Mudança de Preços Relativos entre Petróleo e Gás Natural

Grande desacoplamento gás natural X petróleo

Gene Epstein (Barron’s apud WSJ, 03/04/14) escreveu matéria cujo título é para assustar os produtores de petróleo e (atuais e futuros) competidores dos EUA: “Novas descobertas achatam preço do petróleo e mudam forças de O Mercado”Novas descobertas de petróleo e gás natural ao redor do mundo poderiam baixar o preço do barril dos atuais US$ 100 para US$ 75 nos próximos cinco anos. Além disso, uma queda na demanda também vai pressionar a supremacia do petróleo à medida que aumenta o uso de combustíveis alternativos, como o gás natural. Como sempre, desconfie de informações que buscam formar as opiniões voláteis dos investidores…

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História de Pioneiro da Industrialização Gaúcha

De Tangará para a China

Sérgio Ruck Bueno (VAlor, 03/04/14) narra uma biografia ilustrativa de um caso de empreendedorismo no Sul do Brasil. “Prestes a completar 85 anos, em 6 de agosto, um dos pioneiros da industrialização do Rio Grande do Sul e acostumado a lidar com intempéries, o empresário Raul Randon não esconde a preocupação com o futuro próximo da economia. “Sinto como se estivéssemos caminhando em cima de brasas”, diz o fundador e presidente do conselho de administração do grupo Randon, que opera nos segmentos de implementos rodoviários, vagões e autopeças e apurou receita líquida de R$ 4,3 bilhões em 2013, com expressiva alta de 21,5% sobre 2012.

Neto de imigrantes italianos, tratado com reverência por boa parte dos seus 12,1 mil funcionários, ele expressa a inquietude com voz tranquila e pausada. “O mercado [de materiais de transporte] pode dar uma segurada e se neste ano pudermos fazer o que fizemos no ano passado já estou contente”. E 2015? “Ah, no ano que vem é certo que o nosso mercado vai baixar”.

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Capitalismo de Estado no Brasil: Oportunidades na Indústria do Petróleo

Oportunidades na Indústria do PetróleoA Indústria do Petróleo poderá se desenvolver muito no Brasil com a substituição de importações na Indústria Química. Quem disse que “o modelo de substituição de importações” estava “morto-e-enterrado”? Os neoliberais chegam ao culme de falar asneira ao tratar a Professora Maria da Conceição Tavares, autora do texto clássico sobre o assunto, como “a criadora o modelo de substituição de importações”!

Elisa Soares (Valor, 20/03/14) informa que os desafios tecnológicos que cercam a exploração de petróleo e gás em águas profundas podem servir de incentivo para o aumento da produção de químicos para este segmento no Brasil. Os produtos – hoje em sua maioria importados – ajudam a estender a vida útil tanto dos campos de petróleo, aumentando sua produtividade, como dos equipamentos, atuando na redução do efeito corrosivo do mar.

Pesquisa coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e realizada pelo consórcio formado pela Bain e a Gas Energy, está mapeando oportunidades no setor químico, e já identificou que o mercado nacional de químicos para exploração e produção (E&P) de petróleo e gás vai crescer 19% nos próximos anos. Velocidade maior do que o avanço esperado para o E&P de óleo e gás, de 9% ao ano.

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Capitalismo de Estado Neocorporativista: Invepar e FI-FGTS

Rota Mineira

Há mais de 1/2 século, desde quando houve a instalação do Distrito Federal no Planalto Central do País, há uma reinvidicação de duplicação de toda a estrada Rio de Janeiro-Brasília (BR-040), hoje duplicada apenas entre Rio e Juiz de Fora (MG). Cadê a iniciativa particular? Onde esteve a iniciativa (e a vontade) política dos governadores de Minas Gerais para reinvidicá-la? Quantas vidas desperdiçadas com mortes nessa estrada de rodagem… Felizmente, depois da tentativa de desmanche na Era Neoliberal, o Capitalismo de Estado Neocorporativista no Brasil voltou a atuar no atual Governo Social-Desenvolvimentista: a holding-símbolo Invepar adquiriu a concessão e está se movimentando para atender essa demanda social.

Fábio Pupo (Valor, 21/04/13) informa que, controlada pelo grupo OAS e pelos fundos de pensão Previ, Funcef e Petros, a Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar) prepara os investimentos em sua sexta concessão rodoviária no país – o trecho entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG) da BR-040. A empresa já fez um aporte de R$ 315 milhões na recém-criada subsidiária que administrará a rodovia e prevê começar em maio a duplicação da estrada pela região de Cristalina (em Goiás). A construtora OAS fará todas as duplicações.

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Dívida Externa Offshore

Dívida Externa Oculta

Lucinda Pinto (Valor, 19/03/14) informa que uma espécie de “dívida externa escondida” tem crescido nos últimos anos e chamado a atenção de órgãos reguladores internacionais e de especialistas. Trata-se das emissões realizadas por empresas por meio de suas subsidiárias no exterior – que, segundo os padrões internacionais, não são contabilizadas como passivo externo líquido quando os recursos são mantidos fora. A questão é que, como as matrizes são as responsáveis, em última instância, por esses compromissos, o avanço da fatia “offshore” amplia a exposição externa dos países, de uma maneira difícil de ser mensurada.

