Mito VII no Debate Econômico Pré-Eleitoral: “BNDES como Problema”

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Elisa Soares e Alessandra Saraiva (Valor, 26/09/14) afirmam que, com desembolsos médios de R$ 160 bilhões ao ano desde 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem se tornado instrumento de política pública com peso cada vez maior. E vem sendo alvo de críticas da oposição no governo PT. A mais recorrente é sobre o volume de repasses do Tesouro Nacional ao banco, que já ultrapassa R$ 400 bilhões. Outra critica é quanto ao volume de subsídios que, segundo cálculos de economistas, custam R$ 30 bilhões aos cofres públicos por ano. Há também os que alertam para a predominância do BNDES no mercado de crédito de longo prazo.

Apesar das críticas, são poucas as propostas concretas dos candidatos em torno do perfil de atuação do BNDES. O Valor procurou economistas ligados às campanhas presidenciais para saber as prioridades para o banco no cenário pós-eleição.

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Importância dos Dividendos Pagos Pelas Empresas Estatais ao Tesouro Nacional

Importância dos dividendos das estatais

Imaginem sem as empresas estatais! Isso teria ocorrido caso os neoliberais tivessem permanecido no Poder Executivo, depois de 2002, e culminado a sanha de privatizações!

Edna Simão e Lucas Marchesini (Valor, 21/07/14) informam que, com a economia crescendo pouco e as despesas em alta, o governo federal está cada vez mais dependente dos dividendos da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil (BB) para conseguir cumprir a meta de superávit primário do setor público consolidado de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

A área econômica espera receber R$ 23,9 bilhões em dividendos das empresas estatais federais neste ano. Por enquanto, já recebeu R$ 9 bilhões. Até o dia 22 de julho de 2014, o governo deverá fazer uma avaliação do comportamento das receitas e despesas e esse número poderá ser revisado.

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Banco dos BRICS

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Nem todos os jornalistas menosprezaram a criação do Banco dos Brics. David Pilling é o editor de Ásia do Financial Times. Ele publicou artigo (apud Valor, 01/08/14) onde afirma que “Banco dos Brics é lampejo do futuro“. Reproduzo-o abaixo.

Sergio Leo é outro jornalista mais sensato, pois é especialista em relações internacionais pela UnB. É autor do livro “Ascensão e Queda do Império X“, lançado em 2014. Publicou artigo (Valor, 21/07/14) que fugiu da cobertura com má vontade da “grande” imprensa brasileira. Os jornais brasileiros tentaram ignorar a criação do Banco dos Brics. Depois, tentaram reduzir a importância do acordo multilateral reunindo o Brasil, a Russia, a China, a Índia e a África do Sul, países que somam 42% da população mundial, para a criação de um banco de financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento.

A ideia do banco de desenvolvimento dos Brics surgiu, em 2012, em um momento de repique da crise financeira internacional. As instituições multilaterais, como Banco Mundial e FMI, haviam tido expansão de capital somente no auge da crise. Com a sinalização dos países desenvolvidos — os maiores acionistas dessas instituições — de que não injetariam mais recursos tão cedo, os cinco países viram que havia um espaço a ser preenchido.

“Na “velha ordem” do Banco Mundial, os burocratas esconderam nas gavetas da instituição, há mais de um ano, o projeto que deveria orientar a estratégia do banco para a Argentina. Sem isso, os técnicos não podem nem sequer cogitar algum projeto de financiamento ao país. Enquanto isso, em tempo recorde, aprovou-se pacote bilionário para a Ucrânia, nação em pedaços, sem estabilidade financeira e em guerra civil. Contradições como essa incomodam os chamados mercados emergentes independentes dos países desenvolvidos.

