Brasil em Debate

Brasil - Debate

Foi lançado um site com análises e dados que não são apresentados na “grande” imprensa brasileira.

Seus organizadores são professores, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas da economia, do social e da cultura brasileiras. Tem em comum o reconhecimento da importância histórica do processo desenvolvido nos últimos anos e que favoreceu a ocorrência simultânea de crescimento econômico, distribuição da renda e valorização dos direitos sociais. Mas também querem participar do debate sobre o Brasil do amanhã, avaliando os desafios do presente e favorecendo a discussão sobre um futuro ainda melhor para nosso país.

Conselho Editorial:  André Biancarelli, Eduardo Fagnani, Jorge Mattoso (coord.), Laura Barbosa de Carvalho e Pedro Rossi

Redação: Ana Luíza Matos de Oliveira, Ítalo Martins e os editores: Joel Santos Guimarães e Paula Quental

Visite-ohttp://brasildebate.com.br/

Economia Brasileira Contemporânea

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Caracterizada pela diversificação setorial de atividades, já que possui grande e bem desenvolvida agricultura, mineração, manufatura e muitos subsetores de serviços, além de uma classe média em rápida expansão, a economia brasileira supera a de todos os outros países da América do Sul. O Brasil está expandindo sua presença nos mercados mundiais.

Desde 2003, o Brasil tem melhorado a sua estabilidade macroeconômica, ampliado as reservas internacionais, e alongado seu perfil de endividamento, transformando sua dívida em instrumentos denominados em reais. Os empréstimos no mercado interno ampliaram significativamente. Em 2008, o Brasil tornou-se um credor externo líquido e duas agências de rating concederam o grau de investimento para sua dívida.

Após forte crescimento em 2007 e 2008, o início da crise financeira global atingiu o Brasil em 2008. A economia brasileira experimentou dois trimestres de recessão, porque diminuiu a demanda global por exportações baseadas em commodities do Brasil e o crédito externo secou. No entanto, o Brasil foi um dos primeiros mercados emergentes a começar uma recuperação. Em 2010, renasceu a confiança dos consumidores e investidores com o crescimento do PIB atingindo 7,5%, a maior taxa de crescimento nos últimos 25 anos.

O receio do aumento da inflação levou as autoridades monetárias a tomar medidas para esfriar a economia. Essas ações e a situação econômica internacional em deterioração desacelerou o crescimento em 2011-13. O desemprego está em níveis historicamente baixos e o tradicionalmente alto nível de desigualdade de renda no Brasil diminuiu para um dos menores nos últimos dez anos.

Historicamente, as altas taxas de juros do Brasil resultam em um destino atraente para os investidores estrangeiros. Grandes fluxos de capital ao longo dos últimos anos têm contribuído para a apreciação da moeda nacional, prejudicando a competitividade da indústria brasileira e levando o governo a intervir nos mercados cambiais e aumentar os impostos sobre alguns fluxos de capital estrangeiros. A Presidente Dilma Rousseff manteve o compromisso da administração anterior de regime de metas de inflação executado pela política monetária do Banco Central, a taxa de câmbio flutuante e a contenção fiscal. Continuar a ler

Automação Robótica na Indústria Automobilística: Adeus ao Proletariado

Nissan inaugura complejo automotriz de ,500 MDD en Brasil

Após a seleção alemã golear a brasileira no campo do Mineirão, na Copa de 2014 em Belo Horizonte, uma piada comparava a velocidade dos gols da Alemanha com o ritmo de produção de Gols, o carro mais popular do país, pela Volkswagen (VW).

“Nem a fábrica da Volkswagen faz cinco gols em 30 minutos”, dizia um dos posts mais populares nas redes sociais. Outro, de cálculo mais próximo da realidade, estimava que a “produção” de quatro gols em seis minutos – outro feito da equipe de Joachim Löw – representava um novo recorde mundial, digno de felicitações da montadora.

