Mito IV do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Pleno-Emprego”

 

Projeção da População Brasileira 2000-2050Projeção da Taxa de Crescimento da População Brasileira 2001-2050Comportamento das variáveis do mercado de trabalho

Os economistas oposicionistas, baseados apenas em pontos de estragulamentos na contratação de mão-de-obra especializada em alguns setores de atividade, p.ex., construção civil, especialmente de engenheiros, passaram a levantar a hipótese de que a economia brasileira atingiu o pleno-emprego, buscando criar o ambiente favorável para uma política de ajuste recessivo. “Esta é uma situação que não há como escapar”, dizem. Com a elevação do desemprego, os custos salariais das empresas abaixariam por causa da perda de poder de barganha dos sindicatos.

Porém, a verdade é nem-nem: nem a economia está em pleno-emprego, nem necessita de ajuste fiscal-monetário recessivo! O que ocorre é uma mudança estrutural demográfica, assunto que os hiper-especialistas desconhecem…

Camilla Veras Mota (Valor, 10/09/14) informa que o aumento da taxa de desemprego previsto desde o ano passado pelo mercado tem contornado as expectativas e deve chegar com quase um ano de “atraso”. Para Sonia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), mais do que os sinais visíveis de esgotamento do mercado de trabalho, já é possível enxergar quais segmentos da população deverão pressionar o indicador nos próximos meses.

No estudo “Demografia e Mercado de Trabalho: o que Explica o Declínio da Desocupação no Brasil?“, as mulheres e os jovens “nem-nem” – aqueles que não estudam nem trabalham – aparecem entre os grupos cuja participação no mercado de trabalho caiu de maneira mais significativa entre 2005 e 2012. Quando a desaceleração do aumento da renda comprometer o pagamento das despesas das famílias, diz, eles serão os primeiros a voltar em busca de uma vaga.  Continuar a ler

Carta Aberta do Instituto de Economia da UNICAMP

cropped-unicamp_entrada-i.jpgA propósito dos agressivos ataques dos gurus econômicos da Marina (ler em Debate Tacanho e Fundamentalismo do Livre-Mercado + Fundamentalismo Religioso = Deus nos Acuda!) ao IE-UNICAMP — isso sem falar na desqualificação ignorante lançada ao Celso Furtado –, a resposta institucional é sóbria. Por eles serem persona non grata, isto é, “pessoas não bem-vindas”, essa resposta representa um “tapa-de-luva”: demonstra seus erros de avaliação e com educação e elegância possibilita eles reverem seus conceitos. Reproduzo abaixo a carta-aberta do IE-UNICAMP.

O Instituto de Economia da Unicamp vem a público reiterar seu compromisso com o Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil. Defendemos e exercitamos a qualidade e pluralidade do debate acadêmico e político e refutamos todas as agressões infundadas e levianas à nossa instituição por motivações ideológicas, partidárias e eleitorais. Continuar a ler

Fundo de Pensão Fechado X Aberto (PGBL ou VGBL)

PGBL x Outros Fundos

Sérgio Tauhata (Valor, 16/07/14) avalia que, pelo fato de partilharem a mesma natureza complementar em relação à Previdência oficial concedida pelo INSS, os sistemas fechado e aberto podem confundir os participantes. O primeiro engloba os chamados fundos de pensão. São planos criados por empresas e voltados exclusivamente aos funcionários. Em geral, o modelo engloba, além dos aportes dos contribuintes, uma contrapartida do empregador, que varia de 50% a até 150% de cada salário ao longo do período de investimento.

No caso do regime aberto, qualquer pessoa pode aderir a um dos planos, conhecidos como PGBLs e VGBLs, oferecidos por bancos e seguradoras – empresas também por recorrer ao produto para oferecer aos funcionários. Nesse sistema, na contratação por pessoa física, os recursos são aportados apenas pelos participantes. No fim da acumulação, a pessoa pode usar os valores poupados para:

  1. comprar uma renda,
  2. reinvestir em outros produtos ou
  3. simplesmente sacar o dinheiro.

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Mito III do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Finanças Públicas Descontroladas”

Evolução do gasto da União com Pessoal e Encargos Sociais 2010-2014

Dando sequência à análise dos falsos “mitos” que aparecem no debate econômico pré-eleitoral, depois de publicar o Mito I – Modelo de Crescimento pelo Consumo e o Mito II – Inflação Alta e Descontrolada, apresentamos o terceiro: a crítica que as Finanças Públicas estariam destrambelhadas.

Uma das principais características do gasto público durante o governo Dilma Rousseff foi a queda da despesa da União com o pagamento de pessoal e encargos sociais, em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), e sua posterior estabilização em torno de 4,2% do PIB. Essa trajetória, segundo Ribamar Oliveira (Valor, 14/08/14), foi obtida mesmo com o menor crescimento da economia brasileira, cujo PIB é a base de comparação com a despesa de pessoal, nos últimos quatro anos. Observe que o correto é a comparação com o PIB e não a variação real. Se a renda subir, a arrecadação tributária eleva-se e pode-se elevar o gasto fiscal correspondentemente.

