Se algum estrangeiro quiser trocar US$ 1, ele terá que apresentar passaporte no momento da transação e a corretora precisará informar todos os dados da operação ao Banco Central. Em outros países, como a Inglaterra, as casas de câmbio não precisam informar os dados em troca de até 3 mil libras.

Há ainda o limite no Brasil para as trocas de estrangeiros acima de R$ 10 mil. A partir desse valor, se algum turista quiser comprar reais, os recursos terão que ser depositados em conta corrente no país.

A próprio Banco Central do Brasil entende que o excesso de burocracia pode incentivar o mercado paralelo. O dilema, entretanto é fomentar a expansão do segmento, inclusive para a realização de transferências de pequeno valor para o exterior, sem comprometer a segurança do sistema e impedir a lavagem de dinheiro.

Com a perspectiva de forte alta do volume de câmbio durante os grandes eventos esportivos sediados no Brasil, instituições que atuam nesse segmento já começaram a investir para ampliar a oferta de moedas. Além da construção de lojas próprias em aeroportos e shoppings centers, a grande aposta das corretoras e distribuidoras de câmbio é o modelo de correspondente cambial, criado pelo Banco Central do Brasil há três anos.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio (Abracam), os custos são infinitamente menores. Para se construir casa de câmbio, é preciso investir em blindagem, segurança e infraestrutura de comunicação, com custo médio de R$ 200 mil. Além das despesas de aluguel e funcionários.

Já os correspondentes usam a própria estrutura das agências de turismo ou dos hotéis conveniados. A restrição é o limite de US$ 3 mil para cada operação.

Há distribuidora de câmbio que aposta nos correspondentes e também em franquias. Assim, a corretora soma parceiros franquiados até 2014, ano da Copa do Mundo. Os correspondentes cambiais tornaram a operação mais rentável e estimularam a legalidade. Pretende-se ainda construir lojas próprias.

O modelo ganhou força com a restrição do Banco Central ao credenciamento de agências de turismo como operadores de câmbio, em 2010. Em pouco tempo, foram cadastrados 850 correspondentes no Banco Central do Brasil. As corretoras e distribuidoras aproveitaram a oportunidade para fechar parceiras com as agências de viagem e também com os hotéis, um dos principais pontos de troca de moeda por estrangeiros no país.

A economia aquecida tem dificultado a abertura de lojas em grandes centros, tanto pelo aumento do custo de aluguel, como pela disputa com as redes varejistas por pontos em shoppings centers. Uma das saídas são as parcerias com os correspondentes.

Planeja-se adquirir lojas próprias nos aeroportos. São esperadas muitas licitações decorrentes das ampliações da malha aérea brasileira.

Além das lojas próprias de casas de câmbio também se acredita em parcerias com hotéis, mas apenas para a compra de moeda estrangeira dos hóspedes. Esses acordos depende de responsabilidade. Trata-se do risco de permitir que outros operem caixa em nome da casa de câmbio. Há convênios com agência de turismo para prospectar produto de câmbio. Elas fazem reserva e o cliente paga à corretora.

 

5 pensamentos em “Mercado de Câmbio Manual

  1. As agências de turismo e câmbio perderam sua credencias do bacen, empresas de 20 30 40 anos de praça, que famílias inteiras dependiam destas empresas, de uma hora para outra simplesmente (o deorf do bacen)presidido pelo Sr Luis edson Feltrin, baixou uma resolução 3568 em que para uma agência de turismo e câmbio vender moedas estrangeiras, teria que se conveniar a uma corretora de câmbio, na qual a corretora pede 30 a 40 porcento do lucro da agência, ou seja seriamos escravos de grandes capitalistas. como sempre os pequenos sendo comidos pelos grandes,Esta injustiça com centenas de famílias passou a margem da grande imprensa. quem é louco de bater de frente com os grandes no mercado financeiro?
    A função precípua do banco central é a função social teria o banco não acabar com os pequenos do mercado jogando na mão de capitalistas selvagens, mas sim regulamentar de outra maneira para não jogar famílias inteiras em necessidade como a minha . E a chance que o bacen deu para nos e nos nos transformarmos em corretora de cambio ou seja em uma instituição financeira, é como vc pedir para uma mercearia da periferia de uma hora para outra transformar-se em um Carrefour da vida. O Sr Edson Feltrin mostrou o lado mais selvagem do neoliberalismo, ao invés de conversar, trazer uma solução, pesquisar chamar para conversar…não simplesmente baixou uma norma e acabou conosco uma canetada, e com um lobby forte no deorf a ABRACAM, aplaudiu de pé a selvageria neoliberal, agora como nos anos 30 nos EUA teremos que dar parte dos nossos lucros para uma corretora de cambio, senão seremos presos e algemados, não acredito que o presidente lula saiba disso que acontece nos porões do bacen , pequenos sendo engolidos pelos grandes.

    • Prezado Ali Said Sati,
      cedo-lhe o espaço para o desabafo sem eu ter conhecimento do assunto, inclusive a argumentação do outro lado, no entanto, retifico: provavelmente o sr. quis dizer ex-presidente Lula. De qualquer forma, nenhum Presidente da República não sabe de todas as decisões que se passam no Governo. Há descentralização do poder e autonomia relativa, onde cada servidor público tem que responder por suas decisões.
      Att.

      • Caro Fernado Nogueira não quis ser irônico quando disse que o companheiro Lula não sabia o que acontecia nos poroes do bacen, quis dizer que se soubesse não teria acontecido, ele iria intervir.Falo companheiro porque sou militante do PT a muitos anos e sempre lutei pela candidatura do companheiro Lula.Parabens pelos seus pensamentos sobre a economia contra os falcoes do mercado.

  2. Prezado Fernando, estou interessado em abrir uma operadora de cambio, mas não tenho muita informação sobre o assunto. Poderia me orientar por qual caminho devo começar?

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