PNAD 2013: Mercado de Trabalho e Condições de Vida no País

Índice de Gini 2001-2013

Correção (leia abaixo):

Índice de Gini 2001-2013 Corrigido

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013 mostrou que a população do país foi estimada em 201,5 milhões de pessoas, sendo 51,5% de mulheres, 46,1% de brancos e 37,6% de pessoas de 40 anos ou mais de idade. Em 2013, observou-se que as pessoas de 40 a 59 anos eram as mais representativas entre os migrantes tanto em relação ao município (33,8%) quanto à unidade da federação (35,6%). A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade ficou em 8,3%, o que corresponde a 13,0 milhões de pessoas.

A população desocupada cresceu 7,2% em relação a 2012, e a ocupada cresceu 0,6%. A taxa de desocupação se elevou de 6,1% para 6,5% em 2013 (foi o ano com a segunda menor taxa na série harmonizada de 2001 a 2013). O trabalho com carteira assinada, no entanto, continuou a crescer, subindo 3,6% em relação a 2012 e abrangendo 76,1% dos empregados do setor privado. O trabalho das crianças e adolescentes recuou 12,3% em relação a 2012, o equivalente a menos 438 mil crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos no mercado de trabalho.

O país registrou aumento real de 2012 para 2013 no rendimento mensal domiciliar (de R$ 2.867 para R$ 2.983), de todos os trabalhos (de R$ 1.590 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.516 para R$ 1.594). As medidas de distribuição de renda (índices de Gini) ficaram praticamente estáveis em todas as comparações com o ano anterior, mas melhoraram em relação a 2004. Todas as categorias de emprego obtiveram ganhos reais de rendimento do trabalho principal em 2013, sendo o mais expressivo entre trabalhadores sem carteira (10,2%).

O número de domicílios particulares permanentes no país foi estimado em 65,1 milhões em 2013, 85,3% deles com rede de água, 64,3% com rede de esgoto, 89,8% com coleta de lixo, 99,6% com iluminação elétrica e 92,7% com telefone. O percentual de domicílios que tinham computador com acesso à Internet aumentou para 43,1%. Cerca de 86,7 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet no período de referência dos últimos três meses em 2013, 50,1% do total nessa faixa etária.

A pesquisa traz também uma série de resultados harmonizados, de 2001 a 2013 (que exclui as áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá), na qual é possível constatar redução nas taxas de analfabetismo (de 12,4% em 2001 e para 8,2% em 2013) e de desocupação (de 9,4% para 6,6%), além de aumento no percentual de empregados com carteira de trabalho assinada (de 55,3% para 65,2%) e no rendimento mensal real de trabalho (de R$ 1.300 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.315 para R$ 1.594).

A PNAD é realizada pelo IBGE desde 1967 e apresenta informações sobre população, migração, educação, trabalho, rendimento e domicílios para Brasil, grandes regiões, estados e regiões metropolitanas. Os resultados de 2001 a 2012 (reponderados com base na última projeção de população) e os de 2013 estão disponíveis no endereço www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2013.

No dia seguinte, o IBGE veio a público, por meio de uma nota, informar que foram verificados erros nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, após a sua divulgação, na véspera (18/09/2014).

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Superação do Problema da Pobreza Extrema X Panfletagem Antipetista

Fome na África

Neste ano, deixei de assinar a versão impressa da Folha de S.Paulo, que assinava desde o início dos anos 80, porque não suportava mais ler a panfletagem direitista de seus colunistas. Leio a versão digital, no iPad, porque é mais rápido ler apenas as notícias, não desviando minha atenção para as manchetes escandalosas com denúncias vazias. Percebi que meu humor melhorou.

Ainda mantive a assinatura do jornal Valor Econômico, achando que, devido a seu público-alvo ser mais restrito, ele teria maior responsabilidade em evitar a veiculação de panfletos eleitorais e/ou discursos de ódio antipetista. Ledo engano. Hoje, tive mais uma péssima experiência de verificar a rápida perda de sua credibilidade — e que mais adiante significará a não renovação de sua assinatura.

Há uma boa notícia (escondida em um pequeno canto inferior de página interna) que deveria estar em manchete, pois era a principal meta simbólica do programa de governo eleito em 2003: Programa Fome-Zero. Lembro-me que, antes, eu dava aula explicando aos meus alunos a diferença entre pobres e indigentes: estes brasileiros não tinham renda nem para se alimentar, diariamente, atendendo as necessidades mínimas nutricionais.

