Macroeconomia Monetária e Financeira da Produção Capitalista

É com grande alegria que compartilho a seguinte notícia:

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Ofício nº 501/2014/COFECON
Brasília, 25 de agosto de 2014.
Ao Senhor
David Ferreira Carvalho
Avenida 25 de setembro, nº 1474, apto 1102, edifício Grenoble.
Bairro: Marco
Belém – PA CEP: 66093005
Assunto: XX Prêmio Brasil de Economia
            Senhor Premiado,
1.         Comunicamos que o seu trabalho intitulado “Macroeconomia Monetária e Financeira da Produção Capitalista, Volume I, II, III e IV” foi contemplado com o 1º Lugar na Categoria Livro de Economia do XX Prêmio Brasil de Economia.
2.         Parabenizamos Vossa Senhoria pela conquista e desejamos que continue colaborando para o desenvolvimento técnico/científico de nosso país, enaltecendo a profissão economia.
3.         Na oportunidade, convidamos Vossa Senhoria para a solenidade de entrega da premiação, que ocorrerá no dia 3 de setembro de 2014, às 19h, no Hotel Mercure, situado na Avenida República do Líbano 1613, Setor Oeste, na cidade de Goiânia/GO.
4.         A secretaria do COFECON encaminhará as proposta dos bilhetes, para as quais solicitamos a gentileza de uma rápida decisão.
Atenciosamente,
Econ. Paulo Dantas da Costa
Presidente do COFECON
Econ. Celina Martins Ramalho
Coordenadora XX PBE
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David Carvalho foi meu aluno na pós-graduação do IE-UNICAMP e convidou-me, gentilmente, para eu escrever a Apresentação deste monumental livro (4 volumes) sobre Teoria Pós-Keynesiana.
O David merece! O Prêmio muito meritório; é o coroamento de todo o esforço de uma vida dedicada aos estudos.
Fico muito feliz com esse reconhecimento profissional. Sei da alegria que dá ao receber esse importante Prêmio.
Estou novamente alegre por participar muito modestamente com a apresentação desse grande livro. Reproduzo-a abaixo.

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A Força das Ideias para Um Capitalismo Sustentável

 

A força das ideias para um capitalismo sustentávelNo primeiro semestre de 2007, fui convidado por Raymundo Magliano, então presidente da Bovespa, para um almoço lá. Disseram-me que ele queria me conhecer e trocar ideias. Fui meio ressabiado, pois só tinha dado uma palestra na Bolsa de Valores de São Paulo para diversos participantes de O Mercado com o propósito de apresentar uma proposta para destravar a securitização no Brasil. Eu já tinha feito uma apresentação no Banco Central em Brasília e convidaram-me para repeti-la.

Tive uma tremenda surpresa agradável ao almoçar com o Magliano. Muito culto, ele era simpatizante das ideias de Antonio Gramsci e, especialmente, de Norbetto Bobbio. E eu compartilhava esse interesse com ele. O almoço se esticou pela tarde e, no final, convidou-me para conhecer a Biblioteca Norbetto Bobbio, que ele tinha instalado na rua em frente à Bolsa de Valores de São Paulo. Tinha as obras completas do maior filósofo italiano do final do século XX!

Por isso (e por outras ideias), quando meus colegas esquerdistas criticam os “rentistas”, eu apenas sorrio e penso: — Perdoai-os, ó Marx, eles não sabem o que dizem

Angelo Pavini (Valor, 01/07/14) resenhou o livro recém lançado: “A Força das Ideias para um Capitalismo Sustentável” de autoria de Raymundo Magliano Filho (Editora: Manole. 112 págs., R$ 29,00). Reproduzo a resenha abaixo. Continuar a ler

Rentista: Inimigo da Democracia?

 

hotel-hermitage-salle-belle-epoqueThomas Piketty afirma que não há nenhuma garantia de que a distribuição do capital herdado não acabará por se tornar tão desigual no século XXI como era no século XIX. Como observado em post anterior, não há força inelutável que impeça o caminho de um retorno à extrema concentração de riqueza, tão extrema como na Belle Époque, especialmente se o crescimento desacelerar e o retorno sobre o aumento de capital se acelerar, o que poderá acontecer, por exemplo, caso a “guerra (concorrência) fiscal” entre as nações estourar.

