Captações Externas para Investimento em Infraestrutura

Captações Externastqabela 15 online

Talita Moreira e Aline Oyamada (Valor, 28/03/14) informam que foi preciso muita habilidade para navegar no mercado internacional em 2013, quando bancos e empresas tiveram de agir com rapidez para se adaptar a um novo cenário, bem mais desafiador. O ano começou com águas calmas, mas a tempestade se armou no fim de maio, diante dos primeiros sinais de normalização monetária nos Estados Unidos.

Os novos ventos deixaram para trás os anos de dinheiro farto e barato. Os investidores ficaram mais seletivos e os custos de captação subiram, atingindo sobretudo operações de países emergentes. Saiu-se melhor quem recolheu as velas e soube esperar, mas o mau tempo fez estragos generalizados. O total de US$ 53,4 bilhões levantado no ano passado por companhias, instituições financeiras e governos ficou 20,7% abaixo do volume levantado em 2012, que foi recorde.

O impacto foi maior nas emissões de bônus, embora esse tipo de operação continue a dominar com folga as captações externas. As ofertas de títulos de dívida recuaram 23%, para US$ 39,2 bilhões. A queda teria sido ainda mais profunda se não fosse a megaoferta de US$ 11 bilhões da Petrobras – a maior colocação de bônus já feita por uma empresa de país emergente. A operação foi tão grande que teve papel decisivo na definição das primeiras colocações no “Ranking Valor de Captações Externas“.

Elaborado pelo Valor Data, o ranking leva em conta captações externas de dívida por meio de emissões de bônus e de e empréstimos sindicalizados. Na edição atual, foram consideradas operações realizadas no ano passado. (Veja a metodologia em www.valor.com.br) Continuar a ler

Perspectivas do FMI X Perspectivas da China

Financiamento Chinês

Sérgio Lamucci (Valor, 04/04/14) informa o que diz o Fundo Monetário Internacional (FMI): “Os mercados emergentes tendem a enfrentar um ambiente menos favorável ao crescimento daqui para frente, devido à combinação de um cenário externo um pouco mais adverso e de fatores domésticos que têm segurado a expansão da economia“.

Em relatório divulgado no dia 03/04/14, o FMI destaca que a recuperação das economias avançadas vai ajudar, mas a esperada desaceleração da China e as condições financeiras um pouco mais apertadas vão jogar na direção contrária. Segundo a instituição, o Brasil é um dos países que têm maior correlação do crescimento com a China do que com os EUA e a zona do euro, o que também acontece com Argentina, Índia, Indonésia e Colômbia. Com isso, a freada da China deve influenciar mais o Brasil do que a retomada nos países ricos.

O estudo do FMI mostra que fatores externos têm grande peso para explicar a expansão dos países emergentes, embora questões domésticas tenham ganhado importância nos últimos anos. O Brasil, por exemplo, está num grupo de países em que o avanço do PIB desde 2012 ficou abaixo do nível que seria de se esperar dadas as condições econômicas globais. Isso sugere um papel significativo de fatores internos.

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Dívida Externa Offshore

Dívida Externa Oculta

Lucinda Pinto (Valor, 19/03/14) informa que uma espécie de “dívida externa escondida” tem crescido nos últimos anos e chamado a atenção de órgãos reguladores internacionais e de especialistas. Trata-se das emissões realizadas por empresas por meio de suas subsidiárias no exterior – que, segundo os padrões internacionais, não são contabilizadas como passivo externo líquido quando os recursos são mantidos fora. A questão é que, como as matrizes são as responsáveis, em última instância, por esses compromissos, o avanço da fatia “offshore” amplia a exposição externa dos países, de uma maneira difícil de ser mensurada.

Trata-se de um fenômeno que afeta países emergentes de um modo geral, inclusive o Brasil. E, pela dimensão de sua dívida, ganha um grau mais preocupante quando se olha para a China.

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Taxa de Poupança: Para Que Serve?

