Revolução Industrial e Sociedade de Consumo em Massa

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Segundo Niall Ferguson (“Civilização”, 2012: 237), a Revolução Industrial não teria começado na Grã-Bretanha e se espalhado para o restante do mundo sem o desenvolvimento simultâneo de uma sociedade de consumo dinâmica. A sustentabilidade da industrialização foi os trabalhadores se tornarem, ao longo do tempo, também consumidores. Ao contrário dos escravos e dos servos, que não faziam compras de roupas, tendo apenas uma peça de vestimenta, os assalariados acabaram comprando um guarda-roupa!

Uma das maiores inovações recentes, nos séculos XX e XXI, foi a massificação da sociedade de consumo a partir do Ocidente (EUA), mas globalizando-a com força maior a partir do Oriente (China), com o barateamento dos bens de consumo duráveis e não-duráveis produzidos em grande escala. O resultado, segundo Ferguson, “é um dos maiores paradoxos da história moderna: que um sistema econômico projetado para oferecer escolha infinita ao indivíduo tenha terminado homogeneizando a humanidade”. Toda ela, de maneira padronizada, veste jeans, camisetas e tênis baratos!

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Albert O. Hirschman, O Filósofo Mundano

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Felipe Gutierrez (FSP – Ilustríssima, 24/03/14) resenha uma biografia lançada nos EUA sobre Albert O. Hirschman (1915-2012), economista reconhecido por seus estudos sobre desenvolvimento, mas que escreveu, na minha opinião, a melhor narrativa sobre o fim da República Democrática Alemã, ou seja, “porque foi derrubado o Muro de Berlim”. A biografia narra vida marcada pela resistência ao nazismo e ressalta sua disposição para o trabalho de campo e para a integração de disciplinas (projeto que eu também acalento), que pode ter lhe custado o Nobel do qual muitos o julgavam merecedor. Reproduzo-a abaixo, pois poderá incentivar a leitura de seus excelentes livros, entre os quais aprecio, particularmente, Retórica da Intransigência, Autosubversão, As Paixões E Os Interesses, todos aqui já resenhados (click no link).

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O Peso do Estado Na Pátria do Mercado: Os Estados Unidos como País em Desenvolvimento

Primeira Ferrovia Transcontinental em 1869

Eleonora Lucena (FSP, 22/02/14), como é habitual, resenhou um livro que parece ser recomendável ler. Confira abaixo.

“Países que buscam o desenvolvimento deveriam investigar a história dos EUA. Lá, foi o Estado o maior indutor de crescimento e inovação. A infraestrutura básica para o avanço — de ferrovias a universidades — partiu de políticas de governo e gastos públicos e não teria sido erguida só pela via das forças privadas.

Esse é o cerne de “O Peso do Estado na Pátria do Mercado, os Estados Unidos como País em Desenvolvimento“, lançado pela Editora Unesp. Seus autores, Reginaldo Carmello Correa de Moraes, doutor em Filosofia e professor da Unicamp, e Maitá de Paula e Silva, mestre em Ciência Política pela Unicamp, dão uma visão panorâmica do salto produtivo dos EUA nos últimos séculos.

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A Idade Média e o Dinheiro

Moedas Romanas

Oscar Pilagallo (Valor, 11/02/14) resenhou um livro que desejo colocar na minha lista de compra: “A Idade Média e o Dinheiro”; autoria: Jacques Le Goff. Tradução: Marcos de Castro. Editora: Civilização Brasileira. 272 págs., R$ 35,00 Sua leitura será útil para meus cursos sobre Economia Monetária Através de Filmes.

Depois de desempenhar importante papel durante o Império Romano, o dinheiro entrou em declínio na Idade Média. A partir do século IV, a circulação de moedas regrediu na Europa, onde a cunhagem se tornou descentralizada e esparsa.

É sobre a identificação dessa guinada histórica que Jacques Le Goff constrói a narrativa de “A Idade Média e o Dinheiro“, com ênfase na retomada da monetização da sociedade a partir do século XIII.

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Manias, Pânicos e Crises

Charles Kindleberger, economista americano cultura divulgacao

Oscar Pilagallo é coordenador de publicações do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e autor de “A Aventura do Dinheiro” e “História da Imprensa Paulista“. Publicou resenha (Valor, 05/11/13) sobre o livro clássico “Manias, Pânicos e Crises“, de Charles Kindleberger (foto acima), anunciando que ele chega ao Brasil depois de 35 anos da edição original em inglês. Isto não é verdade, pois eu (FNC) tenho uma edição brasileira publicada no ano 2000 pela Editora Nova Fronteira.

