Registro de Panfletos Eleitorais Publicados na Imprensa Brasileira

PIG

Cristiano Romero é editor-executivo do jornal Valor Econômico. Publicou na semana anterior à eleição (Valor, 22/10/14), em sua coluna cativa, um verdadeiro panfleto contra a Dilma, resumido na opinião estapafúrdica de que “Dilma abandonou consenso formado desde o governo Sarney”. Que consenso é este?! Que só é possível ao Brasil seguir o Consenso de Washington?!

Supõe, equivocadamente, que o governo Lula seguiu a mesma receita neoliberal, embora sua política econômica tenha produzido resultados muito superiores em todos os indicadores macroeconômicos medidos, comparando-se 1995-2002 com 2003-2010. Ilogicamente, o colunista poderia apelar para a típica alegação tucana: “ah, os contextos eram diferentes”. Meu contra-argumento é: racionalmente, se as conjunturas eram distintas, como se poderia, racionalmente, adotar a mesma terapia, que estava dando maus resultados, para diagnósticos diferentes?!

A ideologia cegou os neoliberais. Vale fazer o registro histórico de como eles perderam a racionalidade no debate econômico. Fechados em uma lógica maniqueísta — só concebendo o bem (azul) e o mal (vermelho) em termos absolutos — e sectária — visão partidária apaixonada pelo PSDB –, os colunistas desse jornal, desde o ano pré-eleitoral tornaram-se extremistras em defesa de sua doutrina política em favor do livre-mercado. Obedecendo-lhe, cegamente, desdenharam todos os argumentos lógicos e evidências empíricas apresentados por aqueles que seguem outro partido em seu modo de pensar e de agir.

Analise a leitura viesada da história recente da política econômica brasileira, elaborada pelo editor-executivo do jornal Valor Econômico, reproduzida abaixo. Veja (epa, vômito…) se ela não é parcial. Usou sua tribuna na imprensa não para informar ou analisar, apartidariamente, mas sim para pregar o voto contra a Dilma! Continuar a ler

7 Desmitificações da Eleição de 2014

Divisões Intraestaduais

Mais perenes do que qualquer partido ou movimento político, algumas ideias sobre o que move os eleitores se repetem a cada eleição. No entanto, dados e detalhamentos das votações desafiam esse senso comum. O Estadão Dados analisou 7 erros mais repetidos (JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, DANIEL BRAMATTI, DANIEL TRIELLI, DIEGO RABATONE, LUCAS DE ABREU MAIA E RODRIGO BURGARELLI, OESP, 28/10/14)

Mito 1

Foi o Nordeste que elegeu Dilma

Petista não teve menos de 40% dos votos em nenhuma das 5 regiões do Brasil

É claro que o desempenho de Dilma Rousseff (PT) no Nordeste foi crucial para sua vitória: a petista teve 20 milhões de votos no 2.º turno, equivalente a 72% do total de votos válidos na região. Mas a presidente reeleita obteve um apoio razoável em todas as cinco regiões. O menor porcentual de votos válidos foi no Sul: o apoio de 41% dos eleitores que escolheram um candidato.

A impressão de que o Nordeste sozinho é o grande responsável pela reeleição de Dilma é fortalecida quando se vê o mapa eleitoral dos Estados pintados com a cor de quem teve o maior porcentual de votos ali. Nesse mapa, metade do Brasil aparece pintado de azul, como se esse território tivesse ido em direção totalmente oposta à outra metade, vermelha.

O deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB-SP) chegou a defender a independência do Sul e do Sudeste por causa disso! Mas, na verdade, dos dez Estados em que Dilma obteve menor votação, apenas três estão nessas regiões: Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Todos os outros estão no Norte ou no Centro-Oeste. Visualmente, é possível ver como o apoio a Dilma se espalha pelo Brasil pelo gráfico de relevo ao lado – nenhuma das duas maiores “montanhas” que representam o número absoluto de votos está no Nordeste.

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Ônus do Alarmismo Eleitoral com Terrorismo Econômico Midiático

Compromissadas X Dívida Mobiliária da STNENF em operações compromissadas do BCB

Democraticamente, a proposta de desmanche do Estado Social-Desenvolvimentista foi derrotada. O neoliberalismo perdeu pela quarta vez seguida. Agora, tanto O Mercado, quanto O Quarto Poder (A Imprensa) deveriam reconhecer a derrota de suas teses e não ficarem golpeando a democracia.

