Estimativa Neoclássica da Função de Produção para Cálculo do PIB Potencial do Brasil

Capacidade Produtiva

A taxa de investimento aquém do necessário e a baixa produtividade continuam impondo dificuldades a um crescimento mais forte e sustentável da economia brasileira, mas um terceiro fator de restrição ao Produto Interno Bruto (PIB) potencial do país ganhou importância em 2013. Para um grupo de economistas, o indicador – que, na teoria, mede o quanto a atividade pode crescer sem pressionar a inflação – perdeu força no ano passado, bastante influenciado pela saída de pessoas do mercado de trabalho. Hoje, segundo os analistas ouvidos, o PIB potencial do Brasil estaria entre 2% e 3,5%.

Embora o produto potencial de uma economia, que mede a expansão da capacidade produtiva do país, seja uma variável de estimação imprecisa – ou, no jargão dos economistas, “não observável” – seu cálculo, geralmente, é feito com base na evolução de três componentes [estimativa neoclássica da função de produção]:

  1. estoque de capital,
  2. Produtividade Total dos Fatores (PTF), e
  3. oferta de mão de obra.

Este último item já vinha sendo apontado como mais um entre os vários gargalos de oferta no período recente devido à redução da taxa de desemprego. A saída de pessoas aptas a trabalhar da População Economicamente Ativa (PEA), no entanto, acentuou a influência negativa do contingente de mão de obra sobre o PIB potencial.

[FNC: Em outras palavras, o que é extremamente positivo para a economia brasileira em médio prazo, é lamentado por O Mercado míope em curto prazo: o aumento do nível de escolaridade dos jovens brasileiros e o bônus demográfico. Os economistas neoclássicos estão com saudade do desemprego que barateia a mão-de-obra... snif, snif...] Continuar a ler

Fatores Externos e/ou Internos São Determinantes do Crescimento do PIB Brasileiro?

Crescimento do PIB da China 2003-2013PIB Brasil X Mundo

Bráulio Borges é economista-chefe da LCA Consultores. Escreveu artigo (FSP, 11/04/14) avaliando o crescimento econômico brasileiro de maneira comparada com o crescimento mundial, dado mais recentemente pelo crescimento chinês. Reproduzo-o abaixo, seguido da crítica de Samuel Pessoa, conselheiro do Aécio, que deseja culpabilizar a adversária, Dilma Rousseff, afirmando que, dentre três fatores (crise mundial-pleno emprego-política econômica), “a alteração do regime de política economia a partir de 2009 é responsável por um terço ou pouco mais da perda de dinamismo de nossa economia”. A dedução é que essa política econômica que resultou aqui em pleno emprego, em época de forte desemprego nos países desenvolvidos, é lamentada pelos neoliberais… Continuar a ler

Ex-Presidente do Palmeiras informa: Sai Poupança, Entra Funding ou Aplicação Financeira

 

Traffic confirma que não venderá jogadores do PalmeirasMeu caro professor, Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-86), é professor titular aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e, em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists. Com todo o didatismo, explica em artigo (Valor, 01/04/14) a relação vista por Keynes entre Investimento e Poupança.

Eu, herético radical, tirei do meu vocabulário econômico essa palavrinha-mágica: “poupança“. Joguei-a no lixo da história do pensamento econômico! Acho-a dispensável, pois pode perfeitamente ser substituída por conceitos como funding (composição passiva de bancos) e/ou aplicação financeira (decisão de portfólio de investidores pessoais) em um processo dinâmico de interação entre o multiplicador de renda e o multiplicador monetário. Sugiro fazer na leitura do artigo abaixo um exercício de ERRATA: onde se lê “poupança“, substituir por “aplicação financeira“. Confira se não faz sentido…

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Pactos para a Igualdade: Construção de Maiorias Políticas Por Convencimento

PIB per capital e pobreza na AL

Fabio Murakawa e Pedro Cafardo (Valor, 02/04/14) informam que a contradição entre redução da pobreza e persistência da desigualdade está no centro das preocupações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que realiza entre os dias 5 e 9 maio seu 35º Período de Sessões, em Lima.

Pela terceira vez seguida, o encontro bianual da entidade terá como foco a desigualdade. Os 33 países da região que são membros da entidade já têm adiantado um relatório centrado no tema, “Pactos para a Igualdade”, que será o documento final do evento. Nele, a entidade proporá pactos dentro dos países, entre seus diversos atores políticos, com o objetivo de tornar a região mais equânime.

