Ônus Demográfico

Envelhecimento Populacional

Ao contrário da maioria dos demógrafos, que apontam a continuidade do bônus demográfico nos próximos anos para o Brasil, Flávia Lima (Valor, 07/08/14) informa que, nas próximas duas décadas, o crescimento econômico de um conjunto de países será reduzido por um fator demográfico comum a todos eles: o envelhecimento populacional. Estudo da Moody’s indica que “a redução da população em idade ativa e o declínio das taxas de poupança, com a consequente queda do investimento dos países, devem impor restrições importantes à expansão de economias desenvolvidas e emergentes.” Mais uma estupidez de uma das desmoralizadas agências de classificação de risco: Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’sÉ um risco acreditar nelas!

No caso, a analista infeliz só aponta o ônus demográfico, devido ao envelhecimento, porém não considera a queda da Taxa de Dependência (% inativos/ativos), dado que a taxa de natalidade cai relativamente mais, decrescendo o número de crianças até 15 anos, cujas menores despesas em educação compensarão a elevação das despesas com saúde dos mais velhos acima de 65 anos. Com o aumento da sobra de renda familiar e a necessidade de Previdência Complementar preventiva, dada a maior longevidade, as aplicações financeiras e o funding disponível para lastrear financiamentos aumentarão! Até hoje a Moody’s não jogou o conceito de poupança na lata de lixo do pensamento econômico… O envelhecimento tem provocado maior acumulação de ativos financeiros por parte de pessoas que viverão mais. Continuar a ler

Caro Fernando Haddad (por Antônio Prata)

Espírito Paulistano

“Quem te escreve aqui é Espírito Paulistano. O senhor não me conhece, como deixa claro a sua rejeição por 47% dos motoristas, quero dizer, dos cidadãos de nossa pujante metrópole. Não votei no senhor, mas tampouco me apavorei com a sua vitória. Apesar de vir do PT, o senhor aparenta ser de boa família, tem essa pinta de pai em propaganda do Itaú Personnalité, chama-se Fernando e traz o sobrenome Haddad, que me remete ao Maluf, ao Kassab, ao Habib’s: três marcas das quais São Paulo pode se orgulhar. Desde que assumiu a prefeitura e começou com as faixas de ônibus, contudo, percebi que por trás da pinta Personnalité se escondia um administrador démodé. Continuar a ler

Mercado Consumidor formado pelas Classes D e E no Brasil

Renda nos domicílios mais pobres 2004-2012

Camilla Veras Mota (Valor, 21/07/14) informa que o mercado consumidor formado pelas classes D e E no Brasil tem chamado cada vez mais atenção do setor produtivo. Em 2012, a massa de rendimento das famílias que formam a base da pirâmide no país chegou a R$ 21,1 bilhões, valor 83,4% maior do que em 2004, já descontada a inflação no período. O aumento levou a participação do grupo no total da massa entre as classes de 10,8% naquele ano para 12,4%.

No recorte por domicílio, a renda entre os 40% mais pobres aumentou 51%, contra 31,3 % da média nacional. O valor bruto da média mensal, que chegou a R$ 841, ainda é considerado baixo se comparado às medidas internacionais de desenvolvimento humano. O volume de recursos disponível para consumo, porém, é cada vez menos desprezível para algumas empresas. Por isso, setores como os de alimentos e serviços, inclusive o financeiro, já desenham políticas específicas para vender para esse público. Continuar a ler

Mobilidade Social no Nordeste

Transformação da renda

Camilla Veras Mota (Valor, 21/07/14) informa que a classe média está ultrapassando o total de pobres e vulneráveis na única região do país em que ela ainda não era maioria. No Nordeste, segundo levantamento da consultoria Plano CDE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, a classe C conta com 23,9 milhões de pessoas e há outros 23,7 milhões entre a D e E. Apesar de o primeiro grupo ser ligeiramente maior, ambos representam 45% da população.

Com essa estrutura, a pirâmide de renda da região, semelhante à do Brasil em 2004 – quando tanto a classe C quanto a D e E representavam cerca de 42% do total -, encontra mais espaço para o desenvolvimento social e uma consequente expansão do consumo. No Sudeste, por exemplo, 54% estão na classe média e 17% na baixa renda.

