Eleitores Indecisos: Vejam A Sabatina de O Globo À Presidenta Dilma

Eu não tinha assistido ao vivo a sabatina da Presidenta Dilma Rousseff realizada pelos jornalistas de O Globo no Palácio do Planalto. Sugiro aos eleitores ainda indecisos a assistirem e examinarem, conscientemente, o domínio dos assuntos estratégicos e a capacidade política e técnica de negociar no Congresso Nacional com visão de estadista. Fornece um quadro amplo das negociações que foram necessárias para colocar os investimentos em energia, infraestrutura e logística em andamento. Apresenta o que mudará caso ganhe um segundo mandato: nova equipe econômica, atendimento de médicos especializados e exames em lugares remotos, maior escala ao MCMV e ao Pronatec, etc. Dilma cede aos bons argumentos alheios, busca conciliar o possível, mas não abre mão de questões como Estado Laico e criminalização da homofobia, temas que sua adversária, Marina Silva, tem de decidir se segue a Constituição ou a seus pastores evangélicos.

Sabatina de jornalistas oposicionistas é um formato muito melhor para avaliar a competência dos candidatos do que o debate televiso em que os candidatos têm um minuto para falar, replicar e treplicar. Nesta situação só se destacam frases-feitas e declarações de princípios. Nele, não há tempo para um pensamento articulado e analítico, com início-meio-e-fim como o da Dilma. Destacam-se mais “gracinhas” e/ou declarações exóticas ou dogmáticas de “livres-atiradores” inconsequentes.

É possível assistir também em: O Globo: Sabatina à Dilma Rousseff

Dica: com iPhone ou iPad e AppleTV, jogue a imagem na TV, via AirPlay, para ver em tela maior.

Ex-Futuro Ministro da Fazenda: De Quem Nos Salvamos

E agora JoséDenise Neumann e Catherine Vieira (Valor, 18/09/14) continuam entrevistando economistas da oposição. Até agora não foi publicada nenhuma entrevista de página inteira com um economista claramente identificado com o PT e a candidatura da Presidenta Dilma Rousseff. Afirmam que o pedido do Valor para que a campanha Dilma Rousseff (PT) indique seu porta-voz econômico ainda não foi atendido. Óbvio, ela própria porta sua voz! Entrevistem-na.

Senão, não será publicado nenhum contraponto ao discurso oficial do “Quarto-Poder, A Imprensa”. Ressalve-se que esta será destronada desse Poder não eleito caso o Banco Central se torne independente…

Curiosa é a solidariedade dos tucanos nessa altura da campanha. Declaram: “Nem tudo está perdido…” Armínio Fraga necessita reafirmar que é “100% Aécio” e garantir que não considera a possibilidade de compor um eventual governo de Marina Silva (PSB). Não é escandaloso ser indiferente, para os gurus da Marina, o Ministro da Fazenda se tornar o nomeado pelo candidato concorrente?! Continuar a ler

À Procura da Felicidade Liberal

Ultraliberal GianettiDenise Neumann e Catherine Vieira (Valor, 06/09/14) apresentam o economista-filósofo Eduardo Giannetti como um dos principais conselheiros de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República. Em eventual vitória da sua candidata, ele afirma que:

  1. a opção para fazer o ajuste econômico será pela via mais dura,
  2. os compromissos sociais assumidos no programa vão depender do equilíbrio fiscal e
  3. a indústria pode se preparar para uma operação “desmame”.

Embora evite detalhar como seria feito o ajuste econômico – e se ele incluiria o trivial neoliberal com aumento de juros e corte de despesas sociais para elevar o superávit primário –, Giannetti admite que “ele não será simples”. Não lhe é perguntado nada sobre os projetos em longo prazo em andamento. E nada de desenvolvimento lhe diz a respeito…

Antes de iniciar a entrevista, Giannetti avisa que não é “o” porta-voz econômico da campanha, mas um conselheiro e um dos formuladores do programa. Só?

Dito isso, lança mais uma frase-feita tipo sabedoria de autoajuda. “Não tenho a menor dúvida de que há um custo de fazer o ajuste, mas ele certamente é menor do que o custo de não fazê-lo”, disse. Porém, em todas suas experiências históricas — desde o Chile de Pinochet até a Inglaterra de Thatcher , isso sem falar na transição da URSS para a nova Rússia –, a Doutrina do Choque Ultraliberal provocou uma calamidade social.

