Riscos Ambientais da Produção de Gás de Xisto no Brasil

Potencial das Reservas de Gás de Xisto no Brasil

Chico Santos e Claudia Schüffner (Valor, 17/05/13) afirmam que as condições objetivas, incluindo tecnologia, infraestrutura de transporte, mercado consumidor e impactos ambientais, para a exploração e consumo de gás de xisto, ou gás não convencional no Brasil, recomendam cautela aos mais eufóricos com a nova fonte que vem transformando o mercado norte-americano de energéticos nos últimos anos, dizem os especialistas. O geólogo Olavo Colela Junior, assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP), disse que estima em dez anos o prazo necessário para que o país venha a ter alguma produção do gás se forem confirmadas perspectivas favoráveis em alguma das cinco bacias sedimentares mais promissoras. O primeiro leilão de áreas voltadas para a nova tecnologia será feito nos dias 30 e 31 de outubro de 2013.

Indústria Siderúrgica

Produção de aço no mundo

Daniela Rocha (Valor, 08/05/13) informa que as cotações do aço estão em queda. Entre janeiro e abril deste ano, a média do índice global de aço CRU, que monitora os preços, foi 3,2% menor do que a média de 2012. Na comparação da média registrada nos quatro primeiros meses de 2013 com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 8,9%. De 2011 para 2012, a redução havia sido de 10,4%. No começo deste mês, a bobina laminada a quente (aço plano), que tem o mercado americano como referência, estava cotada a US$ 595 por tonelada e o vergalhão (aço longo) a US$ 559 por tonelada, tendo como base as negociações na Bolsa de Valores de Xangai, na China.

Apesar das recentes baixas, os preços do aço não estão muito longe das médias históricas, desconsiderando o pico do ciclo de commodities, antes da crise do subprime nos Estados Unidos.

Em julho de 2008, antes do estopim da turbulência, o índice CRU atingiu o ápice, 40% acima da média atual. O grande problema hoje está no custo da produção do aço. Em apenas sete anos o preço do minério de ferro, avançou muito, foi multiplicado por até quatro vezes. A tonelada do minério de ferro saiu de US$ 40 por tonelada em 2006 e a previsão para este ano, segundo avaliação da Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo, é de que o preço flutue entre US$ 110 e US$ 160 por tonelada.

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Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no Primeiro Trimestre de 2013

IDE em Serviços

Mais uma evidência empírica em favor de minha hipótese de que a tradicional divisão setorial da Economia em Setores Primário, Secundário e Terciário necessita ser abandonada em favor da adoção analítica de Setores da Matriz Insumo-Produto e/ou Cadeias Produtivas. Assim como se fala de Agroindústria, deve-se analisar a Servindústria. Em ambos, a Indústria de Transformação é fornecedora de insumos e bens finais, seja máquinas e equipamentos, seja bens de consumo para atender à demanda dos ocupados nessas cadeias produtivas. O IBGE deveria estimar aa participações no PIB dessa conglomeração setorial.

Rodrigo Pedroso e Arícia Martins (Valor, 26/04/13) informam que, no primeiro trimestre deste ano o Brasil recebeu menos investimento direto estrangeiro do que em igual período do ano passado. Os recursos externos que entraram no país para projetos produtivos nos diferentes setores da economia preferiram o segmento de serviços. De acordo com os dados do Banco Central, o setor recebeu, somadas as duas modalidades – participação no capital e investimento intercompanhias – de ingresso de recursos, 45% do total, enquanto a indústria absorveu 35%, e a agricultura e o setor extrativista, incluindo petróleo, ficaram com o restante. No mesmo período do ano passado, a indústria ficou com 46,4% do total, e serviços, 29%. Os dados consideram o ingresso de recursos, sem descontar as saídas.

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Documentário da BBC baseado no livro “O Petróleo” (autoria de Daniel Yergin)

Daniel Yergin é uma das maiores autoridades em Energia, Política Internacional e Economia. Dr. Yergin recebeu o Prêmio Pulitzer pela autoria de The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power, que também se transformou em um documentário de oito horas da PBS/BBC, visto por 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos. O livro O Petróleo – com 1077 páginas – foi traduzido em 17 idiomas e também recebeu o Prêmio Eccles de melhor livro sobre um tema econômico para um público geral. Como é livro muito extenso, certamente sua leitura durará muito mais do que assistir os 8 documentários reproduzidos abaixo, embora talvez seja mentalmente mais produtiva. Ou não? As imagens dizem muito…

Para ler as legendas em português, que estão ocultas (abaixo à direita), primeiro, clique a opção de visualizar as legendas em inglês e, depois, selecione o nosso idioma. Devido à má tradução, é melhor deixar as legendas mesmo em inglês.

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Desaceleração das Exportações de Commodities

Queda dos Preços dos Exportados 1 T 2013Exportações para China

Uma queda disseminada no preço de quase 60% dos produtos exportados pelo Brasil ajuda a explicar o mau resultado do balanço comercial brasileira nestes primeiros meses de 2013, junto com o aumento das importações. De janeiro a março, 20 dos 31 grupos de produtos classificados pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic) apresentaram queda no preço de exportação. Os grupos em queda representam 64% do valor exportado pelo Brasil no trimestre. No ano, o Brasil exportou 2,5% menos em relação a 2012, enquanto as importações aumentaram 3% até março e 10% em abril (sempre na comparação com o ano passado), descontando combustíveis.

