Economia Brasileira: Semi-Madura

Dani Rodrik 2

Quando eu digo algo incomum entre meus pares economistas, naturalmente, sou sumariamente ignorado. Olham-me no máximo com a cara indagadora tipo “Mas quem ele pensa que é?!” Penso que sou um pobre blogueiro tupiniquim. Mas quando vejo, depois de certo tempo, que algum “economista renomado” está expressando, em inglês, exatamente o conteúdo do que eu tentei dizer antes, em português, não posso deixar de rir para mim mesmo…

O Brasil não voltará a crescer entre 7% e 8% ao ano“, diz o economista Dani Rodrik, 55, professor de política econômica internacional da Universidade Harvard e um dos maiores especialistas em Economia do Desenvolvimento.

Segundo Rodrik, o ambiente global benéfico — alto crescimento da China, elevados preços das commodities, países avançados em expansão — não vai se repetir. “É realista esperar uma taxa de crescimento de 3% a 4% no Brasil”, disse Rodrik à FSP (08/05/13). Aprecio o pragmatismo dele: “Vivemos no mundo possível, não no mundo doutrinário.

Segundo ele, a fase de alto crescimento no mundo acabou. O Brasil, com instituições democráticas sólidas, é resiliente. “Mas o país não deve ser excessivamente ambicioso, precisa ser cuidadoso, fiscalmente seguro, para lidar com os choques externos que provavelmente virão.”

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Sete Lições Para Recuperar Uma Economia

7 Lições para Recuperar EconomiaDavid Wessel (The Wall Street Journal apud Valor, 26/04/13) avalia que, uma geração atrás, uma situação de 7,6% de desemprego seria considerada uma recessão grave nos Estados Unidos. Agora, é um sinal de melhora e motivo de inveja para ministros da Fazenda de vários países. Nos 17 países que usam o euro, o desemprego está em 12% e continua subindo; o da Espanha chegou a 27%. A economia britânica se contraiu em 10 dos últimos 19 trimestres.

Será que isso é o melhor que podemos fazer?

Muitos livros foram escritos, e outros virão, sobre como evitar uma nova crise financeira. Mas eis aqui uma questão importante: O que os últimos anos nos ensinaram sobre como acelerar a recuperação depois que uma economia sofre um grave choque financeiro? Não é uma tarefa fácil e, como esse episódio ainda não acabou, ninguém pode saber as consequências finais do que já foi feito. Dito isto, algumas lições iniciais parecem claras:

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Rentismo versus Consumismo

consumismo americanoOs desenvolvimentistas e os ecologistas não se entendem? O desenvolvimentismo, de maneira contumaz, critica o rentismo. O ambientalismo, por sua vez, condena o consumismo. Os “ismos” denotam comportamentos exacerbados. O “meio-termo” sinalizaria bom-senso, tolerância, equilíbrio? A manutenção do status quo com um equilíbrio instável, porque injusto socialmente, não seria defendido por outro “ismo”: o conservadorismo?

O rentismo é rejeitado por crescimentistas, em princípio, porque visaria apenas ao rendimento financeiro propiciado pela aplicação de capitais. Evidentemente, é uma visão superficial, impressão à primeira vista. Se as aplicações financeiras constituem composição passiva para financiamento do desenvolvimento, não há porque os desenvolvimentistas as exonerarem. Mas o fazem! Por que?

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Seminário sobre Neoestruturalismo e Economia Heterodoxa

Seminário sobre Neoestruturalismo e Economia Heterodoxa

A pedido da Cepal, convidamos os membros da Rede Desenvolvimentista  a participar de forma presencial ou virtual do Seminário sobre  Neoestruturalismo  e Economia Heterodoxa, que será realizada na sede  da  CEPAL  em  Santiago, Chile, nos dias 22 e 23 de abril. Este Seminário,  organizado   no   marco   do  Projeto  “Raúl  Prebisch  e  os  desafios do  desenvolvimento  do  Século  XXI”  (ao qual a Rede D está ligada),  busca promover o encontro da  tradição estruturalista  com  diferentes enfoques heterodoxos para análise  dos  desafios  atuais  do  desenvolvimento  da  América Latina e do Caribe.