Se isso vier a acontecer, Piketty acredita que essa extrema concentração de riqueza levaria à reviravolta política significativa. As nossas sociedades democráticas apoiam sua coesão em uma visão de mundo baseada na meritocracia, ou pelo menos em uma esperança meritocrata. Imagina-se que deve haver predomínio. em qualquer sociedade, organização, grupo, ocupação, etc., daqueles que têm mais méritos, ou seja, dos mais trabalhadores, mais dedicados e mais bem dotados intelectualmente. O “discurso da competência” se dobra à suposição de existência de uma classe ou um grupo de líderes desse tipo, cuja hierarquia de recompensa e/ou promoção, por exemplo, em um emprego, estaria fundamentada apenas no mérito pessoal.

Piketty se refere à crença de que a desigualdade dessa sociedade está mais baseada no mérito e esforço individual do que no parentesco e no recebimento de aluguéis. Essa crença e essa esperança meritocrata desempenham um papel muito importante na sociedade moderna por uma razão simples: em tal democracia, a igualdade professada nos Direitos Universais do Homem para todos os cidadãos contrasta fortemente com a desigualdade real das condições de vida. A fim de superar esta contradição, é vital se certificar de que as desigualdades sociais derivam de princípios racionais e universais, em vez de contingências arbitrárias. Continuar a ler

Rentistas e Gestores “Supermanagers”

11.9 Parte da Herança nos Recursos Totais11.10 Padrão de Vida de Herdeiros X Supermanagers

Recapitulando o que Thomas Piketty disse: em uma sociedade em que os rendimentos do capital herdado predominam sobre a renda do trabalho na cúpula da hierarquia salarial, tal como em uma sociedade descrita por Balzac e Austen, duas condições devem ser satisfeitas. Primeiro, o capital social e, dentro dela, a participação do capital herdado, deve ser grande. Normalmente, a relação capital / renda deve ser da ordem de 6 ou 7, e a maioria do capital social deve ser composta por capitais herdados. Em tal sociedade, a herança da riqueza pode ser responsável por cerca de um quarto da média dos recursos disponíveis para cada coorte, isto é, grupo de indivíduos de mesma idade (ou mesmo um terço se a pessoa obtém um alto grau de desigualdade no retorno sobre o capital). Este foi o caso nos séculos XVIII e XIX, XX até 1914. Esta primeira condição, que diz respeito ao estoque de riqueza herdada, está mais uma vez perto de ser satisfeita hoje.

A segunda condição é que a riqueza herdada deve ser extremamente concentrada. Se as riquezas herdadas fossem distribuídas da mesma forma que os rendimentos de trabalho (com níveis idênticos para o decil superior, o top percentil, etc., tanto no caso das hierarquias de herança, quanto no dos rendimentos do trabalho), então o mundo descrito na literatura clássica nunca poderia existir: os rendimentos do trabalho sempre superariam os rendimentos de riqueza herdada (por um fator de pelo menos três), e o top 1% dos rendimentos auferidos, sistemática e mecanicamente, superariam o top 1% dos rendimentos do capital herdado. Continuar a ler

Rejuvenescimento da Riqueza em Virtude da Guerra

11.6. Fluxo Sucessorial Observado e Simulado França 1920-2100Tabela 11.1. Perfil do Patrimônio em função da Idade

O mecanismo de auto-sustentação da riqueza colapsou devido aos repetidos choques sofridos pelo capital e seus proprietários no período 1914-1945. Um rejuvenescimento significativo da riqueza foi uma consequência das duas guerras mundiais. Vê-se isso, claramente, no Gráfico 11.5 (ilustração do post anterior): pela primeira vez na história, e até hoje a única vez, a riqueza média dos mortos caiu abaixo a riqueza média dos vivos em 1940-1950. Este fato emerge ainda mais claramente nos perfis detalhados por faixa etária na Tabela 11.1 (veja acima).