Tudo não passa de uma brincadeira, mas, de fato, a eficiência do ataque alemão chegou perto da produtividade de uma linha de montagem da Volkswagen durante parte do jogo. Modelo mais vendido do país há quase três décadas, o Gol é produzido nas fábricas da Volks em São Bernardo do Campo e Taubaté, no interior paulista. Cada uma delas tem capacidade de produzir um Gol por minuto.

No jogo da Copa, a Alemanha precisou de apenas quatro minutos para fazer três gols, com Miroslav Klose – no tento em que o atacante germânico superou a artilharia de Ronaldo em Copas – e Toni Kroos.

Assim, no prazo em que saíram o segundo, o terceiro e o quarto gol, a seleção alemã fez apenas um gol a menos do que uma fábrica da Volks teria condições de produzir em tempo equivalente. Quando se inclui os demais modelos, a comparação é descabida porque a montadora, nesse caso, tem potencial de produzir dois carros em menos de um minuto em suas três fábricas no país!

Eduardo Laguna (Valor, 17/06/14) informa que, vinte anos após a onda de investimentos em inovação tecnológica desencadeada pela abertura comercial do início da década de 90, seguida pela chegada de montadoras francesas e japonesas, a indústria automobilística brasileira vive um novo ciclo de modernização com a inserção do país na rota das plataformas de produção globais.

Tomadas por robôs e equipamentos inteligentes, as fábricas que estão sendo inauguradas por montadoras novatas, ou atualizadas pelas marcas de longa data no país, são o melhor retrato do progresso na automação industrial desse setor. Elas reúnem tecnologias que chegam não apenas para alinhar os carros daqui aos padrões de qualidade dos mercados mais exigentes, mas também para melhorar a produtividade das linhas, o que tem sido considerado um dos maiores desafios da indústria com a escalada dos custos de mão de obra e matéria-prima dos últimos anos.

Duas décadas atrás, as montadoras empregavam quase 80 trabalhadores a cada mil veículos produzidos. Hoje, chegam a igual volume com menos da metade dessa força de trabalho: 35 operários a cada mil unidades. Continuar a ler

Crescimento: Ilusões e Realidades

 

Crescimento Mundial 0-2012Crescimento da população mundial 1700-2012Taxa de crescimento da população mundial 0-2100

processo de, nas áreas subdesenvolvidas, a industrialização requerer um esforço deliberado, intenso, orientado, é denominado de “a grande arrancada” (Paul Rosenstein-Rodan), “a decolagem” (Walt W. Rostow), “o grande salto” (Alexander Gerschenkron), “o mínimo esforço crítico” (Harvey Leibenstein), “os encadeamentos para trás” (backward linkage ou efeito de arrasto) “e para frente” (forward linkage ou efeito de propulsão), segundo Albert Hirschman, ou, a partir da nova contribuição de Thomas Piketty à Teoria do Desenvolvimento, de catch-up. No entanto, esse processo é delimitado, historicamente, a determinado período. Minha hipótese é que a economia brasileira já ultrapassou essa fase caracterizada por altas taxas de crescimento econômico e demográfico — e entrou no padrão de crescimento normal (ou modal) na história global.

Um processo de convergência global, em que os países emergentes estão a aproximar-se dos países desenvolvidos, parece estar bem encaminhado, hoje, embora desigualdades substanciais entre países ricos e pobres permaneçam. Não há evidências de que esse processo de convergência é, principalmente, “um resultado do investimento por parte dos países ricos nos pobres”. Na verdade, o contrário é verdadeiro: a experiência passada mostra que a obtenção de um bom resultado é mais bem sucedida quando os países pobres são capazes de investir em si mesmos.

Além dessa questão central da convergência, no entanto, o ponto que Thomas Piketty quer enfatizar no segundo capítulo de seu livro “O Capital no Século XXI” é que o século XXI pode ver um retorno a um regime de baixo crescimento. Mais precisamente, o que vamos encontrar em pesquisa histórica é que o crescimento, de fato, sempre foi relativamente lento, exceto em períodos excepcionais, nos pós-guerra, ou quando catch-up está ocorrendo. Além disso, todos os sinais são de que o crescimento, ou pelo menos o do seu componente demográfico, vai ser ainda mais lento no futuro. Continuar a ler

Exploração de Petróleo no Pré-Sal em Angola

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Andrew England e Javier Blas (Financial Times apud Valor, 09/06/14) escreveram ótima reportagem sobre Angola, nosso vizinho da outra margem de um rio chamado Atlântico. Inclusive por nossas origens étnicas comuns, temos de fazer parceria em longo prazo com os angolanos!

