Presidenta do Fed: Contra o Viés de Auto-Validação Ilusória

Janet Yellen

Segundo o viés heurístico da auto-atribuição, o economista ortodoxo atribui às suas competências os sucessos,e os fracassos ou aos outros economistas (“heterodoxos” sic) ou à má sorte, tipo “vítima de acontecimentos coletivos”. Com o viés da validação ilusória, ele só consulta seus próprios pares ortodoxos, para confirmar alguma hipótese, pois considera que a ortodoxia detém o monopólio da inteligência. Como assim não recebe contestação, arrogantemente, acha que está sempre certo… e sistematicamente comete erros de avaliação!

Pedro Nicolaci da Costa (WSJ, 31/10/14) informa que Janet Yellen, a primeira mulher a dirigir o Federal Reserve nos 100 anos de história do banco central americano, disse ontem que a profissão de economista, que é dominada por homens brancos, pode se beneficiar de um leque mais diverso de opiniões.

A profissão de economista recrutou e promoveu os indivíduos mais capazes de trazer energia, novas visões e a renovação que todo campo e todo corpo de conhecimento precisa para se manter saudável?”, perguntou Yellen em seus comentários introdutórios de uma conferência sobre a diversidade na profissão de economista.

“Essas não são perguntas vazias”, disse ela. “Tem havido muita discussão pública nos últimos anos sobre a saúde da profissão de economista, provocado em parte pelo fracasso de muitos economistas em compreender as terríveis ameaças e prever os danos da crise financeira.” Continuar a ler

Felicidade Interna Bruta (FIB)

Ranking de FIBAlexandre Hohagen é vice-presidente do Facebook para a América Latina. Publicou artigo (Valor, 02/10/14) sobre o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), tema que tratei recentemente em aula sobre Economia da Felicidade – De volta à Filosofia, Sociologia e Psicologia.

“Mais de uma vez me peguei pensando em o que consiste a felicidade. E tais reflexões me fizeram concluir que o trabalho vem sendo visto como um dos fatores mais importantes na obtenção da satisfação e que o usamos como alavanca para chegar à felicidade: trabalha-se em função da recompensa, que é necessária para se conquistar elementos que nos fazem felizes. Mas sempre olhei para o trabalho de uma forma diferente, na qual mais do que o meio para se alcançar determinado fim, ele deve ser visto como parte integrante e inerente do caminho, que precisa proporcionar plenitude no dia a dia. Continuar a ler

Aposentadoria: Conceito Ultrapassado por Pós-Carreira Profissional

Pós-Carreira Profissional

Em um modelo criado e patenteado pelo Itaú, para ajudar o investidor a decidir quanto precisava poupar para a aposentadoria, batizado de 1, 3, 6, 9, a regra de bolso ensina que, para uma velhice tranquila, é preciso ter acumulado um ano de renda até os 35 anos de idade, três anos até os 45, seis anos até os 55 e nove anos até os 65. Por exemplo, quem ganha R$ 300.000 / ano (ou R$ 25.000 / mês), teria então de ter patrimônio de R$ 2.700.000 aos 65 anos. Como, no Private Banking (saldo acima de R$ 3 milhões), em março de 2014, havia apenas 55.104 investidores, é provável que, nessa regra de bolso, considera-se também o patrimônio imobiliário, além do financeiro, lembrando-se que a liquidez da casa própria reduz-se à troca de uma maior para casal e filhos por um apartamento para casal ou viúvo(a).

Karla Spotorno (Valor, 03/09/14) informa que a falta de um projeto para a aposentadoria é comum entre os brasileiros por fatores culturais. As pessoas ainda são educadas a seguir roteiros preestabelecidos e a buscar um emprego em vez de empreender, aponta Renato Bernhoeft, da consultoria höft. Ele observa que as famílias estimulam os filhos a conquistar uma carreira numa empresa grande ou mesmo a fazer um concurso público.

Para Denise Mazzaferro, sócia da consultoria Angatu IDH e mestre em gerontologia pela PUC-SP, “a grande questão é que quem deve construir a história da sua vida é você“. Apesar disso, considera ela, alguns pais ainda dizem o que o filho deve fazer, e as empresas continuam sendo vistas como responsáveis pela carreira do profissional.

Essa passividade foi o que motivou o especialista em Finanças Pessoais Gustavo Cerbasi a escrever seu 12º livro. “Adeus, Aposentadoria” foi lançado mês passado, depois de uma lenta gestação de quase sete anos. Ao longo de todo esse tempo, Cerbasi observou uma repetição no comportamento das pessoas que o procuravam depois de palestras ou quando ainda prestava consultoria. “Muitos poupavam para a aposentadoria, mas estavam descontentes, porque sabiam que economizavam menos do que poderiam, não gostavam de poupar e entendiam que a poupança não era o suficiente“, conta.

