Debate sobre o BNDES

 

BNDES contribuição para a infraestruturaBNDES efeitos indutores no investimentoBNDES - PSIBNDES - Grandes EmpresasBNDES - MPMEAlex Ribeiro (Valor, 17/07/14) fez MBA em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas. Apresenta o debate referente à campanha neoliberal contra o BNDES. Todos os neoliberais estão fazendo o maior de seus esforços para criticar o governo social-desenvolvimentista e, caso consigam a eleição do neto do Tancredo Neves, completar o desmanche do Estado desenvolvimentista ocorrido nos anos 90. Por isso, atacam tanto o BNDES quanto a PETROBRAS.

Se porventura eles conseguirem o intento, derrubarão a possibilidade do País, na próxima década, emancipar de problemas no seus balanço de pagamentos pela exportação de petróleo extraído do pré-sal. Só com o financiamento do BNDES se conseguirá erguer a indústria do petróleo no Brasil, já que o mercado de capitais aqui é raquítico e sem iniciativa particular para fomentar o desenvolvimento socioeconômico. Leiam os argumentos neoliberais abaixo, prosseguindo o alerta do risco que corremos na próxima eleição.

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acelerou os desembolsos de empréstimos neste ano. Já foram liberados R$ 194,8 bilhões nos 12 meses encerrados em abril, superando, pelo menos por enquanto, o recorde de R$ 190,4 bilhões observado ao longo de 2013. Apesar disso, o Banco Central prevê uma retração de 2,4% no volume de investimentos na economia neste ano. Desde 2008, quando o BNDES passou a receber aportes periódicos de recursos do Tesouro Nacional, da ordem de R$ 400 bilhões, sua carteira de crédito saltou de 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10,6% do PIB. A taxa de investimento na economia, porém, não reagiu. Pelo contrário: saiu de 18,3% em 2008 para um pico de 19,5% em 2011, para então entrar em trajetória de declínio, chegando a apenas 17,7% do PIB em março passado.

Para muitos [que não se dão conta que decisões de investimentos levam longo prazo para maturação], esses dados mostram que os financiamentos subsidiados do BNDES representam apenas uma transferência de dinheiro público para os empresários, sem gerar ganhos reais à economia. Dados agregados, porém, podem levar a conclusões enganosas [e correlações espúrias em época de crise internacional] e não permitem, por exemplo, responder se a taxa de investimento seria ainda menor se não fosse a atuação do BNDES. Continuar a ler

Campanha Neoliberal contra o BNDES

Carteira do BNDES

Fábio Pupo (Valor, 15/07/14) apresenta a carteira de empréstimos do BNDES bastante detalhada para qualquer neoliberal conseguir ler e entender. Os neoliberais mentem ao querer iludir os eleitores com a crítica de “opacidade quanto aos critérios de alocação definidos pelo próprio BNDES”. Quando a maior fonte dessa crítica ao banco presidido por um ex-professor do IE-UNICAMP, Luciano Coutinho, está nos panfletos dos professores da Escola de Pós-graduação em Economia (EPGE-FGV) — leia abaixo — fica claro que não se trata de ignorância, mas sim de má-fé. O objetivo deles é recuperarem um protagonismo que tiveram no passado com o desmanche do Estado desenvolvimentista. Foi então que a economia brasileira, que era a que mais crescia no mundo até 1973, perdeu duas décadas de crescimento, quando foi para 96o. lugar, e terminou o século em terceiro lugar com essa “era neoliberal”!

Prumo Logística (ex-LLX) figura no topo do ranking dos maiores empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, de acordo com balanço divulgado nos últimos dias pela instituição. O montante de R$ 1,8 bilhão, contratado em fevereiro, reforça a política da instituição de dar prioridade a infraestrutura. Mas os defensores de O Mercado Livre veem o financiamento dos investimentos nesse setor prioritário como fosse um absurdo!