A premissa de se estabelecer um pacto é que não se consegue constituir maiorias suficientes nos Congressos para se fazer políticas de Estado, ou de médio e longo prazo“, afirma Antonio Prado, secretário-geral adjunto da entidade. “É preciso construir essas maiorias e criar um convencimento de que isso tem que ser superado para dar um salto no sentido de um crescimento sustentável.”

O plano inclui um “pacto fiscal“, para que os países consigam aumentar sua rede de proteção social com sistemas de seguridade social e programas de transferência de renda. Além disso, propõe ações coordenadas para a governança de recursos naturais e o meio ambiente. Também contempla propostas para o aumento da produtividade e do investimento, via estímulo à produção industrial, uma necessidade da região.

“Excluindo-se Brasil, Argentina e Uruguai, os países da região têm uma de carga tributária baixa”, dia Prado. “Isso dificulta o financiamento de políticas de mudança estrutural mais profundas.”

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Perspectivas do FMI X Perspectivas da China

Financiamento Chinês

Sérgio Lamucci (Valor, 04/04/14) informa o que diz o Fundo Monetário Internacional (FMI): “Os mercados emergentes tendem a enfrentar um ambiente menos favorável ao crescimento daqui para frente, devido à combinação de um cenário externo um pouco mais adverso e de fatores domésticos que têm segurado a expansão da economia“.

Em relatório divulgado no dia 03/04/14, o FMI destaca que a recuperação das economias avançadas vai ajudar, mas a esperada desaceleração da China e as condições financeiras um pouco mais apertadas vão jogar na direção contrária. Segundo a instituição, o Brasil é um dos países que têm maior correlação do crescimento com a China do que com os EUA e a zona do euro, o que também acontece com Argentina, Índia, Indonésia e Colômbia. Com isso, a freada da China deve influenciar mais o Brasil do que a retomada nos países ricos.

O estudo do FMI mostra que fatores externos têm grande peso para explicar a expansão dos países emergentes, embora questões domésticas tenham ganhado importância nos últimos anos. O Brasil, por exemplo, está num grupo de países em que o avanço do PIB desde 2012 ficou abaixo do nível que seria de se esperar dadas as condições econômicas globais. Isso sugere um papel significativo de fatores internos.

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Mudança de Preços Relativos entre Petróleo e Gás Natural

Grande desacoplamento gás natural X petróleo

Gene Epstein (Barron’s apud WSJ, 03/04/14) escreveu matéria cujo título é para assustar os produtores de petróleo e (atuais e futuros) competidores dos EUA: “Novas descobertas achatam preço do petróleo e mudam forças de O Mercado”Novas descobertas de petróleo e gás natural ao redor do mundo poderiam baixar o preço do barril dos atuais US$ 100 para US$ 75 nos próximos cinco anos. Além disso, uma queda na demanda também vai pressionar a supremacia do petróleo à medida que aumenta o uso de combustíveis alternativos, como o gás natural. Como sempre, desconfie de informações que buscam formar as opiniões voláteis dos investidores…

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História de Pioneiro da Industrialização Gaúcha

De Tangará para a China

Sérgio Ruck Bueno (VAlor, 03/04/14) narra uma biografia ilustrativa de um caso de empreendedorismo no Sul do Brasil. “Prestes a completar 85 anos, em 6 de agosto, um dos pioneiros da industrialização do Rio Grande do Sul e acostumado a lidar com intempéries, o empresário Raul Randon não esconde a preocupação com o futuro próximo da economia. “Sinto como se estivéssemos caminhando em cima de brasas”, diz o fundador e presidente do conselho de administração do grupo Randon, que opera nos segmentos de implementos rodoviários, vagões e autopeças e apurou receita líquida de R$ 4,3 bilhões em 2013, com expressiva alta de 21,5% sobre 2012.

Neto de imigrantes italianos, tratado com reverência por boa parte dos seus 12,1 mil funcionários, ele expressa a inquietude com voz tranquila e pausada. “O mercado [de materiais de transporte] pode dar uma segurada e se neste ano pudermos fazer o que fizemos no ano passado já estou contente”. E 2015? “Ah, no ano que vem é certo que o nosso mercado vai baixar”.

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Capitalismo de Estado no Brasil: Oportunidades na Indústria do Petróleo

Oportunidades na Indústria do PetróleoA Indústria do Petróleo poderá se desenvolver muito no Brasil com a substituição de importações na Indústria Química. Quem disse que “o modelo de substituição de importações” estava “morto-e-enterrado”? Os neoliberais chegam ao culme de falar asneira ao tratar a Professora Maria da Conceição Tavares, autora do texto clássico sobre o assunto, como “a criadora o modelo de substituição de importações”!