Ultrapassada a fase de alarmismo pré-eleitoral com terrorismo econômico midiático, alardeado por economistas de (pequenos) bancos de negócios e seus professores-ideólogos universitários, há a possibilidade de se reconhecer que a taxa de inflação está sob controle e a taxa de juros SELIC poderá voltar a convergir (~7,25% aa) com a TJLP (5,5% aa) tal como ocorreu no primeiro mandato da Dilma. Isto incentivará o lançamento de debêntures de infraestrutura e seu carregamento por fundos, seja de previdência complementar (fechados e abertos), seja em FIFs. Estimulará também os depósitos de poupança para o financiamento imobiliário de mercado.

Na eleição de 2002, o terrorismo econômico tipo “ou Serra ou o caos” levou à fuga de capitais e à disparada da cotação do dólar, em outubro, para R$ 3,93 / dólar. Queriam especular contra a chegada da esquerda ao poder, no Brasil, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Passados 12 anos de progresso socioeconômico, neste ano corrente, mesmo com o clima de incerteza política que contaminou, momentaneamente, a visão da economia, ao contrário de 2002, o real se tornou o abrigo seguro, inclusive para grandes investidores estrangeiros!

Desta vez, o interesse em manter liquidez durante um período eleitoral marcado pelo nervosismo, devido ao risco de retrocécio, não provocou a alta brutal da cotação do dólar, mas produziu sim uma concentração dos investimentos no curto prazo. Preferência que é manifestada pela expansão de compras temporárias de títulos públicos da carteira do Banco Central (BC) pelos bancos, que assumem o compromisso de revender os papéis em determinada data e recebem em troca juro próximo à Selic. São as chamadas operações compromissadas. Continuar a ler

Entrevista de Luciano Coutinho

Luciano Coutinho

O Mercado apostou contra o País ao especular a favor das duas candidaturas da oposição. Foi derrotado “de virada” tanto no primeiro quanto no segundo turno. Seus representantes midiáticos perderam o debate econômico ao propagarem um falso alarmismo contra todas as evidências estatísticas. Agora, no dia seguinte à derrota nas urnas, querem “ganhar no tapetão”! Já estão plantando na imprensa subserviente suas reivindicações recém derrotadas: mandatos fixos para diretores do Banco Central, nomes seus para compor a equipe econômica, Consenso de Washington, etc. Que desfaçatez!

O descaramento é grande porque jornalistas consentem em servir a O Mercado de maneira humilhante. Alguns deles se prestam às vontades de financistas e economistas pró-mercado, servilmente, são condescendentes em demasia. Atendem às vontades alheias aos interesses populares, expressos nas urnas, com muita facilidade. Não respeitar o programa governamental vencedor na eleição é estelionato — fraude que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem ilícita para si ou para outros — na democracia!

Face a essas “plantações”, vale examinar o currículo do meu ex-professor de Microeconomia e Economia Internacional no Mestrado do DEPE-IFCH-UNICAMP, Luciano Coutinho. Em 1975-76, ele era também o coordenador do curso. Com apenas 27 anos, o professor Coutinho já era mestre e doutor em Economia pela Universidade de Cornell (EUA). Hoje, é professor convidado licenciado do IE-Unicamp. Foi professor visitante nas Universidades de Paris XIII, do Texas, do Instituto Ortega y Gasset e da USP, além de professor titular na Unicamp. Formou-se em Economia pela USP e, durante o curso, recebeu o prêmio Gastão Vidigal como melhor aluno de Economia de São Paulo. Sempre demonstrou ser extremamente bem preparado para todos os cargos públicos que ocupou. Possui extraordinária capacidade de trabalho.

Em quase oito anos de presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho liderou a instituição na sua fase de maior expansão, mas não fez isso sem sofrer críticas. O papel do banco na economia brasileira nunca foi tão censurado pelos economistas neoliberais. Com a reação dos social-desenvolvimentistas, tornou-se um dos principais temas do debate político-eleitoral.