A campeã Prumo faz as obras de implantação do porto de Açu, no município de São João da Barra (RJ), dedicado à movimentação de cargas gerais (carvão mineral, produtos siderúrgicos, granito e contêineres) e a serviços de logística para o setor de óleo e gás na Bacia de Campos. Continuar a ler

Fundo Garantidor de Operações de Crédito

Oferta e demanda de crédito das PMEs

Em 27 de outubro de 2004, dei uma palestra no BNDES, durante um Seminário sobre Arranjos Produtivos Locais, a respeito de Crédito e Instrumentos Financeiros para Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) — veja: Fundo Garantidor de Operações de Crédito. Falei a respeito do que eu tinha aprendido sobre a constituição de um Fundo Garantidor de Crédito em visita que fiz a Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Fui lá porque era o único lugar no País onde ocorria essa experiência. Tive um papel de divulgador. Fico feliz por constatar que, dez anos após, “o mundo gira, o Fernando roda…” :)

O uso de fundos garantidores, que cobrem uma parte da perda com inadimplência, tem dado mais segurança para Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal concederem empréstimos para empresas de pequeno porte. É o que ajuda a entender o avanço das carteiras de crédito dessas instituições no segmento.

No BB, 22% da carteira de créditos para companhias de pequeno porte – ou cerca de R$ 22 bilhões – têm por trás fundos garantidores, segundo Adilson do Nascimento Anísio, diretor de MPE do BB. Na Caixa, essa fatia corresponde a apenas 10% do portfólio no segmento, o equivalente a R$ 4,6 bilhões, mas o banco público afirma que pretende ampliar essa participação.

Usado em mais larga escala pelo BB e pela Caixa, o Fundo de Garantia de Operações (FGO) cobre até 80% do valor do empréstimo contratado, até um teto de R$ 650 mil. Além do FGO, o BB utiliza os seguros do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas e do Fundo Garantidor de Investimentos. Continuar a ler

Crescimento da Participação de Micros e Pequenas Empresas (MPE) na Contabilidade Social

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Lucas Marchesini (Valor, 23/07/14) informa que a participação das micro e pequenas empresas no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu e atingiu 27%. O dado inédito foi apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido do Sebrae . Esse percentual refere-se ao ano de 2011 e representa um aumento significativo em relação a 1985, quando, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pequenos negócios respondiam por 21% do PIB nacional. A pesquisa da FGV utilizou a mesma metodologia aplicada pelo IBGE naquela ocasião.

Esse crescimento se deve à conjugação de três questões, na avaliação do presidente do Sebrae, Luiz Barreto. São eles:

  1. o crescimento do mercado consumidor, em especial a classe C,
  2. o aumento do grau de escolaridade da população e
  3. a criação do Super Simples (sistema criado em julho de 2007), que simplificou drasticamente e reduziu a carga tributária das pequenas empresas.

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Reforma do Tripé Microeconômico

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David Kupfer é professor licenciado e membro do Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ (GIC-IE/UFRJ) e assessor da presidência do BNDES. Publicou artigo (Valor, 14/07/14) onde propõe a reforma do tripé microeconômico durante o segundo mandato da Presidenta Dilma.

“O Plano Real acaba de completar vinte anos, tendo recebido ampla e merecida cobertura da imprensa especializada. O Plano foi, de fato, um tiro certeiro contra um intolerável equilíbrio com inflação alta e crônica que castigava a economia, e principalmente a sociedade brasileira, havia mais de dez anos. Mas a estratégia de estabilização monetária fundamentalmente baseada em ancoragem cambial que, em essência, caracterizava o Plano Real, carecia tanto de sustentabilidade macroeconômica quanto de virtuosismo microeconômico.

A inconsistência macroeconômica foi rapidamente revelada pela pesada crise cambial que se armou em um curto interregno de quatro anos – a rigor, apenas três, descontando-se a sobrevida do Plano, artificialmente prolongada pelo imperativo eleitoral de 1998. A superação do colapso no balanço de pagamentos veio com a implantação de um novo modelo de política, o tripé macroeconômico, formado por taxa de câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. Hoje costumeiramente rotulado como uma continuidade, na verdade o tripé deve ser considerado mais como uma ruptura do que um simples ajustamento do Plano Real. Continuar a ler

Brasil em Debate

Brasil - Debate

Foi lançado um site com análises e dados que não são apresentados na “grande” imprensa brasileira.

