Talentos se revelam como especialistas ou generalistas?

generalista x especialista

Em Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, Roman Krznaric afirma que “ter um trabalho que expresse nossos valores, possua metas significativas e proporcione respeito talvez não seja suficiente, se houver um escopo limitado para usarmos e explorarmos nossos talentos. A maioria de nós gostaria de relembrar nossas vidas de trabalho e ver que cultivamos nossos dons e realizamos nosso potencial individual”.

Então, a questão-chave é:

  1. se deveríamos aspirar a ser especialistas, canalizando nossos talentos para uma só profissão, ou
  2. se é mais adequado sermos generalistas, desenvolvendo uma ampla variedade de campos de interesse?

Em outras palavras, deveríamos buscar ter aptidões especializadas ou variadas? Continuar a ler

Um estatístico se afogou atravessando um rio que tinha, em média, um metro de profundidade…

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Nate Silver, guru das previsões políticas nos Estados Unidos, autor do livro intitulado “O sinal e o ruído”, afirma que “os resultados das pesquisas de opinião em campanhas políticas costumam vir devidamente acompanhados das respectivas margens de erro, um indicador de que contém certo grau de incerteza. Por outro lado, em previsões econômicas, na maioria das vezes, menciona-se apenas um número, por exemplo, a economia criará 150 mil empregos no próximo mês; a previsão de crescimento do PIB para o ano que vem é de 3%; o preço do barril de petróleo chegará a 120 dólares.”

Isso gera a noção de que essas previsões são incrivelmente precisas. É comum vermos nos cadernos de Economia manchetes que expressam surpresa diante de qualquer pequeno desvio, por exemplo, “Aumento inesperado na taxa de desemprego: taxa de desemprego de 9,2% aflige mercados”. Lendo as letras miúdas dessa matéria, descobrimos que o resultado “inesperado” foi a taxa de desemprego ter sido 9,2% — e não 9,1%, como os economistas haviam projetado. Se um erro de um décimo foi suficiente para o assunto virar notícia, parece que essas projeções devem ser muito confiáveis.

No entanto, elas são, no máximo, instrumentos grosseiros que em geral conseguem prever pontos de virada econômicos com apenas alguns meses de antecedência. Na verdade, várias vezes esses instrumentos não conseguiram “prever” recessões mesmo depois que elas já se haviam instalado: a maior parte dos economistas americanos só percebeu as três últimas crises — em 1990, 2001 e 2007 — depois que elas haviam começado! Continuar a ler

Previsões “bullshit” de charlatães como economistas, professores universitários e jornalistas de opinião

Cisne Negro

Phillipa Leighton-Jones e Jon Sindreu (The Wall Street Journal, 11/07/14) informa que as previsões do Goldman Sachs para a Copa do Mundo, superadas até certo ponto por um polvo, foram pegas de surpresa pela realidade. Um modelo complicado que previa que o Brasil ganharia o torneio ao vencer a Holanda deixou a desejar depois que os dois times ficaram de fora da final.

Os economistas do banco compilaram dados de 14 mil jogos para chegar a um relatório de 67 páginas, que estimou resultados para todos os jogos, publicado em 30 de maio. Depois da primeira fase, ficou claro que a realidade não corresponde 100% a dados históricos.

Analisando as previsões originais, feitas antes do início da Copa, apenas 37,6% dos jogos da primeira fase terminaram da forma que o modelo do Goldman Sachs previu. O banco calculou uma das três possibilidades – vitória, derrota ou empate – corretamente em pouco mais de 33% das vezes, quase o mesmo de uma previsão aleatória. Dos jogos calculados corretamente, o Goldman conseguiu prever o número de gols em 17% dos casos, ou seja, em três ocasiões: Argentina x Bósnia, Coreia do Sul x Rússia e Argélia x Rússia.

Quando o banco atualizou suas previsões no fim da primeira fase do torneio, ele acertou o resultado das partidas – vitória, derrota ou empate – em 60% das vezes. Mas fracassou na tentativa de acertar os resultados das semifinais e acabou prevendo equipes erradas na final.

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Incentivos de Curto Prazo: PLR e Bônus para Executivos

Incentivos de Curto Prazo

Edson Valente (Valor, 08/05/14) informa que, em 2013, 27% das empresas que atuam no Brasil ficaram significativamente abaixo dos resultados que esperavam. Um percentual bem maior (53%) atingiu metas próximas às previstas, e 15% ultrapassaram as expectativas. Nesse cenário, espelho de um período de baixa na indústria e de aquecimento em serviços e infraestrutura, os Incentivos de Curto Prazo (ICP)participação nos lucros e resultados (PLR) e bônus – destinados aos executivos ficaram, em média, nos mesmos patamares dos de 2012. Os números são de uma pesquisa da consultoria Hay Group realizada em março com 214 companhias, metade delas com mais de 1.500 funcionários. Continuar a ler

Publicar e Perecer Sem Ser Lido…

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Os técnicos do Banco Mundial tinham a sensação de que ninguém ouvia o que eles diziam. Foram investigar e descobriram que a situação era pior do que imaginavam.

