Matías M. Molina é autor do livro “Os Melhores Jornais do Mundo“, em segunda edição. Escreveu instrutiva resenha sobre o livro ”Folha Explica a Folha” (Ana Estela de Souza Pinto. Publifolha. 231 págs., R$ 19,90). Como sou assinante desse jornal desde a Campanha Diretas Já, no início dos anos 80, quando morava no Rio de Janeiro, interessou-me conhecer mais sua história, destacadamente, de suas mudanças editoriais.
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Inverno do Mundo: Segundo Livro da Trilogia do Século
Eu já tinha lido o primeiro livro da Trilogia do Século, Queda dos Gigantes, então, quando vi que o segundo livro tinha sido lançado, Inverno do Mundo, no dia do meu aniversário (28/09/12), logo o comprei. O terceiro volume da trilogia tem o lançamento previsto para 2014 e dará continuidade à saga das cinco famílias – uma inglesa e uma galesa de classes antagônicas, uma alemã descendente de casamento de alemão com inglesa, uma russa, com um descendente emigrante para os Estados Unidos, e uma norte-americana de políticos democratas – durante o período da Guerra Fria. Tive, finalmente, a oportunidade de lê-lo (874 páginas) na semana Natal-Reveillon. Com a narrativa do cotidiano em países distintos, durante períodos conturbados da história, ele nos permite reflexões sobre a geopolítica, a luta de classes, o totalitarismo, enfim, a humanidade. A vida é dura!
Civilização: Ascensão Lenta, Queda Súbita
As civilizações, conforme Niall Ferguson tratou de demonstrar em seu último livro, Civilização: Ocidente X Oriente, são sistemas extremamente complexos, compostos de um número muito grande de componentes que interagem e estão organizados de forma assimétrica, funcionando entre a ordem e a desordem à beira do caos. Tais sistemas estão em constante mutação até atingir pontos críticos, quando pequena perturbação pode desencadear uma “fase de transição” de um equilíbrio benigno a uma crise.
Teorias dos Ciclos de Civilização
A insinuação implícita na Teoria dos Ciclos de Civilização é que todas as civilizações, não importa quão magníficas sejam, estão condenadas a decair e ruir. Durante séculos, historiadores, teóricos políticos, antropólogos e o público em geral tenderam a pensar na ascensão e na queda das civilizações em tais termos cíclicos e gradativos.
Civilização: Ocidente X Oriente
No livro Civilização: Ocidente X Oriente (São Paulo: Planeta, 2012. pp. 432), Niall Ferguson quer mostrar que o que distinguiu o Ocidente do Oriente – as molas propulsoras do poder global – foram seis novos sistemas de instituições identificáveis e as ideias e os comportamentos associados a eles. Estes “aplicativos” (ou apps) que permitiram que uma minoria da humanidade, originando-se no extremo oeste da Eurásia, dominasse o mundo durante a maior parte dos últimos 500 anos.
Conclusões do Livro Personal Wealth From A Global Perspective
Uma série de conclusões importantes podem ser tiradas a partir da discussão dos estudos do livro editado por James Davies. A maioria destas conclusões são de natureza positiva [o que é], mas algumas são normativas [o que deveria ser]. É claro que a baixa riqueza e o pouco acesso a crédito podem exacerbar os problemas de pobreza em países em desenvolvimento e em transição.
Contribuições do Livro Personal Wealth From A Global Perspective
O livro editado por James B. Davies, Personal Wealth From A Global Perspective (Great Britain, Oxford University Press, 2008. 467 p.) é dividido em quatro partes. As duas do meio, que são as mais longas, cobrem a distribuição de renda nos países em desenvolvimento e emergentes, e o papel de certos tipos de ativos importantes no desenvolvimento e desempenho econômico. A seção final tem um único capítulo que apresenta as primeiras estimativas disponíveis da distribuição global da riqueza das famílias. A primeira seção define o cenário para observar a riqueza no mundo desenvolvido, onde obtém-se os melhores dados.
Definições e Questões Conceituais sobre Riqueza
A definição de riqueza é simples: o valor dos ativos (bens e direitos) menos as dívidas. No entanto, há um debate sobre quais bens devem ser nela incluídos, e há problemas de avaliação. Dificuldades maiores centram-se do lado dos ativos (haveres), em vez de lado das dívidas (deveres). Por exemplo, os direitos de pensão devem ser incluídos? Benefícios de fundos de pensão com base no patrocínio do empregador podem ser considerados como adiamento da remuneração do trabalho, e parte, portanto, do retorno sobre o capital humano. Mesmo que tais direitos de pensão sejam incluídos na riqueza não-humana, deve-se dar um desconto, tendo em vista a sua falta de liquidez? E quanto ao estado dos direitos de Previdência Social, dado que os benefícios podem ser legalmente alterados, mesmo sem a permissão ou a eventual compensação de seus “donos”? Existe, realmente, um direito de propriedade sobre tais pensões?
