As diferenças entre as evoluções econômicas dos períodos FHC e Lula-Dilma

Período Liberal X Período Atual

Antonio José Alves Jr. (UFRRJ) e Lucas Teixeira (UFRJ) fizeram os gráficos acima que comparam a evolução do PIB mundial, das economias avançadas e do Brasil, no período das reformas liberais (1990-2002) e no período atual (2003 em diante). Tornando o PIB real dessas economias, no início de cada período igual a 100, fica evidente que o Brasil perdeu espaço na economia mundial no “período liberal”. Pior é que as equipes econômicas neoliberais dos candidatos da oposição, Aécio & Marina, são “farinha-do-mesmo-saco” e querem retroceder à era neoliberal!

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Evolução Histórica do Estado

Circulation_in_macroeconomics

A agricultura e a escrita são associados ao processo de centralização do poder em uma forma duradoura. O processo agrícola permitiu a produção e o armazenamento de um excedente. Isso incentivou o surgimento de uma classe de pessoas que controlassem e protegessem os armazéns agrícolas. Para isso, não podiam gastar seu tempo, cuidando da própria subsistência. Com o tempo, a escrita possibilitou o registro e a centralização de informações vitais.

Vieram da Antiguidade clássica as inovações institucionais como a Cidade-Estado e a República Romana. A Grécia Antiga, durante o século IV AC, concedeu cidadania à população livre. Em Atenas, esses direitos foram combinados sob uma embrionária forma democrática de governo. Roma se desenvolveu após o fim da Monarquia e a posterior implantação da República, que era regida por um Senado dominado pela aristocracia. O sistema político romano contribuiu para o desenvolvimento das leis e para a distinção entre a esfera privada e a pública.

A história do desenvolvimento do Estado moderno no Ocidente começa com a dissolução do Império Romano. Isto levou à fragmentação do Estado imperial para os chamados feudos descentralizados, cujo papel político, jurídico e militar corresponde à organização da produção econômica local. Continuar a ler

Estado

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Fui convidado a participar de uma mesa-redonda com o título de “Estado e Desenvolvimento”. Como economista, necessito de um conhecimento muito básico para a preparação de uma apresentação sobre tema multidisciplinar. Compartilho minhas breves anotações preparatórias, colhidas ligeiramente na Wikipedia, para a reflexão socioeconômica e política.

Estado designa o conjunto das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público, etc.) que controlam e administram uma Nação ou o País soberano, com estrutura própria e politicamente organizado. Data do século XIII.

O Estado pode ser designado por:

  1. coisa pública (res publica), quando tem por coesão o interesse que todos os indivíduos têm em viver no Estado de Direito,
  2. potentia, quando se pensa em relação com outros povos,
  3. gens, por causa da união que se pretende hereditária.

O Estado pode ser entendido como comunidade, soberania e nação, dado que ele é ao mesmo tempo:

  1. Estado-comunidade, ou República,
  2. Estado-aparelho, ou Principado, e
  3. comunidade de gerações de habitantes, ou Nação.

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Capitalismo Liberal Já Era!

Repartição da Produção Mundial 1700-2012

Não foi à toa a repercussão mundial do livro “O Capital no Século XXI” de autoria de Thomas Piketty. Desconsiderando as costumeiras querelas, rusgas, disputas, desavenças e rixas entre intelectuais e suas escolas de pensamento econômico, a obra prima disponibilizou, inclusive via web, séries temporais em longo prazo jamais montadas através de extrapolação de tendências históricas.

Por exemplo, no gráfico com a repartição da produção mundial entre 1700 e 2012, percebe-se que o PIB europeu representava 47% do PIB mundial em 1913, antes da Primeira Guerra Mundial, e caiu para 25% em 2012. As Américas, no ano inicial dessa série, era formada por colônias britânicas, francesas, espanholas e portuguesas. Sua produção era quase toda contabilizada como matérias primas ou alimentos consumidos nas metrópoles europeias. Até a África a superava em termos relativos. Em 1700, a Ásia possuía mais de 60% da produção mundial. Daí em diante, sua participação nessa renda foi decaindo até atingir o piso de 20% no ano de 1950. Continuar a ler

Transição entre Modos de Produção

 

Linha de Montagem no FordismoOs modos de produção, de acordo com a concepção marxista, são formados pela interação entre o conjunto das forças produtivas e o conjunto das relações de produção, em certo estágio de desenvolvimento. Eles designam as condições técnicas e sociais que constituem a estrutura de um processo historicamente determinado.

