Lógicas Cívicas e Familiares

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A posição, o papel, ou a capacidade associada com a lógica civil é aquela pertencente a algum membro de uma comunidade. Os limites do domínio civil podeM variar enormemente, sendo eles os de um bairro ou uma cidade, um estado, uma região, um país ou, simplesmente, do mundo. Tal como o outros domínios discutidos por David Dequech, este é também bastante complexo, onde diferentes lógicas de ação são possíveis, ou seja, não apenas a lógica cívica. Por exemplo, a lógica do mercado atua, geralmente, como a principal norteadora de ambas as partes em uma relação de corrupção que envolve matéria cívica, enquanto o nepotismo por definição envolve apenas a lógica da família.

Pertencer à comunidade e contribuir para o interesse coletivo são as principais qualidades em que a medição (ordinal) de valor das pessoas é baseada no domínio cívico. Um dever de um membro da comunidade é defender o interesse coletivo da comunidade. A lógica cívica pode ser perseguida instrumentalmente ou não instrumentalmente.

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Vieses Heurísticos ou Lógicas de Mercado

Logica de pinguim

O termo heurístico significa o processo pelo qual as pessoas aprendem as coisas por si só, na “Escola da Vida”, através de tentativa e erro. Esse processo de aprendizagem experimental leva as pessoas a desenvolverem as chamadas “regras de bolso”, que são usadas para simplificar o processo de tomada de decisão e, em geral, se apoiam em generalizações perigosas ou falsas.

Um  dos  grandes  avanços  da  Psicologia Econômica ou Economia Comportamental  foi identificar:

  1. os princípios que regem essas regras de bolso;
  2. os erros sistemáticos que elas causam;
  3. os tipos de agentes econômicos, cujas características permitem predizer seus comportamentos face a diferentes problemas de escolha.

As pessoas em suas tentativas e erros para aprender algo criam princípios gerais para diferentes situações – suas regras de bolso. Julgamentos em situações de incerteza, para decisões práticas, são baseados em número limitado de  regras simplificadoras em vez do processamento cognitivo consciente,  mais formal e extensivo. Passam, então, a se utilizar dessas regras de bolso para fazer inferências a partir das informações disponíveis. Como as regras nem sempre funcionam, acabam por cometer erros em diversas situações, repetidamente. Errar é humano; repetir erro é também comum entre os seres humanos! Nós tomamos muitas decisões baseando-nos em estereótipos ou mesmo preconceitos.

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É Lógico? Sim, Porque Há Muitas Lógicas…

logica convencional X religiosa

O conceito de lógicas, desde que qualificado por algum adjetivo, delimita o pressuposto de existência de um universo infinito de raios de ação. Lógica é a parte da Filosofia que trata das formas do pensamento em geral (dedução, indução, hipótese, inferência etc.) e das operações intelectuais que visam à determinação de o que é verdadeiro ou não é. Aprende-se, formalmente, em tratados ou compêndios de lógica racional, uma maneira rigorosa de raciocinar. Os iluministas e seus descendentes pressupunham que, assim, essa racionalidade se tornaria uma lógica implacável – e universal!

Mas o conceito foi estendido de modo a abarcar a forma por que costuma raciocinar uma pessoa ou um grupo de pessoas ligadas por um fato de ordem social, psíquica, geográfica, etc. Em termos da Economia Institucionalista, refere-se às lógicas ligadas a um domínio de ação. Deduz-se assim a maneira pela qual necessariamente se encadeiam os acontecimentos, as coisas ou os elementos de natureza efetiva, buscando coerência ou fundamento nas decisões.

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Economia Institucional e Economia Comportamental

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David Dequech no artigo “Economic institutions: explanations for conformity and room for deviation” (Journal of Institutional Economics, 9(1): 81-108, 2013), afirma que “mais diálogo e integração também são necessários, tanto dentro da Ciência Econômica quanto entre diferentes disciplinas das Ciências Sociais”.