Manias Pânico e CrashesO comportamento irracional dos investidores a quem o senso comum atribuía um grau superior de racionalidade ilustra, de certa forma, o argumento-central do livro: a euforia turva a percepção de risco e gera bolhas especulativas que, mais cedo ou mais tarde, explodem.

Publicada em 1978, a obra do professor do Massachusetts Institute of Technology estabeleceu uma narrativa que identificou uma causa comum das crises financeiras dos últimos quatro séculos e que, desde então, passou a integrar o repertório de economistas. Resumidamente, Kindleberger afirma que as manias, pânicos e crises desde os primórdios do capitalismo ocorrem na esteira de surtos de expansão do crédito ou guinadas institucionais promotoras de longos períodos de bonança. Tais condições, ele argumenta, levam os investidores a baixar a guarda e arriscar além do razoável. O autor da resenha não informa, mas, explicitamente, Kindleberger se apoia no modelo de Hyman Minsky — o autor pós-keynesiano mais interessante: “o teórico dos passivos“, i.é, do endividamento.

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Free Economics Books da Escola Austríaca

Nosso gentil seguidor, Reinaldo Cristo, que tem um dos meus sites favoritos – RCristo – Tecnologia e Informação –, onde você poderá, p.ex., baixar 1989 eBooks grátis em pdf do site Domínio Público criado pelo Governo Brasileiro (link: Domínio Público – onde se encontra 1.189 livros gratuitos de Economia, inclusive clássicos, p.ex., de Marx e Keynes, mas principalmente TD-IPEA),  nos galanteia com mais uma dica:

FreeEconomicsBooks.com

Free economics books are what this site is about. All these online free economics ebooks (books in PDF, ePub or other formats) are free to read and free to download because the organizations listed in the “Source” section in the page for each book have provided the books free of charge, and few of these free books are hosted on this site. Most of these ebooks are treatises on economics – e.g., economics textbooks.

Come back often as we update and expand this collection of books from time to time. The blog Logical Structure in Human Action may also interest you as in it there is information about economics, books, and more.

The single key phrase for this site is “economics book”. Economics is a science of great importance as Austrian economist Ludwig von Mises said in his book “Human Action“:

“The body of economic knowledge is an essential element in the structure of human civilization; it is the foundation upon which modern industrialism and all the moral, intellectual, technological, and therapeutical achievements of the last centuries have been built. It rests with men whether they will make the proper use of the rich treasure with which this knowledge provides them or whether they will leave it unused. But if they fail to take the best advantage of it and disregard its teachings and warnings, they will not annul economics; they will stamp out society and the human race.” 

Para contrapor outras ideias à Escola Austríaca, vale ler o livro clássico Joseph Schumpeter – Capitalismo, Socialismo e Democracia, cuja formação acadêmica e início da carreira profissional ocorreu na Áustria.

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Transformações do Sistema Monetário Internacional

As Transformações do Sistema Monetário Internacional

Meu ex-colega Marcos Antonio Macedo Cintra e Aline Martins, ambos do IPEA, enviou-me o arquivo final, para a página eletrônica do IPEA, de mais um produto, o Book_Web_As Transformações no Sistema Monetário Internacional.

Nos próximos dias, será publicada a versão impressa. Solicitaram o auxílio na divulgação nas nossas redes e agradeceram o apoio.

 

O Preço da Destruição: Construção e Ruína da Economia Alemã

Hitler em 1933 na celebração dos 10 anos do movimento nacional-socialista

Rodrigo Russo (FSP, 20/05/13) escreveu resenha sobre livro que desejo comprar para ler. As razões econômicas para as decisões tomadas pela Alemanha antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) são o tema da extensa investigação de Adam Tooze, historiador britânico, em “O Preço da Destruição – Construção e Ruína da Economia Alemã” (ed. Record).

Em quase 900 páginas, incluindo apêndices e notas explicativas, Tooze analisa o cenário alemão após a Primeira Guerra, as disputas que permitiram a ascensão de Hitler ao poder e suas principais decisões para sustentar o esforço de guerra, que, para o autor, estava fadado ao fracasso se interpretado com auxílio da história econômica.

