Contardo Calligaris escreveu artigo intitulado “Amor Letal”, reagindo ao filme”Amor“, de Michael Haneke [leia post: Amor, o Fim da Vida ], e à coluna da Bárbara Gancia, que defendeu a exortação do Ministro japonês aos idosos “se apressarem a morrer”, ou seja, se matarem. O debate público a ser enfrentado diz respeito à eutanásia: morte calma, serena, sem dor. É o ato de proporcionar a morte sem sofrimento a um doente atingido por afecção incurável que produz dores intoleráveis. Refere-se ao direito de matar ou morrer por tal razão. A eutanásia não é admitida pelo Direito Penal brasileiro. Leiam abaixo os artigos polêmicos.
“Algumas reflexões depois de assistir a “Amor“, de Michael Haneke [leia post: Amor, o Fim da Vida ]. Adolescente, eu já achava bizarra a certeza com a qual alguns amigos se expressavam: “Se eu ficar ‘assim‘”, diziam, “eu me mato na hora. E, por favor, se eu não me matar, seja generoso comigo, mate-me você“.
O “assim” que justificava tamanha convicção dependia de relatos, leituras e filmes – ia desde uma impotência sexual talvez passageira (mas que parecia acabar com o charme da vida) até a condição terrificante do protagonista de “Johnny Vai à Guerra“, livro e filme de Dalton Trumbo: o soldado Joe, sem braços, sem pernas, sem rosto, parece ser apenas uma carne disforme, enquanto a mente dele continua funcionando.
Eu não concordava com a certeza suicida de meus amigos; imaginava que, antes de decidir me matar, seria bom experimentar minha nova condição durante um tempo. Afinal, em geral, as imperfeições nunca impediram os humanos de viver – ao contrário.