O recém-criado banco dos Brics, o grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, dificilmente vai se abrir aos argentinos sem exigência de garantias ou compromissos sérios do governo local (pelo menos, os técnicos dos cinco países prometem uma instituição assentada em bases técnicas e de boa governança). Mas poderá permitir, por contraste, avaliar o quanto há de pura política “ocidental” (Japão incluído nesse Ocidente) nos procedimentos e decisões de bancos multilaterais, mascarados de racionalidade administrativa. Continuar a ler

Debate sobre o BNDES

 

BNDES contribuição para a infraestruturaBNDES efeitos indutores no investimentoBNDES - PSIBNDES - Grandes EmpresasBNDES - MPMEAlex Ribeiro (Valor, 17/07/14) fez MBA em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas. Apresenta o debate referente à campanha neoliberal contra o BNDES. Todos os neoliberais estão fazendo o maior de seus esforços para criticar o governo social-desenvolvimentista e, caso consigam a eleição do neto do Tancredo Neves, completar o desmanche do Estado desenvolvimentista ocorrido nos anos 90. Por isso, atacam tanto o BNDES quanto a PETROBRAS.

Se porventura eles conseguirem o intento, derrubarão a possibilidade do País, na próxima década, emancipar de problemas no seus balanço de pagamentos pela exportação de petróleo extraído do pré-sal. Só com o financiamento do BNDES se conseguirá erguer a indústria do petróleo no Brasil, já que o mercado de capitais aqui é raquítico e sem iniciativa particular para fomentar o desenvolvimento socioeconômico. Leiam os argumentos neoliberais abaixo, prosseguindo o alerta do risco que corremos na próxima eleição.

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acelerou os desembolsos de empréstimos neste ano. Já foram liberados R$ 194,8 bilhões nos 12 meses encerrados em abril, superando, pelo menos por enquanto, o recorde de R$ 190,4 bilhões observado ao longo de 2013. Apesar disso, o Banco Central prevê uma retração de 2,4% no volume de investimentos na economia neste ano. Desde 2008, quando o BNDES passou a receber aportes periódicos de recursos do Tesouro Nacional, da ordem de R$ 400 bilhões, sua carteira de crédito saltou de 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10,6% do PIB. A taxa de investimento na economia, porém, não reagiu. Pelo contrário: saiu de 18,3% em 2008 para um pico de 19,5% em 2011, para então entrar em trajetória de declínio, chegando a apenas 17,7% do PIB em março passado.

Para muitos [que não se dão conta que decisões de investimentos levam longo prazo para maturação], esses dados mostram que os financiamentos subsidiados do BNDES representam apenas uma transferência de dinheiro público para os empresários, sem gerar ganhos reais à economia. Dados agregados, porém, podem levar a conclusões enganosas [e correlações espúrias em época de crise internacional] e não permitem, por exemplo, responder se a taxa de investimento seria ainda menor se não fosse a atuação do BNDES. Continuar a ler

Campanha Neoliberal contra o BNDES

Carteira do BNDES

Fábio Pupo (Valor, 15/07/14) apresenta a carteira de empréstimos do BNDES bastante detalhada para qualquer neoliberal conseguir ler e entender. Os neoliberais mentem ao querer iludir os eleitores com a crítica de “opacidade quanto aos critérios de alocação definidos pelo próprio BNDES”. Quando a maior fonte dessa crítica ao banco presidido por um ex-professor do IE-UNICAMP, Luciano Coutinho, está nos panfletos dos professores da Escola de Pós-graduação em Economia (EPGE-FGV) — leia abaixo — fica claro que não se trata de ignorância, mas sim de má-fé. O objetivo deles é recuperarem um protagonismo que tiveram no passado com o desmanche do Estado desenvolvimentista. Foi então que a economia brasileira, que era a que mais crescia no mundo até 1973, perdeu duas décadas de crescimento, quando foi para 96o. lugar, e terminou o século em terceiro lugar com essa “era neoliberal”!

