The Wall Street Journal se rende à Realidade do Petróleo no Brasil

Plataforma para Exploração do Petróleo em Águas Profundas

Luciana Magalhães (WSJ, 08/08/14) lembra que, quando a Petrobras revelou a maior descoberta de reservas de petróleo da sua história, em 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva brincou que a descoberta havia provado que Deus é brasileiro.

Novos dados de produção estão levando muitos na indústria a compartilhar esse otimismo. Segundo a Petrobras, os campos do pré-sal estão produzindo mais de 500.000 barris de petróleo por dia, cerca de três vezes mais que em 2012, e já representam perto de 25% da produção total da empresa, de dois milhões de barris por dia.

É um crescimento rápido para a Petrobras em uma das regiões petrolíferas mais desafiadoras do mundo. Os depósitos se encontram a cerca de 320 quilômetros longe da costa sudeste do Brasil, enterrados no solo oceânico sob uma grossa camada de sal, o que dá nome aos campos.

“Em termos de produtividade e da velocidade com que a Petrobras saiu de uma produção zero para 500.000 barris por dia é [algo] meio sem precedentes“, diz Ruaraidh Montgomery, analista da firma de pesquisa Wood Mackenzie.

Os ganhos de produção nos campos do pré-sal são extremamente necessários para compensar a queda de desempenho dos campos mais antigos da Petrobras. A produção total da empresa caiu de 1,98 milhão de barris equivalentes de petróleo por dia em 2012 para 1,93 milhão no ano passado. Em 2014, com o pré-sal, a produção total aumentou. Em junho, foi de 2,008 milhões de barris diários.

Com o pré-sal, o Brasil pretende ser um dos cinco principais produtores de petróleo do mundo até 2020, quando a produção deve chegar a quatro milhões de barris por dia. Mas, para atingir essa meta ambiciosa, a Petrobras terá que superar desafios financeiros, técnicos e políticos. Continuar a ler

Indústria do Petróleo: Construção Naval

Encomendas da Petrobras à Indústria Naval

Francisco Góes e Cláudia Schüffner (Valor, 28/07/14) informam que o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), lançado pela subsidiária da Petrobras há cerca de dez anos, é um exemplo das dificuldades enfrentadas na atual retomada da construção naval no Brasil. O Promef prevê a construção de 49 navios, mas só sete foram entregues até agora. O programa registrou atrasos nas obras e o João Cândido, primeiro navio encomendado ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), foi entregue com cerca de dois anos de atraso e custo 23% acima da média do contrato original, segundo estimativas de mercado.

Mas a avaliação da Petrobras e da Transpetro é que o programa está indo bem. “Até o momento três navios da série Suezmax foram produzidos e entregues para a Transpetro no EAS: João Cândido, Zumbi dos Palmares e Dragão do Mar. O João Cândido e o Zumbi dos Palmares apresentaram prazos de construção de 44 e 45 meses respectivamente o que revela índices de produtividade semelhantes. Já o Dragão do Mar foi construído e entregue em 39 meses o que indica evolução”, disse a estatal em nota.

A melhora da produtividade no EAS é esperada à medida que novos navios do mesmo porte forem sendo produzidos em série pelo estaleiro, pois um dos fatores que impactam positivamente a produtividade do setor naval é a repetição dos projetos, afirmou a estatal.

A Samsung, competidora coreana na área de construção naval, que era a antiga parceira, por estar boicotando o projeto, recebeu um “passa-fora moleque” no Governo Dilma. Então, em 2013, um grupo de empresas japonesas comprou 33% do capital do estaleiro. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão dividem meio a meio os restantes 66% da empresa. Continuar a ler

Economia Colombiana: Boom de Commodities-Doença Holandesa-Desindustrialização

Colômbia FSPColômbia

Um bom exemplo de como uma pequena economia exportadora de commodities apresenta taxas de crescimento da renda superiores, quando há boom em seus preços, mas não sustenta essas taxas se não possui diversificação dos setores de atividades, para atender com produção nacional de bens industriais e serviços a um mercado interno ampliado, é a colombiana. Cabe verificar se enquadra em um estudo de caso de “doença holandesa e desindustrialização“.

A Colômbia, na área econômica, em meio a um período de forte crescimento, o país está muito perto de desbancar a Argentina do posto de terceira maior economia da América Latina – algo que, para os colombianos, já é uma realidade.

“Felizmente essa briga já está ficando para trás, porque com a desvalorização do peso argentino, no começo deste ano, todas as medições já apontam que o PIB colombiano medido em dólares é maior que o argentino”, disse o ministro da Economia, Maurício Cárdenas.

Pelos seus cálculos, levando-se em conta dados do terceiro trimestre de 2013, o PIB nominal colombiano somava US$ 344 bilhões, comparado a um PIB argentino de US$ 338 bilhões. Mas, segundo o FMI, essa virada só deve ocorrer, de fato, em meados de 2015. Continuar a ler

Abordagem Estruturalista: Dinâmica Econômica dos BRICS

BRICS-2014

Nelson Marconi é economista e professor da EESP-FGV. Guilherme Magacho e Igor Rocha são economistas, doutorandos pela University of Cambridge, Inglaterra. Magacho, Rocha e Marconi (Valor, 02/08/14) recuperaram a abordagem estruturalista tão cara aos velhos, novos e sociais desenvolvimentistas. Reproduzo o interessante artigo abaixo.