Trata-se de um fenômeno que afeta países emergentes de um modo geral, inclusive o Brasil. E, pela dimensão de sua dívida, ganha um grau mais preocupante quando se olha para a China.

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Taxa de Poupança: Para Que Serve?

Taxa de Poupança

Padrão de Financiamento % do Total Padrão de Financiamento % do PIBInsisto que o conceito de Poupança deve ser jogado na “lata-de-lixo” da história do pensamento econômico! Ele designa uma variável contábil residual macroeconômica ex-post que não é objeto de decisões econômicas dos agentes econômicos. Aprendi o Paradoxo da Parcimônia e o Sofisma da Composição no meu primeiro dia de aula em Economia! Depois, aprendi que o conceito adequado para designar fontes de financiamento do investimento em longo prazo é o de funding, isto é, a composição passiva que permite o alongamento do perfil da dívida corporativa. Mas a “sabedoria convencional”, inclusive de pós-keynesianos (confira abaixo), continua a argumentar que “Poupança é imprescindível para o financiamento do Investimento”! Isto mesmo durante esse período em que a “Taxa de Poupança” (veja acima) caiu e o crédito total do sistema financeiro atingiu R$ 2.717 bilhões, em janeiro de 2014, com a relação crédito/PIB alcançando 56,1% — era 22,8% do PIB em 2002. Então, para que serve esse conceito de Poupança?

Denise Neumann (Valor, 05/03/14) avalia que “a perda de rentabilidade das empresas nos últimos anos, que reduziu o volume de lucros a serem retidos, pode estar influenciando a queda da taxa de poupança da economia brasileira“. Depois de alcançar 18,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, a taxa de poupança recuou quase todos os anos, até atingir 13,9% no ano passado, quando o Brasil consumiu 84,5% de toda a riqueza gerada pela economia. No mesmo período, o investimento ficou quase estável, mas também em desaceleração. A taxa passou de 19,1% do PIB em 2008 para 18,4% em 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Falso Alarmismo: Denúncia do Presidente da Vale

Pânico Falso

Francisco Góes (Valor, 06/03/14) entrevista o presidente da Vale, Murilo Ferreira. Ele afirma que há três fatores que vêm influenciando a visão dos investidores sobre a mineradora:

  1. os volumes de produção de minério de ferro,
  2. a China e
  3. o processo eleitoral brasileiro.

“Em havendo uma evolução nesses três ambientes, a precificação [da ação] da Vale vai chegar ao nível que ela merece hoje”, disse Ferreira.

Esses três elementos afetaram as ações da empresa. De janeiro até o dia 5 de março de 2014, a ação preferencial caiu 14,12%, cotada a R$ 28,10 por ação. “Vivemos um começo de ano de verdadeiro apocalipse em relação à China e ao Brasil. E não enxergo essa situação nem em um nem em outro“, afirmou o executivo. Para ele, o mundo continua, porém, em ambiente de grande volatilidade e muita incerteza.

No cenário doméstico, como resultado do processo eleitoral, Ferreira avalia que o país está vivendo um FLA x FLU desnecessário. Ele destacou o dado positivo do investimento no PIB do ano passado e reconheceu que o país vive uma valorização cambial “excessiva”.

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Mineração: Investimentos, Produção e Exportação

Investimentos e Produção em Mineração

Olivia Alonso (Valor, 05/03/14) informa que o setor mineral brasileiro receberá US$ 53,6 bilhões em novos investimentos nos próximos cinco anos, até 2018. Esta é a previsão mais recente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A cifra até parece positiva quando o valor é olhado isoladamente. Mas é muito pequena quando se observa o potencial minerador do país. E parece ainda menor se comparada ao valor de dois anos atrás. A previsão era de US$ 75 bilhões para o período de 2012 a 2016. Hoje, os recursos previstos são 28,5% menores.

Os maiores cortes e suspensões de projetos têm sido feitos em operações de minério de ferro, até porque a commodity é responsável por 60% do total dos investimentos minerais do país. Recursos para projetos de ouro e cobre também têm encolhido, bem como aqueles que seriam direcionados para a produção de níquel e zinco.

A razão das quedas não é única, mas um conjunto de fatores que fizeram minguar o otimismo na mineração brasileira. Queda dos preços das commodities, burocracia excessiva para licenciamentos ambientais, escassez de capital e incertezas regulatórias formam o pacote de desestímulo.

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Indústria Automobilística: Bons Resultados do Regime Automotivo na Política Industrial

Efeito do Regime Automotivo

É reconhecido que a Indústria Automobilística produz grandes efeitos encadeamentos para trás e para frente, possuindo longa cadeia produtiva, que tem como satélites empresas fornecedoras de materias primas e autopeças, e cadeia distributiva, desde as concessionárias, as revendedoras, até o financiamento de compras de veículos. Assim, o Regime Automotivo, adotado durante o Governo Dilma, já está apresentando bons resultados.

