Projeto do País em Longo Prazo

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Falta um projeto para o Brasil? Quando lhe foi feita essa pergunta, em entrevista concedida ao Valor (Eu&Fim-de-Semana, 13/06/14), João Manuel Cardoso de Mello respondeu: “Qualquer pais que se preze tem um projeto. Agora, para isso, é preciso a centralidade da política. Se o país não tem um mínimo de organização política, a coisa não vai”.

Lula, em entrevista à Carta Capital em 04/06/14, já tinha feito a proposta de uma Constituinte eleita com a finalidade exclusiva de fazer uma reforma política. Nela poderão se aprovados, por exemplo, plebiscitos ágeis para a deliberação de um rol de temas importantes, tais como a adoção de cláusula de barreira para partidos terem representatividade social e política.

Luiz Carlos Bresser-Pereira (Folha de S. Paulo, 12/06/13), apoiou uma proposta de democracia participativa, enviada pelo Poder Executivo (Governo Federal) e que foi descartada pelo Poder Legislativo (Congresso Nacional):

“O decreto nº 8.243 não legisla sobre o nada. Pelo contrário, as formas de participação que define — as conferências nacionais, a ouvidoria pública, as audiências e consultas públicas — já existem no Brasil e muitas delas, especialmente as conferências nacionais, são dotadas de grande vitalidade e legitimidade. Os liberais afirmam que o decreto implica o risco do surgimento de ‘um poder paralelo’. Isso é puro nonsense. A democracia participativa convoca as organizações da sociedade civil e os cidadãos para participarem da definição das políticas públicas, mas de forma consultiva.”

Este é um debate político importante para o País decidir entre Centralismo Democrático ou Democracia Participativa. Entretanto, enquanto não se dá um rumo consequente a essa temática política, não se deve usar a retórica que “o País não tem Projeto” nas áreas econômica e social. Continuar a ler

Mito I do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Modelo de Crescimento pelo Consumo”

China PIB 1997-2016

Octávio de Barros, Diretor do Departamento Econômico do Bradesco, desde quando era economista-chefe do BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria) tinha montado o melhor Departamento Econômico entre todos os bancos. Como ex-colega e amigo, fui visitá-lo para aprender como montar um para a Caixa Econômica Federal, que não tinha sequer um assessor-econômico para sua Tesouraria. Ensinou-me: “contrate gente muito competente em econometria e defina o plano de trabalho; você fica com a elaboração da análise estratégica”. O BBVA foi adquirido pelo Bradesco e ele teve a oportunidade de ampliar, imensamente, o escopo de seu trabalho.

Foi com muita alegria que o recebemos no IE-UNICAMP, para uma Palestra na Semana de Economia promovida pelo CAECO (Centro Acadêmico da Economia), no dia 6 de setembro de 2014. Ele foi professor do IE entre 1987-1994, coincidindo com o período em que fui Coordenador do Ensino de Graduação (1989-1991).

Ele faz um trabalho extraordinariamente útil para todos os que acessarem o site do Bradesco na aba “Relação com Investidores”. Prestando um serviço de utilidade pública, coloca em acesso livre suas apresentações mensalmente atualizadas sobre a Conjuntura Econômica. Melhor, entre os inúmeros quadros estatísticos, recupera longas séries temporais anuais, permitindo se fazer análise de tendências históricas, ou seja, o passado se desdobrando para o futuro.

Gentilmente, ele me remeteu sua Apresentação na Semana de Economia — OCTAVIO DE BARROS Apresentação no IE-UNICAMP EM 05-09-2014 –, cujos dados permite desmentir vários mitos do terrorismo econômico, cometido na mídia por economistas neo e ultraliberais, no período pré-eleitoral. Chegaram a organizar seminário com a denominação “O Fim do Brasil”! Continuar a ler

Gás de Xisto no Brasil: Desenvolvimentismo Socioambiental

Gás de Xisto

O debate sobre exploração do gás de xisto no Brasil é um exemplo de como o social-desenvolvimentismo também se preocupa com os problemas ambientais. Não há monopólio da preocupação com a ecologia. No entanto, no campo social-desenvolvimentista, pratica-se a Ecologia Política, isto é, o Homem tem merece tanto respeito quanto a Natureza, inclusive por ser parte dela não pode ser esquecido. O desenvolvimentismo socioambiental não se esquece dos problemas sociais em nome de pretensa conciliação classista em torno da Ecologia. A miséria social não fica intocada tal como a natureza virgem na concepção preservacionista-conservadora do ambientalismo.