Alguns marxistas dizem que “os homens ao produzirem bens materiais criam um regime para a sua vida”. Uma questão-chave contemporânea é: se retiramos essa restrição – “produção de bens materiais” – e se vivemos já um estágio de desenvolvimento onde predomina a produção de serviços desmaterializados, entramos na transição para um novo modo de produção?

O modo de produção também é um determinado modo de vida. Iniciamos o processo de superação do “modo de vida norte-americano” (american way of life)? Essa expressão era usada como peça publicitária, durante a Guerra Fria (1949-1989), para mostrar as diferenças da qualidade de vida entre as populações dos blocos capitalista e socialista (“realmente existente”: SOREX). Continuar a ler

Estimativa de Investimentos entre 2014 e 2018

Estimativa de investimentos entre 2014 e 2018

Concessões de Ferrovias

Fábio Pupo e Juliana Elias (Valor, 04/07/14) informam que os projetos de infraestrutura anunciados pelo governo e pelo setor privado exigem R$ 920 bilhões em investimentos até 2018, de acordo com estudo do Itaú BBA. O levantamento leva em consideração o que está planejado para o período nas áreas de óleo e gás, transportes, energia e saneamento.

Se esses projetos realmente se concretizarem, a proporção de investimentos sobre o PIB ultrapassará, seguramente, a marca dos 20%, superando uma barreira para melhorar nossos gargalos. A formação bruta de capital fixo — medida do PIB que considera aplicações em construção e máquinas e indica o nível de investimentos produtivos no país — chegaria a 21% ou 22% do PIB. Nos últimos anos, essa proporção tem girado em torno dos 18%. Para chegar a esses números, considerou-se uma parcela anual de R$ 300 bilhões dos investimentos totais, aplicada ao PIB de 2016. Já o valor do PIB foi estimado com base em projeções de crescimento anual de 2% ao ano até lá. Continuar a ler

Produto Potencial e Produtividade

PIB Potencial

Alex Ribeiro (Valor, 24/07/14) apresenta o gráfico acima, mostrando a evolução, desde 2001, das projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quatro anos a frente, colhidas pelo boletim Focus. Os números refletem basicamente a expectativa de economistas-chefe, consultados pelo BCB, sobre o PIB potencial.

Este é um número mítico se for especulado ex-ante, com base no “achômetro”. Na realidade, só ex-post se constata qual teria sido o “PIB de equilíbrio (ou potencial)”, isto é, o produto que equilibraria a demanda agregada e a capacidade produtiva total, não provocando pressão inflacionária. Como “experiência é um farol que ilumina para trás”, o PIB potencial é como a experiência, quando há mudança estrutural, quebrando a regularidade do passado, pouco serve para advertir quanto ao que vem adiante

Em 2010, o PIB avançava numa velocidade de 7,5%, e as projeções de mercado para o PIB potencial subiram para 4,5%. Agora, com a economia ladeira baixo, recuaram para 2,93%. O resumo é que, quando a economia caminha bem no curto prazo, os analistas estão mais otimistas; quando vai mal, ficam pessimistas — e cegos quanto ao que vem adiante! Continuar a ler

Conceição: Fim do Velho Desenvolvimentismo, Viva o Social-Desenvolvimentismo (Democracia Social)!

Conceição 29072014

Estou muito feliz por ter a oportunidade de visitar, na próxima semana no Rio de Janeiro, minha Professora (a única que tive em todo o curso superior, seja pós, seja graduação) Maria da Conceição Tavares. Ela é única em todos os sentidos!