 

“À noite, quando a escuridão oculta as cicatrizes deixadas por uma brutal guerra civil de 27 anos em Angola, a Ilha de Luanda lembra uma esquina deteriorada de Ipanema. Assim como no bairro do Rio de Janeiro, os moradores locais também falam português nos bares e restaurantes espalhados pela praia estreita. O clima é agradável, a música é alta e as festas vão até tarde.

Hoje em dia, os restaurantes chiques da Ilha estão cheios de executivos do setor petroleiro, que torcem para que Angola e Brasil tenham mais outra coisa em comum: a geologia.

Embora exista um oceano de distância, a costa oeste de Angola apresenta características geológicas parecidas com as da costa leste do Brasil – um legado da separação das placas tectônicas africana e sul-americana. Nas plataformas continentais, a centenas de metros sob o leito do mar, os dois possuem uma grossa camada de sal.

No Brasil, geólogos encontraram reservas enormes de hidrocarboneto sob essa camada, dando origem a uma próspera indústria petrolífera do “pré-sal”. Agora, algumas das maiores companhias de petróleo do mundo estão apostando bilhões de dólares que Angola possui reservas similares no pré-sal.

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Projeto para Retirada de Gás no Campo de Libra

Pré-sal

Cláudia Schuffner (Valor, 04/06/14) informa que, depois de fazer uma ousada aposta no Brasil ao adquirir 20% do campo de Libra no ano passado por US$ 1,4 bilhão, a francesa Total está empolgada com o país. Marc Blaizot, vice-presidente mundial de exploração e produção da Total, diz que a empresa já discute com os sócios Petrobras, Shell e as chinesas CNOOC e CNPC o conceito de desenvolvimento do campo gigante, o primeiro a ser leiloado no país no regime de partilha da produção.

O consórcio já formou um Joint Project Team (JPT) para discutir Libra, cujo primeiro problema a ser resolvido é a alta incidência de gás carbônico (CO2), que em Libra representa 40% de todo o gás do reservatório. Segundo o executivo, está prevista a perfuração de dois poços em Libra ainda este ano, que vão consumir parte expressiva do orçamento de US$ 300 milhões da companhia para o Brasil em 2014. Isso representa 10% do orçamento global de exploração da empresa. A pressa, diz ele, é para conhecer o tamanho do campo e a quantidade de óleo e gás depositados ali. Continuar a ler

Revolução Comunista ou Consumista

Anticonsumismo

As reformas implementadas por Deng Xiaoping, entre 1979 e 1989, adotando o Socialismo de Mercado com investimento direto estrangeiro, formação de quadros técnicos no exterior e transferência de tecnologia, levaram ao ressurgimento da antiga potência econômica: a China. A sociedade ocidental de consumo em massa forneceu ao Leste Asiático (e não à ex-URSS) não só um modelo a ser seguido, como também um mercado mundial para seus bens de consumo baratos. O paradoxal foi o Socialismo Realmente Existe, isto é, o Socialismo de Mercado, ter propiciado a revolução mundial na Sociedade de Consumo!

A inclusão em massa nesse mercado global é uma conquista social e não deve ser menosprezada. A luta dos trabalhadores ocidentais parece ter priorizado, justamente, o acesso à sociedade de consumo e à democracia da casa própria. Isto aparenta ser um fracasso face às reivindicações dos marxistas ortodoxos: extinção da herança; estatização do crédito; propriedade estatal de todos os meios de produção. Na prática dos regimes totalitários, extrapolou-se para a abolição da propriedade privada, inclusive de bens de consumo duráveis como automóveis e moradias!