Uma Visão Geral da Riqueza Pessoal
O livro editado por James B. Davies, Personal Wealth From A Global Perspective (Great Britain, Oxford University Press, 2008. 467 p.) examina os bens pessoais ou a riqueza sob uma perspectiva global. A riqueza é o valor dos ativos físicos e financeiros menos as dívidas. É variável crucial para as decisões básicas, gastar ou aplicar, determinante do bem-estar. Está sendo estudada com cuidado em um crescente número de países. Embora comparações internacionais valiosas têm sido feitas, não tinha sido feito, até o lançamento desse livro, uma tentativa de integrar, plenamente, as perspectivas nacionais e olhar para a riqueza pessoal do ponto de vista global.
Por que estudar a riqueza?
O Fetichismo do Conceito: Contra o Jargão
Fabio Victor em 19/06/2012 na edição 699 noticia a publicação de O fetichismo do conceito, de Luís de Gusmão, 358 pp., Editora Topbooks, 2012 # reproduzido da Folha de S.Paulo, 16/6/2012
“Acaba de sair, pela editora Topbooks, um livro capaz de balançar o coreto acadêmico das ciências sociais. Provocativo desde o título, O Fetichismo do Conceito, do sociólogo Luís de Gusmão, 56, professor da UnB (Universidade de Brasília), cutuca vacas sagradas da sociologia e da história ao defender que a pesquisa nessas áreas, especialmente na primeira, é escrava dos conceitos teóricos e descolada da vida real. O uso de linguagem obscura e de jargões inúteis é colocado pelo autor como sintoma dessa veneração a termos herméticos, cunhados para resumir sistemas de pensamento considerados novos.
Este livro, fruto de mais de uma década de observações sobre o mundo dos chamados cientistas sociais, reafirma que a moderna investigação sociológica não precisa romper com o universo conceitual e linguístico do leigo experiente e bem informado. Suas conclusões podem ser perfeitamente formuladas na linguagem corrente, dispensando jargões pedantes e esotéricos.
Gusmão puxa a orelha de mitos universais da academia, como o francês Pierre Bourdieu (1930-2002) e o alemão Jürgen Habermas, e espeta brasileiros célebres como Florestan Fernandes (1920-1995) e Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982). Junto a louvores ao “notável historiador” que foi Buarque, faz reparos ao “ensaísmo especulativo” de passagens pontuais de “Raízes do Brasil” e ao “uso infeliz” das teorias de Max Weber (1864-1920) em “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”. Identifica Florestan como “expressão modelar do fetichismo do conceito na investigação social”. Alexis de Tocqueville (1805-1859) e Joaquim Nabuco (1849-1910), por outro lado, são apontados como modelos de que é possível fazer boa análise social sem sujeição irrestrita a conceitos. Outro contraponto aos “fetichistas” seriam grandes romancistas clássicos como Flaubert, Stendhal, Dostoiévski e Tchékhov.
Desde que o Samba é Samba
AUTOR Paulo Lins
EDITORA Planeta
QUANTO R$ 39,90 (336 págs.)
O leitor do livro “Desde que o Samba é Samba”, segundo romance do autor de “Cidade de Deus”, Paulo Lins, talvez tenha o mesmo sentimento de quem espera “o segundo disco” de algum compositor/cantor que obteve grande sucesso com o primeiro disco: a expectativa é muito alta. É muito difícil manter a alta performance sempre como se pode verificar por depoimentos de atletas vencedores. O autor deve perceber que críticas, dificuldades perante os críticos e até duros golpes podem também ser curativos, levando a melhores reinícios. Não devemos insistir em que “não há o que mudar”.
Porém, gostei de “Desde que o Samba é Samba”. Conta estórias populares da Zona do Mangue de prostituição e boemia no Rio de Janeiro do final da década dos anos 20, no Século XX. Essa região ficava ao lado do Estácio. Jovens do bairro usufruíam das moças, bebidas e samba. Tal como os jovens nos anos 60 do sexo, drogas e rock-n’-roll.
Queda de Gigantes: Primeiro Livro da Trilogia O Século
Um professor universitário com veleidade intelectual de esquerda pode confessar (e recomendar) a leitura de best-seller? Antes dessa confissão, para arrolar todos os meus pecados, confesso também que há (4) anos não lia nenhum romance. Meu interesse (e ritmo de passar páginas) estava inteiramente voltado para a não ficção. Não conseguia me apegar a longas descrições, quando percebia já tinha as saltado. A força da história do mundo real me atraía de maneira exclusiva. Quando queria descansar, assistia minha coleção (“DVDteca”) de épicos históricos.
Comprar livro chamado “Queda de Gigantes”? O esnobismo me impedia. Acho que fui atraído pelo subtítulo que, convenhamos, não tem tanto apelo comercial: “Trilogia O Século”. Encomendei-o. Quando deparei com o desafio de ler 910 páginas deixei-o esquecido na mesa de cabeceira por vários meses. Reler O Longo Século XX? Consolar-me com O Breve Século XX, Era dos Extremos?
Esgotei toda a pilha de livros nesse verão de dor. Entre exames, fisioterapia, acupuntura, raio-X, ressonância magnética, tomografia computadorizada, milhares de consultas, encaixes, longas esperas, pré e pós-operatório, acabei encarando com humildade a Queda de Gigantes. Envolvi-me com os sentimentos dos personagens, em episódios históricos reais, ocorridos entre 22 de junho de 1911 e janeiro de 1924.




