Mito I do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Modelo de Crescimento pelo Consumo”

China PIB 1997-2016

Octávio de Barros, Diretor do Departamento Econômico do Bradesco, desde quando era economista-chefe do BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria) tinha montado o melhor Departamento Econômico entre todos os bancos. Como ex-colega e amigo, fui visitá-lo para aprender como montar um para a Caixa Econômica Federal, que não tinha sequer um assessor-econômico para sua Tesouraria. Ensinou-me: “contrate gente muito competente em econometria e defina o plano de trabalho; você fica com a elaboração da análise estratégica”. O BBVA foi adquirido pelo Bradesco e ele teve a oportunidade de ampliar, imensamente, o escopo de seu trabalho.

Foi com muita alegria que o recebemos no IE-UNICAMP, para uma Palestra na Semana de Economia promovida pelo CAECO (Centro Acadêmico da Economia), no dia 6 de setembro de 2014. Ele foi professor do IE entre 1987-1994, coincidindo com o período em que fui Coordenador do Ensino de Graduação (1989-1991).

Ele faz um trabalho extraordinariamente útil para todos os que acessarem o site do Bradesco na aba “Relação com Investidores”. Prestando um serviço de utilidade pública, coloca em acesso livre suas apresentações mensalmente atualizadas sobre a Conjuntura Econômica. Melhor, entre os inúmeros quadros estatísticos, recupera longas séries temporais anuais, permitindo se fazer análise de tendências históricas, ou seja, o passado se desdobrando para o futuro.

Gentilmente, ele me remeteu sua Apresentação na Semana de Economia — OCTAVIO DE BARROS Apresentação no IE-UNICAMP EM 05-09-2014 –, cujos dados permite desmentir vários mitos do terrorismo econômico, cometido na mídia por economistas neo e ultraliberais, no período pré-eleitoral. Chegaram a organizar seminário com a denominação “O Fim do Brasil”! Continuar a ler

The Wall Street Journal se rende à Realidade do Petróleo no Brasil

Plataforma para Exploração do Petróleo em Águas Profundas

Luciana Magalhães (WSJ, 08/08/14) lembra que, quando a Petrobras revelou a maior descoberta de reservas de petróleo da sua história, em 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva brincou que a descoberta havia provado que Deus é brasileiro.

Novos dados de produção estão levando muitos na indústria a compartilhar esse otimismo. Segundo a Petrobras, os campos do pré-sal estão produzindo mais de 500.000 barris de petróleo por dia, cerca de três vezes mais que em 2012, e já representam perto de 25% da produção total da empresa, de dois milhões de barris por dia.

É um crescimento rápido para a Petrobras em uma das regiões petrolíferas mais desafiadoras do mundo. Os depósitos se encontram a cerca de 320 quilômetros longe da costa sudeste do Brasil, enterrados no solo oceânico sob uma grossa camada de sal, o que dá nome aos campos.

“Em termos de produtividade e da velocidade com que a Petrobras saiu de uma produção zero para 500.000 barris por dia é [algo] meio sem precedentes“, diz Ruaraidh Montgomery, analista da firma de pesquisa Wood Mackenzie.

Os ganhos de produção nos campos do pré-sal são extremamente necessários para compensar a queda de desempenho dos campos mais antigos da Petrobras. A produção total da empresa caiu de 1,98 milhão de barris equivalentes de petróleo por dia em 2012 para 1,93 milhão no ano passado. Em 2014, com o pré-sal, a produção total aumentou. Em junho, foi de 2,008 milhões de barris diários.

