Renata Agostini (FSP, 07/05/13) informa que o Brasil vem perdendo espaço em todos os seus principais mercados no exterior. A consequência dessa perda tem sido alta para as contas do país: só neste ano, já deixou de ganhar pelo menos US$ 6 bilhões com exportações. O valor hipotético corresponde ao que o país teria vendido para China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina nos dois primeiros meses deste ano caso tivesse mantido a mesma participação nas importações totais desses blocos em 2012. Os quatro mercados são destino de mais de metade dos produtos brasileiros que seguem para o exterior.
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Classificação de artigos não referentes a economia, política e sociedade brasileira, que estarão na Categoria “Noção de Nação”.
Economia Brasileira: Semi-Madura
Quando eu digo algo incomum entre meus pares economistas, naturalmente, sou sumariamente ignorado. Olham-me no máximo com a cara indagadora tipo “Mas quem ele pensa que é?!” Penso que sou um pobre blogueiro tupiniquim. Mas quando vejo, depois de certo tempo, que algum “economista renomado” está expressando, em inglês, exatamente o conteúdo do que eu tentei dizer antes, em português, não posso deixar de rir para mim mesmo…
“O Brasil não voltará a crescer entre 7% e 8% ao ano“, diz o economista Dani Rodrik, 55, professor de política econômica internacional da Universidade Harvard e um dos maiores especialistas em Economia do Desenvolvimento.
Segundo Rodrik, o ambiente global benéfico — alto crescimento da China, elevados preços das commodities, países avançados em expansão — não vai se repetir. “É realista esperar uma taxa de crescimento de 3% a 4% no Brasil”, disse Rodrik à FSP (08/05/13). Aprecio o pragmatismo dele: “Vivemos no mundo possível, não no mundo doutrinário.“
Segundo ele, a fase de alto crescimento no mundo acabou. O Brasil, com instituições democráticas sólidas, é resiliente. “Mas o país não deve ser excessivamente ambicioso, precisa ser cuidadoso, fiscalmente seguro, para lidar com os choques externos que provavelmente virão.”
Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no Primeiro Trimestre de 2013
Mais uma evidência empírica em favor de minha hipótese de que a tradicional divisão setorial da Economia em Setores Primário, Secundário e Terciário necessita ser abandonada em favor da adoção analítica de Setores da Matriz Insumo-Produto e/ou Cadeias Produtivas. Assim como se fala de Agroindústria, deve-se analisar a Servindústria. Em ambos, a Indústria de Transformação é fornecedora de insumos e bens finais, seja máquinas e equipamentos, seja bens de consumo para atender à demanda dos ocupados nessas cadeias produtivas. O IBGE deveria estimar aa participações no PIB dessa conglomeração setorial.
Rodrigo Pedroso e Arícia Martins (Valor, 26/04/13) informam que, no primeiro trimestre deste ano o Brasil recebeu menos investimento direto estrangeiro do que em igual período do ano passado. Os recursos externos que entraram no país para projetos produtivos nos diferentes setores da economia preferiram o segmento de serviços. De acordo com os dados do Banco Central, o setor recebeu, somadas as duas modalidades – participação no capital e investimento intercompanhias – de ingresso de recursos, 45% do total, enquanto a indústria absorveu 35%, e a agricultura e o setor extrativista, incluindo petróleo, ficaram com o restante. No mesmo período do ano passado, a indústria ficou com 46,4% do total, e serviços, 29%. Os dados consideram o ingresso de recursos, sem descontar as saídas.
Sete Lições Para Recuperar Uma Economia
David Wessel (The Wall Street Journal apud Valor, 26/04/13) avalia que, uma geração atrás, uma situação de 7,6% de desemprego seria considerada uma recessão grave nos Estados Unidos. Agora, é um sinal de melhora e motivo de inveja para ministros da Fazenda de vários países. Nos 17 países que usam o euro, o desemprego está em 12% e continua subindo; o da Espanha chegou a 27%. A economia britânica se contraiu em 10 dos últimos 19 trimestres.