Talvez por conta desses relatos, Cerbasi decidiu começar seu livro de forma apocalíptica. Ele escreve: “Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre aposentadoria. Aliás, esqueça a ideia de se aposentar. Aposentadoria, no sentido que o senso comum dá a essa palavra, é um conceito ultrapassado“. Continuar a ler

Mais um prêmio recebido por um ex-aluno!

Prêmio

Meu ex-aluno Rodolfo Buscarini foi laureado com o Prêmio Plínio Cantanhede, do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), de melhor artigo por eles publicado entre 2012 e 2014. Este paper foi escrito em parceria com o seu amigo matemático Igor Gimenes Cesca e seu título é “Análise do Impacto dos Veículos Flex-Fuel na Formação e Regulação de Preços de Combustíveis Veiculares no Brasil”. Ele foi apresentado no Rio Oil&Gas 2012, congresso mais importante desta área na América Latina. Segue o artigo premiado:

ANÁLISE DO IMPACTO DOS VEÍCULOS FLEX-FUEL NA FORMAÇÃO E REGULAÇÃO DE PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS VEICULARES NO BRASIL Continuar a ler

Talentos se revelam como especialistas ou generalistas?

generalista x especialista

Em Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, Roman Krznaric afirma que “ter um trabalho que expresse nossos valores, possua metas significativas e proporcione respeito talvez não seja suficiente, se houver um escopo limitado para usarmos e explorarmos nossos talentos. A maioria de nós gostaria de relembrar nossas vidas de trabalho e ver que cultivamos nossos dons e realizamos nosso potencial individual”.

Então, a questão-chave é:

  1. se deveríamos aspirar a ser especialistas, canalizando nossos talentos para uma só profissão, ou
  2. se é mais adequado sermos generalistas, desenvolvendo uma ampla variedade de campos de interesse?

Em outras palavras, deveríamos buscar ter aptidões especializadas ou variadas? Continuar a ler

Um estatístico se afogou atravessando um rio que tinha, em média, um metro de profundidade…

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Nate Silver, guru das previsões políticas nos Estados Unidos, autor do livro intitulado “O sinal e o ruído”, afirma que “os resultados das pesquisas de opinião em campanhas políticas costumam vir devidamente acompanhados das respectivas margens de erro, um indicador de que contém certo grau de incerteza. Por outro lado, em previsões econômicas, na maioria das vezes, menciona-se apenas um número, por exemplo, a economia criará 150 mil empregos no próximo mês; a previsão de crescimento do PIB para o ano que vem é de 3%; o preço do barril de petróleo chegará a 120 dólares.”

Isso gera a noção de que essas previsões são incrivelmente precisas. É comum vermos nos cadernos de Economia manchetes que expressam surpresa diante de qualquer pequeno desvio, por exemplo, “Aumento inesperado na taxa de desemprego: taxa de desemprego de 9,2% aflige mercados”. Lendo as letras miúdas dessa matéria, descobrimos que o resultado “inesperado” foi a taxa de desemprego ter sido 9,2% — e não 9,1%, como os economistas haviam projetado. Se um erro de um décimo foi suficiente para o assunto virar notícia, parece que essas projeções devem ser muito confiáveis.

No entanto, elas são, no máximo, instrumentos grosseiros que em geral conseguem prever pontos de virada econômicos com apenas alguns meses de antecedência. Na verdade, várias vezes esses instrumentos não conseguiram “prever” recessões mesmo depois que elas já se haviam instalado: a maior parte dos economistas americanos só percebeu as três últimas crises — em 1990, 2001 e 2007 — depois que elas haviam começado! Continuar a ler

Previsões “bullshit” de charlatães como economistas, professores universitários e jornalistas de opinião

Cisne Negro

Phillipa Leighton-Jones e Jon Sindreu (The Wall Street Journal, 11/07/14) informa que as previsões do Goldman Sachs para a Copa do Mundo, superadas até certo ponto por um polvo, foram pegas de surpresa pela realidade. Um modelo complicado que previa que o Brasil ganharia o torneio ao vencer a Holanda deixou a desejar depois que os dois times ficaram de fora da final.

Os economistas do banco compilaram dados de 14 mil jogos para chegar a um relatório de 67 páginas, que estimou resultados para todos os jogos, publicado em 30 de maio. Depois da primeira fase, ficou claro que a realidade não corresponde 100% a dados históricos.

Analisando as previsões originais, feitas antes do início da Copa, apenas 37,6% dos jogos da primeira fase terminaram da forma que o modelo do Goldman Sachs previu. O banco calculou uma das três possibilidades – vitória, derrota ou empate – corretamente em pouco mais de 33% das vezes, quase o mesmo de uma previsão aleatória. Dos jogos calculados corretamente, o Goldman conseguiu prever o número de gols em 17% dos casos, ou seja, em três ocasiões: Argentina x Bósnia, Coreia do Sul x Rússia e Argélia x Rússia.

Quando o banco atualizou suas previsões no fim da primeira fase do torneio, ele acertou o resultado das partidas – vitória, derrota ou empate – em 60% das vezes. Mas fracassou na tentativa de acertar os resultados das semifinais e acabou prevendo equipes erradas na final.

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