Contará com participantes de alto nível, como Luiz Gonzaga Belluzzo, Robert  Boyer,  José Antonio Ocampo, Jan Kregel, Ricardo Ffrench-Davis, João Carlos Ferraz,  Jorge  Katz,  Fernando Porta, Fernando Filgueira, entre outros. As  atividades do Seminário serão iniciadas pela “Cátedra Raul Prebisch”, cujo palestrante será o Prof. Luis Gonzaga Beluzzo, no dia 22 de abril às 11h:00 - horário de Brasília.

O  Seminário  será transmitido ao vivo via webstreaming. Poderão assistir à  transmissão  pela página: http://prebisch.cepal.org/.

O programa do evento  está disponível no link abaixo:
http://prebisch.cepal.org/sites/default/files/Seminario%20Neoestructuralismo%20y%20econom%C3%ADa%20heterodoxa.pdf

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SEMINÁRIO: Desafios Atuais do Desenvolvimento Brasileiro: Financiamento Interno em Longo Prazo

Padrão de Financiamento 2000-2011

Fonte: CEMEC-IBMEC. Indicadores CEMEC de Custo de Capital. São Paulo, 11o. Seminário CEMEC de Mercado de Capitais, 27/04/2012.

SEMINÁRIO: “DESAFIOS ATUAIS DO DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO: ASPECTOS ECONÔMICOS” 

Local: Auditório do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp – Cidade Universitária “Zeferino Vaz” – Campinas – SP – Bairro Barão Geraldo

Data: 16 a 18 de abril de 2013

Realização: Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), Rede Desenvolvimentista (IE/UNICAMP) e Plataforma Política Social (IE/Unicamp)

Responsável: André Martins Biancarelli (IE/UNICAMP)

Programa (clik-no-link)Programação Seminário RedeD-CGEE

Estarei presente na Mesa 6: Financiamento do Desenvolvimento, horário 16:30-18:30 do dia 17/04/2013. O André me solicitou, em nome da Rede Desenvolvimentista e do seminário organizado junto com o CGEE a redação de um pequeno texto que ajudaria a balizar as discussões da mesa 6 (“Financiamento do Desenvolvimento”). A sugestão inclusive foi minha. A ideia é que fosse algo curto, antecipando o que vai ser exposto e baseado na minha pesquisa para o IPEA sobre os temas envolvidos nessa discussão. O texto foi distribuído para os convidados da mesa e está disponível para o público, no site da Rede D, como Texto para Discussão.

Para os seguidores deste blog, postarei-o em quatro partes, hoje e amanhã. Na quarta-feira, postarei a minha apresentação em slides. A primeira parte – sobre minhas Hipóteses Teóricas - está abaixo:

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Seminários sobre o Desenvolvimento Socioeconômico Brasileiro

Seminário Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Brasileiro

O Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE)  organizará dois seminários, em conjunto com o Instituto de Economia da UNICAMP por meio da Rede Desenvolvimentista e da rede Plataforma Política Social:
Seminário 1 – “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento brasileiro – aspectos econômicos” – 16 a 18 de abril de 2013.
Seminário 2 – “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento brasileiro – aspectos sociais” – 7 a 9 de maio de 2013.

Seminário 1 – Desafios e oportunidades para o desenvolvimento brasileiro – Aspectos Econômicos

Data: 16 a 18 de abril de 2013
Local: Auditório do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp – Cidade Universitária “Zeferino Vaz” – Campinas – SP – Bairro Barão Geraldo
Realização: Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), Rede Desenvolvimentista (IE/UNICAMP) e Plataforma Política Social (IE/Unicamp).
Programação: Click aqui para ler.

