Estado de Bem-Estar Social Sueco e Defesa do Multiculturalismo

Sweden_in_European_Union

Estado de Bem-Estar Social é um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado como agente da promoção (protetor e defensor) social e organizador da economia. Nesta orientação, que dá continuidade às históricas lutas pela cidadania, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em parceria com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com o país em questão. Cabe ao Estado do Bem-Estar Social garantir serviços públicos e proteção à população.

Os Estados de Bem-Estar Social desenvolveram-se principalmente na Europa, onde seus princípios foram defendidos pela socialdemocracia, linha partidária trabalhista, ou seja, ligada a sindicatos de trabalhadores. Foi implementado com maior intensidade nos Estados Escandinavos (ou Países Nórdicos) tais como Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Por isso mesmo, possuem os mais altos IDHs (Índices de Desenvolvimento Humano) do mundo.

Esta forma de organização político-social, que se originou da Grande Depressão, se desenvolveu ainda mais com:

  1. a ampliação do conceito de cidadania,
  2. o fim dos governos totalitários da Europa Ocidental e Oriental (nazismo, fascismo, stalinismo, etc.) e
  3. a hegemonia dos governos sociais-democratas trabalhistas e, secundariamente, das correntes eurocomunistas.

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A Grande Degeneração – A Decadência do Mundo Ocidental

ARTS BOOK

Utilizo as duas séries de documentários baseadas em livros de Niall Ferguson – “Ascensão do Dinheiro” e “Civilização – Ocidente X Oriente” – como motivação para o debate com os alunos dos pontos de vista apresentados. Com belas imagens e roteiro ágil e sintético – cada um dos doze episódios dura 50 minutos -, o apresentador oferece outra grande virtude: são polêmicas certas hipóteses neoliberais defendidas por ele. Isto é o que me interessa exercitar com os alunos: a argumentação e a contra-argumentação para o posicionamento pessoal de cada qual.

Recentemente, Ferguson lançou novo ensaio – “A Grande Degeneração” – propício a provocar polêmica. Leia a resenha abaixo de Oscar Pilagallo (Valor, 18/07/13).

“Não é de agora que Niall Ferguson acredita que o Ocidente está selando seu destino rumo à decadência. A tese do historiador britânico havia sido apresentada em “Colosso“, quase dez anos atrás, quando o mundo ainda não dava sinais da crise que viria pela frente.

Naquele livro, Ferguson cobrava uma atuação decisiva dos Estados Unidos. O país deveria assumir de vez o papel de potência mundial e jogar o peso de sua influência em um projeto liberal para além de suas fronteiras. Como os americanos resistissem a arcar com os ônus de tal iniciativa, estava aberto o caminho para o que ele chamava de “a queda do império“.

Em “A Grande Degeneração“, Ferguson amplia o foco, mas mantém a perspectiva. O objeto é o mundo ocidental – não apenas os Estados Unidos. A crise econômica, que se arrasta desde 2008 e não dá sinais claros de quanto tempo irá durar, é o ponto de partida. O autor, porém, não está preocupado com as consequências materiais de curto prazo. Seu temor é que a Grande Depressão se transforme na Grande Degeneração.

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O Sinal e o Ruído – Por que Tantas Previsões Falham e Outras Não

Nate Silver

Uma pequena notícia (FSP, 23/07/13) chamou-me a atenção: “Guru das previsões eleitorais nos EUA, Nate Silver anunciou que está se mudando do “New York Times”, jornal de maior prestígio do país, para o pioneiro canal de esportes ESPN. Silver será editor de um novo site, criado por ele, que vai mesclar análises estatísticas em esportes, cultura, economia e outros temas. A nova página se chamará FiveThirtyEight (538), mesmo nome do blog que o jornalista tinha no jornal – referência ao número de delegados que escolhem o presidente dos EUA. No novo emprego, Silver também fará análises políticas para a ABC News, empresa que, como a ESPN, é parte do grupo Disney.

“Estou feliz porque Nate tem um jeito único de misturar criatividade, jornalismo e estatística“, disse o presidente da rede, John Skipper. Segundo ele, o contrato de Silver será um acordo de “muitos anos”.

“Este é realmente o trabalho dos sonhos para mim. Quanto mais penso nele, mais animado eu fico”, disse Silver em uma entrevista.

A mudança foi vista como golpe no “New York Times“, que fez de tudo para mantê-lo.

No mesmo dia, li em outro jornal (Valor, 23/07/13) resenha de autoria de Adauri Antunes sobre um livro de Nate Silver que acabou de ser lançado no Brasil: “O Sinal e o Ruído – Por que Tantas Previsões Falham e Outras Não“, livro no qual discute a capacidade humana de fazer previsões. Reproduzo-a abaixo, para colocar esse livro na lista de “exame para eventual leitura”.

“Sou conhecido por usar dados e estatísticas para fazer previsões bem-sucedidas”, trata de afirmar na introdução. Em 13 capítulos, descreve, analisa e comenta casos conhecidos de sucesso e de erro de previsão, como os atentados do 11 de Setembro, a crise financeira global e as imprecisões do aquecimento global.