Taxa de Poupança

Padrão de Financiamento % do Total Padrão de Financiamento % do PIBInsisto que o conceito de Poupança deve ser jogado na “lata-de-lixo” da história do pensamento econômico! Ele designa uma variável contábil residual macroeconômica ex-post que não é objeto de decisões econômicas dos agentes econômicos. Aprendi o Paradoxo da Parcimônia e o Sofisma da Composição no meu primeiro dia de aula em Economia! Depois, aprendi que o conceito adequado para designar fontes de financiamento do investimento em longo prazo é o de funding, isto é, a composição passiva que permite o alongamento do perfil da dívida corporativa. Mas a “sabedoria convencional”, inclusive de pós-keynesianos (confira abaixo), continua a argumentar que “Poupança é imprescindível para o financiamento do Investimento”! Isto mesmo durante esse período em que a “Taxa de Poupança” (veja acima) caiu e o crédito total do sistema financeiro atingiu R$ 2.717 bilhões, em janeiro de 2014, com a relação crédito/PIB alcançando 56,1% — era 22,8% do PIB em 2002. Então, para que serve esse conceito de Poupança?

Denise Neumann (Valor, 05/03/14) avalia que “a perda de rentabilidade das empresas nos últimos anos, que reduziu o volume de lucros a serem retidos, pode estar influenciando a queda da taxa de poupança da economia brasileira“. Depois de alcançar 18,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, a taxa de poupança recuou quase todos os anos, até atingir 13,9% no ano passado, quando o Brasil consumiu 84,5% de toda a riqueza gerada pela economia. No mesmo período, o investimento ficou quase estável, mas também em desaceleração. A taxa passou de 19,1% do PIB em 2008 para 18,4% em 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Investimento Privado em Infraestrutura e seu Financiamento

Gastos públicos 2008-2012

Elisa Soares (Valor, 17/09/13) avalia que o governo precisa incentivar a criação de um mercado privado de financiamento, com atuação mais robusta dos bancos, do mercado de capitais e das seguradoras se quiser dar mais fôlego às necessárias obras de infraestrutura planejadas para os próximos anos. A análise é do especialista em logística e também presidente da consultoria internacional InterB, Claudio Frischtak (ex-colega do Mestrado da Unicamp, duas turmas após a minha), apresentada no estudo “O investimento privado em infraestrutura e seu financiamento“, feito com Katharina Davies. É bom este estudo para esclarecer a quem ignora que investimento no Capitalismo de Estado no Brasil é, em sua maior parte, ou realizado diretamente por empresas estatais, ou financiado por bancos públicos federais.

Segundo o levantamento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal responderam por 39% dos financiamentos em infraestrutura de 2010 a 2012. Se a isso forem somados os financiamentos liberados por outros bancos públicos, aqueles garantidos pelo Tesouro, além de fundos de investimento patrocinados por instituições públicas, é provável, segundo a pesquisa, que o esforço do governo tenha sido responsável por mais de 65% dos recursos aportados no setor em igual período. Apenas no caso de transportes, esse esforço total do governo chegou a 72%.

Enquanto a responsabilidade continuar basicamente dependente do setor público, com “exposição excessiva” do Tesouro Nacional e do BNDES, analisa o estudo, os investimentos em infraestrutura não alcançarão patamar semelhante ao observado em outros países. Segundo o levantamento, para se aproximar do padrão observado na América Latina o país deveria investir de 4% a 6% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Mas, nos últimos anos, essa participação no PIB no Brasil ficou em 2%. E em valores absolutos? Isso deve ser considerado: o valor bruto investido em cada país. Como é muito maior aqui, é mais difícil financiar do que acolá…

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Carteira do BNDESPAR

Carteira do BNDESPAR junho de 2013

Edna Simão (Valor, 09/10/13) informa que o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que, se houver aporte de recursos do governo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, será menor do que o volume concedido no ano passado. Em 2012, o Tesouro Nacional injetou R$ 45 bilhões no BNDES. Esse valor já foi inferior aos R$ 55 bilhões de 2011.

