Cenário Internacional Com Queda no Preço de Petróleo

Plataforma petrolífera

Sérgio Lamucci (Valor, 16/10/14) informa que a queda abrupta dos preços do petróleo deve causar estragos nas economias de grandes exportadores de petróleo como Venezuela, Líbia e Rússia, ao mesmo em que tende a ser um motivo de alívio para grandes importadores como Japão, China, Índia e a União Europeia, segundo analistas.

Nos EUA, cotações baixas podem desestimular o investimento na exploração do petróleo de xisto, enquanto o repasse imediato para o valor da gasolina aumentará a renda disponível dos consumidores americanos. A magnitude do impacto sobre essas economias dependerá obviamente do nível a que chegarão os preços do produto, assim como da duração da fase de baixa. Continuar a ler

Dois Candidatos Economistas: Uma Social-Desenvolvimentista, Outro Neoliberal, Logo, Duas Visões Opostas sobre a Economia

Coração Valente

Façamos uma releitura desconfiada, como é costume dos mineiros, do Editorial do Valor (13/10/14), a propósito das visões econômicas opostas sobre a economia dos dois candidatos mineiros e economistas — tal como o modesto blogueiro que vos fala. O Aécio é apenas graduado na PUC-MG, a Dilma é graduada na FACE-UFMG/UFRGS e pós-graduada no IE-UNICAMP.

O segundo turno da eleição presidencial está servindo para que o eleitor possa distinguir as diferenças entre as proposta dos candidatos Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, para a condução da economia brasileira nos próximos quatro anos. É falso, pois é contrafactual, que durante todo o primeiro turno, marcado por campanhas de desconstrução da imagem pública da capacidade da candidata Marina ser Presidenta do Brasil, “o debate econômico inexistiu”. Essa falsa impressão talvez seja porque o editor do Valor não lê este modesto blog!  :)

Agora, embora contaminado com deturpações típicas de uma disputa eleitoral, o editor reconhece que “esse debate econômico passou a ser um dos principais ingredientes das campanhas”.

Para ser mais explícito, ele deveria ter rotulado cada proposta para o País: uma social-desenvolvimentista que defende um papel ativo do Estado de Bem-Estar Social no planejamento indicativo do desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Não dispensa nem trava as forças de mercado, mas as regula e indica-as os negócios estratégicos para serem levados adiante com uma parceria público-privada, cujos principais atores são os capitais de origem estatal, trabalhista, privada nacional e estrangeira.

A outra é o retrocesso neoliberal. Defende um papel ativo apenas para “as livres forças-de-O Mercado”, desregulamentando as restrições à exploração de mercado, flexibilizando a legislação que representa conquistas trabalhistas, desregulando os limites da concentração econômica nos mais poderosos. Abomina qualquer tipo de planejamento preventivo em longo prazo, o que provocou o apagão em 2001 e o racionamento de água no ano corrente no Estado de São Paulo, governado há 20 anos pelos tucanos, tornando-o conhecido pela alcunha de “Tucanistão”.

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Fla-Flu Eleitoral (por Xico Sá)

Indústria Naval Antes X Depois de 2003Um Desagravo a Xico Sá e a íntegra do seu texto censurado

Recebi a seguinte mensagem por e-mail. “O texto de Xico Sá, soma-se a tantos outros, de quem viveu e viu as diferenças que ocorreram no País de 2003 para cá. O que também mudou, entretanto, e por isso agora podemos ter voz, é que estas maravilhosas mídias sociais online, nos permitem “peitar” quem sempre falou e ditou o que era o certo e o errado neste País e no resto do mundo. Atualmente, um simples texto de 140 caracteres enviado pelo Twitter, pode inverter ou quebrar a pauta dos maiores gigantes da dita mídia tradicional. E foi mesmo pelo Twitter que Sá denunciou a censura que sofreu sua coluna. Motivou vários outros a fazer o mesmo. Posteriormente, o texto foi publicado, mas pela Ombudsman da Folha, após manifestação de Xico a ela. Por tudo isso, também declaro aqui o meu voto.”

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Mito XI no Debate Econômico Pré-Eleitoral: TJLP X SELIC

Stack of Brazilian Real

Cristiano Romero (Valor, 15/10/14) resenha um trabalho que falsea mais um mito econômico do debate pré-eleitoral. Reproduzo-o abaixo para, mais uma vez, verificar a verdade dita por Bertolt Brecht. “Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.”

