Rotatividade no Mercado de Trabalho e Seguro-Desemprego

Rotatividade no mercado de trabalho 2013-2014

Lucas Marchesini (Valor, 27/10/14) informa que, mesmo com a baixa taxa de desemprego no país, a rotatividade do mercado de trabalho está estagnada em patamar acima dos 60% há pelo menos quatro anos. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que esse nível é sustentado devido ao alto número de demissões em setores como agricultura e construção civil. Esses dados, por sua vez, levam a uma rotatividade mais alta nas regiões Centro-Oeste e Sul.

O alto número de desligamentos é um problema crônico no Brasil e não tem solução única sem a perda de direitos por parte dos trabalhadores. Esse fator, conjugado aos aumentos reais do salário mínimo e à inflação, levou os gastos com o seguro-desemprego a passarem de R$ 7,2 bilhões em 2004 para R$ 31,9 bilhões em 2013. Já neste ano, o ritmo é um pouco menor, já que no primeiro semestre foram gastos R$ 15,3 bilhões com o benefício.

O caminho é a adoção de medidas setoriais que abarquem as diferenças entre os diversos ramos. Os números mostram que há muitas diferenças por trás do índice de rotatividade total no Brasil, que foi de 64% em 2012, último ano com taxa anual calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Cálculo feito com base na rotatividade mensal divulgada pelo Ministério do Trabalho mostra que em 2013 a taxa ficou em torno de 63,9%. Continuar a ler

Efeito PRONATEC-PROUNI-FIES-CSF na Produtividade Futura

Efeito PronatecEfeito ProUni

Delano Franco é mestre em economia pela PUC-RJ e consultor da Rio Gestão de Recursos. Expressou essa formação doutrinária neoliberal no seu artigo (Valor, 27/10/14), onde coloca “Esperança Via Educação“. Retirando seus vieses heurísticos, em que busca falsa autovalidação junto a seus próprios pares, sobra o reconhecimento dos avanços e dos futuros impactos macrossociais da educação brasileira.

Ele reconhece que “os avanços na educação. Obviamente há um sem número de problemas e desafios na área – estagnação recente das matrículas no ensino médio e das notas no Pisa (programa internacional de avaliação de estudantes), baixa proficiência dos alunos, falta de incentivos e formação aos professores na rede pública, baixo número de horas-aula em termos internacionais etc. Mas, ao se observar o caminho percorrido ao longo das últimas décadas, a evolução é expressiva e seus efeitos tendem a se manifestar com o tempo.

Em 1994, portanto há exatos 20 anos, algo como 35% dos indivíduos com 22 anos de idade possuíam 4 ou menos anos de estudo, ou seja, qualificação apenas para trabalhos básicos. Hoje, são menos de 10%. A proporção de jovens com tempo de estudo entre 4 e 8 anos, um pouco acima em termos de aptidão, estava também em torno de 35%, tendo caído para abaixo de 20% no período. Pouco mais de 20% possuíam entre 9 e 11 anos de estudo, qualificação já bastante razoável, percentual que evoluiu para acima de 50%. Por fim, os jovens com mais de 12 anos de estudo perfaziam menos de 10% e hoje são mais que 20% do total.

Dessa forma, mais de 70% possuem atualmente 9 ou mais anos de estudo, proporção que era de 30%. Ou seja, se simplificadamente dividirmos os jovens com 22 anos em pouco (até 8 anos de estudo) e muito (com 9 ou mais anos de estudo) instruídos, tínhamos em 1994 uma forca de trabalho em que 70% eram de baixa qualificação. Hoje, temos 70% com alta qualificação. Isso faz uma enorme diferença em termos de produtividade. Continuar a ler

Réplica que a Folha de São Paulo não publicou

ie-eduardo-fagnaniColoco abaixo o link do artigo de Eduardo Fagnani, meu colega do IE-Unicamp), membro-fundador da importante Plataforma Política Social. Trata-se de uma réplica ao texto da professora da PUC-RJ, Monica Bolle, diretora da Casa das Garças (“ninho de tucanos”), publicado na Folha de São Paulo (10/10/14).

Acreditando no “espírito crítico, pluralismo e apartidarismo” que reza os princípios da redação da Folha, o artigo foi submetido ao crivo da redação deste jornal. Alegando “disponibilidade limitada de espaço”, a réplica foi descartada. Em função disso, colocamos o link aqui para não privar os leitores desta contribuição ao debate democrático de ideias, em um momento crucial em que dois projetos antagônicos para o país estão em disputa. Só que um tem apoio e espaço na mídia conservadora, outra depende de divulgação na rede social.

http://plataformapoliticasocial.com/2014/10/14/a-elite-mal-informada-replica-ao-artigo-de-monica-baumgarten-de-bolle-que-a-folha-de-sao-paulo-se-recusou-a-publicar/

Leia mais:

O-Pastor-e-o-Leão

As incríveis fábulas de Samuel Pessôa

by Plataforma Política Social

Eduardo Fagnani (1)

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PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) por Adriano Silva*

Votos por classes sociaisInfograficoBolsaFamilia Estava pensando em postar os infográficos acima sem comentários, porque são autoexplicativos.

Porém, li via Facebook um texto que ilustra bem a luta de classes (termo que o PIB — Perfeito Idiota Brasileiro — acha demodê) no Brasil. Vale ler a crítica dos costumes dos que concentram o PIB. Reproduzo-o abaixo acompanhado de sugestivas ilustrações publicadas em The New Yorker  (matéria intitulada Rio’s Richest) — e do candidato desse “povo”. Continuar a ler

Topo da Distribuição de Renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares 2006-2012

Renda mínima e média do topo da distribuição de renda no Brasil 2006-2012Percentual da renda total apropriado pelo topo 2006-2012

Medeiros, Marcelo; Souza, Pedro H. G. F.; Castro, Fabio Avila. O Topo da Distribuição de Renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares - 2006-2012. (August 14, 2014). Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=2479685

Os autores do texto acima citado são professores da Universidade de Brasília. Eles apresentaram a primeira estimativa da concentração de renda entre os mais ricos no Brasil calculada a partir das declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física para os anos de 2006 a 2012.