“A tendência é de que haja necessidade menor de aportes ao BNDES. Se houver novo aporte, tende a ser menor”, disse Augustin. Augustin, no entanto, não comentou reportagem publicada na edição do Valor (08/10/13) que diz que o governo prepara venda de ativos da carteira do BNDES para reduzir o valor do repasse que o Tesouro fará ao banco neste ano.

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Relatório de Estabilidade Financeira – Data Base Junho de 2013

Como se endividam as empresas

Felipe Marques (Valor, 27/09/13) informa que, nos últimos cinco anos, nas dívidas das empresas brasileiras, fontes de financiamento que estavam em segundo plano vêm ganhando relevância. Desde 2007, o endividamento das companhias cresce puxado não pelas linhas mais tradicionais de crédito a empresas, como o capital de giro ou a conta garantida, mas por uma combinação de empréstimos subsidiados, como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos captados no mercado de capitais e no exterior.

Em dezembro de 2007, a razão entre as dívidas totais das empresas não financeiras e os seus ganhos acumulados em 12 meses era de 128,2%, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O crédito com recursos de livre aplicação – onde estão as linhas de capital de giro, de financiamento à exportação e de conta garantida – representava 52,6%. Os empréstimos direcionados, que além do BNDES incluem também crédito rural e imobiliário, eram 33,4%. O mercado de dívida local representava 9,8% e os empréstimos e bônus externos eram 32,3%.

Em junho de 2013, o endividamento das empresas atingiu 208,8% de sua renda anualizada. Agora, porém os recursos livres correspondem a 71,8% do total e os direcionados a 63,2%. O mercado de capitais, incluindo debêntures e notas promissórias, hoje é 21,6% e as captações externas, 52,2%.

Apesar de ainda se constituir na principal fonte de financiamento para as empresas, o sistema bancário vem perdendo relevância à medida que se expandem os mercados externo e de capitais“, escreveu o BC no Relatório de Estabilidade Financeira.

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Reforma no Financiamento ao Desenvolvimento

Repasse do TN ao BNDES

Elisa Soares (Valor, 28/08/13) informa que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tinha, no final do segundo trimestre de 2013, apenas R$ 15 bilhões restantes do total captado junto ao Tesouro Nacional para fazer frente aos desembolsos deste ano. A informação consta no relatório de prestação de contas ao Congresso Nacional, relativo ao segundo trimestre de 2013, sobre o uso dos recursos recebidos do Tesouro Nacional.

De 2009 a 2013, o BNDES captou R$ 300,25 bilhões junto ao Tesouro Nacional, dos quais aplicou R$ 285,25 bilhões em vários projetos, de acordo com o documento. O banco de fomento investiu também R$ 90,65 bilhões provenientes do retorno dessa carteira de contratos, totalizando desembolsos de R$ 375,9 bilhões no período, a partir do aportes extras da União. Esta alavancagem financeira que permite o dinheiro captado por endividamento público se multiplicar via bancos públicos em comparação ao que seria o gasto público direto dos ministérios.

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Estruturação de Operações de Financiamento em Longo Prazo

Papel-moedas

Uma operação bancária estruturada é, p.ex., o formato de empréstimo sindicalizado. Este é fundamental para viabilizar os financiamentos em longo prazo, porque um banco, sozinho, não teria condições de absorver todos os riscos de várias operações de grande porte.  Logo, é um compartilhamento de riscos.

A sindicalização bancária com funding do TN-BNDES tem a vantagem de não impactar tanto a estrutura de capital dos bancos porque essa operação permitirá o enquadramento da operação como Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD). O termo IHCD refere-se ao conceito de “quase-capital”, em que determinada obrigação com data para vencimento longa pode ser eleita como componente do calculo do Patrimônio de Referência (PR) nível II do banco, elevando seu potencial para atender à demanda por crédito de acordo com a alavancagem permitida pelo Índice de Basileia.