Ele está preocupado em levantar explicações para a conformidade dos agentes com regras institucionais existentes na vida econômica. Baseia-se na Nova Economia Institucional (NEI), e tenta adicionar contribuições de diferentes vertentes da Economia, bem como de outros disciplinas. A principal questão cuja resposta é discutida por Dequech é: o que leva os agentes individuais ou coletivos, inclusive aqueles em busca de um ganho pecuniário, a seguir uma regra institucional econômica existente?

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Instituições: Questionando a Divisão Micro-Macro da Economia e de seu Ensino (Parte II)

Confiança de saltar abismo4. Instituições e a Necessidade de Transpor a Divisão Micro-Macro da Economia

Por várias décadas, a maioria dos economistas tem tradicionalmente dividido a Economia – no que se refere principalmente à teoria, mas também aos estudos empíricos – em Microeconomia e Macroeconomia. Onde se enquadra o estudo das instituições na economia?

Dequech pretende mostrar que, “embora parte dele possa se encaixar na Microeconomia e outra parte na Macroeconomia, o estudo das Instituições não se resume a uma dessas duas áreas, nem à soma delas, merecendo um status separado”.

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Instituições: Questionando a Divisão Micro-Macro da Economia e de seu Ensino (Parte I)

Tipologia de Instituições

Dequech, David (2013c), “Instituições: questionando a divisão micro-macro da economia e de seu ensino”, EconomiA (ANPEC), vol. 14, n. 1C, set-dez 2013.

David Dequech

Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – SP – Brasil

Resumo

O texto que resultou neste artigo começou a ser escrito por causa de uma série de discussões para reformular a grade curricular da pós-graduação em Economia na Unicamp. Sua intenção é mostrar que o estudo das instituições merece um espaço próprio, não se reduzindo à Micro e ou à Macroeconomia, e é tão ou mais importante que outros assuntos que são objeto de disciplinas atualmente obrigatórias nessa grade. Embora parte do estudo sobre as instituições possa se encaixar na Microeconomia e uma outra parte na Macroeconomia, tal estudo não se resume a essas áreas e merece um espaço próprio, na pesquisa e no ensino. Este espaço inclui o contexto institucional e o próprio caráter institucional do econômico, assim como a reprodução ou transformação das instituições pelos indivíduos. O estudo das instituições contribui para um melhor entendimento das questões micro e macroeconômicas, além de ajudar a identificar os requisitos institucionais das teorias e, portanto, o escopo adequado de sua aplicação.

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Lógicas de Ação, Domínios de Provisionamento e Instituições

David DequechDequech, David (2013b), “Logics of action, provisioning domains and institutions: provisioning institutional logics”, Journal of Economic Issues, Vol. XLVII, No. 1, March 2013.

O foco principal deste trabalho de Dequech é conceitual. Seu principal objetivo é propor um novo conceito sintético de lógicas de ação, com a intenção de aplicá-lo para o mercado, a família, e a política, inclusive do Estado e da comunidade, como instâncias cruciais do que pode ser chamado de domínios de provisionamento. Estes são os domínios mais amplos ou mais gerais em que as atividades econômicas acontecem.

Este artigo define uma lógica de ação como um conjunto de regras socialmente compartilhados de pensamento e comportamento, ou seja, modelos mentais socialmente compartilhados e regras de comportamento, que envolvem:

  1. um domínio de ação,
  2. a métrica utilizada, bem como
  3. os objetivos e as obrigações associados com as posições que as pessoas ocupam neste domínio.

O domínio por si não é suficiente para caracterizar uma lógica. Ele tem que ser combinado com outra lógica em aspectos diversos.

O artigo discute também a relação entre as lógicas de ação e as instituições, argumentando que as lógicas de ação são instituições com características específicas. Elas são concebidas de maneiras muito amplas em relação aos domínios de provisionamento e, como tal, elas têm um alto grau de generalidade. O mercado, a família, e as lógicas cívicas podem ser chamados de lógicas de provisionamento institucionais, mas existem importantes diferenças entre o conceito proposto por Dequech e alguns tratamentos de lógicas institucionais.

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