Estimativa de Investimentos entre 2014 e 2018

Estimativa de investimentos entre 2014 e 2018

Concessões de Ferrovias

Fábio Pupo e Juliana Elias (Valor, 04/07/14) informam que os projetos de infraestrutura anunciados pelo governo e pelo setor privado exigem R$ 920 bilhões em investimentos até 2018, de acordo com estudo do Itaú BBA. O levantamento leva em consideração o que está planejado para o período nas áreas de óleo e gás, transportes, energia e saneamento.

Se esses projetos realmente se concretizarem, a proporção de investimentos sobre o PIB ultrapassará, seguramente, a marca dos 20%, superando uma barreira para melhorar nossos gargalos. A formação bruta de capital fixo — medida do PIB que considera aplicações em construção e máquinas e indica o nível de investimentos produtivos no país — chegaria a 21% ou 22% do PIB. Nos últimos anos, essa proporção tem girado em torno dos 18%. Para chegar a esses números, considerou-se uma parcela anual de R$ 300 bilhões dos investimentos totais, aplicada ao PIB de 2016. Já o valor do PIB foi estimado com base em projeções de crescimento anual de 2% ao ano até lá. Continuar a ler

Produto Potencial e Produtividade

PIB Potencial

Alex Ribeiro (Valor, 24/07/14) apresenta o gráfico acima, mostrando a evolução, desde 2001, das projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quatro anos a frente, colhidas pelo boletim Focus. Os números refletem basicamente a expectativa de economistas-chefe, consultados pelo BCB, sobre o PIB potencial.

Este é um número mítico se for especulado ex-ante, com base no “achômetro”. Na realidade, só ex-post se constata qual teria sido o “PIB de equilíbrio (ou potencial)”, isto é, o produto que equilibraria a demanda agregada e a capacidade produtiva total, não provocando pressão inflacionária. Como “experiência é um farol que ilumina para trás”, o PIB potencial é como a experiência, quando há mudança estrutural, quebrando a regularidade do passado, pouco serve para advertir quanto ao que vem adiante

Em 2010, o PIB avançava numa velocidade de 7,5%, e as projeções de mercado para o PIB potencial subiram para 4,5%. Agora, com a economia ladeira baixo, recuaram para 2,93%. O resumo é que, quando a economia caminha bem no curto prazo, os analistas estão mais otimistas; quando vai mal, ficam pessimistas — e cegos quanto ao que vem adiante! Continuar a ler

Japoneses Não São Míopes

Família_Japonesa_em_Bastos_1930

Tatiane Bortolozi, Eduardo Laguna, Rodrigo Pedroso e Luciano Máximo (Valor, 02/08/14) informam que, com a missão de reforçar presença e investimentos no Brasil e não ficar muito atrás da China na América Latina, governo e empresários japoneses estão menos preocupados com o cenário brasileiro atual de baixo crescimento econômico. Eles preferem concentrar suas energias no que a economia do país pode agregar a seus negócios no médio e longo prazo, embora tenham críticas parecidas às de empresas nacionais: questionam a alta e complexa carga tributária, a precariedade da infraestrutura (estradas, portos e aeroportos) e cobram melhor qualificação da mão de obra.

Durante o Fórum Econômico Brasil-Japão, evento organizado pela Jetro, agência de comércio exterior do Japão, Valor e Nikkei, que reuniu no dia 2 de agosto de 2014, em São Paulo, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e cerca de 300 empresários japoneses e brasileiros, o presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, Seiji Shiraki, disse que o Brasil tem uma economia promissora, para ser olhada no longo prazo, e que a multinacional pretende continuar investindo no país, sempre com estratégia de décadas.

“Não estamos aqui olhando para amanhã ou depois de amanhã. Não somos americanos, não queremos resultados em três meses. Estamos no Brasil há 60 anos e, queremos crescer nos próximos dez, 20 anos“, afirmou Shiraki.

O executivo acredita que o atual momento da economia brasileiro será superado no médio prazo. “Nos últimos 12 anos do governo do PT, o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu uma média anual de pouco menos de 3%. É um grande número. Para os próximos dez anos não será muito diferente, a economia brasileira é promissora“, reiterou Shiraki, acrescentando que vê oportunidades para a Mitsubishi crescer no país, principalmente nos setores automotivo, naval e agrícola.

