Cinco Livros Sobre O Poder

Poder

Moisés Naím (FSP, 15/03/13) deu cinco dicas de livros clássicos, isto é, aqueles que ultrapassam a geração de seus autores, sobre  a estrutura de Poder. Interessante é que elas abrangem literatura com metodologia científica, história, romance, tecnologia de informações, e memória de viagens.

“Ando pensando muito atualmente sobre como O Poder está mudando no mundo de hoje. Estes são cinco livros velhos que me vêm ajudando a entender tendências novas.

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Marighella

Marighella

O jornalista Mário Magalhães passou nove anos estudando a história de Carlos Marighella, dos quais cinco anos e nove meses em dedicação exclusiva. Ele escreveu o livro “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo” (São Paulo, Companhia das Letras, 2012; R$ 56,50; 732 páginas), que traz revelações inéditas e detalhadas sobre a história brasileira da oposição de esquerda à ditadura do Estado Novo, nos anos 30, até a ditadura do Regime Militar, no final dos anos 60. Magalhães conta que fez 256 entrevistas, leu 600 livros e visitou 32 arquivos públicos e privado para reconstituir a vida desse personagem polêmico da história recente do Brasil, que foi morto em 1969, depois de lutar contra essas duas ditaduras.

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Era Vargas: Revisionismo Salutar

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A Era Vargas reúne ensaios de meus colegas da RedeD que procuram retratar o contexto e o significado histórico do projeto varguista. Em comum, os textos partilham da perspectiva de que, se é verdade que a ação pessoal não é o motor da história, em certas ocasiões, sobretudo em momentos de crise de modelo, a ação política assume papel crucial para encaminhar soluções emergenciais e rotas estratégicas para o desenvolvimento nacional.

O livro foi organizado por Pedro Paulo Zahluth Bastos e Pedro Cezar Dutra Fonseca, que escreveram em conjunto a Apresentação, e cada qual assinou três artigos. Além da leitura deles, eu recomendo todos os outros artigos: o do meu orientador de tese (Mestrado e Doutorado), Wilson Cano, o do prefaciador do meu primeiro livro, Luiz Carlos Bresser-Pereira, da minha colega do IE-UNICAMP, Lígia Osório Silva, da professora da UFF/CPDOC-FGV, Ângela de Castro Gomes, do professor da UNESP, Francisco Luiz Corsi e, finalmente, do professor da UFF, Jorge Ferreira.

Entretanto, o artigo “Os conceitos e seus lugares: Trabalhismo, Nacional-Estatismo e Populismo” deste último autor, Jorge Ferreira, chamou-me a atenção em particular, para refletir sobre a retórica lulista de “nunca antes neste País”. Sei que, embora seu conteúdo seja verdade, pois a história não se repete, ela tem capacidade imensa de irritar a oposição. Esta persevera em achar que tudo de bom que ocorreu no Governo Lula não foi novidade, mas simples continuidade. Não percebe ela que este pensamento apresenta uma contradição: se eram tão boas as políticas públicas, a ponto de serem mantidas, por que o Governo FHC não fez seu sucessor?!

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Os Sentidos do Lulismo: Reforma Gradual e Pacto Conservador

André Singer consolidou sua reflexão, apresentada em diversos papers (pesquise seu nome neste blog), no instigante livro “Os Sentidos do Lulismo: Reforma Gradual e Pacto Conservador“. Eu “o devorei”! É um livro fácil de ler e que faz o leitor pensar: pode se exigir maior excelência em um livro?!

Entretanto, embora eu respeite sua análise classista de origem marxista, não concordo com todas as hipóteses levantadas por Singer. Ele defende que houve mudança de conteúdo na polarização PT-PSDB, estabelecida desde 1994.

“Estaríamos em face de uma repolarização da política brasileira. (…) [ao PT] se tornar ‘mais Brasil’, ele se torna menos ‘dos Trabalhadores’, isto é, opera um deslocamento de classe e, portanto, ideológico (…). A ascensão do subproletariado, do qual o PT se tornou o representante na arena política, por isso se assemelhando a um ‘partido dos pobres‘ de estilo anterior a 1964, significa que as classes fundamentais passam para o fundo da cena. Foi por isso que a polarização entre esquerda e direita esmaeceu, sendo substituída por uma polarização entre ricos e pobres, parecida com a do período populista” (Singer, 2012: 34).

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Grande Revolução Cultural Proletária na China (por Henry Kissinger)

Mao escolheu esmagar o Estado chinês e o Partido Comunista ao lançar o que esperava viesse a se provar um ataque final aos teimosos resquícios da cultura chinesa tradicional. Desse entulho, ele profetizou, surgiria uma nova geração ideologicamente pura mais bem-equipada para salvaguardar a causa revolucionária contra os inimigos domésticos e estrangeiros. Ele impeliu a China a uma década de frenesi ideológico, sectarismo político feroz e quase guerra civil, que ficou conhecida como a Grande Revolução Cultural Proletária.

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China: “Tudo Sob o Céu” (por Henry Kissinger)

Uma característica especial da civilização chinesa é que ela parece não ter um início. Perante a história, ela assoma mais como um fenômeno natural permanente do que como um Estado-nação convencional.