“Durante a década de 2000, o acrônimo “Brics” se consagrou por designar um grupo de países que tinham condição de apresentar rápida expansão econômica devido ao potencial de crescimento de seus mercados. Brasil, Rússia, Índia e China se tornaram importantes receptores de investimentos e se caracterizaram, naquela década, como as futuras potências mundiais.

Com exceção da China, a estratégia de crescimento desses países se pautou no aproveitamento de suas vantagens comparativas em setores primários (e serviços, no caso da Índia), e do impulso da demanda asiática por esses produtos, para se colocarem como importantes players no comércio mundial. No caso brasileiro, por exemplo, foi inegável a importância das commodities no dinamismo econômico, uma vez que elas geraram renda no setor exportador e em todas as cadeias relacionadas.

Esse quadro fez ressurgir uma antiga discussão entre economistas: a complexa relação entre estrutura produtiva e crescimento econômico no longo prazo. Os debates sobre esse tema voltaram a ser bastante polvorosos.

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RedeD. Presente e Futuro do Desenvolvimento Brasileiro. DF, IPEA, 22 de agosto de 2014

Presente e Futuro

O livro promove uma atualização do debate brasileiro sobre o desenvolvimento capitalista tardio, periférico e dependente, bem como sobre o fenômeno do “desenvolvimentismo”. Nesses termos, retoma a tradição crítica e reformista brasileira da “construção nacional interrompida” do Mestre Celso Furtado.

A partir deste prisma teórico, propõe uma reflexão sobre as transformações do presente: o crescimento com distribuição de renda e “desindustrialização”, no momento em que ocorre um brutal acirramento da concorrência intercapitalista e interestatal no enfrentamento da crise financeira e econômica global.

A intensidade das mudanças socioeconômicas ocorridas no Brasil e no mundo exige um esforço coletivo de reflexão. Exige também a revitalização do debate – de múltiplas questões e de diversos pontos de vista –, a fim de auxiliar no alargamento dos horizontes dos líderes sindicais, do pequeno, do médio e o grande capital, das elites políticas, das classes subalternas e dos formadores da opinião pública, e fazer avançar o processo de desenvolvimento democrático e inclusivo da população brasileira.

Da mesma forma, deve-se ampliar a discussão em torno do papel do país na região e da região no país. A reorganização da economia industrial capitalista poderia se dar mediante o aprofundamento da integração entre os países da América do Sul, possibilitando a articulação de cadeias produtivas regionais – “importar para exportar” –, em particular nos novos setores que surgiram em âmbito mundial.

O livro promove, portanto, uma oxigenação preciosa no debate brasileiro a partir da tradição crítica latino-americana em um momento crucial de nossa história.

Maria da Conceição Tavares

Professora emérita do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ) e Professora associada do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP) Continuar a ler

As diferenças entre as evoluções econômicas dos períodos FHC e Lula-Dilma

Período Liberal X Período Atual

Antonio José Alves Jr. (UFRRJ) e Lucas Teixeira (UFRJ) fizeram os gráficos acima que comparam a evolução do PIB mundial, das economias avançadas e do Brasil, no período das reformas liberais (1990-2002) e no período atual (2003 em diante). Tornando o PIB real dessas economias, no início de cada período igual a 100, fica evidente que o Brasil perdeu espaço na economia mundial no “período liberal”. Pior é que as equipes econômicas neoliberais dos candidatos da oposição, Aécio & Marina, são “farinha-do-mesmo-saco” e querem retroceder à era neoliberal!

Leia mais emAs diferenças entre as políticas econômicas dos períodos FHC e Lula-Dilma

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Evolução Histórica do Estado

Circulation_in_macroeconomics

A agricultura e a escrita são associados ao processo de centralização do poder em uma forma duradoura. O processo agrícola permitiu a produção e o armazenamento de um excedente. Isso incentivou o surgimento de uma classe de pessoas que controlassem e protegessem os armazéns agrícolas. Para isso, não podiam gastar seu tempo, cuidando da própria subsistência. Com o tempo, a escrita possibilitou o registro e a centralização de informações vitais.

Vieram da Antiguidade clássica as inovações institucionais como a Cidade-Estado e a República Romana. A Grécia Antiga, durante o século IV AC, concedeu cidadania à população livre. Em Atenas, esses direitos foram combinados sob uma embrionária forma democrática de governo. Roma se desenvolveu após o fim da Monarquia e a posterior implantação da República, que era regida por um Senado dominado pela aristocracia. O sistema político romano contribuiu para o desenvolvimento das leis e para a distinção entre a esfera privada e a pública.

A história do desenvolvimento do Estado moderno no Ocidente começa com a dissolução do Império Romano. Isto levou à fragmentação do Estado imperial para os chamados feudos descentralizados, cujo papel político, jurídico e militar corresponde à organização da produção econômica local. Continuar a ler