Seiji Shiraki (foto abaixo), presidente para a América Latina da Mitsubishi Corporation, ao afirmar que a estratégia para o Brasil envolve décadas, prova que não é míope como os especuladores eleitoreiros de curto prazo. Usando um provérbio português, usam lentes para não serem “pescadores de água turva”, isto é, estar em uma situação desconhecida, onde não se pode ver com clareza.

Presidente da Mitsubishi para a AL

Crescimento da Participação de Micros e Pequenas Empresas (MPE) na Contabilidade Social

pib mpe 1985-2001-2011pib mpe por setor

Lucas Marchesini (Valor, 23/07/14) informa que a participação das micro e pequenas empresas no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu e atingiu 27%. O dado inédito foi apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido do Sebrae . Esse percentual refere-se ao ano de 2011 e representa um aumento significativo em relação a 1985, quando, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pequenos negócios respondiam por 21% do PIB nacional. A pesquisa da FGV utilizou a mesma metodologia aplicada pelo IBGE naquela ocasião.

Esse crescimento se deve à conjugação de três questões, na avaliação do presidente do Sebrae, Luiz Barreto. São eles:

  1. o crescimento do mercado consumidor, em especial a classe C,
  2. o aumento do grau de escolaridade da população e
  3. a criação do Super Simples (sistema criado em julho de 2007), que simplificou drasticamente e reduziu a carga tributária das pequenas empresas.

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Automação Robótica na Indústria Automobilística: Adeus ao Proletariado

Nissan inaugura complejo automotriz de ,500 MDD en Brasil

Após a seleção alemã golear a brasileira no campo do Mineirão, na Copa de 2014 em Belo Horizonte, uma piada comparava a velocidade dos gols da Alemanha com o ritmo de produção de Gols, o carro mais popular do país, pela Volkswagen (VW).

“Nem a fábrica da Volkswagen faz cinco gols em 30 minutos”, dizia um dos posts mais populares nas redes sociais. Outro, de cálculo mais próximo da realidade, estimava que a “produção” de quatro gols em seis minutos – outro feito da equipe de Joachim Löw – representava um novo recorde mundial, digno de felicitações da montadora.

Tudo não passa de uma brincadeira, mas, de fato, a eficiência do ataque alemão chegou perto da produtividade de uma linha de montagem da Volkswagen durante parte do jogo. Modelo mais vendido do país há quase três décadas, o Gol é produzido nas fábricas da Volks em São Bernardo do Campo e Taubaté, no interior paulista. Cada uma delas tem capacidade de produzir um Gol por minuto.

No jogo da Copa, a Alemanha precisou de apenas quatro minutos para fazer três gols, com Miroslav Klose – no tento em que o atacante germânico superou a artilharia de Ronaldo em Copas – e Toni Kroos.

Assim, no prazo em que saíram o segundo, o terceiro e o quarto gol, a seleção alemã fez apenas um gol a menos do que uma fábrica da Volks teria condições de produzir em tempo equivalente. Quando se inclui os demais modelos, a comparação é descabida porque a montadora, nesse caso, tem potencial de produzir dois carros em menos de um minuto em suas três fábricas no país!

Eduardo Laguna (Valor, 17/06/14) informa que, vinte anos após a onda de investimentos em inovação tecnológica desencadeada pela abertura comercial do início da década de 90, seguida pela chegada de montadoras francesas e japonesas, a indústria automobilística brasileira vive um novo ciclo de modernização com a inserção do país na rota das plataformas de produção globais.

Tomadas por robôs e equipamentos inteligentes, as fábricas que estão sendo inauguradas por montadoras novatas, ou atualizadas pelas marcas de longa data no país, são o melhor retrato do progresso na automação industrial desse setor. Elas reúnem tecnologias que chegam não apenas para alinhar os carros daqui aos padrões de qualidade dos mercados mais exigentes, mas também para melhorar a produtividade das linhas, o que tem sido considerado um dos maiores desafios da indústria com a escalada dos custos de mão de obra e matéria-prima dos últimos anos.