Vídeos sobre o Seminário:

1. André Biancarelli (apresentação geral dos objetivos do seminário): Click aqui para assistir.
2. Luiz Gonzaga de M. Belluzzo (Mesa 1 – O cenário global): Click aqui para assistir.
3. André Biancarelli (Mesa 3 – O setor externo): Click aqui para assistir.
4. Fernando Sarti (Mesa 5 – Indústria e estrutura produtiva): Click aqui para assistir
5. Júlio Sergio Gomes de Almeida (Mesa 7 – Economia e crescimento): Click aqui para assistir.
6. Luiz Carlos Bresser Pereira(Mesa 7 – Economia e crescimento): Click aqui para assistir.
7. Paulo Eduardo Baltar (Mesa 8 – Mercado de trabalho, desigualdade e política social): Click aqui para assistir
8. Alexandre Barbosa (Mesa 8 – Mercado de trabalho, desigualdade e política social): Click aqui para assistir

Material preparatório para o Seminário mesa 1mesa 2mesa 3mesa 4mesa 5,

mesa 6, mesa 7mesa 8

Transmissão pela internet: www.reded.net.br e www.politicasocial.net.br

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Relaxamento Quantitativo X Teoria Quantitativa da Moeda

Relaxamento Quantitativo

Tom Lauricella (The Wall Street Journal, apud Valor, 24/01/13) informa que, nos mercados de câmbio, o relaxamento quantitativo não vem sendo uma aposta tão segura quanto com frequência é considerado ser. Quase todas as vezes que um grande banco central tentou dar novo impulso à economia inundando os mercados financeiros com dinheiro que acabou de imprimir, a Teoria Quantitativa da Moeda dizia que a moeda entraria num declínio prolongado. O argumento, na aparência, é simples: imprima bilhões ou trilhões de uma moeda e o dinheiro existente valerá menos.

Durante os últimos anos, as iniciativas não convencionais de injetar dinheiro no mercado para estimular a economia – o que caracteriza o relaxamento quantitativo, ou QE, na sigla em inglês – tomadas pelo Fed, o banco central americano, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão geraram previsões de que o dólar iria desabar, a libra esterlina enfraquecer e, mais recentemente, que o iene começaria a cair depois de uma longa valorização.

Ainda assim, embora tenha havido quedas de curto prazo na cotação das moedas logo depois dos anúncios de QE – e o dólar continue fraco em relação a moedas de países exportadores de commodities ou de juros internos relativamente altos -, no longo prazo essas previsões não se confirmaram. À medida que tal tendência se acentua, analistas que examinaram mais profundamente a ligação entre QE e os mercados de câmbio estão concluindo que ela não é tão linear quanto muitos acreditavam.

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Revista Economia e Sociedade (Vol. 21, Número Especial, dez. 2012) – Edição Comemorativa dos seus 20 anos

Numero especial E&S dez 2012

Está disponível para download, no site do Instituto de Economia da UNICAMP e nos links abaixo, o número especial da Revista Economia e Sociedade ( Vol. 21, Número Especial, dez. 2012), comemorativa dos seus 20 anos. Segue um trecho da Apresentação.

“O Brasil assiste, neste início de segunda década do século XXI, a um “momento desenvolvimentista”, ainda que o conteúdo específico deste desenvolvimentismo esteja por ser melhor definido e estudado.

Foi esta a grande motivação para a chamada especial de artigos da qual resulta a presente edição comemorativa de Economia e Sociedade, por ocasião de seus 20 anos. Em torno do tema “Desenvolvimento e desenvolvimentismo(s) no Brasil”, foram submetidos mais de três dezenas de trabalhos, dos quais treze foram selecionados e estampam as páginas que se seguem.