O Nordeste assistiu à diminuição significativa de sua população pobre nos últimos dez anos. Entre 2001 e 2012, o ganho de renda das famílias, mais expressivo entre as classes D e E, reduziu a participação da chamada base da pirâmide de 66% para 45% dos nordestinos. A tendência de crescimento real da renda entre os domicílios mais pobres da região indica que esse movimento deve continuar nos próximos anos.

O país passou por uma dinâmica semelhante, mas a “virada” aconteceu antes. Os dados da Pnad de 2012 apontam que pouco mais de 50% dos brasileiros fazem parte da classe média. Há outros 25% na classe baixa e 21% de ricos. Continuar a ler

Relatório sobre a Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira

Composição percentual da renda monetária das famílias brasileiras 2008-09

Recomendo a leitura do artigo do Nelson Barbosa no Brasil DebatePara Conhecer Melhor a Distribuição de Renda e Riqueza no País.

Ele informa que o Deputado Claudio Puty (PT/PA) apresentou uma proposta de lei para criação do Relatório sobre a Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira com periodicidade anual. Veja aqui a íntegra da proposta e acompanhe sua tramitação na página da Câmara dos Deputados.

Caso aprovado, o PL de iniciativa do Deputado Puty aumentará, em muito, o conhecimento da sociedade brasileira sobre si mesma, o que, por sua vez, auxiliará o Poder Executivo e o Congresso na construção e acompanhamento da política econômica, sobretudo da tributação pessoal e das transferências de renda às famílias.

Esta é, exatamente, a demanda que fiz em Entrevista à CartaCapital em 16/11/2012.

Concentração da Riqueza Pessoal em São Paulo

No andar de cimaConcentração de riqueza SP 2000Concentração de riqueza SP 2010Áreas de atuação do 1pc mais rico

Vanessa Correa (FSP, 03/08/14) afirma que as pessoas ricas estão cada vez mais ricas em São Paulo. Se o seleto grupo do 1% mais endinheirado da população já embolsava R$ 13 em cada R$ 100 ganhos na cidade em 2000, dez anos depois sua renda deu um salto: passou a abocanhar R$ 20 em cada R$ 100 do montante arrecadado – vindo de salários, aluguéis e investimentos.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito da prefeitura que compara os dois últimos Censos do IBGE (2000 e 2010).

No mesmo período, outras camadas da população, como os 50% de menor renda, não experimentaram prosperidade parecida. Embora estejam ganhando mais hoje, a participação deles no “ordenado paulistano” ficou praticamente estagnada, passando de R$ 11,65 para R$ 10,57 em cada R$ 100.

Para fazer parte do 1% mais rico, é preciso ter uma renda individual de ao menos R$ 15 mil. Essa fatia acomoda pouco mais de 100 mil pessoas, entre empresários, altos executivos, profissionais liberais e gestores do próprio patrimônio. A população atual de São Paulo é de 11,8 milhões. Continuar a ler

Estabilidade

Rotatividade mão de obra

Os neoliberais que permanecem com o diagnóstico de “pleno-emprego” e pregam a necessidade do candidato da oposição ganhar para tomar medidas impopulares, como eliminar a política de aumento do salário mínimo real, necessitam rever sua análise conjuntural. A taxa de inflação em julho de 2014 ficou em 0,01%, demonstrando que a inflação está inteiramente sob controle, ao contrário do que os “analistas oposicionistas” dizem. Estão errando feio…

Camilla Veras Mota e Tainara Machado (Valor, 21/07/14) informam que o esfriamento das contratações de empregados com carteira assinada desde o fim do ano passado começa a ter reflexos negativos sobre o ritmo de avanço da renda. No segundo trimestre, o salário médio real dos admitidos no mercado formal foi 1,2% maior do que aquele pago aos contratados no mesmo período do ano passado, metade do avanço observado entre janeiro e março deste ano, de 2,4%, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deflacionados pela LCA Consultores.

Com a redução do ritmo de crescimento dos salários de admissão, a diferença de remuneração em relação aos demitidos aumentou no período, o que para economistas mostra um mercado de trabalho menos apertado, em que:

  1. as empresas têm mais facilidade para substituir mão de obra mais cara por mais barata, e
  2. o poder de barganha do trabalhador por salários mais altos cai.

Continuar a ler