Seus organizadores são professores, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas da economia, do social e da cultura brasileiras. Tem em comum o reconhecimento da importância histórica do processo desenvolvido nos últimos anos e que favoreceu a ocorrência simultânea de crescimento econômico, distribuição da renda e valorização dos direitos sociais. Mas também querem participar do debate sobre o Brasil do amanhã, avaliando os desafios do presente e favorecendo a discussão sobre um futuro ainda melhor para nosso país.

Conselho Editorial:  André Biancarelli, Eduardo Fagnani, Jorge Mattoso (coord.), Laura Barbosa de Carvalho e Pedro Rossi

Redação: Ana Luíza Matos de Oliveira, Ítalo Martins e os editores: Joel Santos Guimarães e Paula Quental

Visite-ohttp://brasildebate.com.br/

Economia Brasileira Contemporânea

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Caracterizada pela diversificação setorial de atividades, já que possui grande e bem desenvolvida agricultura, mineração, manufatura e muitos subsetores de serviços, além de uma classe média em rápida expansão, a economia brasileira supera a de todos os outros países da América do Sul. O Brasil está expandindo sua presença nos mercados mundiais.

Desde 2003, o Brasil tem melhorado a sua estabilidade macroeconômica, ampliado as reservas internacionais, e alongado seu perfil de endividamento, transformando sua dívida em instrumentos denominados em reais. Os empréstimos no mercado interno ampliaram significativamente. Em 2008, o Brasil tornou-se um credor externo líquido e duas agências de rating concederam o grau de investimento para sua dívida.

Após forte crescimento em 2007 e 2008, o início da crise financeira global atingiu o Brasil em 2008. A economia brasileira experimentou dois trimestres de recessão, porque diminuiu a demanda global por exportações baseadas em commodities do Brasil e o crédito externo secou. No entanto, o Brasil foi um dos primeiros mercados emergentes a começar uma recuperação. Em 2010, renasceu a confiança dos consumidores e investidores com o crescimento do PIB atingindo 7,5%, a maior taxa de crescimento nos últimos 25 anos.

O receio do aumento da inflação levou as autoridades monetárias a tomar medidas para esfriar a economia. Essas ações e a situação econômica internacional em deterioração desacelerou o crescimento em 2011-13. O desemprego está em níveis historicamente baixos e o tradicionalmente alto nível de desigualdade de renda no Brasil diminuiu para um dos menores nos últimos dez anos.

Historicamente, as altas taxas de juros do Brasil resultam em um destino atraente para os investidores estrangeiros. Grandes fluxos de capital ao longo dos últimos anos têm contribuído para a apreciação da moeda nacional, prejudicando a competitividade da indústria brasileira e levando o governo a intervir nos mercados cambiais e aumentar os impostos sobre alguns fluxos de capital estrangeiros. A Presidente Dilma Rousseff manteve o compromisso da administração anterior de regime de metas de inflação executado pela política monetária do Banco Central, a taxa de câmbio flutuante e a contenção fiscal. Continuar a ler

Automação Robótica na Indústria Automobilística: Adeus ao Proletariado

Nissan inaugura complejo automotriz de ,500 MDD en Brasil

Após a seleção alemã golear a brasileira no campo do Mineirão, na Copa de 2014 em Belo Horizonte, uma piada comparava a velocidade dos gols da Alemanha com o ritmo de produção de Gols, o carro mais popular do país, pela Volkswagen (VW).

“Nem a fábrica da Volkswagen faz cinco gols em 30 minutos”, dizia um dos posts mais populares nas redes sociais. Outro, de cálculo mais próximo da realidade, estimava que a “produção” de quatro gols em seis minutos – outro feito da equipe de Joachim Löw – representava um novo recorde mundial, digno de felicitações da montadora.

Tudo não passa de uma brincadeira, mas, de fato, a eficiência do ataque alemão chegou perto da produtividade de uma linha de montagem da Volkswagen durante parte do jogo. Modelo mais vendido do país há quase três décadas, o Gol é produzido nas fábricas da Volks em São Bernardo do Campo e Taubaté, no interior paulista. Cada uma delas tem capacidade de produzir um Gol por minuto.