Será que isso é o melhor que podemos fazer?
Muitos livros foram escritos, e outros virão, sobre como evitar uma nova crise financeira. Mas eis aqui uma questão importante: O que os últimos anos nos ensinaram sobre como acelerar a recuperação depois que uma economia sofre um grave choque financeiro? Não é uma tarefa fácil e, como esse episódio ainda não acabou, ninguém pode saber as consequências finais do que já foi feito. Dito isto, algumas lições iniciais parecem claras:
Indicadores Macroeconômicos e Financeiros Conjunturais
No mês de março de 2013, os juros cobrados pelos bancos de pessoas físicas caíram 0,5 ponto percentual, após dois meses seguidos de alta, chegando a 24,4% ao ano. Com isso, a taxa média geral, que inclui o custo dos empréstimos contraídos por pessoas físicas e jurídicas, chegou a 18,5% ao ano, segundo menor patamar da série histórica, iniciada em 2011. Em 12 meses, a queda já chega a quase cinco pontos percentuais.
O movimento de redução dos juros vem provocando a diminuição do chamado “spread” bancário, a diferença entre o custo de captação do banco e os juros cobrados do tomador de crédito. Em março, o indicador recuou 0,3 ponto percentual, para 11,7 pontos percentuais. No mesmo período de 2012, o “spread” estava em 15,3 pontos percentuais.
Dificuldades do Financiamento Privado Em Longo Prazo
Alessandra Bellotto e Felipe Marques (Valor, 22/04/13) apresenta a lamentação dos bancos privados quanto à medida que propicia mais funding para financiamento em longo prazo: “ajuda, mas não resolve”. Essa é a avaliação deles sobre as recentes medidas do governo para estimular as instituições financeiras a participar do crédito de longo prazo no país, hoje concentrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Embora melhorem as condições dos pontos de vista fiscal e de custo do funding para os bancos competirem com o BNDES, as medidas estão longe de ser consideradas suficientes para resolver questões mais estruturais, como a limitação de instrumentos de captação de recursos de longo prazo.
Fundo de Riqueza Soberana

Fonte: Sovereign Wealth Fund Institute
Fundo Soberano ou Fundo de Riqueza Soberana é um instrumento financeiro adotado por alguns países para utilização de parte de suas reservas internacionais para aplicações financeiras e/ou investimentos sociais. Representa uma terapia preventiva (ou espécie de vacina) para se mitigar o risco de uma economia exportadora com abundância de recursos naturais enfrentar a chamada “doença holandesa”.
No Brasil, debate a respeito do diagnóstico desse distúrbio cambial está ainda inconcluso. Alguns economistas acham que ele já está apresentando seus sintomas através da apreciação excessiva da moeda nacional e redução relativa dos empregos industriais. Outros opinam que esse mal, de fato, poderá atacar em longo prazo, quando a exportação do petróleo extraído em águas profundas do pré-sal estiver em pleno ritmo.
Documentário da BBC baseado no livro “O Petróleo” (autoria de Daniel Yergin)
Daniel Yergin é uma das maiores autoridades em Energia, Política Internacional e Economia. Dr. Yergin recebeu o Prêmio Pulitzer pela autoria de The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power, que também se transformou em um documentário de oito horas da PBS/BBC, visto por 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos. O livro O Petróleo – com 1077 páginas – foi traduzido em 17 idiomas e também recebeu o Prêmio Eccles de melhor livro sobre um tema econômico para um público geral. Como é livro muito extenso, certamente sua leitura durará muito mais do que assistir os 8 documentários reproduzidos abaixo, embora talvez seja mentalmente mais produtiva. Ou não? As imagens dizem muito…
Para ler as legendas em português, que estão ocultas (abaixo à direita), primeiro, clique a opção de visualizar as legendas em inglês e, depois, selecione o nosso idioma. Devido à má tradução, é melhor deixar as legendas mesmo em inglês.