Como é característico de Economia e Sociedade, o resultado apresentado é variado em termos de abordagens, posicionamentos e recortes do tema geral. Mas o conjunto pode ser tomado como amostra significativa da reflexão “desenvolvimentista”, nas suas configurações e clivagens características do momento histórico presente. Este, a despeito dos vários problemas e desafios aqui apontados, contrasta fortemente com o pessimismo predominante no primeiro número da revista, em 1992.

LinkEconomia & Sociedade Vol. 21 Número Especial Dezembro 2012

Leia: BNDES e o financiamento do desenvolvimento – Autores: Ernani Teixeira Torres Filho & Fernando Nogueira da Costa

Perpetuando Vantagem de Nascença

Em alguns aspectos, a ligação entre disparidades de renda e menor mobilidade social é surpreendente. De aulas de violino a tutores para testes, os pais ricos podem ajudar mais a seus filhos, melhorando suas chances de entrar nas melhores universidades. A dedução é que a provisão pública de serviços básicos, embora devesse ser meritocrática, nomeadamente, no acesso à educação, ela deve ser compensada de maneira suficiente a contrariar a vantagem inicial de nascença e dar a todos a chance de um começo profissional razoável.

Isso nunca foi verdade em países pobres com serviços sociais rudimentares. Cada vez mais, isso parece ser verdade em países ricos, particularmente na América do Norte. Mas a ligação entre desigualdade e mobilidade em declínio não é inevitável. Países como a Suécia, que investem pesadamente (e progressivamente) nos serviços públicos são mais propensos a evitar a desigualdade de renda através da redução da igualdade de oportunidades. E a América Latina mostra que investir mais na educação de crianças das camadas de baixa renda pode melhorar a mobilidade social, mesmo nos lugares mais estratificados.

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Redução da Desigualdade de Riqueza ou de Oportunidade: Esquerda X Direita

Mitt Romney, candidato republicano à Presidência norte-americana, causou revolta, durante sua campanha eleitoral, quando ele descartou as preocupações sobre a desigualdade como elas fossem apenas a propaganda da “luta de classes” que não tinha lugar no discurso público dos Estados Unidos. Ao invés de cultivar a “inveja social“, através do debate sobre a distribuição de renda, ele argumentou em favor da criação de uma mobilidade social “baseada no mérito”, na América, resultante de políticas que incidem sobre a produtividade e o crescimento econômico.

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A Grande Compressão

Durante décadas, os rendimentos na parte inferior e no meio da distribuição cresceram mais rapidamente do que aqueles que estão no topo. O momento e a escala exata variaram. Na América, as disparidades declinaram mais rapidamente nos anos 1930 e 1940; na Europa, após a Segunda Guerra Mundial. O Coeficiente de Gini da América chegou a uma baixa de cerca de 0,3, em meados dos anos 1970, e a Suécia bateu em cerca de 0,2 ao mesmo tempo. Na maioria das economias avançadas, o fosso entre ricos e pobres, na década de 1970, era muito mais estreito do que tinha sido durante os anos 1920. Esta foi a era amplamente conhecida como a da “Grande Compressão“.

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História da Concentração-Desconcentração-Reconcentração da Riqueza

Continuando a série de posts baseada no Relatório Especial da revista The Economist (13/10/12), este apresenta uma breve história das conquistas sociais.

Antes da revolução industrial, os hiatos de riqueza entre os países foram modestos: renda por pessoa no mundo dos 10 países mais ricos foi de apenas seis vezes maior do que o do mais pobre. Mas, dentro de cada país, a distribuição de renda foi distorcida. Na maioria dos lugares uma pequena elite dominava uma massa de camponeses. Houve pouca mobilidade social, exceto através do casamento. A América colonial foi uma exceção a essa esclerose feudal. Pesquisa realizada por Peter Lindert e Williamson Jeffrey mostra que, na véspera da Revolução Americana, as rendas das 13 colônias que formaram os Estados Unidos eram mais iguais do que em praticamente “qualquer outro lugar do planeta”.

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