Um levantamento do banco mostra agora que um terço dos arquivos PDF contendo os estudos realizados por seus qualificados economistas nunca recebeu nenhum — nenhum, zero — download.

Outros 40% foram baixados menos de 100 vezes. Apenas 13% dos trabalhos tiveram mais de 250 corajosos interessados em lê-los.

Os temas dos trabalhos variam de análises gerais sobre a macroeconomia internacional até coisas superespecíficas como “Detectando a expansão urbana e a segurança na posse da terra: o caso de Bahir Dar e Debre Markos, no interior da Etiópia“. De 2008 a 2012, o Banco Mundial publicou cerca de 1.500 estudos em PDF no seu site.

É possível que os artigos tenham sido distribuídos de outras maneiras, como por e-mail ou versões impressas.

Ainda assim, é justo assumir que muitos relatórios com boas ideias nunca foram lidos por ninguém além do autor e de um editor. Talvez a mãe do autor“, escreve o jornalista Christopher Ingraham no seu blog no “Washington Post”.

Fator de Impacto, abreviado como FI, é uma medida que reflete o número médio de citações de artigos científicos publicados em determinado periódico. É empregado para avaliar a importância de um dado periódico em sua área, sendo que aqueles com um maior FI são considerados mais importantes do que aqueles com um menor FI. O FI foi criado por Eugene Garfield,1 o fundador do Institute for Scientific Information (ISI), hoje parte da Thomson Reuters Corporation. Desde 1972 os FI são calculados anualmente para os periódicos indexados ao ISI e depois publicados no Journal of Citation Reports (JCR), também da Thomson Reuters.

Perguntinhas:

  1. Cita-se por resumos (“abstracts“), encontrados abundantemente na internet, por nomes de autores renomados, encontrados em bibliografias, ou por leitura realizada de fato?
  2. O número de downloads e/ou de visitantes em blogs pessoais de professores deveria ser considerado um indicador de reputação, não?

Inúteis Tentativas de Economistas Racionalizarem A Vida dos Outros

Vendemos a alma mas por um bom preço

Mark Vandevelde (Financial Times apud Valor, 11/03/14) resenha o seguinte livro: “I Spend, Therefore I Am – The True Cost of Economics”. Philip Roscoe. Editora: Viking. 272 págs., £ 11,55.

Os economistas, por vezes, parecem diferentes de outros seres humanos, e não em um sentido edificante. Onde vemos desemprego em massa, eles veem ajuste econômico necessário. Onde vemos charmosa tradição, eles veem ineficiências.

Não se trata apenas de que a teoria econômica sugere uma visão preconceituosa do mundo. Parece também fazer as pessoas agirem de forma mais egoísta.

Suponha que um estranho pare você na rua e lhe dê dez libras. Ele não quer nada em troca, mas há um detalhe: você precisa me oferecer uma parte do dinheiro (quanto, fica a seu critério). Se eu aceitar sua proposta, você pode ficar com o restante; se eu recusar, o estranho recolhe a nota de dez libras. Quanto você estará inclinado a oferecer?

A resposta, como se verá, depende de você ter estudado Economia.

  1. Se você não é um economista, provavelmente faria o que qualquer adulto razoável decidiria fazer e dividiria o dinheiro meio a meio. Mas a teoria econômica-padrão critica esse tipo de comportamento, aconselhando-o a oferecer o mínimo possível, baseando-se na hipótese de que eu seria um tolo se recusasse.
  2. Quando estudantes de Economia jogam esse jogo, tendem a seguir o conselho de seus professores, reivindicando uma parcela exagerada do dinheiro em jogo. Quando recebem propostas irrisórias de outros economistas, parecem menos propensos do que as pessoas em geral a se mostrar indignados.

Estudar Economia, ao que parece, gela o coração e resigna as pessoas a uma fria visão sobre a existência humana.

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Microeconomistas: Economistas Corporativos

Economistas cobiçadosBob Tita (WSJ, 07/03/14) informa que, às voltas com um enorme volume de dados, a Parker Hannifin contratou um jovem economista em 2008 para descobrir o que esses dados diziam sobre as diversificadas operações do conglomerado industrial. O que Ryan Reed disse aos executivos numa de suas primeiras apresentações não foi muito bem recebido. Ele analisou as taxas de utilização da capacidade de produção e disse que as vendas no negócio de automação da empresa seriam substancialmente menores em outubro. “Eles disseram: ‘Isso não pode estar certo. Outubro é normalmente um mês muito bom para nós'”, diz Reed, hoje com 32 anos.

Mas a previsão de Reed estava correta. Outubro de 2008 não foi um mês bom para a automação nem para nenhuma das unidades de negócios da empresa americana. A economia dos Estados Unidos estava à beira do que se tornaria a pior crise econômica desde a Grande Depressão.

Com mais dados disponíveis que nunca e mercados cada vez mais imprevisíveis, as companhias americanas estão expandindo suas equipes de economistas. O número de economistas no setor privado cresceu 57%, de 5.510 em 2009 para 8.680 em 2012, de acordo com a agência de Estatísticas do Trabalho do governo americano.

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