No jogo da Copa, a Alemanha precisou de apenas quatro minutos para fazer três gols, com Miroslav Klose – no tento em que o atacante germânico superou a artilharia de Ronaldo em Copas – e Toni Kroos.

Assim, no prazo em que saíram o segundo, o terceiro e o quarto gol, a seleção alemã fez apenas um gol a menos do que uma fábrica da Volks teria condições de produzir em tempo equivalente. Quando se inclui os demais modelos, a comparação é descabida porque a montadora, nesse caso, tem potencial de produzir dois carros em menos de um minuto em suas três fábricas no país!

Eduardo Laguna (Valor, 17/06/14) informa que, vinte anos após a onda de investimentos em inovação tecnológica desencadeada pela abertura comercial do início da década de 90, seguida pela chegada de montadoras francesas e japonesas, a indústria automobilística brasileira vive um novo ciclo de modernização com a inserção do país na rota das plataformas de produção globais.

Tomadas por robôs e equipamentos inteligentes, as fábricas que estão sendo inauguradas por montadoras novatas, ou atualizadas pelas marcas de longa data no país, são o melhor retrato do progresso na automação industrial desse setor. Elas reúnem tecnologias que chegam não apenas para alinhar os carros daqui aos padrões de qualidade dos mercados mais exigentes, mas também para melhorar a produtividade das linhas, o que tem sido considerado um dos maiores desafios da indústria com a escalada dos custos de mão de obra e matéria-prima dos últimos anos.

Duas décadas atrás, as montadoras empregavam quase 80 trabalhadores a cada mil veículos produzidos. Hoje, chegam a igual volume com menos da metade dessa força de trabalho: 35 operários a cada mil unidades. Continuar a ler

Crescimento: Ilusões e Realidades

 

Crescimento Mundial 0-2012Crescimento da população mundial 1700-2012Taxa de crescimento da população mundial 0-2100

processo de, nas áreas subdesenvolvidas, a industrialização requerer um esforço deliberado, intenso, orientado, é denominado de “a grande arrancada” (Paul Rosenstein-Rodan), “a decolagem” (Walt W. Rostow), “o grande salto” (Alexander Gerschenkron), “o mínimo esforço crítico” (Harvey Leibenstein), “os encadeamentos para trás” (backward linkage ou efeito de arrasto) “e para frente” (forward linkage ou efeito de propulsão), segundo Albert Hirschman, ou, a partir da nova contribuição de Thomas Piketty à Teoria do Desenvolvimento, de catch-up. No entanto, esse processo é delimitado, historicamente, a determinado período. Minha hipótese é que a economia brasileira já ultrapassou essa fase caracterizada por altas taxas de crescimento econômico e demográfico — e entrou no padrão de crescimento normal (ou modal) na história global.

Um processo de convergência global, em que os países emergentes estão a aproximar-se dos países desenvolvidos, parece estar bem encaminhado, hoje, embora desigualdades substanciais entre países ricos e pobres permaneçam. Não há evidências de que esse processo de convergência é, principalmente, “um resultado do investimento por parte dos países ricos nos pobres”. Na verdade, o contrário é verdadeiro: a experiência passada mostra que a obtenção de um bom resultado é mais bem sucedida quando os países pobres são capazes de investir em si mesmos.

Além dessa questão central da convergência, no entanto, o ponto que Thomas Piketty quer enfatizar no segundo capítulo de seu livro “O Capital no Século XXI” é que o século XXI pode ver um retorno a um regime de baixo crescimento. Mais precisamente, o que vamos encontrar em pesquisa histórica é que o crescimento, de fato, sempre foi relativamente lento, exceto em períodos excepcionais, nos pós-guerra, ou quando catch-up está ocorrendo. Além disso, todos os sinais são de que o crescimento, ou pelo menos o do seu componente demográfico, vai ser ainda mais lento no futuro. Continuar a ler

Exploração de Petróleo no Pré-Sal em Angola

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Andrew England e Javier Blas (Financial Times apud Valor, 09/06/14) escreveram ótima reportagem sobre Angola, nosso vizinho da outra margem de um rio chamado Atlântico. Inclusive por nossas origens étnicas comuns, temos de fazer parceria em longo prazo com os angolanos!