Roberto Rockmann (Valor, 25/08/14) informa que a exploração de gás não convencional mal começou no Brasil e já é cercada de polêmicas. O Brasil é detentor de uma das maiores reservas desse insumo no mundo, que só deverá chegar ao mercado na próxima década. Tramitam ações do Ministério Público Federal no Paraná e no Piauí que suspendem o início de prospecção nesses dois Estados em áreas concedidas na rodada de licitações realizada pelo governo federal em dezembro passado. No Congresso, discute-se o projeto de lei 6904/13, que suspende a exploração do gás de xisto pelo período de cinco anos.

O início da exploração de gás não convencional ainda coincide com a falta de água em algumas das maiores cidades do Brasil, o que pode tornar ainda mais sensível política e ambientalmente a questão. A exploração é feita a partir de hidrocarbonetos que estão presos em formações rochosas impermeáveis em áreas subterrâneas profundas. Por serem rochas muito duras, a produção é possível somente quando a rocha que contém esses gases é fraturada sob pressão hidráulica, em uma técnica chamada de fracionamento.

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Marina Silva É Contra A Economia do Petróleo?!

Ouro Negro

A produção de petróleo e gás da Petrobras, em julho de 2014, chegou a 2,479 milhões de barris de petróleo equivalente dia. É recorde histórico! A candidata Marina Silva, contra a Civilização do Automóvel, rasgará esse “bilhete sorteado”?!

Roberto Rockmann (Valor, 25/08/14) informou que o pré-sal poderá posicionar o Brasil como um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, com um excedente que pode superar 1,5 milhão de barris por dia, em um momento em que a demanda pelo insumo não será mais liderada pelos EUA, mas pela Ásia.

Essa nova fronteira de exploração também vai mudar o ranking das áreas produtoras de óleo no país, reduzindo a participação da Bacia de Campos e do Rio de Janeiro. Além disso, deverá promover debates sobre o destino dessa produção e ampliar a presença da China no mercado de energia do Brasil.

Há 20 anos, mais de 85% da produção de petróleo no Brasil vinham de poços na Bacia de Campos. Em junho, eram 75%, enquanto a Bacia de Santos já respondia hoje por 15%. São Paulo responde por 8% da oferta de óleo e 14% do gás doméstico. Em relação à produção por operador, 90% do petróleo vêm de poços da Petrobras, enquanto Shell e Statoil respondem, respectivamente, por 3,9% e 3,3%, segundo dados de junho da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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The Wall Street Journal se rende à Realidade do Petróleo no Brasil

Plataforma para Exploração do Petróleo em Águas Profundas

Luciana Magalhães (WSJ, 08/08/14) lembra que, quando a Petrobras revelou a maior descoberta de reservas de petróleo da sua história, em 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva brincou que a descoberta havia provado que Deus é brasileiro.

Novos dados de produção estão levando muitos na indústria a compartilhar esse otimismo. Segundo a Petrobras, os campos do pré-sal estão produzindo mais de 500.000 barris de petróleo por dia, cerca de três vezes mais que em 2012, e já representam perto de 25% da produção total da empresa, de dois milhões de barris por dia.

É um crescimento rápido para a Petrobras em uma das regiões petrolíferas mais desafiadoras do mundo. Os depósitos se encontram a cerca de 320 quilômetros longe da costa sudeste do Brasil, enterrados no solo oceânico sob uma grossa camada de sal, o que dá nome aos campos.