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Os Anjos Bons da Nossa Natureza

Os Anjos Bons da Nossa Natureza

Rodrigo Petronio, escritor e professor, é autor de “Venho de um País Selvagem” (Topbooks), “Pedra de Luz” (A Girafa), entre outros. Escreveu resenha (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 31/05/13) do livro “Os Anjos Bons da Nossa Natureza“, nova obra de Steven Pinker, um dos expoentes da chamada Psicologia Evolucionária, professor da Universidade de Harvard e considerado pela revista “Time” uma das cem personalidades mais influentes do mundo atual. Vamos editar sua resenha, sugerindo ler esse livro sobre o qual já tínhamos compartilhado uma matéria sobre sua edição norte-americana: Progresso na Geopolítica Mundial.

A violência diminuiu em termos absolutos ao longo da jornada milenar do Homo sapiens até os dias de hoje. Essa é a tese central de “Os Anjos Bons da Nossa Natureza“, nova obra de Steven Pinker. [Ei, leitores de artiguetes acadêmicos, tentem ler as 1.087 páginas dessa "literatura de aeroporto" (sic), talvez diminuam o esnobismo...]

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Folha Explica a Folha

PREMIO FERNANDO PINI

Matías M. Molina é autor do livro “Os Melhores Jornais do Mundo“, em segunda edição. Escreveu instrutiva resenha sobre o livro “Folha Explica a Folha” (Ana Estela de Souza Pinto. Publifolha. 231 págs., R$ 19,90). Como sou assinante desse jornal desde a Campanha Diretas Já, no início dos anos 80, quando morava no Rio de Janeiro, interessou-me conhecer mais sua história, destacadamente, de suas mudanças editoriais.

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Inverno do Mundo: Segundo Livro da Trilogia do Século

Eu já tinha lido o primeiro livro da Trilogia do Século, Queda dos Gigantes, então, quando vi que o segundo livro tinha sido lançado, Inverno do Mundo, no dia do meu aniversário (28/09/12), logo o comprei. O terceiro volume da trilogia tem o lançamento previsto para 2014 e dará continuidade à saga das cinco famílias – uma inglesa e uma galesa de classes antagônicas, uma alemã descendente de casamento de alemão com inglesa, uma russa, com um descendente emigrante para os Estados Unidos, e uma norte-americana de políticos democratas – durante o período da Guerra Fria. Tive, finalmente, a oportunidade de lê-lo (874 páginas) na semana Natal-Reveillon. Com a narrativa do cotidiano em países distintos, durante períodos conturbados da história, ele nos permite reflexões sobre a geopolítica, a luta de classes, o totalitarismo, enfim, a humanidade. A vida é dura!

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Civilização: Ascensão Lenta, Queda Súbita

America Meridionalis

As civilizações, conforme Niall Ferguson tratou de demonstrar em seu último livro, Civilização: Ocidente X Oriente, são sistemas extremamente complexos, compostos de um número muito grande de componentes que interagem e estão organizados de forma assimétrica, funcionando entre a ordem e a desordem à beira do caos. Tais sistemas estão em constante mutação até atingir pontos críticos, quando pequena perturbação pode desencadear uma “fase de transição” de um equilíbrio benigno a uma crise.

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Teorias dos Ciclos de Civilização

BrasiliaeA insinuação implícita na Teoria dos Ciclos de Civilização é que todas as civilizações, não importa quão magníficas sejam, estão condenadas a decair e ruir. Durante séculos, historiadores, teóricos políticos, antropólogos e o público em geral tenderam a pensar na ascensão e na queda das civilizações em tais termos cíclicos e gradativos.

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Civilização: Ocidente X Oriente

Civilização

No livro Civilização: Ocidente X Oriente (São Paulo: Planeta, 2012. pp. 432), Niall Ferguson quer mostrar que o que distinguiu o Ocidente do Oriente – as molas propulsoras do poder global – foram seis novos sistemas de instituições identificáveis e as ideias e os comportamentos associados a eles. Estes “aplicativos” (ou apps) que permitiram que uma minoria da humanidade, originando-se no extremo oeste da Eurásia, dominasse o mundo durante a maior parte dos últimos 500 anos.

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Conclusões do Livro Personal Wealth From A Global Perspective

Uma série de conclusões importantes podem ser tiradas a partir da discussão dos estudos do livro editado por James Davies. A maioria destas conclusões são de natureza positiva [o que é], mas algumas são normativas [o que deveria ser]. É claro que a baixa riqueza e o pouco acesso a crédito podem exacerbar os problemas de pobreza em países em desenvolvimento e em transição.

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Contribuições do Livro Personal Wealth From A Global Perspective

O livro editado por James B. Davies, Personal Wealth From A Global Perspective (Great Britain,  Oxford University Press, 2008. 467 p.) é dividido em quatro partes. As duas do meio, que são as mais longas, cobrem a distribuição de renda nos países em desenvolvimento e emergentes, e o papel de certos tipos de ativos importantes no desenvolvimento e desempenho econômico. A seção final tem um único capítulo que apresenta as primeiras estimativas disponíveis da distribuição global da riqueza das famílias. A primeira seção define o cenário para observar a riqueza no mundo desenvolvido, onde obtém-se os melhores dados.

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