Com o pré-sal, o Brasil pretende ser um dos cinco principais produtores de petróleo do mundo até 2020, quando a produção deve chegar a quatro milhões de barris por dia. Mas, para atingir essa meta ambiciosa, a Petrobras terá que superar desafios financeiros, técnicos e políticos. Continuar a ler

Indústria do Petróleo: Construção Naval

Encomendas da Petrobras à Indústria Naval

Francisco Góes e Cláudia Schüffner (Valor, 28/07/14) informam que o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), lançado pela subsidiária da Petrobras há cerca de dez anos, é um exemplo das dificuldades enfrentadas na atual retomada da construção naval no Brasil. O Promef prevê a construção de 49 navios, mas só sete foram entregues até agora. O programa registrou atrasos nas obras e o João Cândido, primeiro navio encomendado ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), foi entregue com cerca de dois anos de atraso e custo 23% acima da média do contrato original, segundo estimativas de mercado.

Mas a avaliação da Petrobras e da Transpetro é que o programa está indo bem. “Até o momento três navios da série Suezmax foram produzidos e entregues para a Transpetro no EAS: João Cândido, Zumbi dos Palmares e Dragão do Mar. O João Cândido e o Zumbi dos Palmares apresentaram prazos de construção de 44 e 45 meses respectivamente o que revela índices de produtividade semelhantes. Já o Dragão do Mar foi construído e entregue em 39 meses o que indica evolução”, disse a estatal em nota.

A melhora da produtividade no EAS é esperada à medida que novos navios do mesmo porte forem sendo produzidos em série pelo estaleiro, pois um dos fatores que impactam positivamente a produtividade do setor naval é a repetição dos projetos, afirmou a estatal.

A Samsung, competidora coreana na área de construção naval, que era a antiga parceira, por estar boicotando o projeto, recebeu um “passa-fora moleque” no Governo Dilma. Então, em 2013, um grupo de empresas japonesas comprou 33% do capital do estaleiro. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão dividem meio a meio os restantes 66% da empresa. Continuar a ler

Abordagem Estruturalista: Dinâmica Econômica dos BRICS

BRICS-2014

Nelson Marconi é economista e professor da EESP-FGV. Guilherme Magacho e Igor Rocha são economistas, doutorandos pela University of Cambridge, Inglaterra. Magacho, Rocha e Marconi (Valor, 02/08/14) recuperaram a abordagem estruturalista tão cara aos velhos, novos e sociais desenvolvimentistas. Reproduzo o interessante artigo abaixo.

“Durante a década de 2000, o acrônimo “Brics” se consagrou por designar um grupo de países que tinham condição de apresentar rápida expansão econômica devido ao potencial de crescimento de seus mercados. Brasil, Rússia, Índia e China se tornaram importantes receptores de investimentos e se caracterizaram, naquela década, como as futuras potências mundiais.

Com exceção da China, a estratégia de crescimento desses países se pautou no aproveitamento de suas vantagens comparativas em setores primários (e serviços, no caso da Índia), e do impulso da demanda asiática por esses produtos, para se colocarem como importantes players no comércio mundial. No caso brasileiro, por exemplo, foi inegável a importância das commodities no dinamismo econômico, uma vez que elas geraram renda no setor exportador e em todas as cadeias relacionadas.

Esse quadro fez ressurgir uma antiga discussão entre economistas: a complexa relação entre estrutura produtiva e crescimento econômico no longo prazo. Os debates sobre esse tema voltaram a ser bastante polvorosos.

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Estimativa de Investimentos entre 2014 e 2018

Estimativa de investimentos entre 2014 e 2018

Concessões de Ferrovias

Fábio Pupo e Juliana Elias (Valor, 04/07/14) informam que os projetos de infraestrutura anunciados pelo governo e pelo setor privado exigem R$ 920 bilhões em investimentos até 2018, de acordo com estudo do Itaú BBA. O levantamento leva em consideração o que está planejado para o período nas áreas de óleo e gás, transportes, energia e saneamento.