Camilla Veras Mota (Valor, 06/03/14) avalia que os incentivos governamentais tornaram a indústria brasileira mais dependente do setor automotivo no período pós-crise. De acordo com estudo feito pela consultoria Tendências, no ano de 2013, o segmento foi responsável por 69,1% do aumento da produção industrial e contribuiu com 0,8 ponto percentual para a alta de 1,2%. Em 2008, a participação foi de 18,4% – o avanço de 8,1% na produção do segmento automotivo respondeu por 0,6 do resultado geral, de 3,1%.

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Receita dos Serviços em 2013 cresce 8,5%


Brasil – Dezembro 2013
Indicadortes de Receita Nominal do Setor de Serviços, Segundo Grupos de Atividades
Atividades Mês/Igual Mês do Ano Anterior Acumulado
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
Out Nov Dez No Ano 12 Meses
Brasil
8,8
8,8
8,4
8,5
8,5
1 – Serviços prestados às famílias
12,6
10,1
9,5
10,2
10,2
   1.1 – Serviços de alojamento e alimentação
11,5
9,8
10,3
10,6
10,6
   1.2 – Outros serviços prestados às famílias
19,6
12,3
4,3
7,2
7,2
2 – Serviços de informação e comunicação
7,9
7,0
7,0
6,9
6,9
   2.1 – Serviços TIC
7,6
5,6
5,9
7,0
7,0
   2.2- Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias
9,7
15,1
13,9
6,4
6,4
3 – Serviços profissionais, administrativos e complementares
7,3
9,4
6,7
8,1
8,1
   3.1 – Serviços técnico-profissionais
3,6
4,2
0,4
4,6
4,6
   3.2 – Serviços administrativos e complementares
8,8
11,6
9,6
9,5
9,5
4 – Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio
9,9
10,2
11,5
10,8
10,8
   4.1 – Transporte terrestre
8,7
8,1
8,3
10,7
10,7
   4.2 – Transporte aquaviário
27,1
14,9
17,3
18,0
18,0
   4.3 – Transporte aéreo
21,2
11,7
11,2
16,8
16,8
   4.4 – Armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio
6,4
13,1
16,5
8,0
8,0
5 – Outros serviços
9,7
9,1
6,7
5,9
5,9

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio

Para entender a economia brasileira, não basta observar a agroindústria e a indústria de transformação, devemos nos atentar para a Servindústria Brasileira, além, claro, para a indústria extrativa, a de construção civil e a de serviços de utilidade pública, como energia elétrica. Veja o desempenho de Serviços em 2013.

O setor de serviços registrou no Brasil um crescimento nominal de 8,4% em dezembro de 2013 na comparação com igual mês do ano anterior, taxa inferior às registradas em outubro e novembro (ambas com 8,8%). Os serviços prestados às famílias variaram 9,5%, os serviços de informação e comunicação, 7,0%, os serviços profissionais, administrativos e complementares, 6,7%, transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, 11,5%, e outros serviços, 6,7%. O crescimento nominal acumulado nos 12 meses de 2013 ficou em 8,5%, mesmo patamar das taxas registradas desde abril.

Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), primeiro indicador conjuntural mensal que investiga o setor de serviços no país, abrange as atividades do segmento empresarial não financeiroexceto os setores da saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram). A publicação completa da pesquisa pode ser acessada em:

www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/servicos/pms.

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Miopia de O Mercado quanto à Petrobras

Mapa Pre-salPetrobras informa que suas reservas provadas no pré-sal em 2013 cresceram 43% quando comparadas ao ano de 2012. Desde 2007, a companhia vem incorporando volumes crescentes às suas reservas provadas oriundas da camada pré-sal, que se estende do sul do estado do Espírito Santo até o estado de Santa Catarina. Atualmente, mais de um quarto das reservas provadas da Petrobras são provenientes do pré-sal. Em 2013, a perfuração de 42 poços nesta camada do pré-sal, associada ao excelente desempenho das plataformas em produção nas Bacias de Campos e Santos permitiu este crescimento de reservas em 43%.

É importante destacar que o aumento das reservas ocorre em paralelo com uma produção crescente na camada do pré-sal. Em 13 de janeiro de 2014 entrou em operação, com uma produção de 28 mil barris de petróleo por dia, o segundo poço produtor da plataforma Cidade de Paraty, no campo de Lula, totalizando 58 mil barris de petróleo por dia nesta plataforma.

Em decorrência, em 27 de fevereiro de 2014, alcançou-se um novo recorde diário, no qual a produção de petróleo operada pela Petrobras no pré-sal superou o patamar de 412 mil barris de petróleo por dia. Esta marca, obtida com apenas 21 poços produtores, evidencia a elevada produtividade dos campos do pré-sal.

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