“Em termos de produtividade e da velocidade com que a Petrobras saiu de uma produção zero para 500.000 barris por dia é [algo] meio sem precedentes“, diz Ruaraidh Montgomery, analista da firma de pesquisa Wood Mackenzie.

Os ganhos de produção nos campos do pré-sal são extremamente necessários para compensar a queda de desempenho dos campos mais antigos da Petrobras. A produção total da empresa caiu de 1,98 milhão de barris equivalentes de petróleo por dia em 2012 para 1,93 milhão no ano passado. Em 2014, com o pré-sal, a produção total aumentou. Em junho, foi de 2,008 milhões de barris diários.

Com o pré-sal, o Brasil pretende ser um dos cinco principais produtores de petróleo do mundo até 2020, quando a produção deve chegar a quatro milhões de barris por dia. Mas, para atingir essa meta ambiciosa, a Petrobras terá que superar desafios financeiros, técnicos e políticos. Continuar a ler

Indústria do Petróleo: Construção Naval

Encomendas da Petrobras à Indústria Naval

Francisco Góes e Cláudia Schüffner (Valor, 28/07/14) informam que o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), lançado pela subsidiária da Petrobras há cerca de dez anos, é um exemplo das dificuldades enfrentadas na atual retomada da construção naval no Brasil. O Promef prevê a construção de 49 navios, mas só sete foram entregues até agora. O programa registrou atrasos nas obras e o João Cândido, primeiro navio encomendado ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), foi entregue com cerca de dois anos de atraso e custo 23% acima da média do contrato original, segundo estimativas de mercado.

Mas a avaliação da Petrobras e da Transpetro é que o programa está indo bem. “Até o momento três navios da série Suezmax foram produzidos e entregues para a Transpetro no EAS: João Cândido, Zumbi dos Palmares e Dragão do Mar. O João Cândido e o Zumbi dos Palmares apresentaram prazos de construção de 44 e 45 meses respectivamente o que revela índices de produtividade semelhantes. Já o Dragão do Mar foi construído e entregue em 39 meses o que indica evolução”, disse a estatal em nota.

A melhora da produtividade no EAS é esperada à medida que novos navios do mesmo porte forem sendo produzidos em série pelo estaleiro, pois um dos fatores que impactam positivamente a produtividade do setor naval é a repetição dos projetos, afirmou a estatal.

A Samsung, competidora coreana na área de construção naval, que era a antiga parceira, por estar boicotando o projeto, recebeu um “passa-fora moleque” no Governo Dilma. Então, em 2013, um grupo de empresas japonesas comprou 33% do capital do estaleiro. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão dividem meio a meio os restantes 66% da empresa. Continuar a ler

Economia Colombiana: Boom de Commodities-Doença Holandesa-Desindustrialização

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Um bom exemplo de como uma pequena economia exportadora de commodities apresenta taxas de crescimento da renda superiores, quando há boom em seus preços, mas não sustenta essas taxas se não possui diversificação dos setores de atividades, para atender com produção nacional de bens industriais e serviços a um mercado interno ampliado, é a colombiana. Cabe verificar se enquadra em um estudo de caso de “doença holandesa e desindustrialização“.

A Colômbia, na área econômica, em meio a um período de forte crescimento, o país está muito perto de desbancar a Argentina do posto de terceira maior economia da América Latina – algo que, para os colombianos, já é uma realidade.

“Felizmente essa briga já está ficando para trás, porque com a desvalorização do peso argentino, no começo deste ano, todas as medições já apontam que o PIB colombiano medido em dólares é maior que o argentino”, disse o ministro da Economia, Maurício Cárdenas.

Pelos seus cálculos, levando-se em conta dados do terceiro trimestre de 2013, o PIB nominal colombiano somava US$ 344 bilhões, comparado a um PIB argentino de US$ 338 bilhões. Mas, segundo o FMI, essa virada só deve ocorrer, de fato, em meados de 2015. Continuar a ler