Fim da Pirâmide Populacional Brasileira

Fim da Pirâmide Populacional Brasileira

Ribamar Oliveira (Valor, 17/05/13) informa que o déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) vai cair nos próximos anos e atingir o seu menor nível em 2016, quando ficará em 0,23% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, a partir daí, voltará a subir de forma continuada até superar 3% do PIB em 2040 e 5,6% do PIB em 2050. Essas projeções fazem parte do mais recente estudo feito pelo Ministério da Previdência Social, encaminhado ao Congresso Nacional, junto com o projeto de lei de diretrizes orçamentárias (LDO) para 2014.

A forte queda nas taxas de fecundidade que se verifica no país levará a um rápido envelhecimento da população brasileira e a uma redução acentuada da participação dos jovens no total, observa o estudo. Esses problemas são agravados, alertam os autores, pela prodigalidade do plano de benefícios e pela baixa cobertura previdenciária. Essa realidade, segundo o texto, vai criar “grandes pressões por mudanças nas políticas públicas de forma geral e especialmente na previdenciária”.

Continuar a ler

Trabalhadores Domésticos

Custo Mensal de Empregada Doméstica

Julian Sweig (FSP, 08/05/13) publicou artigo informativo sobre tema caro à classe média brasileira: o novo custo de contratação de empregada doméstica no Brasil, comparado à situação norte-americana.

“Quando os brasileiros dizem que a nova lei dos trabalhadores domésticos acabará tornando o Brasil mais parecido com os EUA, eles querem dizer que ter babás, cozinheiras e empregadas, às vezes mais de uma ao mesmo tempo, logo será luxo acessível só a pessoas muito ricas.

Nos EUA, famílias de classe média alta ou cujos membros exercem atividades remuneradas geralmente podem pagar alguém para limpar a casa uma ou duas vezes por semana e talvez lavar roupas também.

Babás nos EUA também cozinham e fazem limpeza, mas para pagar uma, que custa de US$ 3.000 a US$ 4.000 por mês ou mais, é necessário que o casal trabalhe ou que um deles tenha alta renda.

Continuar a ler

Seminário CGEE-IE-UNICAMP – Aspectos Sociais do Desenvolvimento Brasileiro

Seminário CGEE-IE-UNICAMP 070513  VejaProgramação Seminário Plataforma Política Social – 7 a 9 de maio de 2013

Veja transmissão online:

Expansão da Classe Média pelo Mundo

Expansão da Classe Média pelo Mundo

Érica Fraga (FSP, 14/04/13) informa que a ascensão da classe média de renda – em termos nominais, entre R$ 240 e R$ 780 mensais per-capita, ou R$ 940 a R$ 3.120 como renda familiar, mas medido em PPC (Paridade de Poder de Compra) –  nas últimas décadas não foi um fenômeno exclusivo do Brasil. O movimento foi verificado em todo o mundo emergente e liderado, principalmente, pela Ásia. Essa tendência é considerada possível tábua de salvação para a economia global. Mas existe preocupação sobre possíveis riscos de reversão, já que muitos dos novos consumidores permanecem próximos da pobreza.

Continuar a ler

Mobilidade Social nas Favelas

Favelados

Paola de Moura (Valor, 20/02/13) informa que “a maior parte da população que vive em favelas no Brasil ascendeu à classe média”. Dados da pesquisa “As favelas brasileiras, um mercado de R$ 56 bilhões “, divulgados pelo Data Favela, mostram que, em 2011, 65% dos moradores das comunidades pertenciam à classe média. Em 2002 o percentual era de 37%. No país, no mesmo período, a classe média saiu de 38% para 52% da população. Houve claramente nas comunidades uma expansão maior dessa faixa de renda em comparação ao resto do país.

A Classe Média vai ao Paraíso… do Consumo

Gastos da Classe Média

Segundo Francine De Lorenzo (Valor, 04/02/13), a nova classe média, nos últimos anos, está mudando o perfil do consumo no Brasil. “De 2002 a 2012, a classe média brasileira ganhou 37 milhões de novos participantes, pessoas que deixaram de apenas sobreviver para se tornarem consumidores. Esse fenômeno, que elevou de 38% para 52% a participação da classe C na pirâmide social do país, ampliou a demanda por serviços em cerca de 33%, segundo levantamento do Data Popular. Uma década atrás, a classe média gastava 49,7% de sua renda com serviços. Neste ano, a expectativa é que tais despesas cheguem a 66,3% dos rendimentos.”