O gasto com pessoal cresceu muito nos últimos anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promoveu uma necessária rodada de aumentos salariais para todas as categorias de servidores. A despesa com pessoal subiu para 4,7% do PIB em 2009, pouco abaixo do recorde nos últimos 15 anos, que ocorreu em 2002, em ano eleitoral, o último do Governo FHC, quando chegou a 4,8% do PIB. Continuar a ler

Estado Laico X Moral Religiosa Conservadora

Marcha Conservadora

Renata Batista (Valor, 09/09/14) informa que a crescente força da questão religiosa e de debates como o da união civil de homossexuais na política reflete o conservadorismo dos brasileiros. A avaliação é do Ipsos Public Affairs, instituto de pesquisa com atuação em 86 países. O Ipsos acaba de fechar um estudo de comportamento em 20 países, mas as respostas dos brasileiros foram, inicialmente, desconsideradas pelos analistas estrangeiros que consolidaram os dados globais para estudos específicos sobre a questão feminina e sobre as causas homossexuais.

“Eles acharam que tinha alguma coisa errada pois as respostas não eram consistentes com a imagem que tinham do país“, resume o diretor do Ipsos no Brasil, Dorival Mata Machado, que na época estava chegando na empresa e precisou avaliar os resultados ponto a ponto para reverter a situação.

 Para Machado, as respostas também estão distantes do próprio imaginário do brasileiro, que não percebe esse viés. “O conservadorismo moral do brasileiro está mais próximo de países percebidos internamente como mais fechados ou com forte influência religiosa, como China e Índia, do que de vizinhos da América Latina, como a Argentina”, avalia, e faz o contraponto com a imagem externa do país. “Lá fora, existe uma percepção do Brasil não tão conservador. Eles percebem que o país está crescendo, mudando, e não têm ideia de que é uma sociedade calcada em uma posição conservadora, principalmente na base da sociedade. Não conseguem entender a distância entre o Brasil novo e as posições conservadoras”. Em outras palavras, os estrangeiros não entendem a herança maldita de um regime escravocrata, com larga influência da Igreja Católica e agora, pior, da Igreja Evangélica, que coloca em risco o Estado laico em caso da vitória eleitoral da Marina Silva.

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Marina, a candidata da mudança (Por Gustavo Castañon*)

Visualizar o vídeo Testemunho de Marina Silva (o milagre da conversão) do YouTube

Caso a missionária seja eleita, como ficará o Estado laico?! 

“Há um sentimento de mudança no ar. 12 anos de governo do PT desgastaram o partido na opinião pública. É natural. As contradições inevitáveis do exercício do poder, a relação com um congresso fisiológico, os interesses contrariados, os acordos inerentes à democracia, os escândalos. É mesmo surpreendente que chegue ao cabo desse período ainda como o partido de um quarto dos brasileiros e tendo o voto de metade deles.

Nesse cenário, surge a candidatura de Marina Silva, que encarna, sem sombra de dúvidas, a mudança, como provarei com os links abaixo. A começar pela mudança do cenário eleitoral. Depois de um suspeito desastre de avião (que alguns acreditam se tratar de um assassinato), Marina assumiu o lugar de Eduardo Campos como a candidata do PSB à presidência. Continuar a ler

Fundamentalismo do Livre-Mercado + Fundamentalismo Religioso = Deus nos Acuda!

Porta-voz da Marina

Recalque é mecanismo de defesa psicológica que tem por função fazer com que exigências pulsionais, condutas e atitudes, além dos conteúdos psíquicos a elas ligados, passem do campo da consciência para o do inconsciente, ao entrarem em choque com exigências contrárias. Quem sofre um sentimento de inferioridade tem medo e ressentimento reprimidos de sentir-se inferiorizado, especialmente em características mentais, o que leva a diversos comportamentos distorcidos. Demonstra, então, um conjunto de reações supostamente provocadas por um conflito entre o desejo de reconhecimento e um medo do fracasso devido a experiências anteriores.

Estão aparecendo “figurinhas” oportunistas — fundamentalistas do livre-mercado — que estão saindo do ostracismo para ditar “regras para o futuro governo” da candidata fundamentalista-religiosa! Cabe repetir a pergunta do professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rogério Cezar de Cerqueira Leite (FSP, 31/08/14), 83 anos, físico, membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha. “Teria sido pelas suas ideias que esses economistas e intelectuais aderiram à Rede ou seria por causa do caudal aurífero eleitoral que, na sua liderança, perceberam?” Continuar a ler