Coutinho espera que, passado o calor da disputa eleitoral, prevaleça a racionalidade. Para ele, há muita desinformação sobre a atuação do banco. Uma das principais diz respeito à correlação entre desembolsos dos bancos e a taxa de investimento, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). “Em 2013, 25,6% da FBCF teve participação do banco, sendo que o desembolso do BNDES foi de 14,6% da FBCF. Portanto, o aumento do apoio do BNDES gerou elevação da formação de capital”, disse.

Coutinho também alega que a crítica sobre o peso dos subsídios – calculado a partir da diferença entre o custo de captação do Tesouro e o juro subsidiado oferecido pelo BNDES – não leva em conta os benefícios gerados pelas operações do banco. “Supondo um multiplicador de renda de 2,5, os benefícios acumulados entre 2008 e 20014 superam os custos em R$ 7,7 bilhões. Para um multiplicador de 1,5, bastante conservador, o custo fiscal líquido do período é R$ 19,8 bilhões, o que equivale a 0,06% do PIB.” A seguir, os principais trechos da entrevista concedida a Cristiano Romero (Valor, 22/10/14). Continuar a ler

Desafio da Governabilidade: Alianças Necessárias, Mas Insuficientes

Bancadas Temáticas 2014Câmara de Deputados 2014

A coligação partidária de apoio à Dilma garante maioria, com 304 deputados. A petista é apoiada por 9 partidos e tem 59% da Câmara de Deputados. Um problema, visto já no primeiro mandato, é o grau de fidelidade da base governista. Outro é o “toma-lá-dá-cá”, isto é, a tradição fisiológica dos parlamentares.

A Presidenta Dilma terá apoio junto à opinião pública para barrar qualquer pretensão de cargos técnicos em empresas estatais por QIQuem Indica. Tem de exigir idoneidade e reputação ilibada. Todos os servidores públicos têm de deter a qualidade de quem desfruta de bom nome no meio social que frequenta, por sua honestidade, boa moral e bons costumes! Ministérios “com porteiras fechadas” também devem ser evitados!

Bancadas de Senadore s2014Nova Bancada do Senado 2014 Fonte: UOL Eleições 2014

Pelas “caras” acima dá para ver que será um desafio político enorme compor uma base de coalizão presidencialista em um futuro Congresso com maior fragmentação partidária — 28 partidos — do que o atual. Metade dele é composta de “macacos-velhos”, isto é, políticos com práticas condenadas pela “opinião pública”, mas não pelos eleitores que os reelegeram!

Políticos de carreira na Câmara de Deputados

Voto Nulo: Omissão Quanto Ao Futuro da Nação

Abstenção e Votos Nulos 2 T 2014Abstenção 2010 X 2014

Se no Maranhão não ocorresse tanta abstenção, provavelmente, a Dilma obteria ainda mais votos lá. É necessário um recadastramento eleitoral em todos os Estados. Votos Inválidos 2010 X 2014

Com 10,5%, o Rio foi o Estado com a maior taxa de votos nulos para presidente no segundo turno destas eleições. A taxa de votos nulos no Estado havia sido de 9,2% no primeiro turno. Portanto, cresceu apenas 1,3 ponto percentual, demonstrando o fracasso da campanha pelo voto nulo dos “marineiros”. Continuar a ler

Mapas Eleitorais de 2014

Mapa Eleitoral por Municípios 2014 O Mapa Eleitoral por Estados é enganador. Embora a divulgação da apuração seja feita nos âmbitos estaduais, ela dá uma ilusão de que “o vencedor leva tudo”, tal como nos Estados Unidos. No caso brasileiro, é mais realista considerar o Mapa Eleitoral por Municípios, considerando a gradação das cores, ou seja, percentuais de eleitores acima de 50% em três faixas: entre 1/2 e 2/3 (rosa); entre 2/3 e 4/5 (vermelho); entre 4/5 e 5/5 (vermelhão). Com isso se verifica as nuances da penetração dos partidos e/ou ideologias.