Para aumentar a saudade, achei, via Facebook, um compartilhamento de entrevista concedida ao GGN (Jornal OnLine de Luiz Nassif)http://jornalggn.com.br/noticia/conceicao-o-fim-do-desenvolvimentismo-e-a-democracia-social

Por falar em desenvolvimentismo, veja o filme cujo trailer está acima. Entrevista realizada por Luis Nassif:

No apartamento em Cosme Velho (RJ), mestra Maria da Conceição Tavares se isolou um pouco dos amigos, mas não do mundo e do Brasil. Com pouca mobilidade, não deixou de lado nem o cigarro, nem a leitura nem a visão de país.

A mais importante economista da linha dita desenvolvimentista aderiu ao gradualismo. Não se trata de acomodamento trazido pela idade, mas pela própria dinâmica do crescimento brasileiro que acabou definindo um novo modelo – o da democracia social – que ela considera irreversível.

No final dos anos 60, ao lado de Ignácio Rangel Conceição foi o primeiro grande nome da economia a perceber que, após o esgotamento do ciclo de substituição das importações, haveria o ciclo do capitalismo financeiro.

Agora, o ciclo da criação do novo mercado de consumo baseado em políticas de renda impõe uma nova realidade na qual – segundo a mestra – não cabem mais os conceitos históricos de desenvolvimentismo e de industrialização. Continuar a ler

Japoneses Não São Míopes

Família_Japonesa_em_Bastos_1930

Tatiane Bortolozi, Eduardo Laguna, Rodrigo Pedroso e Luciano Máximo (Valor, 02/08/14) informam que, com a missão de reforçar presença e investimentos no Brasil e não ficar muito atrás da China na América Latina, governo e empresários japoneses estão menos preocupados com o cenário brasileiro atual de baixo crescimento econômico. Eles preferem concentrar suas energias no que a economia do país pode agregar a seus negócios no médio e longo prazo, embora tenham críticas parecidas às de empresas nacionais: questionam a alta e complexa carga tributária, a precariedade da infraestrutura (estradas, portos e aeroportos) e cobram melhor qualificação da mão de obra.

Durante o Fórum Econômico Brasil-Japão, evento organizado pela Jetro, agência de comércio exterior do Japão, Valor e Nikkei, que reuniu no dia 2 de agosto de 2014, em São Paulo, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e cerca de 300 empresários japoneses e brasileiros, o presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, Seiji Shiraki, disse que o Brasil tem uma economia promissora, para ser olhada no longo prazo, e que a multinacional pretende continuar investindo no país, sempre com estratégia de décadas.

“Não estamos aqui olhando para amanhã ou depois de amanhã. Não somos americanos, não queremos resultados em três meses. Estamos no Brasil há 60 anos e, queremos crescer nos próximos dez, 20 anos“, afirmou Shiraki.

O executivo acredita que o atual momento da economia brasileiro será superado no médio prazo. “Nos últimos 12 anos do governo do PT, o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu uma média anual de pouco menos de 3%. É um grande número. Para os próximos dez anos não será muito diferente, a economia brasileira é promissora“, reiterou Shiraki, acrescentando que vê oportunidades para a Mitsubishi crescer no país, principalmente nos setores automotivo, naval e agrícola.

Seiji Shiraki (foto abaixo), presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, ao afirmar que a estratégia para o Brasil envolve décadas, prova que não é míope como os especuladores eleitoreiros de curto prazo. Usando um provérbio português, usam lentes para não serem “pescadores de água turva”, isto é, estar em uma situação desconhecida, onde não se pode ver com clareza.

Presidente da Mitsubishi para a AL

Norberto Odebrecht (1920-2014)

Norberto Odebrecht

Obituários oferecem oportunidades de conhecer traços da vida de empreendedores que marcaram a história do capitalismo brasileiro. Eles foram muito úteis para eu escrever o livro “Brasil dos Bancos“. Nelson Niero (21/07/14) esboça o perfil biográfico de Norberto Odebrecht (1920-1914).

“A educação peculiar de Norberto talvez seja uma boa pista para entender o homem que criou a “Tecnologia Empresarial Odebrecht” – os princípios de uma organização que almeja ser uma “grande empresa com espírito de pequena”. Norberto nasceu no Recife, em 9 de outubro de 1920, filho de Emílio e Hertha Odebrecht. Quando tinha seis anos, a família mudou-se para Salvador. Foi com essa idade que começou a ter aulas com seu preceptor alemão Otto Arnold, que lhe deu uma formação sólida nos preceitos da ética e da moral luteranas que iriam servir de base para a filosofia que sustenta o grupo Odebrecht.