O paradoxo das origens da China é que a civilização chinesa se origina numa antiguidade tão remota que são em vão nossos esforços por descobrir seu início. Não há vestígios do estado inicial entre esse povo. Esse é um fato muito peculiar com respeito à China. Estamos acostumados na história das nações a encontrar algum ponto de partida bem definido, e os documentos, as tradições e os monumentos históricos que chegam até nós em geral nos permitem seguir, quase que passo a passo, o progresso da civilização, estar presentes a seu nascimento e assistir ao seu desenvolvimento, sua marcha adiante e, em muitos casos, suas subsequentes decadência e ruína. Mas não é assim com os chineses.

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Sobre a China (por Henry Kissinger)

Em “Sobre a China”, livro cujo lançamento ocorreu em 5 de novembro de 2011, Henry Kissinger escreve a respeito de um país cujas relações diplomáticas recentes com os Estados Unidos ajudou a moldar. Ao finalizar a leitura de suas 576 páginas, minha sensação maior foi que tinha lido um livro extraordinário e incomum, dada a propriedade do depoimento (e testemunho ocular da história) oferecido por seu autor, articulador e consultor da política externa norte-americana desde os anos 70. Em 1973, ele ganhou, com Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu papel na obtenção do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietnam. Le Duc Tho recusou o prêmio.

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Bibliografia Recente sobre a China

Cláudia Antunes (Folha de S. Paulo, 18/12/11) resenhou livros cujos recentes lançamentos ajudam a desvendar as características de uma sociedade em ebulição desde os tempos imperiais. Eles também permitem entender por que os atuais dirigentes temem o rompimento do pacto proposto por eles em 1989: em troca de crescimento e estabilidade, o monopólio do PC não seria questionado. Para entendermos a proposta neocolonizadora da China temos de estudar seu neosonho imperial. Vamos reproduzir a resenha bibliográfica em seguida.

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Progresso na Geopolítica Mundial

Faz pelo menos 500 anos que o mundo está se tornando um lugar cada vez mais seguro para se viver. Na realidade, a raça humana nunca foi tão pouco violenta. Ataques terroristas e guerras civis são meros soluços estatísticos em mundo com paz que nossos ancestrais achariam quase impensável.

Hipótese surpreendente, não é? Pois os números reunidos por Steven Pinker, 57, psicólogo evolucionista da Universidade Harvard, são difíceis de refutar. Todas as formas de violência estão em declínio, das guerras à crueldade com animais, e em alguns casos a queda já dura séculos.

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Resenha sobre a Literatura Marxista Contemporânea

Joaquim Toledo Jr. (Folha de S. Paulo, 28/08/11) coloca a questão ao leitor de sua resenha sobre a literatura marxista contemporânea: Marx consegue dar conta do século XXI? As recentes crises financeiras mundiais e as transformações no comércio, na produção e no mercado de trabalho põem à prova o marxismo, teoria que vicejou nos séculos XIX e XX para ter sua “morte” (ou “crise”) decretada pelos conservadores na virada do século XXI. Segundo essa crítica, os livros de autores marxistas contemporâneos aproximam a economia atual da era vitoriana, que inspirou O Capital. Como já fui leitor inveterado dessa literatura, fiquei curioso de ler a resenha, que compartilho abaixo.

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Ideário de Liberal

Antonio Delfim Netto, professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento, durante o regime militar, anuncia em artigo (Valor, 23/08/11) que “ainda não é o fim do capitalismo”! Com sua conhecida ironia, comenta que “a visão pessimista da situação da economia mundial estimula alguns ingênuos, persistentes e generosos otimistas a acreditarem (pela décima vez, nos últimos 170 anos) que chegamos, enfim, ao fim do capitalismo e vamos entrar na era do solidarismo, onde o lucro será anátema e os mercados serão sociais”.

Vale lembrar: as pessoas que tem o instinto de proteção predominante se interessam pela eliminação das desigualdades sociais. As pessoas que, por sua vez, possuem o instinto de competição predominante, como é o caso do Delfim, insistem na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não são elimináveis, embora possam ser gradualmente minoradas em processo civilizatório.

Vamos reproduzir abaixo, destacando as principais ideias, o final de seu artigo, onde ele apresenta o ideário autêntico de um liberal brasileiro, que, paradoxalmente, serviu de maneira destacada a regime ditatorial que impediu a escolha democrática nas urnas. Vejam bem: liberal e não neoliberal do qual ele debocha a mania de achar que existe (ou existiu) mercado sem Estado.

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Liberalismo Elitista

Cristina Buarque de Hollanda encerra seu livro recém lançado sobre a Teoria das Elites destacando Oliveira Vianna (1883-1951) e Assis Brasil (1857-1938) como representantes da presença do elitismo nas teorias políticas autoritária e liberal, respectivamente. Assis Brasil, político liberal, enxerga as elites como princípio motor da política. Para ele, a representação seria o incremento necessário à qualidade da política. A classe política acumula as virtudes para um bom governo e o povo não tem capacidade de deliberar sobre assuntos de interesse público. Cada povo, portanto, “deve ser governado, ou dirigido, por uma minoria inteligente”.

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