“Os fartos reajustes no salário mínimo, o aumento e a formalização do emprego nos últimos anos levaram a esse cenário”, diz o sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles. Entre 2002 e 2012, o salário mínimo subiu 172,5%, superando de longe a inflação no período, de 76,6%. O resultado foi um ganho real de 54,3% nesse intervalo, o que influenciou os acordos salariais, principalmente das categorias de menor rendimento.

A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostra que, de 2007 para 2011, o aumento salarial real dos 20% da população com menor renda foi de 36,8%, ao passo que o reajuste para os 10% mais abonados foi de 7,9%. Ou seja, quanto menor o salário, maior o reajuste.

Paralelamente ao avanço do rendimento, o país presenciou a queda no desemprego, com a taxa de desocupação passando de 9,3% para 6% nesse mesmo intervalo. Em 2012 esse percentual foi ainda mais baixo: 5,5%.

Continuar a ler

“Pleno Emprego” e Crescimento do Rendimento Médio X Baixo Crescimento da Renda Nacional

Captura de Tela 2013-02-04 às 11.38.04Captura de Tela 2013-02-04 às 11.38.35Captura de Tela 2013-02-04 às 11.39.23Captura de Tela 2013-02-04 às 11.40.09Captura de Tela 2013-02-04 às 11.41.29

Tem intrigado analistas o aparente paradoxo da redução da taxa de desemprego brasileira em quadro de desaceleração da atividadeDois importantes fatores ajudam a clarear esse debate, segundo Caio Machado (FSP, 01/02/13), economista da LCA Consultores.

Primeiro, enquanto o PIB da indústria de transformação recuou 2,6% em 2012 nas estimativas da LCA, o de serviços e comércio subiu 1,8%. Essa alta ajudou a impulsionar a demanda por mão de obra em um setor trabalho-intensivo que apresenta menor dificuldade para repassar aumentos de custos. Os números do Caged são a base empírica desse diagnóstico: a geração de empregos foi significativamente maior nas faixas salariais de até dois salários mínimos, que concentram ocupações no comércio varejista e serviços pessoais.

Uma segunda explicação é que o ajuste da menor produção da indústria ocorreu por meio de férias coletivas e de redução de turnos. Em razão dos custos de demissão e da dificuldade em conseguir mão de obra qualificada, as empresas preferiram reter os trabalhadores.

Continuar a ler

Proprietários do Brasil

Captura de Tela 2013-02-01 às 08.55.44

Quando usei o título “Brasil dos Bancos“, para meu livro publicado pela Edusp, em junho de 2012, não sabia da existência de um site intitulado Proprietários do Brasil.

Leia sua apresentação:

Qual é a estrutura de poder econômico dos grupos privados que atuam no país?

Quais são os atores que acumulam maior poder nesta estrutura, e qual a relação entre os mesmos?

Qual o grau de influência desta estrutura de poder, invisível, sobre as decisões do Estado quanto ao rumo do desenvolvimento e as políticas econômicas?

Como o Estado se relaciona e alimenta esta estrutura de poder e quais as contrapartidas desta relação para o bem-estar da sociedade?

É com o objetivo de responder a estas e a outras perguntas que construímos o ranking “Proprietários do Brasil”.

Continuar a ler

Radical Classe Média (por Daniel Menezes)

classe_media_sieber_01

Daniel Menezes escreveu um post Sobre o Radical Classe Média. Agradou, pois ele me foi enviado por meu ex-orientando Giovani Damiano.  As charges de Miguel Paiva, denominadas de Radical Chic (veja abaixo), tinham um humor mais sutil sobre as feministas radicais ma non tropo. Abaixo, a classe média (e alta) brasileira, isto é, aquela diferenciada de “os outros” ou “o homem ao lado”, está caricaturada com mais mau humor, destilando raiva a respeito do antagonismo social. É bastante distinta da posição conformista que está na antiga expressão popular europeia: “Louvo todos os deuses, bebo meu vinho, e deixo o mundo ser o mundo…

“Há uma figura pitoresca que costuma habitar a classe média tradicional brasileira. Ela pode ser encontrada na universidade, nos protestos políticos, nos shoppings centers, na high society, entre os mais escolarizados, tanto nos movimentos de esquerda, como nos de direita. Na verdade, é uma radicalização da visão específica de uma classe. Vou expor algumas de suas características.