Para alguns setores, especialmente de manufaturados, a queda de volume também prejudicou o desempenho no primeiro trimestre. Entre os 31 grupos, 17 reduziram a quantidade exportada de janeiro a março em relação ao mesmo período de 2012.

Marta Watanabe (Valor, 22 e 25/04/13) informa também que a frustração do crescimento da economia chinesa já se reflete na exportação brasileira. No primeiro trimestre, o volume exportado em minério de ferro caiu 2,3% em relação aos mesmos meses de 2012. A queda chama a atenção, porque o volume de exportação do minério para a China perdeu ritmo no ano passado, mas não chegou a cair. Em 2012, a exportação do produto para os chineses subiu 3,3% em volume. No primeiro trimestre de 2012, o crescimento de quantidade era de 5%.

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Participação Estrangeira nas Exportações Brasileiras de Petróleo

Participação de petroleiras estrangerias nas exportações brasileiras

Rodrigo Pedroso (Valor, 22/04/13) informa que as petroleiras estrangeiras já respondem por pelo menos 20% das exportações brasileiras de petróleo. No ano passado, na comparação com 2011, o conjunto dessas companhias aumentou em cinco pontos percentuais sua participação no total exportado de óleo bruto pelo Brasil e trouxe US$ 5,5 bilhões para o balanço comercial do país. Com a nacional OGX, a exportação das companhias privadas alcança US$ 5,7 bilhões, considerando a lista de maiores exportadores do país elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

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Extração de Gás do Xisto no Brasil: Risco Ambiental

Gás de Xisto

Reservas de Gás Xisto no Mundo

Denise Luna (FSP, 16/04/13) faz uma advertência importante a respeito de tema que já foi tratado aqui neste blog:  Extração de Gás de XistoUma fonte de energia polêmica nos EUA e proibida em alguns países, como a França e a Bulgária, está prestes a começar a ser explorada no Brasil: o gás de xisto, ou gás não convencional.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) marcou para os dias 30 e 31 de outubro o primeiro leilão de blocos de gás — normalmente, eles estão incluídos nos leilões para exploração de petróleo. Segundo a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, as reservas de gás em terra podem ultrapassar as do pré-sal. Projeções da ANP indicam potencial de reservas de 500 TFC (trilhões de pés cúbicos), o dobro dos 226 TFCs conhecidos até hoje.

Entre as áreas ofertadas há algumas com potencial para extração de gás não convencional, que não está livre nos reservatórios subterrâneos, como o gás comum. Para extraí-lo é preciso “explodir” as rochas, injetando no subsolo grandes quantidades de água, areia e produtos químicos. Esse método gera questionamentos sobre os seus impactos ambientais.

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Polêmica sobre Pré-sal, Petrobras e o Futuro do Brasil

Acho que a Petrobras está passando por típico período do chamado “financiamento Ponzi“, quando ainda não gera recebíveis do investimento com longo prazo de maturação. O mercado míope enxerga perto, mas não longe, e a pune. E ela tem de contar com novas entradas em seu fluxo de caixa para financiar os empreendimentos necessários à extração de petróleo em águas profundas abaixo da camada de pré-sal.

JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI DE AZEVEDO, 63, ex-presidente da Petrobras (2005-2012), é secretário de Planejamento da Bahia. Publicou artigo (FSP, 03/04/13) intitulado “Pré-sal, Petrobras e o Futuro do Brasil” que provocou reação critica por parte de membro do Conselho Editorial da Folha, o físico professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 81. Como está em debate um tema estratégico crucial para o futuro do País, vale a pena ler os argumentos de ambos apresentados abaixo.

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Desindustrialização na Economia Brasileira no Período 2000-2011

Desindustrialização da Economia Brasileira

Paulo Morceiro, Economista e Mestre pela Unesp de Araraquara, Pesquisador-colaborador do Grupo de Estudos de Economia Industrial (GEEIN), desde 2011 é analista de projetos (economista) do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da FIESP. Seu livro foi publicado, no dia 24/04/13, com o selo Cultura Acadêmica da Editora Unesp. O título do livro é: Desindustrialização na Economia Brasileira no Período 2000-2011: Abordagens e Indicadores. Clicando no link, dá para baixar seu livro gratuitamente, basta apenas cadastrar um e-mail no canto inferior esquerdo da página:  http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=305 A partir de maio/2013, o livro poderá ser adquirido na forma de impresso sob demanda. Solicitou-me que divulgue o livro e o link acima para meus colegas de profissão.

Lógico, cuido dos meus “netinhos”! Os professores do Departamento de Economia da UNESP-Araraquara são ex-colegas ou alunos do IE-UNICAMP, ou seja, trato-os como minhas “crias“. Eles me receberam com muita atenção, talvez como “um pai“, quando fiz uma apresentação lá neste mês.