 

“À noite, quando a escuridão oculta as cicatrizes deixadas por uma brutal guerra civil de 27 anos em Angola, a Ilha de Luanda lembra uma esquina deteriorada de Ipanema. Assim como no bairro do Rio de Janeiro, os moradores locais também falam português nos bares e restaurantes espalhados pela praia estreita. O clima é agradável, a música é alta e as festas vão até tarde.

Hoje em dia, os restaurantes chiques da Ilha estão cheios de executivos do setor petroleiro, que torcem para que Angola e Brasil tenham mais outra coisa em comum: a geologia.

Embora exista um oceano de distância, a costa oeste de Angola apresenta características geológicas parecidas com as da costa leste do Brasil – um legado da separação das placas tectônicas africana e sul-americana. Nas plataformas continentais, a centenas de metros sob o leito do mar, os dois possuem uma grossa camada de sal.

No Brasil, geólogos encontraram reservas enormes de hidrocarboneto sob essa camada, dando origem a uma próspera indústria petrolífera do “pré-sal”. Agora, algumas das maiores companhias de petróleo do mundo estão apostando bilhões de dólares que Angola possui reservas similares no pré-sal.

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Projeto para Retirada de Gás no Campo de Libra

Pré-sal

Cláudia Schuffner (Valor, 04/06/14) informa que, depois de fazer uma ousada aposta no Brasil ao adquirir 20% do campo de Libra no ano passado por US$ 1,4 bilhão, a francesa Total está empolgada com o país. Marc Blaizot, vice-presidente mundial de exploração e produção da Total, diz que a empresa já discute com os sócios Petrobras, Shell e as chinesas CNOOC e CNPC o conceito de desenvolvimento do campo gigante, o primeiro a ser leiloado no país no regime de partilha da produção.

O consórcio já formou um Joint Project Team (JPT) para discutir Libra, cujo primeiro problema a ser resolvido é a alta incidência de gás carbônico (CO2), que em Libra representa 40% de todo o gás do reservatório. Segundo o executivo, está prevista a perfuração de dois poços em Libra ainda este ano, que vão consumir parte expressiva do orçamento de US$ 300 milhões da companhia para o Brasil em 2014. Isso representa 10% do orçamento global de exploração da empresa. A pressa, diz ele, é para conhecer o tamanho do campo e a quantidade de óleo e gás depositados ali. Continuar a ler

Revolução Comunista ou Consumista

Anticonsumismo

As reformas implementadas por Deng Xiaoping, entre 1979 e 1989, adotando o Socialismo de Mercado com investimento direto estrangeiro, formação de quadros técnicos no exterior e transferência de tecnologia, levaram ao ressurgimento da antiga potência econômica: a China. A sociedade ocidental de consumo em massa forneceu ao Leste Asiático (e não à ex-URSS) não só um modelo a ser seguido, como também um mercado mundial para seus bens de consumo baratos. O paradoxal foi o Socialismo Realmente Existe, isto é, o Socialismo de Mercado, ter propiciado a revolução mundial na Sociedade de Consumo!

A inclusão em massa nesse mercado global é uma conquista social e não deve ser menosprezada. A luta dos trabalhadores ocidentais parece ter priorizado, justamente, o acesso à sociedade de consumo e à democracia da casa própria. Isto aparenta ser um fracasso face às reivindicações dos marxistas ortodoxos: extinção da herança; estatização do crédito; propriedade estatal de todos os meios de produção. Na prática dos regimes totalitários, extrapolou-se para a abolição da propriedade privada, inclusive de bens de consumo duráveis como automóveis e moradias!

No entanto, as reivindicações dos sindicalistas e partidos socialdemocratas europeus foram mais bem sucedidas: governo constitucional (inclusive Monarquia Parlamentarista); liberdade de expressão, de imprensa e de associação; representação político-partidária mais ampla por meio da reforma eleitoral; autodeterminação nacional ou autogoverno. Continuar a ler