Em 1912, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, os octogenários eram mais de duas vezes e meia mais ricos que as pessoas na casa dos cinquenta anos. Em 1931, eram apenas 50% mais ricos. Em 1947, os com cinquenta e poucos anos eram 40% mais ricos do que os com oitenta e poucos anos. Para adicionar “um insulto à essa injúria”, a riqueza dos octogenários até caiu para um pouco menos do que a de pessoas em seus quarenta anos nesse ano. Este foi um período em que todas as velhas certezas foram postas em causa. Continuar a ler

Riqueza dos Mortos, Riqueza dos Vivos

11.3. Idade Média Ao Receber Herança11.5. Relação entre Patrimônios de Mortos e Vivos

É interessante dar uma olhada mais de perto na evolução de μ, a relação entre a riqueza média no momento da morte e da riqueza média da vida, o que Piketty apresentou na Figura 11.5 (veja acima). Note-se, em primeiro lugar, que, ao longo dos últimos dois séculos, desde 1820 até o presente, os mortos (antes da morte) foram sempre (em média) mais ricos do que os que permaneceram vivos na França: μ sempre foi superior a 100 por cento, exceto no período em torno de a Segunda Guerra Mundial (1940-1950), quando a relação (sem correção para doações realizadas antes da morte) caiu para um pouco abaixo de 100 por cento.

Lembre-se que, de acordo com a teoria do ciclo de vida de Modigliani, a principal razão para acumular riqueza, especialmente em sociedades envelhecidas, seria pagar a aposentadoria. Sua dedução lógica é que as pessoas mais velhas deveriam consumir a maior parte de suas economias durante a velhice e, portanto, deveriam morrer com pouca ou nenhuma riqueza. Este é o famoso “triângulo Modigliani“, ensinado a todos os estudantes de Economia, de acordo com o qual a riqueza, em primeiro lugar, aumenta com a idade, pois os indivíduos acumulam poupança em antecipação à aposentadoria, e depois diminui. A relação μ deveria, portanto, ser igual a zero ou próximo disso, em qualquer caso, muito menos do que 100 por cento.

Mas essa teoria do capital e sua evolução nas sociedades avançadas, o que é perfeitamente plausível a priori, não pode explicar os fatos observados – isto para dizer o mínimo. Claramente, poupar para a aposentadoria é apenas uma das muitas razões, e não a mais importante, porque, entre as razões para as pessoas acumularem riqueza, o desejo de perpetuar a fortuna da família sempre desempenhou um papel central. Continuar a ler

As Três Forças: A Ilusão do Fim de Herança

11.2. Taxa de Mortalidade na França 1820-2100

Na verdade, a principal vantagem da abordagem pelo fluxo econômico, adotada por Thomas Piketty, é que ela nos obriga a ter uma visão abrangente das três forças que em toda parte determinam o fluxo de herança e sua evolução histórica.

Em geral, o fluxo econômico anual de sucessões e doações, expressa como proporção da renda nacional by, é igual ao produto de três forças:

by = μ × m × β, onde:

  1. β é a relação capital / renda (ou, mais precisamente, a proporção da riqueza privada total que, ao contrário dos bens públicos, pode ser transmitida por herança, em relação à renda nacional),
  2. m é a taxa de mortalidade, e
  3. μ é a relação entre a riqueza média no momento da morte e a riqueza média dos indivíduos que vivem.

Esta decomposição é uma identidade contábil pura: por definição, é sempre verdade em todos os tempos e lugares. Em particular, esta é a fórmula utilizada por Piketty para estimar o fluxo económico representado na Figura 11.1 (veja figura do post anterior). Embora esta decomposição do fluxo econômico em três forças seja uma tautologia, ele acha que é uma tautologia útil na medida em que permite esclarecer uma questão que tem sido a fonte de muita confusão, desde o passado, mesmo que a lógica subjacente não seja terrivelmente complexa.

Piketty examina as três forças, uma a uma. Continuar a ler