Economia do Compartilhamento

Economia do Compartilhamento

Em complemento ao post anterior, Vida Simples, compartilho uma reportagem sobre inovações no estilo de vida contemporâneo, pós-CGC (Crise Geral do Capitalismo) e pós-TIC (Tecnologia de Informações e Comunicações).

Alexandre Rodrigues (Valor, – Eu&Fim-de-Semana, 25/07/14) informa que cento e vinte mil turistas viajaram pelo Brasil sem um hotel onde ficar durante a Copa do Mundo, segundo o Airbnb, site de hospedagens americano. No caso de muitos turistas, não foi acertada pela rede hoteleira, mas justamente por meio do Airbnb, que opera no Brasil desde 2012.

Esquemas de compartilhamento como o Airbnb criaram uma economia em áreas que pouco haviam sido monetizadas antes. Nas sombras da economia formal, transações de pessoa para pessoa, chamadas de P2P (sigla em inglês para de Pessoa para Pessoa), já movimentam US$ 3,5 bilhões por ano nos Estados Unidos, segundo a consultoria americana Gartner. No país, envolvem não apenas hospedagem como compartilhamento de carros, pequenos trabalhos e aluguel de ferramentas, roupas e praticamente qualquer objeto.

Em essência, essa economia de pequenos serviços não é muito diferente do que ocorria quando alguém oferecia serviços em um mural ou emprestava algo a conhecidos. Mas o surgimento dos smartphones, combinado com a internet, tornou mais fácil contratá-los. Mapas e GPS permitem encontrar um táxi, uma furadeira ou um apartamento para alugar. Redes sociais e recomendações dos usuários ajudam a estabelecer confiança e os pagamentos on-line evitam calotes. Continuar a ler

Ondas de Inovações Tecnológicas

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[image]Timothy Aeppel (The Wall Street Journal, 20/06/2014) escreveu reportagem a respeito do futuro da inovação e do crescimento, sobre o qual Robert Gordon (dir.) e Joel Mokyr estabelecem um confronto entre um pessimista e um otimista.

Robert Gordon, um economista de 73 anos, acredita que os bons tempos já passaram. Depois de um século de inovações revolucionárias que geraram crescimento, o progresso humano está ficando cada vez mais lento, diz. Já o também economista Joel Mokyr, que tem 67 anos, imagina o surgimento de uma nova era de invenções, inclusive terapias genéticas para prolongar a vida e sementes milagrosas que podem alimentar o mundo sem a necessidade de fertilizantes.

Os dois conceituados colegas, que há 40 anos são professores na Universidade Northwestern, no Estado americano de Illinois, representam polos opostos do debate sobre o futuro da economia do século XXI:

  • de um lado, rápida inovação liderada pela manufatura robótica, impressão em 3-D e computação em nuvem;
  • do outro, anos de perdas de empregos, salários estagnados e desigualdade crescente.

As visões divergentes são mais que acadêmicas. Para muitos americanos, a recessão trouxe o desemprego e deprimiu salários e o preço dos imóveis. A questão, hoje, é se os tempos duros chegaram para ficar. A resposta depende de a quem você pergunta. Continuar a ler

Legado da Copa: Tecnologia

alemanha-inglaterra-neuer-gol-linha-480-gettyBola entrou ou nãofifa_escolhe_empresa_alema_para_fornecer_tecnologia_da_linha_do_gol_242013-161430-1fifa-gol-tecnologia-site.jpg3Goal Control

Gustavo Brigatto e Tom Cardoso (Valor, 24/06/14) informam que quando o juiz não deu o gol marcado por seu time em um jogo da segunda divisão do campeonato alemão em 2009, Dirk Broichhausen ficou enfurecido e reclamou como todo fã do esporte. Mas a indignação de Broichhausen com o lance não ficou restrita às discussões com os amigos.

No dia seguinte ele procurou os engenheiros da Pixargus, companhia especializada na análise de superfícies por meio de imagens, na qual ele trabalhava como vice-presidente de vendas, e perguntou se seria possível desenvolver uma tecnologia capaz de detectar se a bola entrou ou não no gol e fazer um tira-teima em tempo real. Após pensar um pouco eles deram a resposta: difícil, mas não impossível. Nascia aí a GoalControl, subsidiária da Pixargus direcionada ao mercado de futebol que fornece a Tecnologia de Linha de Gol, ou TLG, da Copa no Brasil – a primeira Copa, dentre as 20 que a Fifa já fez, a usar esse tipo de sistema. Continuar a ler

Skype Translator

Tradutor simultâneo do Skype

Depois de superar um grande engarrafamento de trânsito em São Paulo, participei de um debate virtual na Fundação Perseu Abramo sobre “Democracia Econômica: Alternativa Robin Hood”. Sem plateia presencial, no entanto, atingiu cerca de 500 expectadores em uma manhã de sexta-feira, dia útil. O interessante é que a outra debatedora, Alessandra Nilo, jornalista e ativista de direitos humanos, falou diretamente de Pernambuco de maneira clara e com visualização perfeita. O uso massivo de video-conferências está sendo um grande avanço em militância virtual, ultrapassando largamente um pequeno público local de “Núcleos de Base” para atingir militantes e/ou expectadores em escala nacional. E por que não? brevemente, em escala mundial!