No entanto, as reivindicações dos sindicalistas e partidos socialdemocratas europeus foram mais bem sucedidas: governo constitucional (inclusive Monarquia Parlamentarista); liberdade de expressão, de imprensa e de associação; representação político-partidária mais ampla por meio da reforma eleitoral; autodeterminação nacional ou autogoverno. Continuar a ler

Mineração no Brasil

Investimentos na Mineração

Juan Garrido (Valor, 22/04/14) informa que a projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para 2014 aponta para uma receita de US$ 43 bilhões da produção mineral brasileira. Caso confirmada, serão US$ 10 bilhões a menos que em 2011, ano de recorde histórico para o setor. Tal prognóstico é uma ducha de água fria num mercado acostumado a saltos sucessivos na produção entre 2001 e 2011, saindo de US$ 5 bilhões para US$ 53 bilhões. Segundo o presidente do Ibram, José Fernando Coura, a mineração brasileira amarga um momento de dificuldades e de preços em queda. “A previsão é também de redução de investimentos, sobretudo em exploração mineral, de acordo com as próprias projeções divulgadas pelas mineradoras para os próximos cinco anos.”

A mineração tem contribuição decisiva para o balanço comercial e para a interiorização do crescimento econômico. Segundo o Ibram, o saldo do balanço mineral de 2013 foi 12,5 vezes maior que o saldo do balanço comercial do país como um todo. Continuar a ler

Contraproposta de Robert Shiller à Proposta de Thomas Piketty

Robert Shiller_Nobel Prize

Robert J. Shiller, Prêmio Nobel de Economia em 2013, é professor na Yale University e coautor, com George Akerlof, de “O Espírito Animal: Como a Psicologia Humana Impulsiona a Economia e a sua Importância para o Capitalismo Global”. Também resenhou o livro de Piketty.

De antemão, devo alertar que, como cito em meu TDIE, Medição da Riqueza Financeira, que:

Impostos e taxas punitivas de tributação não conseguiram, por si só, transformar a distribuição de renda. Muitas fortunas, no início do século XX, foram destruídas por revoluções, guerras, hiperinflação, e pela Grande Depressão. As altas alíquotas de impostos de renda tornaram muito mais difícil grandes fortunas serem acumuladas novamente. Na maioria dos países, a proporção da riqueza de 1% do topo mais rico caiu, persistentemente, de 1920 até o final da década de 1970, isto é, o início da era neoliberal.”

Em outras palavras, a desregulação neoliberal esteve por trás da concentração da riqueza.

“O admirável e tão discutido livro de Thomas Piketty, “Capital no Século XXI” 1, trouxe atenção considerável ao problema do aumento da desigualdade econômica. Soluções, no entanto, não são seu forte. Como Piketty admite, sua proposta — um imposto mundial progressivo sobre o capital (ou riqueza) — “exigiria um nível muito alto e sem dúvida irrealista de cooperação internacional”. Não deveríamos concentrar o foco em soluções rápidas. A preocupação realmente importante para as autoridades, no mundo, é evitar desastres — ou seja, mais importantes são os eventos atípicos. E, como a desigualdade tende a mudar lentamente, qualquer desastre provavelmente só chegaria daqui a décadas.

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Desafios ao Desenvolvimento Brasileiro: Uma Abordagem Social-desenvolvimentista

Nos últimos anos a temática do desenvolvimento voltou a ter destaque na agenda brasileira. Para incentivar essa reflexão o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE) realizou o seminário “Desafios e Oportunidades do Desenvolvimento Brasileiro” em articulação com o Instituto de Economia da Unicamp, por meio da Rede Desenvolvimentista (Aspectos Econômicos) e pela rede Plataforma Política Social (Aspectos Sociais). A síntese dos debates, as conclusões e as recomendações encontram-se no documento abaixo.

Clique aqui para baixar o PDF  Série Documentos TécnicosDesafios ao desenvolvimento brasileiro: uma abordagem social-desenvolvimentista

NÚMERO 19 | DEZEMBRO DE 2013

Visite o novo site da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento.

http://plataformapoliticasocial.com

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Economia “hi-tech” e “hi-touch”

O céu é o limiteAdair Turner, ex-presidente da Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido, é membro do Comitê de Política Financeira e da Câmara dos Lordes. Publicou interessante artigo (Valor, 12/05/14) que reproduzo abaixo.