Cristiano Zaia (Valor, 17/09/14) informou que “o Brasil reduziu a proporção de cidadãos que passam fome para 1,7% da população, ou 3,4 milhões de habitantes em 2014. Com isso, o país superou o problema da pobreza extrema. A avaliação é do relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo“, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Na classificação da entidade, nações com menos de 5% da população com fome superaram a pobreza em termos estruturais.

Segundo a entidade, o Brasil é um dos países de maior destaque entre o grupo de 63 nações em desenvolvimento que atingiram a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas subnutridas até 2015. Continuar a ler

Mito IV do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Pleno-Emprego”

 

Projeção da População Brasileira 2000-2050Projeção da Taxa de Crescimento da População Brasileira 2001-2050Comportamento das variáveis do mercado de trabalho

Dando sequência à análise dos falsos “mitos” que aparecem no debate econômico pré-eleitoral, depois de publicar o Mito I – Modelo de Crescimento pelo Consumo, o Mito II – Inflação Alta e Descontrolada e o Mito III do Debate Econômico Pré-Eleitoral: Finanças Públicas Descontroladas apresentamos o quarto: os economistas oposicionistas, baseados apenas em pontos de estragulamentos na contratação de mão-de-obra especializada em alguns setores de atividade, p.ex., construção civil, especialmente de engenheiros, passaram a levantar a hipótese de que a economia brasileira atingiu o pleno-emprego, buscando criar o ambiente favorável para uma política de ajuste recessivo. “Esta é uma situação que não há como escapar”, dizem. Com a elevação do desemprego, os custos salariais das empresas abaixariam por causa da perda de poder de barganha dos sindicatos.

Porém, a verdade é nem-nem: nem a economia está em pleno-emprego, nem necessita de ajuste fiscal-monetário recessivo! O que ocorre é uma mudança estrutural demográfica, assunto que os hiper-especialistas desconhecem…

Camilla Veras Mota (Valor, 10/09/14) informa que o aumento da taxa de desemprego previsto desde o ano passado pelo mercado tem contornado as expectativas e deve chegar com quase um ano de “atraso”. Para Sonia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), mais do que os sinais visíveis de esgotamento do mercado de trabalho, já é possível enxergar quais segmentos da população deverão pressionar o indicador nos próximos meses.

No estudo “Demografia e Mercado de Trabalho: o que Explica o Declínio da Desocupação no Brasil?“, as mulheres e os jovens “nem-nem” – aqueles que não estudam nem trabalham – aparecem entre os grupos cuja participação no mercado de trabalho caiu de maneira mais significativa entre 2005 e 2012. Quando a desaceleração do aumento da renda comprometer o pagamento das despesas das famílias, diz, eles serão os primeiros a voltar em busca de uma vaga.  Continuar a ler

Fontes Passionais da Violência

Mideast Israel Palestinians

Aprecio muito os artigos de Jorge Felix. Já compartilhei alguns neste modesto blog. Desta vez (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 01/08/14) escreve a respeito da violência contemporânea. No ano passado, li um dos grandes lançamentos recentes — Os Anjos Bons da Natureza de autoria de Steve Pinker (rivaliza em importância – e tamanho – com o monumental Longe da Árvore de autoria de Andrew Solomon) que trata da Lógica da Violência. Pinker defende uma tese inusitada: a violência tem diminuído ao longo do tempo. Nunca vivemos em um mundo tão pacífico como o atual! Comparando com o que já foi o mundo, no passado, houve progresso…

Portanto, não seria para se impressionar tanto com um caso de justiçamento entre tantos fatos randômicos, para usar a palavra da modernidade cibernética, que desfilam diante de nós como um catálogo de episódios de violência. Seu particular entre tantos outros noticiados todos os dias à exaustão pela mídia é a figura da multidão com sede vingança. Foi escrito “justiça com as próprias mãos”. Mas não é isso. Justiça, como preza da Filosofia do Direito, é algo impessoal, regulado por um estatuto, por agentes de um Estado democraticamente instituído. Havia algo na mente das pessoas que fazem justiçamento ou linchamento, que as faz acreditar na hipótese de uma violência legitimada pela revolta.

