Tabu: Falar sobre Dinheiro Pessoal

Dinheiro cidadão do mundo

Depois de anos como profissional teórico de Economia, quando voltei de minha prática como VP de Finanças e Mercado de Capitais, tendo cuidado das Finanças da Caixa (~ R$ 125 bi em 2007), ou seja, de seus recursos próprios, percebi que nem eu nem meus colegas acadêmicos cuidamos ou falamos de nossas Finanças Pessoais! Somos todos Macroeconomistas! Dinheiro é coisa suja! Tratamos apenas de O Capital!

Entrando na fase pré-aposentadoria, percebi como as Finanças Pessoais, sobre as quais com quem eu conversava me pedia aconselhamento, eram fundamentais para o futuro das famílias dos trabalhadores. Os imprevidentes seriam idiotas, no sentido estrito de que não teriam consciência do mal que fazem aos outros (familiares) e a si próprio!

Então, resolvi estudar Neuroeconomia e/ou Finanças Comportamentais. Depois de dar diversos cursos a respeito, no IE-UNICAMP, passei compartilhar aqui neste modesto blog meus modestíssimos conhecimentos. Mas a audiência me mostra que é relevante continuar. É a forma que encontrei para retornar à sociedade o que aprendi incentivado por Ensino Público gratuito, ou seja, que ela pagou para mim, pois, afinal, “não existe almoço de graça”…

Li um pequeno artigo da Chris Taylor (Valor, 02/04/14) que acho interessante compartilhar, pois revela que, mesmo nos EUA, a terra onde tudo — inclusive as virtudes pessoais — é precificado, também falar sobre dinheiro próprio ainda é um tabu. Enquanto isso, “o povo” adora falar do dinheiro dos outros, especialmente, das celebridades descerebradas. Parece-me que o argumento defensivo de que “é por causa da segurança pessoal” é meia-verdade. Será que é por causa da herança cristã antiusura? Reproduzo o artigo abaixo.

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Anti-Heróis: Homens Difíceis

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Por que presenciamos o sucesso de anti-heróis? Anti-herói é o termo que designa o personagem caracterizado por atitudes referentes ao contexto do conto contemporâneo, mas que não possuem vocação heróica ou que realizam a justiça por motivos egoístas, pessoais, vingança, por vaidade ou por quaisquer gêneros que não sejam altruístas, ou seja, é o antônimo da ideia que se tem de herói. A maioria dos anti-heróis da ficção são mais populares que os heróis.

Isabelle Moreira Lima (FSP, 30/03/14) comenta que “criaturas infelizes, moralmente incorretas e complicadas. Aquele tipo de gente que você não teria coragem de convidar para a sua casa. Para o escritor e jornalista Brett Martin, foram personagens com essas características que mudaram a história da televisão para sempre”.

No livro “Homens Difíceis“, lançado neste mês no Brasil, o autor fala sobre a primeira fase da nova era de ouro da TV. O período vai de 1997, com a série “Oz“, sobre uma prisão de segurança máxima, a 2013, com “Breaking Bad“, sobre um professor que se transforma em chefão do tráfico.

Martin afirma que o segredo desses personagens era serem profundamente humanos. Enfrentavam “batalhas cotidianas que os espectadores reconheciam”, ainda que polígamos (“Big Love“) ou serial killers (“Dexter“).

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Pacto Social Pela Saúde (por Dráuzio Varella)

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O custo da saúde está pela hora da morte. O preço dos medicamentos recém-descobertos e das novas tecnologias deixa para trás os valores da inflação.

Repassar integralmente esses custos para o SUS ou para os usuários dos planos de saúde é inviável. Sem repassá-los, no entanto, o sistema corre risco de desabar, dilema que só não aflige os países que negam a seus habitantes o acesso à saúde pública.

Aqui, como na Europa, Japão e Estados Unidos, a reorganização da assistência médica tem papel central nas reivindicações populares e na agenda dos governantes.

O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que teve a ousadia de declarar a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. Pena terem os constituintes de 1988 esquecido de mencionar de onde viriam os recursos para tal generosidade.