“Um dos temas mais relevantes do debate econômico brasileiro é se a atuação do BNDES compromete a eficácia da Política Monetária. Em tese, os desembolsos do banco estatal, bem como do crédito subsidiado em geral, diminuem a eficácia da política monetária, uma vez que parcela significativa dos tomadores de empréstimos não responde à alta da taxa básica de juros (Selic).

Quando o Banco Central (BC) aperta as condições monetárias, o objetivo é desacelerar a demanda para controlar a inflação. Se nesse momento, o BNDES mantém ou aumenta a liberação de recursos para financiar os investimentos das empresas, a potência do ajuste monetário diminui. Por causa disso, o BC é obrigado a calibrar uma taxa Selic mais alta para promover o mesmo ajuste na demanda agregada e nos preços. Continuar a ler

Política de Tesouraria do BNDES (por Selmo Aronovich*)

Lucro anual do BNDESCarteira da Tesouraria X Ativo Total no BNDESTesourarias dos BancosPeso das Carteiras nas Receitas do BNDES

Finanças e análise de demonstrações financeiras são matérias razoavelmente complexas, o que requer do analista o cuidado de observar não apenas os quadros principais das demonstrações financeiras, assim como as notas explicativas, preferencialmente ao longo do tempo para que se observe as tendências e se chegue às conclusões corretas. As próprias informações financeiras não podem estar alijadas do contexto temporal e institucional, da evolução dos normativos bancários nacionais e internacionais, das mudanças contábeis (a adesão do Brasil aos princípios do IFRS), entre outros. A ausência de tais perspectivas pode gerar avaliações incorretas como as realizadas por Mansueto Almeida, assessor do Aécio. Para tanto, o BNDES disponibiliza em seu portal eletrônico a relação de suas demonstrações financeiras semestrais completas desde 2002, dentre diversas outras informações na seção Relação com Investidores.

A respeito do artigo publicado no Valor Econômico de 1 de outubro de 2014 de autoria do assessor de Aécio Never, o neoliberal Mansueto Almeida, que abordava supostas manobras para melhorar o superávit primário, existem algumas retificações necessárias aos pontos que mencionam o BNDES segundo Selmo Aronovich, superintendente da Área Financeira do BNDES

O artigo do técnico licenciado do IPEA sugere que o BNDES carrega uma carteira de títulos públicos federais de porte exagerado e que haveria geração extraordinária de resultados com o propósito de elevar artificialmente  a distribuição de dividendos ao acionista controlador do BNDES, a União. Tratam-se de suposições incorretas, que ignoram o papel e o funcionamento da gestão de liquidez de uma instituição financeira de grande porte, assim como a evolução institucional e da regulação bancária nacional e internacional. 

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Brasil: Fronteira de Expansão da Riqueza Mundial

Riqueza Brasileira

Luciana Seabra (Valor, 15/10/14) resenha o relatório colocado para download no post anterior. “Os ricos brasileiros têm US$ 3,2 trilhões, ou US$ 23,4 mil per capita, quando divididos pelo número de adultos residentes do país, segundo um relatório de riqueza global divulgado no dia 14/10/14 pelo Instituto de Pesquisa do Credit Suisse. Os integrantes do topo da pirâmide patrimonial brasileira avançaram em relação a 2000, quando a média era de US$ 7,9 mil. O ritmo, entretanto, caiu nos últimos anos. Em reais, o crescimento médio da riqueza por adulto foi de 1% entre 2011 e 2014. Em dólares, o valor encolheu 14% de 2011 para cá, levando o Credit Suisse a dar o título “Gigante adormecido” ao trecho destinado ao Brasil no relatório global.

Com riqueza por adulto na faixa entre US$ 5 mil e US$ 25 mil, o Brasil foi considerado no relatório – escrito pelos economistas Anthony Shorrocks, Jim Davies e Rodrigo Lluberas – um país da fronteira de riqueza. Estão no grupo alguns dos maiores países do mundo em população. Fazem companhia ao Brasil, por exemplo, China, Rússia, Egito, Indonésia, Filipinas e Turquia. A maior parte dos países da América Latina também integra o grupo, como Argentina, Peru e Venezuela.  Continuar a ler