Questionado se os compromissos assumidos no programa não são conflitantes com a perna fiscal do tripé macroeconômico, foi muito claro. “Os compromissos serão cumpridos à medida que as condições viabilizarem, sem prejuízo do equilíbrio fiscal.” Em outras palavras, dane-se o social e o ambiental, viva o arrocho fiscal!

Ao falar sobre a formação de um eventual governo Marina, ele deixou claro que “a nova política” também será abandonada logo, pois a campanha espera adesões tucanas desde já.

Ele repetiu que não se vê como ministro da Fazenda. Perguntado se técnicos do PSDB podem ter cargos no governo, disse que sim, e fez referência espontânea, sem citar nomes, aos quadros técnicos do PT do primeiro mandato de Lula, “que são de extraordinária qualidade”. Faziam parte daquele grupo Joaquim Levy, Marcos Lisboa e Bernard Appy, entre outros – entre os quais o modesto blogueiro que aqui escreve assim como outros desenvolvimentistas, especialmente, alocados nos bancos públicos. Mas, certamente para ele, “meu tipo de gente não tem a qualidade ideológica que ele aprecia…” snif, snif…

Leia, a seguir, trechos da entrevista. Continuar a ler

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és!

Palocci e Marcos Lisboa

Diga-me com quem andas e dir-te-ei [que língua, a nossa!] quem és”. Millor Fernandes comentou sobre essa sentença: “Pois é, Judas andava com Cristo, Cristo andava com Judas…” Digo eu hoje: “Pois é, Marina anda com ultraliberais, que receberam um ‘passa-fora moleque’ do Presidente do PSB, na campanha, e no futuro, certamente, trairão o ideário de Marina…”

Ideário é o conjunto das ideias principais de um autor, de uma doutrina, movimento, partido, etc. No caso, qual é o programa de ação, o conjunto de aspirações, o espírito dessa agremiação de origem socialista? Vejo mais social-desenvolvimentismo ambientalista no PT do que na “colcha-de-retalhos” que é o Programa de Governo do PSB feito por várias mãos de ideologias distintas e sujeito a contínuas revisões por parte da candidata evangélica de acordo com as pressões dos pastores.

Então, para elaborar um cenário econômico do que, de fato, poderá ocorrer caso a Marina vença a eleição e os ideólogos ultraliberais recebam “carta-branca” para “darem as cartas” e preencherem o vácuo de ideias econômicas consistentes no programa anunciado, analisaremos em uma série de posts entrevistas recentes de alguns “gurus econômicos” da Marina e/ou Aécio. Continuar a ler

Entrevista sobre Independência do Banco Central na Globo News

Globo-News-Mirian-Leitão

Fui convidado para participar do Programa Globo News Economia, cuja entrevistadora foi a Míriam Leitão e o outro convidado para o debate a respeito de Independência do Banco Central o professor da PUC-RJ Márcio Garcia.

O “ping-pong” das perguntas foi muito rápido e temo que não tenha conseguido desenvolver meu raciocínio de forma analítica e didática. Terei de conferir. Por exemplo, tentei explicar para um público maior, provavelmente não acadêmico, o que seria o efeito da adoção de um Banco Central Independente (BCI) através de uma metáfora, pensando no jogo de futebol na véspera. Disse: “seria o equivalente a entregar o apito do jogo entre o Flamengo e o São Paulo ao técnico deste time paulistano. Ninguém duvida de sua competência técnica, mas todos os adversários duvidam de sua neutralidade ou imparcialidade. Técnicos não são neutros!”

Caso isso ocorresse,  ele teria marcado dois penaltis contra o Mengão: um porque o atacante do São Paulo tropeçou nas próprias pernas, outro em que a bola bateu na mão do zagueiro do time carioca, involuntariamente, dois metros fora da área. Aí o caro leitor/expectador poderia contra-argumentar: “isso de fato ocorreu!” Então, eu acentuaria: “o que prova minha tese de que nenhum técnico, nem o juiz, é neutro!”