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CADE contra Cartel do Cimento

CADE contra Cartel do Cimento

Como se construiu um ambiente mais competitivo na economia norte-americana? Para enfrentar a “era do capitalismo-bandido dos barões-ladrões”, tipificada por trustees e carteis, a Sociedade Civil e a Sociedade Política dos EUA tiveram de se organizar e lutar. Entre 1898 e 1902, ocorreu a primeira onda de fusões de empresas do mundo chamada de “Era dos Barões Ladrões” devido à forte ação monopolística. Isto provocou o crash financeiro de 1904 após o qual veio um forte movimento regulador com legislação antitruste e quebra dos monopólios (Standard Oil, DuPont etc.). A toda poderosa Standard Oil, que dominava as áreas de refino e distribuição de combustível, no mercado mundial, foi dividida em 34 empresas. Em 1907, Andrew Carnegie e John D. Rockefeller II (magnatas do aço e do petróleo), com seus negócios afetados, foram procurar novos investimentos.

Juliano Basile (Valor, 02/04/14) informa que as punições às empresas envolvidas no caso conhecido como “cartel do cimento” podem ultrapassar os R$ 3,1 bilhões em multas propostas pela maioria dos integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois o Ministério Público Federal está entrando com ações de reparação e apenas numa delas, que foi proposta no Rio Grande do Norte, pede pena de R$ 5,6 bilhões. Somados os valores das multas do Cade com o da ação do MPF resultam em R$ 8,7 bilhões.

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Exploração Eleitoreira do Episódio de Compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras

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Recebi mensagem de ex-companheiro com o seguinte teor: “O que mais me surpreendeu nesse escândalo da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras foi o fato de todo o Conselho, presidido pela Dilma, ter aprovado uma transação internacional de 360 milhões de dólares SEM LER O CONTRATO, ou SEM PEDIR PARA UM ASSESSOR LER O CONTRATO!  Eles se contentaram com um resumo de 2 páginas e meia!”

Respondi-lhe:

Prezado Companheiro,

evidentemente, o episódio está tendo uso eleitoreiro neste período de pré-campanha em que a oposição se dedica só a desconstruir a imagem pública da candidata da situação.

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Golpistas da Internet

Abgnale Prende-me Se For Capaz

Acho curioso os direitistas se apresentando como moralistas “contra o Estado corrupto” sem apresentar nenhuma crítica às falcatruas privadas, maiores e muito menos controladas. Fornecem aquele tradicional discurso de vitimização autojustificador “roubo porque os poderosos roubam”. Ah, é?!

João Luiz Rosa (Valor, 02/04/14) informa que as perdas com fraudes em transações financeiras somaram R$ 2,3 bilhões em 2013, segundo informações da Serasa Experian. As fraudes off-line, ligadas ao roubo de identidade, foram de R$ 1,2 bilhão, de acordo com a companhia. O Brasil é o 5º país no ranking mundial desse tipo de delito. Cerca de 30% de todos os usuários de cartão de crédito já tiveram algum problema do tipo. Na internet, os prejuízos foram de R$ 500 milhões no comércio eletrônico e de R$ 600 milhões na movimentação bancária via internet.

Na prática, se estabelece um jogo de gato e rato em que os hackers aperfeiçoam seus ataques a cada vez que encontram barreiras melhores. “Não estamos brigando com computadores, mas com pessoas muito espertas”, diz Ori Eisen, fundador da companhia americana 41st Parameter, que hoje é parte do grupo Experian. “Toda tecnologia tem prazo de validade. Os fraudadores acabam aprendendo a contorná-la.”

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Concentração Bancária nos EUA: bancos grandes demais para quebrar X bancos pequenos demais para sobreviver

Pequenos bancos norte-americanos

Lá como cá, a concentração bancária está no DNA dos bancos para obterem economias de escala. No entanto, o surpreendente, em termos de história bancária, foi a maior sobrevivência de muitos “bancos de esquina e/ou uma única agência aérea” lá do que cá… Mesmo que a rentabilidade patrimonial média dos bancos de lá seja cerca da metade do que a média daqui (veja o quadro acima para o quarto trimestre de 2013).

Michael Rapoport (WSJ, 04/04/14) informa que, cada vez mais bancos de pequeno porte estão sendo colocados à venda nos Estados Unidos e os executivos dizem que a regulação é um dos motivos principais.

[Lá como cá, há mais zagueiros que evitam gols -- ou fazem contra -- do que atacantes que marcam gols. É muito mais fácil "prevenir riscos" do que "construir empreendimentos", não? Então, os alarmistas e/ou moralistas estão ganhando mais espaço nos Três Poderes do que os empreendedores e/ou desenvolvimentistas. A paranoia anticorrupção, cultivada artificialmente na imprensa, colabora para isso, não?]

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