Uma parte dos riscos das operações será assumida pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), criada recentemente. Logo, mitiga os riscos.

Os empréstimos terão prazo de 25 anos, com cinco de carência, compatível com o prazo das concessões, de 30 anos. Terão recebíveis (pedágios, tarifas, etc.) de serviços de utilidade pública bastante seguros para servir à dívida.

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Fora FMI! De novo, quer meter o bedelho onde não é chamado…

Evolução dos Desembolsos do BNDES Evolução da Dívida Pública 2006-2012

O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer, novamente, intrometer-se, imiscuir-se onde não se é chamado, ou seja, meter a colher conservadora. Sérgio Lamucci (Valor, 29/08/13) informa que ele recomenda ao Brasil uma redução gradual da política de empréstimos aos bancos públicos, ressaltando a importância da adesão a uma meta de superávit primário que coloque a dívida pública em trajetória de queda, segundo documento divulgado no dia 28/08/13, que elogia o ciclo de alta de juros promovido pelo Banco Central (BC) para conter a inflação. Mas a dívida pública líquida — parâmetro de referência — está em trajetória de queda! Veja o gráfico acima.

Para o FMI, a economia brasileira está se recuperando da desaceleração que começou em meados de 2011, observando que os contratempos provocados pelas condições externas, “restrições domésticas de oferta e incertezas sobre políticas” parecem segurar o crescimento no curto prazo.

As informações fazem parte de nota de três páginas, que trata da conclusão das consultas ao artigo IV, o capítulo do estatuto do FMI que prevê monitoramento anual da situação da economia dos países-membros. Não é contudo, o relatório completo, cuja publicação depende de autorização do Ministério da Fazenda, ainda pendente.

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FI-FGTS: Desvio de Finalidade

FI-FGTS junho 2013

Pau que nasce torto, morre torto“, diz um ditado popular na minha terra. Dito e feito! Desviaram a finalidade do FGTS – funding para combate ao déficit habitacional – e veja o efeito sobre esse patrimônio dos trabalhadores brasileiros! Ideia de Jerico…

Fernando Torres (Valor, 31/07/13) informa que o FI-FGTS foi formado com recursos oriundos do patrimônio do FGTS (em excesso aos valores depositados nas contas vinculadas dos trabalhadores devido à diferença entre a taxa Selic sobre sua ex-carteira de LFTs e a remuneração de 3% aa + TR) e tem como objetivo financiar empresas e projetos ligados a infraestrutura, tanto com compra de ações como por meio de títulos de dívida.

Criado em 2008 com investimento inicial próximo de R$ 9 bilhões, o FI-FGTS recebeu sucessivos aportes nos últimos anos e tinha, em junho de 2013, ativos totais de R$ 27 bilhões. No ano passado, o lucro do fundo foi de R$ 1,66 bilhão, com a rentabilidade ficando em 7,22% (sem o ajuste na perda com Rede Energia).

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Grau de Endividamento das Grandes Empresas Brasileiras: 2007-2012

Dívida das Empresas 2007-2012

O texto abaixo (Valor, 23/07/13) é um resumo do artigo do professor William Eid Junior, da Fundação Getulio Vargas, que será publicado na edição do Valor 1000, com circulação no dia 20 de agosto de 2013.

“As empresas brasileiras têm gerido de forma bastante adequada seu endividamento, mesmo em período de crise. Seja através da redução de custos, ou do aumento de investimentos. Com custos financeiros menores, elas estão usufruindo das vantagens da alavancagem financeira, o que nos permite desenhar perspectivas alentadoras para quando a crise reduzir seus efeitos. Essa constatação decorre da análise de indicadores utilizados pelo anuário Valor 1000 para medir o desempenho das empresas participantes. Para tanto foram apurados dados publicados nos últimos seis anos, de 2007 a 2012, período em que o mundo esteve mergulhado em crise.

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