Leia a notícia abaixo a respeito que possibilitará grande economia de tempo e dinheiro em deslocamentos. Continuar a ler

Não Mapeado: Big Data Como Uma Lente Sobre a Cultura Humana

Uncharted

Jean-Baptiste Michel nasceu em 1982, na França, filho de pai francês e mãe mauritana. Formou-se em Matemática e em Ciência da Computação em Paris, em 2005, vivendo na França até os 25 anos. Concluiu mestrado em Matemática Aplicada e PhD em biologia em Harvard. Trabalhou no Google, e hoje mora em Nova York. Dirige a Quantified Labs (http://www.quantifiedlabs.com/), que criou em parceria com Thomas Annicq. Cocriador do https://books.google.com/ngrams/info (click no link) e do livro “Uncharted

Rodolfo Lucena (FSP, 007/04/14) informa que ele busca criar uma superlente digital capaz de bisbilhotar a produção intelectual dos últimos dois séculos. Essa é a história contada em “Uncharted: Big Data as a Lens on Human Culture” (“Não Mapeado: Big Data Como uma Lente Sobre a Cultura Humana“), escrito pela dupla de cientistas Erez Aiden e Jean-Baptiste Michel.

Ambos são pesquisadores com interesses em múltiplas áreas. Aiden tem doutorados em Matemática e Engenharia Biomédica, além de mestrado em História. Michel abandonou a academia e comanda sua própria empresa, que constrói aplicações com grandes quantidades de dados — tem mestrado em matemática e doutorado em biologia.

Os dois se conheceram em Harvard e descobriram o interesse comum de trabalhar com “big data“. O objeto do estudo foi o Google Books, “uma biblioteca digital cujo objetivo era abranger todos os livros escritos”. Resultado: o Ngram Viewer, apresentado em dezembro de 2010, buscador capaz de determinar a incidência de um termo e comparar seus registros em milhões de livros.

Em “Uncharted“, lançado em dezembro, Aiden e Michel comentam várias aplicações divertidas da ferramenta (https://books.google.com/ngrams/info).

Nesta entrevista, Michel conta mais sobre o trabalho. Continuar a ler

Tudo que eu sempre quis saber sobre Economia eu aprendi no namoro on-line

sapo_principe

Em setembro do ano passado, fui convidado a dar a Palestra de Encerramento do Encontro Anual de Economistas da Bahia. Depois houve um coquetel comemorativo. Foi quando se aproximou de mim, timidamente, um jovem que se apresentou mostrando-me um artigo dele publicado na revista que estava sendo lançada. Para minha surpresa, disse-me: “Conclui o Curso de Mestrado em Economia na UFBA, mas comecei mesmo a aprender Economia quando passei a ler seu blog!” Sensibilizou-me e vi que tinha sentido essa minha atividade de blogueiro exercida desde 22/01/2010. E para dizer que não tenho orgulho dela, hoje, por acaso, visitei um site de um economista neoliberal bastante conhecido, que está sempre na mídia e dá consultoria para o candidato Aécio Neves. O número de visitas registrado nele era 1/4 deste modesto blog! :)

A resenha abaixo trata de assunto correlato: aprender Economia lendo sites e blogs. Devo dizer que também minha motivação para ver que fazia sentido o que eu estava estudando na graduação de Economia surgiu quando passei a ler a Imprensa Alternativa — Opinião, Movimento, Em Tempo — no meu período da FACE-UFMG (1971-1974). Foi durante a ditadura militar, quando a imprensa era muito censurada.

Renata D’Elia (Valor, 29/03/14) informa que, auando Paul Oyer, um economista da Escola de Negócios da Universidade Stanford, nos EUA, aderiu aos sites de relacionamento para tentar encontrar sua cara-metade, percebeu que o mundo da paquera on-line era mais parecido com o mercado econômico do que ele imaginava – e mais interessante também. Como resultado, escreveu o livro “Everything I Ever Needed to Know About Economics I Learned from Online Dating” (Tudo que eu sempre quis saber sobre Economia eu aprendi no namoro on-line), em que aplica lições da Economia ao mercado do namoro na internet.

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Aplicativos de Leitura Rápida

SpritzTeste sua LeituraPílulas Literárias

Yuri Gonzaga e Paulo Werneck (FSP-Tec, 24/03/12) perguntam: Que tal ler este texto, que na velocidade média de leitura levaria dois minutos, em 26 segundos? É o que oferecem recém-lançados aplicativos e sites que imitam a técnica de leitura dinâmica.

A empresa americana Spritz fez barulho ao apresentar seu software no fim do mês passado por prometer livros lidos em algumas dezenas de minutos, e mensagens finalizadas em segundos. Como? Ao exibir as palavras de um texto em sequência ultrarrápida e no mesmo lugar.

Isso torna desnecessário o movimento dos olhos e suprime a “vocalização” mental, que desaceleram a leitura.

A técnica, conhecida como RSVP (apresentação visual rápida e em série), não é novidade, mas o Spritz — que lançou uma versão para programadores — é pensado especificamente para telas diminutas.

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