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Era do Petróleo

Nova Era do Petróleo

Segundo Daniel Yergin, “o grito que ecoou em agosto de 1859 através dos estreitos vales do oeste da Pensilvânia – de que o maluco yankee, o ‘Coronel’ Drake, havia encontrado petróleo – deu início a uma imensa corrida ao petróleo, que nunca mais teve fim desde então. Daí em diante, na guerra e na paz, o petróleo ganharia o poder de construir ou destruir nações e seria decisivo nas grandes batalhas políticas e econômicas do século XX. Mas, repetidas vezes, durante a infindável aventura, as grandes ironias do petróleo se tornaram aparentes. Seu poder tem um preço.

Por quase um século e meio, o petróleo vem trazendo à tona o melhor e o pior de nossa civilização. Vem se constituindo em privilégio e em ônus.

A energia é a base da sociedade industrializada. Entre todas as fontes de energia, o petróleo vem se mostrando a maior e a mais problemática, devido ao seu papel central, ao seu caráter estratégico, ao padrão recorrente de crise em seu fornecimento – e à inevitável e irresistível tentação de tomar posse de suas recompensas.

Ele tem sido o palco para o nobre e o desprezível do caráter humano. Criatividade, dedicação, espírito empresarial, engenho e inovação tecnológica, vêm coexistindo com a avareza, a corrupção, a ambição política cega e a força bruta.

O petróleo ajudou a tornar possível o domínio sobre o mundo físico. Ele nos deu nossa vida cotidiana e, literalmente, nosso pão de cada dia, através dos produtos químicos agrícolas e dos transportes. Ele abasteceu, ainda, as lutas globais por supremacia política e econômica.

A feroz e, muitas vezes violenta, busca pelo petróleo – e pelas riquezas e poder inerentes a ele irão continuar com certeza enquanto ele ocupar essa posição central. Pois o nosso é um século no qual cada faceta de nossa civilização vem sendo transformada pela moderna e hipnotizante alquimia do petróleo. Foi isso que fez a era do petróleo.”

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Livro “Dívida Pública: A Experiência Brasileira”

Evolução da Composição da Dívida Pública 2003-2013

A Secretaria do Tesouro Nacional, em parceria com o Banco Mundial, lançou em 17 de agosto de 2009, o livro “Dívida Pública: A experiência brasileira“. A publicação explora a experiência do país no gerenciamento da dívida pública, em documento único, ao abranger desde os primeiros registros de endividamento brasileiro até o atual estado de administração da Dívida Pública Federal.

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As Leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka

As Leis Secretas da Economia

No Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada, psicografei Oswald de Andrade, a partir de seu Manifesto Antropófago, escrito em Pindorama, no ano 463 da Deglutição do Bispo Sardinha. Evidentemente, inspirou-me a Lei do [Alexandre] Kafka n. 1 – Sobre o Comportamento Discrepante: “Independentemente dos homens e suas intenções, sempre que o Ministério da Fazenda se entrega à austeridade financeira o Banco do Brasil (ou o Ministério do Planejamento ou o BNDES) escancara os cofres, e vice-versa”.

Outra inspiração do estilo telegráfico com linguagem metafórica repleta de aforismos bem humorados tive ao inverter as piadas neoliberais de Roberto Campos. É coisa do tipo “Patriota não é idiota. Idiota acha superior o país dos outros.

Gustavo H.B. Franco é professor do Departamento de Economia da PUC-Rio desde 1986. Foi diretor e presidente do Banco Central do Brasil de 1993 a 1999, e um dos criadores do Plano Real. É sócio fundador da Rio Bravo Investimentos e autor de vários livros, entre os quais A Economia em Machado de Assis; A Economia em Pessoa; e Shakespeare e a Economia, publicados pela Zahar.

Para quem nasce em “berço de ouro”, sendo filho da elite econômica carioca e professor da jeunesse dorée da Gávea, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, ser inteligente, culto e espirituoso não é nada mais do que a obrigaçãoembora muitos não a cumpram. Dado esse dever, Gustavo cumpriu seu destino ao anotar ou escrever o que teria sido ditado ou sugerido não por algum espírito desencarnado qualquer, mas por três: Roberto Campos, Alexandre Kafka (economista brasileiro primo do Franz Kafka) e… Machado de Assis! Talvez tenha lhe baixado também os espíritos de Fernando Pessoa e William Shakespeare.

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