Se esses projetos realmente se concretizarem, a proporção de investimentos sobre o PIB ultrapassará, seguramente, a marca dos 20%, superando uma barreira para melhorar nossos gargalos. A formação bruta de capital fixo — medida do PIB que considera aplicações em construção e máquinas e indica o nível de investimentos produtivos no país — chegaria a 21% ou 22% do PIB. Nos últimos anos, essa proporção tem girado em torno dos 18%. Para chegar a esses números, considerou-se uma parcela anual de R$ 300 bilhões dos investimentos totais, aplicada ao PIB de 2016. Já o valor do PIB foi estimado com base em projeções de crescimento anual de 2% ao ano até lá. Continuar a ler

Produto Potencial e Produtividade

PIB Potencial

Alex Ribeiro (Valor, 24/07/14) apresenta o gráfico acima, mostrando a evolução, desde 2001, das projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quatro anos a frente, colhidas pelo boletim Focus. Os números refletem basicamente a expectativa de economistas-chefe, consultados pelo BCB, sobre o PIB potencial.

Este é um número mítico se for especulado ex-ante, com base no “achômetro”. Na realidade, só ex-post se constata qual teria sido o “PIB de equilíbrio (ou potencial)”, isto é, o produto que equilibraria a demanda agregada e a capacidade produtiva total, não provocando pressão inflacionária. Como “experiência é um farol que ilumina para trás”, o PIB potencial é como a experiência, quando há mudança estrutural, quebrando a regularidade do passado, pouco serve para advertir quanto ao que vem adiante

Em 2010, o PIB avançava numa velocidade de 7,5%, e as projeções de mercado para o PIB potencial subiram para 4,5%. Agora, com a economia ladeira baixo, recuaram para 2,93%. O resumo é que, quando a economia caminha bem no curto prazo, os analistas estão mais otimistas; quando vai mal, ficam pessimistas — e cegos quanto ao que vem adiante! Continuar a ler

Japoneses Não São Míopes

Família_Japonesa_em_Bastos_1930

Tatiane Bortolozi, Eduardo Laguna, Rodrigo Pedroso e Luciano Máximo (Valor, 02/08/14) informam que, com a missão de reforçar presença e investimentos no Brasil e não ficar muito atrás da China na América Latina, governo e empresários japoneses estão menos preocupados com o cenário brasileiro atual de baixo crescimento econômico. Eles preferem concentrar suas energias no que a economia do país pode agregar a seus negócios no médio e longo prazo, embora tenham críticas parecidas às de empresas nacionais: questionam a alta e complexa carga tributária, a precariedade da infraestrutura (estradas, portos e aeroportos) e cobram melhor qualificação da mão de obra.

Durante o Fórum Econômico Brasil-Japão, evento organizado pela Jetro, agência de comércio exterior do Japão, Valor e Nikkei, que reuniu no dia 2 de agosto de 2014, em São Paulo, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e cerca de 300 empresários japoneses e brasileiros, o presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, Seiji Shiraki, disse que o Brasil tem uma economia promissora, para ser olhada no longo prazo, e que a multinacional pretende continuar investindo no país, sempre com estratégia de décadas.

“Não estamos aqui olhando para amanhã ou depois de amanhã. Não somos americanos, não queremos resultados em três meses. Estamos no Brasil há 60 anos e, queremos crescer nos próximos dez, 20 anos“, afirmou Shiraki.

O executivo acredita que o atual momento da economia brasileiro será superado no médio prazo. “Nos últimos 12 anos do governo do PT, o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu uma média anual de pouco menos de 3%. É um grande número. Para os próximos dez anos não será muito diferente, a economia brasileira é promissora“, reiterou Shiraki, acrescentando que vê oportunidades para a Mitsubishi crescer no país, principalmente nos setores automotivo, naval e agrícola.

Seiji Shiraki (foto abaixo), presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, ao afirmar que a estratégia para o Brasil envolve décadas, prova que não é míope como os especuladores eleitoreiros de curto prazo. Usando um provérbio português, usam lentes para não serem “pescadores de água turva”, isto é, estar em uma situação desconhecida, onde não se pode ver com clareza.

Presidente da Mitsubishi para a AL