Vale lembrar que o modo de vida apontado abaixo é um tipo idealizado do caráter do “Radical Classe Média”, podendo, portanto, uma pessoa comum reunir uma maior ou menor quantidade de tais inclinações, se associar intensamente ou dissociar do modelo.

Continuar a ler

Redistribuição de Renda com a Prioridade Social

Captura de Tela 2013-02-04 às 08.48.30Captura de Tela 2013-02-04 às 08.47.49

Captura de Tela 2013-02-04 às 08.49.24

No afã de “dar um pio”, isto é, atuar como militante do PIO (Partido da Imprensa Oposicionista), Gustavo Patu (FSP, 03/02/13) denuncia “o excesso de gastos sociais”!

Diz ele: “com o impulso do reajuste do salário mínimo e da reformulação do Bolsa Família, os programas sociais de transferência de renda alcançaram peso inédito no gasto público e na economia do país. Recursos pagos diretamente a famílias representaram mais da metade – exatos 50,4% – das despesas do governo federal no ano passado, excluídos da conta os encargos da dívida pública.”

Ressalvo que esse montante de juros, i.é, os encargos da dívida pública, baixou para 4,85% do PIB, em 2012, o menor patamar da série histórica do Banco Central retroativa a 2001. Dados recém-apurados da execução orçamentária mostram que o montante de gastos sociais chegou a R$ 405,2 bilhões, distribuídos entre o Regime Geral de Previdência, o Amparo ao Trabalhador e a Assistência. Trata-se de 9,2% do PIB, ou seja, da renda nacional. Isto se chama redistribuição de renda - e é bom!

Continuar a ler

Crescimento Real do Salário Mínimo

Captura de Tela 2012-12-27 às 08.52.20 Fonte: FSP, 24/12/12

A política de crescimento real do salário mínimo, adotada desde 1995, mas intensificada após 2003, talvez seja um dos principais fatores responsáveis pela melhoria da distribuição da renda do trabalho. A elevação do piso básico em ritmo superior ao da taxa de crescimento dos salários superiores, embora as variações nominais destes sejam muito maiores, muda a participação relativa na renda assalariada e, como é referência para aposentadorias e trabalhos informais, retirou o País daquele posto vergonhoso que ele ostentava até o fim dos anos 90: a segunda pior concentração de renda do mundo!

Aparente Contradição: Crescimento Baixo do Valor Agregado e Queda da Taxa de Desemprego

Baixos Crescimento e Desemprego Fonte: FSP, 23/12/12

Uma observação sobre o ineditismo histórico da situação econômica atual do Brasil: está com crescimento de um “pibinho”, mas com baixo desemprego, melhoria do rendimento real dos trabalhadores e melhor distribuição de renda. Usufrui já do bônus demográfico. Será válida a hipótese de que se PIB = VA = L + J + A + W, as duas últimas rendas (A + W: Aluguéis e Salários) subiram enquanto L + J (Lucros e Juros) caíram em termos relativos? Sugiro aos econometristas testarem a hipótese.

Pergunta-chave: a quem interessa o “pibão”, se não há desemprego e concentração de renda? Se a resposta for para aumento dos lucros e juros recebidos pelos empresários e rentistas, então, que eles virem empreendedores com investimentos produtivos!

Quanto aos investimentos de longo prazo de maturação das empresas estatais, há o ganho fiscal em curto prazo, decorrente da pequena expansão do produto e da renda da economia, não entrando em depressão neste contexto internacional desfavorável, mas o maior ganho fiscal será em longo prazo, resultante do fato de que a capacidade produtiva da economia será maior nos próximos anos, viabilizando o crescimento da demanda sem pressão inflacionária, maior Produto Interno Bruto (PIB) e arrecadação fiscal mais elevada.

Captura de Tela 2012-12-27 às 09.44.44 Fonte: FSP, 26/12/12

Observação: o PIB PPC (ou PPP em inglês) refere-se ao poder de compra internacional, caso seja medido em dólares. Como a renda per capita em dólares não se dirige apenas às compras de tradables ou commodities internacionais importadas, mas mais a bens e serviços comercializáveis no mercado interno, não se deve deixar enganar pelas aparências: o poder de compra médio em moeda nacional pode ter se elevado, embora medido em moeda internacional possa ter caído, devido à depreciação cambial.

Captura de Tela 2013-01-12 às 11.38.58