
A Era Vargas reúne ensaios de meus colegas da RedeD que procuram retratar o contexto e o significado histórico do projeto varguista. Em comum, os textos partilham da perspectiva de que, se é verdade que a ação pessoal não é o motor da história, em certas ocasiões, sobretudo em momentos de crise de modelo, a ação política assume papel crucial para encaminhar soluções emergenciais e rotas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
O livro foi organizado por Pedro Paulo Zahluth Bastos e Pedro Cezar Dutra Fonseca, que escreveram em conjunto a Apresentação, e cada qual assinou três artigos. Além da leitura deles, eu recomendo todos os outros artigos: o do meu orientador de tese (Mestrado e Doutorado), Wilson Cano, o do prefaciador do meu primeiro livro, Luiz Carlos Bresser-Pereira, da minha colega do IE-UNICAMP, Lígia Osório Silva, da professora da UFF/CPDOC-FGV, Ângela de Castro Gomes, do professor da UNESP, Francisco Luiz Corsi e, finalmente, do professor da UFF, Jorge Ferreira.
Entretanto, o artigo “Os conceitos e seus lugares: Trabalhismo, Nacional-Estatismo e Populismo” deste último autor, Jorge Ferreira, chamou-me a atenção em particular, para refletir sobre a retórica lulista de “nunca antes neste País”. Sei que, embora seu conteúdo seja verdade, pois a história não se repete, ela tem capacidade imensa de irritar a oposição. Esta persevera em achar que tudo de bom que ocorreu no Governo Lula não foi novidade, mas simples continuidade. Não percebe ela que este pensamento apresenta uma contradição: se eram tão boas as políticas públicas, a ponto de serem mantidas, por que o Governo FHC não fez seu sucessor?!
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