Que sentimento é esse? É ele o responsável pela onda de violência dos nossos dias? Quanto de humano, de individual, de pessoal abarca a cota de violência do nosso tempo? Um grupo de acadêmicos, intelectuais e pesquisadores está intrigado em responder a essas e outras questões inquietantes da morfologia da violência do século XXI. Se as guerras entre palestinos e israelenses ou entre russos e ucranianos mundializam o problema, por outro lado, os esquartejamentos, os casos como o do menino Bernardo ou o fato de um médico e de um enfermeiro assistirem, na porta de um hospital, à morte de um homem passando muito mal sem prestar socorro emprestam um componente pulsional a esses crimes. Do dia 14 de agosto até 8 de outubro de 2014, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, o grupo debaterá o tema, em 22 conferências, na 8ª edição do ciclo Mutações, tradicional evento criado pelo filósofo Adauto Novaes. Neste ano, o tema é Fontes Passionais da Violência.

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Ônus Demográfico

Envelhecimento Populacional

Ao contrário da maioria dos demógrafos, que apontam a continuidade do bônus demográfico nos próximos anos para o Brasil, Flávia Lima (Valor, 07/08/14) informa que, nas próximas duas décadas, o crescimento econômico de um conjunto de países será reduzido por um fator demográfico comum a todos eles: o envelhecimento populacional. Estudo da Moody’s indica que “a redução da população em idade ativa e o declínio das taxas de poupança, com a consequente queda do investimento dos países, devem impor restrições importantes à expansão de economias desenvolvidas e emergentes.” Mais uma estupidez de uma das desmoralizadas agências de classificação de risco: Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’sÉ um risco acreditar nelas!

No caso, a analista infeliz só aponta o ônus demográfico, devido ao envelhecimento, porém não considera a queda da Taxa de Dependência (% inativos/ativos), dado que a taxa de natalidade cai relativamente mais, decrescendo o número de crianças até 15 anos, cujas menores despesas em educação compensarão a elevação das despesas com saúde dos mais velhos acima de 65 anos. Com o aumento da sobra de renda familiar e a necessidade de Previdência Complementar preventiva, dada a maior longevidade, as aplicações financeiras e o funding disponível para lastrear financiamentos aumentarão! Até hoje a Moody’s não jogou o conceito de poupança na lata de lixo do pensamento econômico… O envelhecimento tem provocado maior acumulação de ativos financeiros por parte de pessoas que viverão mais. Continuar a ler

Caro Fernando Haddad (por Antônio Prata)

Espírito Paulistano

“Quem te escreve aqui é Espírito Paulistano. O senhor não me conhece, como deixa claro a sua rejeição por 47% dos motoristas, quero dizer, dos cidadãos de nossa pujante metrópole. Não votei no senhor, mas tampouco me apavorei com a sua vitória. Apesar de vir do PT, o senhor aparenta ser de boa família, tem essa pinta de pai em propaganda do Itaú Personnalité, chama-se Fernando e traz o sobrenome Haddad, que me remete ao Maluf, ao Kassab, ao Habib’s: três marcas das quais São Paulo pode se orgulhar. Desde que assumiu a prefeitura e começou com as faixas de ônibus, contudo, percebi que por trás da pinta Personnalité se escondia um administrador démodé. Continuar a ler

Mercado Consumidor formado pelas Classes D e E no Brasil

Renda nos domicílios mais pobres 2004-2012

Camilla Veras Mota (Valor, 21/07/14) informa que o mercado consumidor formado pelas classes D e E no Brasil tem chamado cada vez mais atenção do setor produtivo. Em 2012, a massa de rendimento das famílias que formam a base da pirâmide no país chegou a R$ 21,1 bilhões, valor 83,4% maior do que em 2004, já descontada a inflação no período. O aumento levou a participação do grupo no total da massa entre as classes de 10,8% naquele ano para 12,4%.

No recorte por domicílio, a renda entre os 40% mais pobres aumentou 51%, contra 31,3 % da média nacional. O valor bruto da média mensal, que chegou a R$ 841, ainda é considerado baixo se comparado às medidas internacionais de desenvolvimento humano. O volume de recursos disponível para consumo, porém, é cada vez menos desprezível para algumas empresas. Por isso, setores como os de alimentos e serviços, inclusive o financeiro, já desenham políticas específicas para vender para esse público. Continuar a ler