Suas principais medidas de desigualdade são as frações da renda total apropriada pelos 0,1%, 1% e 5% mais ricos. Os resultados são testados e comparados com os das pesquisas domiciliares brasileiras. A conclusão é que os dados tributários revelam uma concentração no topo substancialmente maior do que as outras fontes, e ela permanece estável no período analisado. Continuar a ler

PNAD 2013: Mercado de Trabalho e Condições de Vida no País

Índice de Gini 2001-2013

Correção (leia abaixo):

Índice de Gini 2001-2013 Corrigido

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013 mostrou que a população do país foi estimada em 201,5 milhões de pessoas, sendo 51,5% de mulheres, 46,1% de brancos e 37,6% de pessoas de 40 anos ou mais de idade. Em 2013, observou-se que as pessoas de 40 a 59 anos eram as mais representativas entre os migrantes tanto em relação ao município (33,8%) quanto à unidade da federação (35,6%). A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade ficou em 8,3%, o que corresponde a 13,0 milhões de pessoas.

A população desocupada cresceu 7,2% em relação a 2012, e a ocupada cresceu 0,6%. A taxa de desocupação se elevou de 6,1% para 6,5% em 2013 (foi o ano com a segunda menor taxa na série harmonizada de 2001 a 2013). O trabalho com carteira assinada, no entanto, continuou a crescer, subindo 3,6% em relação a 2012 e abrangendo 76,1% dos empregados do setor privado. O trabalho das crianças e adolescentes recuou 12,3% em relação a 2012, o equivalente a menos 438 mil crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos no mercado de trabalho.

O país registrou aumento real de 2012 para 2013 no rendimento mensal domiciliar (de R$ 2.867 para R$ 2.983), de todos os trabalhos (de R$ 1.590 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.516 para R$ 1.594). As medidas de distribuição de renda (índices de Gini) ficaram praticamente estáveis em todas as comparações com o ano anterior, mas melhoraram em relação a 2004. Todas as categorias de emprego obtiveram ganhos reais de rendimento do trabalho principal em 2013, sendo o mais expressivo entre trabalhadores sem carteira (10,2%).

O número de domicílios particulares permanentes no país foi estimado em 65,1 milhões em 2013, 85,3% deles com rede de água, 64,3% com rede de esgoto, 89,8% com coleta de lixo, 99,6% com iluminação elétrica e 92,7% com telefone. O percentual de domicílios que tinham computador com acesso à Internet aumentou para 43,1%. Cerca de 86,7 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet no período de referência dos últimos três meses em 2013, 50,1% do total nessa faixa etária.

A pesquisa traz também uma série de resultados harmonizados, de 2001 a 2013 (que exclui as áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá), na qual é possível constatar redução nas taxas de analfabetismo (de 12,4% em 2001 e para 8,2% em 2013) e de desocupação (de 9,4% para 6,6%), além de aumento no percentual de empregados com carteira de trabalho assinada (de 55,3% para 65,2%) e no rendimento mensal real de trabalho (de R$ 1.300 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.315 para R$ 1.594).

A PNAD é realizada pelo IBGE desde 1967 e apresenta informações sobre população, migração, educação, trabalho, rendimento e domicílios para Brasil, grandes regiões, estados e regiões metropolitanas. Os resultados de 2001 a 2012 (reponderados com base na última projeção de população) e os de 2013 estão disponíveis no endereço www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2013.

No dia seguinte, o IBGE veio a público, por meio de uma nota, informar que foram verificados erros nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, após a sua divulgação, na véspera (18/09/2014).

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Superação do Problema da Pobreza Extrema X Panfletagem Antipetista

Fome na África

Neste ano, deixei de assinar a versão impressa da Folha de S.Paulo, que assinava desde o início dos anos 80, porque não suportava mais ler a panfletagem direitista de seus colunistas. Leio a versão digital, no iPad, porque é mais rápido ler apenas as notícias, não desviando minha atenção para as manchetes escandalosas com denúncias vazias. Percebi que meu humor melhorou.

Ainda mantive a assinatura do jornal Valor Econômico, achando que, devido a seu público-alvo ser mais restrito, ele teria maior responsabilidade em evitar a veiculação de panfletos eleitorais e/ou discursos de ódio antipetista. Ledo engano. Hoje, tive mais uma péssima experiência de verificar a rápida perda de sua credibilidade — e que mais adiante significará a não renovação de sua assinatura.

Há uma boa notícia (escondida em um pequeno canto inferior de página interna) que deveria estar em manchete, pois era a principal meta simbólica do programa de governo eleito em 2003: Programa Fome-Zero. Lembro-me que, antes, eu dava aula explicando aos meus alunos a diferença entre pobres e indigentes: estes brasileiros não tinham renda nem para se alimentar, diariamente, atendendo as necessidades mínimas nutricionais.

Cristiano Zaia (Valor, 17/09/14) informou que “o Brasil reduziu a proporção de cidadãos que passam fome para 1,7% da população, ou 3,4 milhões de habitantes em 2014. Com isso, o país superou o problema da pobreza extrema. A avaliação é do relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo“, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Na classificação da entidade, nações com menos de 5% da população com fome superaram a pobreza em termos estruturais.

Segundo a entidade, o Brasil é um dos países de maior destaque entre o grupo de 63 nações em desenvolvimento que atingiram a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas subnutridas até 2015. Continuar a ler