Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista – Capítulo 3

Janeiro 25th, 2012 § Deixe um Comentário

PARTE II

 

DEMANDA POR DINHEIRO E

PREFERÊNCIA POR LIQUIDEZ


CAPÍTULO 3

DEMANDA POR DINHEIRO:

ESTABILIDADE OU INSTABILIDADE

“Um economista é aquele sujeito que sabe o preço de tudo,
mas não sabe o valor de nada”.

Nos livros-texto de Economia Monetária, é comum distinguir entre o “modelo clássico” e o “modelo keynesiano“. O modelo clássico é caracterizado por função velocidade de circulação da moeda estável, com demanda por encaixes dependente (a) das transações, (b) da duração dos períodos de pagamento e  (c) dos padrões de gasto. O modelo keynesiano é caracterizado pela ênfase sobre os motivos transacional, precaucional, especulativo e finance para demandar dinheiro, conduzindo à abordagem de portfolio.

O mais influente tratamento moderno, no mainstream, da demanda por dinheiro foi a reapresentação da Teoria Quantitativa da Moeda, realizada por Friedman, como teoria da demanda por moeda, cuja função seria estável. Esta hipótese, testada em vários trabalhos econométricos com resultados inconclusivos, colocou-se como oposição à visão, associada a Keynes, que elasticidade da demanda por dinheiro em relação à taxa de juros é extremamente elevada, e à visão relacionada, fundada no Radcliffe Repport (com participação de Kaldor), que a velocidade de circulação da moeda é instável.

A idéia básica, em debate, é que não adianta insistir em controle direto da oferta de moeda se sua contrapartida – a demanda por moeda – apresentar comportamento instável. Discute-se a possibilidade de determinar certa oferta monetária que não atenda à demanda inflacionária, ou seja, só sancione a demanda por moeda “normal”: a ocorrida em período sem inflação.

Vamos mostrar, brevemente, o tratamento dado à demanda por moeda, tanto no modelo “clássico”, quanto no modelo “keynesiano”. Referente ao primeiro, apresentaremos a diferença do enfoque da velocidade de circulação da moeda na Equação de Trocas de Fisher e de Cambridge em relação ao dado pela teoria da demanda por moeda estável, elaborada por Friedman. Quanto ao segundo, recuperaremos os motivos da demanda por saldos de caixa, ou seja, o transacional, o precaucional, o especulativo e o finance, que geralmente não é apresentado pelos “manuais”, segundo a visão original de Keynes. Após, comentaremos a tentativa de síntese keynesiano-neoclássica, elaborada por keynesianos tradicionais como Baumol e Tobin, respectivamente, através da teoria da demanda por moeda para fins transacionais e da teoria da seleção da carteira de ativos. Por fim, destacaremos a distinção entre a demanda por moeda e a preferência pela liquidez, na fronteira do debate pós-keynesiano.

Leia mais: Fernando Nogueira da Costa Economia Monetária e Financeira CAPÍTULO 3

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