Elisa Soares (Valor, 20/03/14) informa que os desafios tecnológicos que cercam a exploração de petróleo e gás em águas profundas podem servir de incentivo para o aumento da produção de químicos para este segmento no Brasil. Os produtos – hoje em sua maioria importados – ajudam a estender a vida útil tanto dos campos de petróleo, aumentando sua produtividade, como dos equipamentos, atuando na redução do efeito corrosivo do mar.

Pesquisa coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e realizada pelo consórcio formado pela Bain e a Gas Energy, está mapeando oportunidades no setor químico, e já identificou que o mercado nacional de químicos para exploração e produção (E&P) de petróleo e gás vai crescer 19% nos próximos anos. Velocidade maior do que o avanço esperado para o E&P de óleo e gás, de 9% ao ano.

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Capitalismo de Estado Neocorporativista: Invepar e FI-FGTS

Rota Mineira

Há mais de 1/2 século, desde quando houve a instalação do Distrito Federal no Planalto Central do País, há uma reinvidicação de duplicação de toda a estrada Rio de Janeiro-Brasília (BR-040), hoje duplicada apenas entre Rio e Juiz de Fora (MG). Cadê a iniciativa particular? Onde esteve a iniciativa (e a vontade) política dos governadores de Minas Gerais para reinvidicá-la? Quantas vidas desperdiçadas com mortes nessa estrada de rodagem… Felizmente, depois da tentativa de desmanche na Era Neoliberal, o Capitalismo de Estado Neocorporativista no Brasil voltou a atuar no atual Governo Social-Desenvolvimentista: a holding-símbolo Invepar adquiriu a concessão e está se movimentando para atender essa demanda social.

Fábio Pupo (Valor, 21/04/13) informa que, controlada pelo grupo OAS e pelos fundos de pensão Previ, Funcef e Petros, a Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar) prepara os investimentos em sua sexta concessão rodoviária no país – o trecho entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG) da BR-040. A empresa já fez um aporte de R$ 315 milhões na recém-criada subsidiária que administrará a rodovia e prevê começar em maio a duplicação da estrada pela região de Cristalina (em Goiás). A construtora OAS fará todas as duplicações.

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Dívida Externa Offshore

Dívida Externa Oculta

Lucinda Pinto (Valor, 19/03/14) informa que uma espécie de “dívida externa escondida” tem crescido nos últimos anos e chamado a atenção de órgãos reguladores internacionais e de especialistas. Trata-se das emissões realizadas por empresas por meio de suas subsidiárias no exterior – que, segundo os padrões internacionais, não são contabilizadas como passivo externo líquido quando os recursos são mantidos fora. A questão é que, como as matrizes são as responsáveis, em última instância, por esses compromissos, o avanço da fatia “offshore” amplia a exposição externa dos países, de uma maneira difícil de ser mensurada.

Trata-se de um fenômeno que afeta países emergentes de um modo geral, inclusive o Brasil. E, pela dimensão de sua dívida, ganha um grau mais preocupante quando se olha para a China.

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Taxa de Poupança: Para Que Serve?

Taxa de Poupança

Padrão de Financiamento % do Total Padrão de Financiamento % do PIBInsisto que o conceito de Poupança deve ser jogado na “lata-de-lixo” da história do pensamento econômico! Ele designa uma variável contábil residual macroeconômica ex-post que não é objeto de decisões econômicas dos agentes econômicos. Aprendi o Paradoxo da Parcimônia e o Sofisma da Composição no meu primeiro dia de aula em Economia! Depois, aprendi que o conceito adequado para designar fontes de financiamento do investimento em longo prazo é o de funding, isto é, a composição passiva que permite o alongamento do perfil da dívida corporativa. Mas a “sabedoria convencional”, inclusive de pós-keynesianos (confira abaixo), continua a argumentar que “Poupança é imprescindível para o financiamento do Investimento”! Isto mesmo durante esse período em que a “Taxa de Poupança” (veja acima) caiu e o crédito total do sistema financeiro atingiu R$ 2.717 bilhões, em janeiro de 2014, com a relação crédito/PIB alcançando 56,1% — era 22,8% do PIB em 2002. Então, para que serve esse conceito de Poupança?

Denise Neumann (Valor, 05/03/14) avalia que “a perda de rentabilidade das empresas nos últimos anos, que reduziu o volume de lucros a serem retidos, pode estar influenciando a queda da taxa de poupança da economia brasileira“. Depois de alcançar 18,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, a taxa de poupança recuou quase todos os anos, até atingir 13,9% no ano passado, quando o Brasil consumiu 84,5% de toda a riqueza gerada pela economia. No mesmo período, o investimento ficou quase estável, mas também em desaceleração. A taxa passou de 19,1% do PIB em 2008 para 18,4% em 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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