Mapa das eleicoes 2014

O mapa acima corresponde ao eleitorado de Dilma no segundo turno da eleição de 2014. O mapa do total de votos é o mais correto para a análise do critério democrático que elegeu a candidata Dilma. A maioria do total de votos para Dilma veio de São Paulo (8,5 milhões de votos), Minas Gerais (6 milhões), Bahia (5 milhões), Rio de Janeiro (4,5 milhões) e Paraná (2,5 milhões). Nestes cinco Estados o total foi de 26,5 milhões de votos, no restante do Brasil foram 25,9 milhões de votos. Então, não se justifica atribuir a reeleição de Dilma apenas pelos votos dos nordestinos!

Apresentar o resultado eleitoral por partido vencedor em cada Estado não mostra nenhuma mudança entre 2010 e 2014. Alguns analistas bairristas dizem que há  uma “muralha chinesa” na diagonal noroeste-sudeste: o antigo Sul (com o estado de São Paulo incluso) e mais o Centro-Oeste são regiões que votam majoritamente no PSDB e contrapõem-se ao PT. Verdade? Não, se é meia-verdade, é falsidade…

Resulltados estaduais segundo turno 2014Resultados Estaduais Segundo Turno 2010

Embora o PT tenha vencido nos mesmos 15 estados “vermelhos” e o PSDB nos mesmos 12 estados “azuis”, os percentuais de votos da oposição, no segundo turno, se elevaram em 4,5 pontos percentuais, devido ao acidente do Eduardo Campos e sua substituição pela Marina Silva. Esse fator aleatório mudou o foco no primeiro turno para a campanha negativa contra as alianças da Marina com os neoliberais no campo econômico e com os evangelistas-homofóbicos no campo religioso e de costumes sociais. Então, Aécio Neves aproveitou-se de não receber uma crítica mais contundente no primeiro turno. Nos primeiros dez dias do segundo turno, a militância pela Dilma Rousseff dedicou-se a descontruir a falsa imagem do adversário reportada pela mídia golpista, i.é, aquela que interfere nos processo democrático com denúncias não comprovadas.

Vencedor por Estado 2014

 

Resultados Estaduais Primeiro e Segundo Turno 2014

Dilma supera 70 pc em 5 estados 2014

É necessário ponderar a análise com o peso dos diversos eleitorados. Em cinco deles (MA, PI, CE, PE, BA), Dilma recebeu mais de 70% dos votos. Aécio não atingiu tal patamar em nenhum estado. O maior percentual que ele recebeu foi da “tradicional família alemã” (SC), já que seu próprio estado (MG) não seguiu a “tradicional família mineira” e optou pela conterrânea de esquerda…

De acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nordeste e Sudeste tiveram participação muito semelhante na vitória da candidata petista. A presidenta Dilma Rousseff obteve um total de 54,5 milhões de votos no segundo turno. A região Nordeste contribuiu com 20,2 milhões de votos37% dos sufrágios ao PT. No Sudeste, 19,9 milhões eleitores escolheram a Presidenta – o que representa 36,5% dos votos em Dilma.

Por sua vez, Aécio Neves teve quase 6 milhões de votos de vantagem sobre Dilma Rousseff no Sudeste – 25,4 milhões –, porém, conseguiu apenas 7,9 milhões de votos entre os eleitores nordestinos – pouco mais dum terço da votação obtida pela presidenta na região. Em números absolutos, os 12,3 milhões de votos de vantagem da Dilma no Nordeste superou a desvantagem de 6 milhões de votos no Sudeste e 2,8 milhões no Sul. Sua vantagem de 1,1 milhão de votos no Norte compensou, exatamente, sua desvantagem de 1,1 milhão no Centro-Oeste. Em arredondamento, a vitória demócratica incontestável de Dilma foi por 3,5 milhões de votos.

Os estados amazônicos concederam 4,4 milhões de votos à petista e 3,3 milhões ao tucano. No Centro-Oeste, Aécio obteve 4,3 milhões de votos contra 3,2 milhões de Dilma. No Sul, a vantagem do tucano foi 9,6 milhões contra 6,8 milhões. Os números absolutos do TSE, portanto, mostram a beleza da democracia: cada cabeça um voto! Quaisquer conclusões regionalistas, nativistas, separatistas, etc., são apenas “choro de mau perdedor”…

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