Duas décadas atrás, as montadoras empregavam quase 80 trabalhadores a cada mil veículos produzidos. Hoje, chegam a igual volume com menos da metade dessa força de trabalho: 35 operários a cada mil unidades. Continuar a ler

Mineração no Brasil

Investimentos na Mineração

Juan Garrido (Valor, 22/04/14) informa que a projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para 2014 aponta para uma receita de US$ 43 bilhões da produção mineral brasileira. Caso confirmada, serão US$ 10 bilhões a menos que em 2011, ano de recorde histórico para o setor. Tal prognóstico é uma ducha de água fria num mercado acostumado a saltos sucessivos na produção entre 2001 e 2011, saindo de US$ 5 bilhões para US$ 53 bilhões. Segundo o presidente do Ibram, José Fernando Coura, a mineração brasileira amarga um momento de dificuldades e de preços em queda. “A previsão é também de redução de investimentos, sobretudo em exploração mineral, de acordo com as próprias projeções divulgadas pelas mineradoras para os próximos cinco anos.”

A mineração tem contribuição decisiva para o balanço comercial e para a interiorização do crescimento econômico. Segundo o Ibram, o saldo do balanço mineral de 2013 foi 12,5 vezes maior que o saldo do balanço comercial do país como um todo. Continuar a ler

Reação de O Mercado ao Petróleo do Pré-Sal

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Consuelo Dieguez, em Bilhões e Lágrimas: A Economia Brasileira e Seus Atores, conclui o relato da Epopeia da Descoberta e Exploração do Pré-Sal, postado nesta série de posts.

“Na manhã de terça-feira, 18 de março de 2008, a direção do Instituto Brasileiro de Executivos do Mercado Financeiro reuniu, em um seminário no Rio de Janeiro, especialistas e executivos da área de petróleo. A ideia era explicar as oportunidades para o setor em função das novas descobertas. Ficou claro que a maior preocupação de todos era saber o que o governo faria em relação à Lei do Petróleo.

No painel de abertura do encontro, estava prevista a presença de Haroldo Lima, mas ele foi substituído, em cima da hora, por um outro diretor da ANP, Nelson Narciso, que explicou que Lima fora chamado com urgência a Brasília. A informação suscitou um comentário na plateia: “Quando o Haroldo Lima vai a Brasília é sinal de que teremos problemas.” Os representantes das empresas privadas se perguntavam o que restaria para elas, caso o governo resolva mesmo voltar ao regime de monopólio. O presidente da Petrobras ajudou a elevar ainda mais o nível de tensão: ao encerrar o seminário, Gabrielli defendeu o modelo de produção compartilhada. Continuar a ler

Mudança do Modelo de Exploração do Petróleo

Descobertas da Camada Pré-Sal na Bacia de Santos

Dando prosseguimento à documentação da Epopeia do Pré-Sal, só mudo o tempo dos verbos da narrativa de Consuelo Dieguez, no livro Bilhões e Lágrimas: A Economia Brasileira e Seus Atores, para demonstrar sua importância permanente.

“Ernani Torres, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, espalhou sobre a sua mesa, na sede da instituição, no Rio, uma pilha de gráficos para ilustrar um fenômeno. Os financiamentos tomados pelas empresas junto ao banco indicam que a economia brasileira iniciou, no ano de 2007, o maior ciclo de investimentos das últimas três décadas. Entre 2008 e 2011, os investimentos totais contratados somavam 1,2 trilhão de reais. Só na indústria do petróleo e do gás, seriam investidos 202 bilhões de reais, sendo a Petrobras responsável por 75% disso. “O BNDES é o único financiador de longo prazo; por isso temos condições de avaliar com precisão os planos de investimentos das empresas”, disse ele. “Sabemos que estamos diante de uma brutal onda de investimentos no Brasil.Continuar a ler

Oportunidade Histórica Nacional: Petróleo do Pré-Sal

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Nessa passagem, Consuelo Dieguez, em seu livro Bilhões e Lágrimas: A Economia Brasileira e Seus Atores, descreve o contexto geopolítico da Economia do Petróleo na época da descoberta do petróleo na camada pré-sal.