Nas aulas ministradas em alemão em longos passeios pelas ruas de Salvador, Norberto guardou com especial carinho a lição do pastor Arnold sobre o que chamava de “riqueza efêmera”: a riqueza verdadeira, dizia o preceptor, não existe sem saúde, ética, trabalho e produtividade.

Quando chegou o momento de ir à escola, Norberto logo percebeu que não era apenas o idioma – ele falava alemão em casa – que o separava dos colegas de sua idade. Havia também uma diferença básica de formação: ele fora educado para servir, enquanto seus companheiros, vindos das famílias mais abastadas de Salvador, estavam acostumados a ser servidos. Continuar a ler

Importância dos Dividendos Pagos Pelas Empresas Estatais ao Tesouro Nacional

Importância dos dividendos das estatais

Imaginem sem as empresas estatais! Isso teria ocorrido caso os neoliberais tivessem permanecido no Poder Executivo, depois de 2002, e culminado a sanha de privatizações!

Edna Simão e Lucas Marchesini (Valor, 21/07/14) informam que, com a economia crescendo pouco e as despesas em alta, o governo federal está cada vez mais dependente dos dividendos da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil (BB) para conseguir cumprir a meta de superávit primário do setor público consolidado de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

A área econômica espera receber R$ 23,9 bilhões em dividendos das empresas estatais federais neste ano. Por enquanto, já recebeu R$ 9 bilhões. Até o dia 22 de julho de 2014, o governo deverá fazer uma avaliação do comportamento das receitas e despesas e esse número poderá ser revisado.

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Banco dos BRICS

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Nem todos os jornalistas menosprezaram a criação do Banco dos Brics. David Pilling é o editor de Ásia do Financial Times. Ele publicou artigo (apud Valor, 01/08/14) onde afirma que “Banco dos Brics é lampejo do futuro“. Reproduzo-o abaixo.

Sergio Leo é outro jornalista mais sensato, pois é especialista em relações internacionais pela UnB. É autor do livro “Ascensão e Queda do Império X“, lançado em 2014. Publicou artigo (Valor, 21/07/14) que fugiu da cobertura com má vontade da “grande” imprensa brasileira. Os jornais brasileiros tentaram ignorar a criação do Banco dos Brics. Depois, tentaram reduzir a importância do acordo multilateral reunindo o Brasil, a Russia, a China, a Índia e a África do Sul, países que somam 42% da população mundial, para a criação de um banco de financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento.

A ideia do banco de desenvolvimento dos Brics surgiu, em 2012, em um momento de repique da crise financeira internacional. As instituições multilaterais, como Banco Mundial e FMI, haviam tido expansão de capital somente no auge da crise. Com a sinalização dos países desenvolvidos — os maiores acionistas dessas instituições — de que não injetariam mais recursos tão cedo, os cinco países viram que havia um espaço a ser preenchido.

“Na “velha ordem” do Banco Mundial, os burocratas esconderam nas gavetas da instituição, há mais de um ano, o projeto que deveria orientar a estratégia do banco para a Argentina. Sem isso, os técnicos não podem nem sequer cogitar algum projeto de financiamento ao país. Enquanto isso, em tempo recorde, aprovou-se pacote bilionário para a Ucrânia, nação em pedaços, sem estabilidade financeira e em guerra civil. Contradições como essa incomodam os chamados mercados emergentes independentes dos países desenvolvidos.

O recém-criado banco dos Brics, o grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, dificilmente vai se abrir aos argentinos sem exigência de garantias ou compromissos sérios do governo local (pelo menos, os técnicos dos cinco países prometem uma instituição assentada em bases técnicas e de boa governança). Mas poderá permitir, por contraste, avaliar o quanto há de pura política “ocidental” (Japão incluído nesse Ocidente) nos procedimentos e decisões de bancos multilaterais, mascarados de racionalidade administrativa. Continuar a ler