Em outras palavras, o julgamento por parte de técnicos alocados em um BCI seguiria só determinada doutrina — no caso, de quem deu-lhes mandatos, p.ex., de 8 anos. Para o programa de um governo eleito democraticamente ser o seguido, ele não pode ser contraditado por uma equipe de técnicos oposicionistas. Senão seria como essa arbitragem (elevação da taxa de juros) só beneficiasse os rentistas (“coxinhas do São Paulo” — desculpem-me a ironia) e prejudicasse os trabalhadores (“toda a torcida brasileira do Flamengo”) com desemprego…

Preparei um roteiro com possíveis temas do debate: Entrevista de Fernando Nogueira da Costa sobre Independência do Banco Central 250914. Uso séries temporais de longo prazo (1994-2014) — e não oscilações conjunturais trimestrais — para analisar tendências históricas. Baseado nelas, afirmei que, há 10 anos, a taxa de inflação anual encontra-se abaixo de 6,5% aa, absolutamente sob controle. E a economia brasileira entre as dez maiores do mundo — é a sétima –, de 2009 a 2013, só cresceu menos do que a China e a Índia. Estas três são justamente, entre essas, as que não têm BCI! O Brasil cresceu, nesse período, quase o mesmo que a Economia Mundial em crise: 2,7% aa contra 3% aa.

Quem desejar ver o debate, o Programa Globo News Economia é gravado às 08:30, passa 20:00 na quinta-feira e é repetido em vários momentos na sexta-feira. Fica arquivado no seguinte endereço:

http://globosatplay.globo.com/globonews/v/3655046/

Ciclos de Expansão Global

Duração dos ciclos de expansão global

Sérgio Lamucci (Valor, 17/09/14) informa que o atual ciclo de expansão global já dura cinco anos e pode facilmente continuar por outros cinco, tornando-se o mais longo desde os anos 1970, segundo a aposta do Morgan Stanley. Embora o ritmo de crescimento seja fraco, o banco de investimentos considera que a economia mundial tem fôlego para avançar por um bom tempo sem cair abaixo de 2,5% ao ano, normalmente apontado como o nível que configura uma recessão global. Para este ano, a expectativa do Morgan Stanley é de uma avanço de 3,1% do PIB mundial.

Para justificar a sua avaliação, o banco ressalta a ociosidade ainda elevada na economia global e a expectativa de que a política monetária continue expansionista por um bom tempo nos países ricos. Além disso, os ciclos econômicos nos vários países não estão sincronizados, o que reduz o risco de aquecimento conjunto excessivo, diz o economista-chefe global do banco, Joachim Fels, no relatório “Mais Baixo, Mas Mais Longo” (Lower, but Longer).

 Segundo ele, um padrão cíclico global só apareceu nos anos 1970, “refletindo ligações crescentes por meio do comércio e dos fluxos de capitais, e também pelo advento de choques comuns, como o dos preços do petróleo nos anos 1970 e começo dos anos 1980″. Nos últimos 40 anos, os ciclos de expansão globais duraram entre quatro e oito anos, tendo em média 6,2 anos.

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Perfil dos Investidores com Base nas Finanças Comportamentais

Investidores

Luciana Seabra (Valor, 10/09/14) informa que ao criar, em novembro de 2013, uma plataforma de investimentos com base teórica nas Finanças Comportamentais, os sócios da Guide Investimentos não tinham como objetivo colaborar com a pesquisa acadêmica. Passado quase um ano, entretanto, os cerca de 5 mil clientes cadastrados – uma amostra de dar inveja a muitos cientistas – ajudam a desenhar um perfil do investidor brasileiro.

Ao se cadastrar na Guide, o cliente passa por um questionário bem diferente da tradicional análise de perfil do investidor, o “suitability“, exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lá estão perguntas práticas, como sobre a preferência por uma viagem planejada ou improvisada ou a escolha de um encontro entre amigos em lugar movimentado ou calmo. Com base nos estudos do teórico de Finanças Comportamentais Michael Pompian, os clientes foram classificados segundo quatro perfis:

  1. independente,
  2. seguidor,
  3. preservador e
  4. acumulador.

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