“Desde a mudança da lei do petróleo, em 1998, a produção no Brasil saltou de 300 mil barris ao dia para 1,9 milhão, quase tudo produzido pela Petrobras. Nesse período, mais de setenta empresas nacionais e estrangeiras também passaram a explorar o petróleo em território nacional, pagando royalties e participações especiais aos cofres de União, estados e municípios. O estado do Rio, que em 1995 recebia como royalties, pela exploração da Bacia de Campos, 40 milhões de reais, arrecada hoje 6 bilhões de reais por ano. Entre 1998 e 2006, o total dos repasses para dez estados e 823 municípios saltou de menos de 1 bilhão para 68 bilhões de reais. Continuar a ler

Decisões Estratégicas de Estado Soberano

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“Quatro dias depois do anúncio da descoberta de petróleo na camada pré-sal, em 30 de outubro de 2007, o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, recebeu um telefonema da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Lima é um baiano bem-humorado, de cabelos grisalhos e olhos claros que havia 35 anos era dirigente do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Ele começou a fazer política ainda no curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Bahia, passou para a clandestinidade em 1967, foi preso em 1976 e solto quase três anos depois, com a promulgação da lei da anistia.

Em março de 2008, na sua imensa sala da direção-geral da ANP, no centro do Rio, Haroldo Lima rememorou o telefonema da ministra. “A Dilma me ligou e eu perguntei onde ela estava”, contou. “Ela disse que estava no hospital, toda espetada de agulhas. Nós rimos e eu chamei sua atenção por ela estar trabalhando daquele jeito.” A ministra, que convalescia de uma crise de diverticulite, lhe disse que Lula ligara pouco antes de Zurique – onde fora participar da reunião da Fifa que escolheria o Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 – e determinara que ela convocasse uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE.

A reunião foi marcada para o dia 8 de novembro de 2007, na sede da Petrobras, no centro do Rio. Na manhã daquele dia, os treze integrantes do CNPE, entre eles o ministro da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo, e Dilma Rousseff, além de Lula, se reuniram no 18º andar do prédio. Foi feita uma apresentação semelhante à da Ilha do Fundão, inclusive com os óculos em 3D. “Foi uma comoção”, contou Haroldo Lima. “Ficamos todos muito impressionados com as descobertas.” Continuar a ler

Epopeia do Pré-Sal

An aerial view of  Petrobras 50, a ship-shaped floating production, storage and off-loading (FPSO) vessel, in Rio de Janeiro

Consuelo Dieguez, na revista piauí de abril/2008, narra os bastidores da epopeia da descoberta do petróleo em águas profundas, na camada do pré-sal, dentro das 200 milhas marítimas sob soberania nacional na costa brasileira. Devido ao seu valor histórico, vale  aqui registrar os fatos e personagens descritos, para conhecimento geral dos cidadãos brasileiros leitores deste modesto blog. A partir dessa reportagem, reproduzida em seu livro, vamos publicar uma série de posts a respeito. Continuar a ler

Fatores Externos e/ou Internos São Determinantes do Crescimento do PIB Brasileiro?

Crescimento do PIB da China 2003-2013PIB Brasil X Mundo

Bráulio Borges é economista-chefe da LCA Consultores. Escreveu artigo (FSP, 11/04/14) avaliando o crescimento econômico brasileiro de maneira comparada com o crescimento mundial, dado mais recentemente pelo crescimento chinês. Reproduzo-o abaixo, seguido da crítica de Samuel Pessoa, conselheiro do Aécio, que deseja culpabilizar a adversária, Dilma Rousseff, afirmando que, dentre três fatores (crise mundial-pleno emprego-política econômica), “a alteração do regime de política economia a partir de 2009 é responsável por um terço ou pouco mais da perda de dinamismo de nossa economia”. A dedução é que essa política econômica que resultou aqui em pleno emprego, em época de forte desemprego nos países desenvolvidos, é lamentada pelos neoliberais… Continuar a ler