“Corredor Asiático” e “Vale do Silício” Brasileiros

 

Participação no VA Fiscal da Indústria de SPCampinas e Sorocaba

Camilla Veras Mota (Valor, 17/04/13) informa que se a região de Campinas e Sorocaba  fosse um Estado independente, já seria o segundo mais industrializado do país, atrás apenas de São Paulo, com 11,2%. Minas Gerais, o segundo, tem cerca de 10% de participação na indústria nacional.

Os centros produtores de Campinas e Sorocaba foram os grandes indutores da dinâmica de desconcentração que marcou a indústria de São Paulo entre os anos 2000 e 2010. Com 33,5% de participação no produto industrial do Estado, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a região que compreende cidades como Jundiaí, Hortolândia, Sumaré, Indaiatuba, Piracicaba, Vinhedo, Atibaia, Itupeva e Rio Claro se aproxima cada vez mais da região metropolitana, que viu sua representatividade na indústria recuar de 42% para 38,1% em dez anos.

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Relevância da Indústria de Transformação: Experiências Comparadas dos SEANICs (SouthEast Asian Newly Industrialized Countries) e do Brasil

20130328-01

Diante do atual contexto brasileiro de reprimarização da pauta de exportações e dos movimentos desindustrializantes da estrutura produtiva brasileira, o IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) lembra que “a literatura já apresentou diversas discussões e evidências de que a diversificação das atividades industriais é intrínseca ao conceito de desenvolvimento econômico em si, tomado como um processo relacionado à ampliação do emprego e da capacidade produtiva, com a contínua elevação da produtividade, incorrendo em mudança estrutural para setores capital e tecnológico intensivos.” Para comparar o posicionamento nacional-desenvolvimentista a favor da indústria brasileira com o neoliberal a favor da internacionalização da economia brasileira, exposto no post anterior, vamos resumir abaixo a Carta IEDI nº 565. Veja, especialmente, os importantes dados comparativos internacionais.

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Ideologia do Gabinete-Sombra Neoliberal: Casa das Garça

Mônica Baumgarten de Bolle 2

Um seguidor deste blog solicitou-me fazer o debate ideológico com o “Gabinete-Sombra Neoliberal”, conhecida como “a Casa das Garças” ou “o Ninho de Tucanos”. Acontece que estou com a agenda muito cheia e sem tempo a perder. Mas vamos reproduzir a entrevista realizada por Cyro Andrade (Valor, 12/03/13) com Monica Baumgarten de Bolle, organizadora, conjuntamente com Edmar Bacha, do livro do Instituto de Estudos de Política Econômica – Casa das Garças, a partir de seminários realizados em abril e junho de 2012, para “discutir o próprio sentido da desindustrialização” e, curiosamente no caso da oposição, “esboçar uma contribuição para o que possa constituir uma nova política industrial.” Os ensaios reunidos em “O Futuro da Indústria no Brasil” espelham o que foi aquele debate, uma busca de entendimento de problemas da indústria brasileira, uns mais antigos, outros mais atuais.

De todos os ângulos que se olhe, a questão industrial é parte essencial da questão maior de competitividade da economia brasileira. Sempre foi assim, mas ganhou importância adicional, recentemente, compreender essa relação na maior extensão possível — e em termos globais —, na medida em que confluíam sinais do que se passou a chamar de “desindustrialização” e movimentos de resposta do governo a esse processo, com medidas típicas de política industrial.

A moça da Casa das Garças é uma graça! Pena ser neoliberal… “A politização do tema (a desindustrialização) prejudica uma análise mais rigorosa acerca do que se passa. O governo tem uma visão ideológica sobre o papel da indústria no país —  há um “fetiche industrial”, uma ideia arraigada de que somente a indústria é capaz de proporcionar as bases para o aumento do emprego, da produtividade e do crescimento”, disse ela na entrevista. “Essa postura é respaldada pelos interesses localizados dos próprios empresários de determinados setores. Isso favorece a ausência de uma análise mais isenta, menos normativa e mais positiva, científica, sobre esses assuntos. A consequência é a profusão de medidas sem estratégia clara.”

Contraditória, não? De início, “denuncia” que o governo “defende” os interesses da indústria para alcançar maior competitividade internacional. Reconhecidamente, para os especialistas, ela gera melhores empregos e maiores salários do que a maioria dos serviços. Depois, afirma que há “a profusão de medidas sem estratégia clara”. Em outras palavras, tudo que não seja “a análise mais isenta, menos normativa e mais positiva, científica”, da Casa das Garças, sobre esses assuntos, não teria “estratégia clara”!

É claro que a estratégia neoliberal é ampliar a abertura comercial, mesmo nessa conjuntura de crise em que o resto do mundo adota protecionismo, e deixar todo o restante por conta das livres forças de O Mercado, que se encarregará da “destruição criativa”. É de chorar de rir o velho entreguismo revestido de modernidade…

A seguir, a entrevista, pois necessitamos conhecer e analisar os argumentos dos adversários ideológicos, para melhor combatê-los.

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