“Relatório recente revelou que as cinco famílias mais ricas do Reino Unido têm um patrimônio maior que os dos 20% mais pobres do país somados. Parte da riqueza dessas cinco famílias provém de novos empreendimentos comerciais; mas duas delas são a de um duque e a de um conde cujos ancestrais eram donos dos campos sobre os quais se deu a expansão de Londres no século XIX.

A riqueza sustentada por terrenos urbanos não é um fenômeno exclusivo de Londres. Como demonstra o recente livro de Thomas Piketty, “Capital in the Twenty-First Century“, a fortuna acumulada cresceu rapidamente em relação à renda da atividade produtiva em todas as economias avançadas nos últimos 40 anos. Em muitos países, a maior parte dessa riqueza – e a maior parte desse aumento – tem como origem o mercado imobiliário residencial e comercial, e a maior parte dessa riqueza reside não no valor das construções, e sim no valor dos terrenos urbanos sobre os quais se assentam.

Isso pode parecer estranho. Embora vivamos no universo virtual hi-tech da internet, o valor do que há de mais físico – a terra – não para de aumentar. Mas não há contradição nisso: o preço da terra aumenta devido mesmo à rapidez do avanço tecnológico. Numa era da tecnologia da informação e da comunicação (ICT, na sigla em inglês), é inevitável que valorizemos o que uma economia intensiva em uso de ICT é incapaz de criar. Continuar a ler

Reação dos Economistas Tupiniquins Midiáticos à Proposta de Tributação Formulada por Thomas Piketty

Política da Idade da Pedra

Jorge Félix (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 16/05/14) mostra as opiniões dos onipresentes economistas tupiniquins midiáticos sobre a proposta de tributação da riqueza.

“Não poucos economistas devem ter dedicado seu tempo, nas últimas semanas, para decodificar uma fórmula simples: r > g. Essa simplificação para explicar a desigualdade social no mundo é o resumo do livro “O Capital no Século XXI”, que será lançado no Brasil pela Intrínseca e já tornou-se uma sensação.

Mais do que desvendar a fórmula, a pesquisa, a metodologia e os conceitos muito particulares do autor, o economista francês Thomas Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, era preciso entender o porquê de, depois de um trabalho acadêmico de fôlego, no qual analisa a concentração de renda desde o século XVIII usando como fonte as declarações de imposto de renda em mais de 20 países, Piketty apresenta como principal solução um imposto sobre fortuna de âmbito global com alíquota de até 80%. Só assim, segundo ele, o “r” deixaria de ser maior que o “g”, ou seja, o retorno do capital ficaria abaixo do índice de crescimento (growth) do Produto Interno Bruto (PIB) e a riqueza seria melhor distribuída.

A despeito da controvérsia entre economistas sobre métodos e conceitos, mais intrigante ainda é compreender por que a ideia do imposto foi tão festejada no meio acadêmico americano, com elogios de vários Prêmios Nobel de Economia de diferentes escolas de pensamento e até mesmo entre os políticos, incluindo senadores do Partido Republicano. Se, para Piketty, sua ideia é uma “utopia útil”, no Brasil, na opinião de analistas, tem potencial de alimentar o debate eleitoral deste ano.

O imposto sobre fortunas sempre esteve na pauta do Partido dos Trabalhadores (PT). O apelo da proposta, em um país ainda tão desigual, poderia ser tão sensível ao eleitor quanto foi a outra constatação de Piketty, que 1% dos ricos americanos detém 50% da riqueza dos EUA – logo transformado em lema do movimento Occupy Wall Street, entre outras manifestações a reboque do estouro da bolha das hipotecas subprime. Exagero? Talvez. Mas desde o lançamento do livro em inglês, muitos estudantes estão nas universidades debruçados sobre o r $> g em grupos de pesquisa e aulas de Economia. Pode não ser uma surpresa, tamanho o sucesso do best-seller, se a fórmula de Piketty aparecer em cartazes de manifestações. [!] Continuar a ler