Rentismo versus Consumismo
Os desenvolvimentistas e os ecologistas não se entendem? O desenvolvimentismo, de maneira contumaz, critica o rentismo. O ambientalismo, por sua vez, condena o consumismo. Os “ismos” denotam comportamentos exacerbados. O “meio-termo” sinalizaria bom-senso, tolerância, equilíbrio? A manutenção do status quo com um equilíbrio instável, porque injusto socialmente, não seria defendido por outro “ismo”: o conservadorismo?
O rentismo é rejeitado por crescimentistas, em princípio, porque visaria apenas ao rendimento financeiro propiciado pela aplicação de capitais. Evidentemente, é uma visão superficial, impressão à primeira vista. Se as aplicações financeiras constituem composição passiva para financiamento do desenvolvimento, não há porque os desenvolvimentistas as exonerarem. Mas o fazem! Por que?
Déficit no Balanço Comercial
Parou por que? Por que parou?! Um mineiro desterrado (eu) diria: – Uai, porque a demanda externa por commodites parou…
No caso desse determinante, não há maxidesvalorização cambial que dê cabo do problema, porque, no limite, o choque cambial provocaria um encadeamento de choques: inflacionário, salarial, monetário ou de juros, o que desarranjaria o mercado interno que ainda sustenta o crescimento da renda e emprego no Brasil.
No entanto, um mineiro especialista, prudentemente, leria os dados mais profundamente e daria outro diagnóstico. Leia o artigo de Leonardo Pontes Guerra (Valor, 02/05/13), economista, doutor em geografia pela PUC-MG, chefe da assessoria econômica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, justificando o mau resultado do comércio externo brasileiro no primeiro quadrimestre do ano corrente pelas compras e vendas de Petróleo.
Fim da Era de Ouro das Commodities
Liam Denning (The Wall Street Journal apud Valor, 26/04/13) lança a pergunta: O que houve com o mercado de commodities?
Desde 1998, ele vinha em franca ascensão – o chamado superciclo, em que a demanda crescente por matérias-primas supera a oferta, elevando os preços a picos incomuns.
Ultimamente, porém, as commodities estão caindo ladeira abaixo. Alguns analistas classificam essa fraqueza como cíclica ao invés de estrutural. Mas uma mudança mais fundamental parece estar em andamento.
Desaceleração das Exportações de Commodities
Uma queda disseminada no preço de quase 60% dos produtos exportados pelo Brasil ajuda a explicar o mau resultado do balanço comercial brasileira nestes primeiros meses de 2013, junto com o aumento das importações. De janeiro a março, 20 dos 31 grupos de produtos classificados pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic) apresentaram queda no preço de exportação. Os grupos em queda representam 64% do valor exportado pelo Brasil no trimestre. No ano, o Brasil exportou 2,5% menos em relação a 2012, enquanto as importações aumentaram 3% até março e 10% em abril (sempre na comparação com o ano passado), descontando combustíveis.
Para alguns setores, especialmente de manufaturados, a queda de volume também prejudicou o desempenho no primeiro trimestre. Entre os 31 grupos, 17 reduziram a quantidade exportada de janeiro a março em relação ao mesmo período de 2012.
Marta Watanabe (Valor, 22 e 25/04/13) informa também que a frustração do crescimento da economia chinesa já se reflete na exportação brasileira. No primeiro trimestre, o volume exportado em minério de ferro caiu 2,3% em relação aos mesmos meses de 2012. A queda chama a atenção, porque o volume de exportação do minério para a China perdeu ritmo no ano passado, mas não chegou a cair. Em 2012, a exportação do produto para os chineses subiu 3,3% em volume. No primeiro trimestre de 2012, o crescimento de quantidade era de 5%.