Prumo Logística (ex-LLX) figura no topo do ranking dos maiores empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, de acordo com balanço divulgado nos últimos dias pela instituição. O montante de R$ 1,8 bilhão, contratado em fevereiro, reforça a política da instituição de dar prioridade a infraestrutura. Mas os defensores de O Mercado Livre veem o financiamento dos investimentos nesse setor prioritário como fosse um absurdo!

A campeã Prumo faz as obras de implantação do porto de Açu, no município de São João da Barra (RJ), dedicado à movimentação de cargas gerais (carvão mineral, produtos siderúrgicos, granito e contêineres) e a serviços de logística para o setor de óleo e gás na Bacia de Campos. Continuar a ler

Fundo Garantidor de Operações de Crédito

Oferta e demanda de crédito das PMEs

Em 27 de outubro de 2004, dei uma palestra no BNDES, durante um Seminário sobre Arranjos Produtivos Locais, a respeito de Crédito e Instrumentos Financeiros para Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) — veja: Fundo Garantidor de Operações de Crédito. Falei a respeito do que eu tinha aprendido sobre a constituição de um Fundo Garantidor de Crédito em visita que fiz a Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Fui lá porque era o único lugar no País onde ocorria essa experiência. Tive um papel de divulgador. Fico feliz por constatar que, dez anos após, “o mundo gira, o Fernando roda…” :)

O uso de fundos garantidores, que cobrem uma parte da perda com inadimplência, tem dado mais segurança para Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal concederem empréstimos para empresas de pequeno porte. É o que ajuda a entender o avanço das carteiras de crédito dessas instituições no segmento.

No BB, 22% da carteira de créditos para companhias de pequeno porte – ou cerca de R$ 22 bilhões – têm por trás fundos garantidores, segundo Adilson do Nascimento Anísio, diretor de MPE do BB. Na Caixa, essa fatia corresponde a apenas 10% do portfólio no segmento, o equivalente a R$ 4,6 bilhões, mas o banco público afirma que pretende ampliar essa participação.

Usado em mais larga escala pelo BB e pela Caixa, o Fundo de Garantia de Operações (FGO) cobre até 80% do valor do empréstimo contratado, até um teto de R$ 650 mil. Além do FGO, o BB utiliza os seguros do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas e do Fundo Garantidor de Investimentos. Continuar a ler

Captações Externas para Investimento em Infraestrutura

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Talita Moreira e Aline Oyamada (Valor, 28/03/14) informam que foi preciso muita habilidade para navegar no mercado internacional em 2013, quando bancos e empresas tiveram de agir com rapidez para se adaptar a um novo cenário, bem mais desafiador. O ano começou com águas calmas, mas a tempestade se armou no fim de maio, diante dos primeiros sinais de normalização monetária nos Estados Unidos.

Os novos ventos deixaram para trás os anos de dinheiro farto e barato. Os investidores ficaram mais seletivos e os custos de captação subiram, atingindo sobretudo operações de países emergentes. Saiu-se melhor quem recolheu as velas e soube esperar, mas o mau tempo fez estragos generalizados. O total de US$ 53,4 bilhões levantado no ano passado por companhias, instituições financeiras e governos ficou 20,7% abaixo do volume levantado em 2012, que foi recorde.

O impacto foi maior nas emissões de bônus, embora esse tipo de operação continue a dominar com folga as captações externas. As ofertas de títulos de dívida recuaram 23%, para US$ 39,2 bilhões. A queda teria sido ainda mais profunda se não fosse a megaoferta de US$ 11 bilhões da Petrobras – a maior colocação de bônus já feita por uma empresa de país emergente. A operação foi tão grande que teve papel decisivo na definição das primeiras colocações no “Ranking Valor de Captações Externas“.

Elaborado pelo Valor Data, o ranking leva em conta captações externas de dívida por meio de emissões de bônus e de e empréstimos sindicalizados. Na edição atual, foram consideradas operações realizadas no ano passado. (Veja a metodologia em www.valor.com.br) Continuar a ler