Regulação Bancária no Brasil

Regulação bancária brasileira

Carolina Mandi (Valor, 21/07/14) avalia que, se o Banco Espírito Santo (BES) estivesse sujeito às regras bancárias brasileiras, uma parte considerável dos problemas de conflito de interesse que colocaram o banco dentro da crise financeira do conglomerado português talvez tivesse sido evitada.

Por anos, o grupo Espírito Santo usou o BES como uma fonte fácil de captação de recursos para financiar suas empresas. O banco, por exemplo, tem € 1,2 bilhão em empréstimos do conglomerado em seu balanço. Além disso, o fundo de investimento ES Liquidez, distribuído aos clientes do BES, chegou a ter 87% do seu patrimônio de € 666 milhões aplicado em notas promissórias de companhias do grupo em 2012. Nada disso contrariou as regras às quais o BES está sujeito. Já no Brasil, isso não seria possível sem que o banco estivesse fora da lei.

De 1964, a legislação que lançou as bases do sistema financeiro nacional já buscou blindar os bancos de potenciais problemas de conflito de interesse com seus controladores. Continuar a ler

Banco Espírito Santo de Portugal: Um Caso Familiar

Banco Espirito Santo SA As Vitor Bento Appointed New Chief Executive Officer

Patrick Jenkins (Financial Times apud Valor, 15/07/14) conta que a saga do Banco Espírito Santo (BES) de Portugal chama atenção para vários fatos:

  1. que os bancos da periferia da zona do euro ainda estão frágeis;
  2. que o sentimento dos investidores em relação a eles ainda pode ser volátil; e
  3. que a ajuda com dinheiro dos contribuintes a bancos com problemas não é mais palatável para os governos.

Mas as origens do idiossincrático caso do BES também oferecem uma lição mais importante:

  1. bancos de controle familiar podem ser problemáticos;
  2. mas bancos grandes e sistemicamente importantes que têm controle familiar podem ser muito problemáticos.

Ao contrário de muitos concorrentes, o maior banco de Portugal não entrou em dificuldades sérias no colapso global de 2008 – nem mesmo dois anos depois, quando a zona do euro tornou-se o ponto crítico da crise. O banco fracassou agora porque interesses complexos da grande família Espírito Santo voltaram para assombrá-lo. Continuar a ler

Dívida / PIB da China: 251%; EUA: 260%; Reino Unido: 277%; Japão: 415% X Brasil: 58% (pública bruta) + 56% (crédito) = 114%

Yuan

Jamil Anderlini (Financial Times, apud Valor, 22/07/14) informa que o endividamento total da China cresceu para mais de duas vezes e meia o tamanho de sua economia, ressaltando as dificuldades com que se defronta Pequim para estimular o crescimento sem criar as condições para uma crise financeira.

A proporção entre endividamento total (público e privado) e Produto Interno Bruto (PIB) na segunda maior economia do mundo chegou a 251% no fim de junho de 2014, tendo crescido bem em relação aos 147% do fim de 2008, segundo uma nova estimativa do banco Standard Chartered.

Esse rápido incremento é muito mais preocupante do que o nível absoluto da dívida, uma vez que aumentos dessa magnitude, em outras economias, em período tão curto foram quase sempre seguidos de turbulência financeira.

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Treasuries: “Porto Seguro”?

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Daniel Kruger e Cordell Eddings (Bloomberg apud Valor, 15/07/14) avaliam que a discussão cada vez mais acirrada sobre quando o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) deverá elevar as taxas de juros é pouco mais do que um espetáculo secundário se comparada à capacidade dos Estados Unidos de tomar empréstimos.

Apesar de toda a preocupação de que os ativos de renda fixa vão despencar assim que o Fed elevar as taxas, o Departamento do Tesouro americano conseguiu fazer com que os investidores apresentassem US$ 3,4 trilhões em ofertas pelo US$ 1,12 trilhão em notas e bônus vendidos este ano, segundo dados da Bloomberg. Isso resulta numa relação de 3,06 lances recebidos por título vendido, a segunda mais elevada já registrada e superior à de 2,88 registrada no ano passado como um todo.

Atrair investidores é decisivo para os EUA, em um momento em que o país financia uma carga de endividamento que mais do que duplicou, para quase US$ 18 trilhões [PIB brasileiro: ~ US$ 2,5 trilhões], desde antes da crise financeira. A atratividade dos títulos do Tesouro do país ficou patente, recentemente, quando os bônus referenciais de dez anos do Tesouro tiveram sua maior alta desde março, num momento em que os investidores procuravam um refúgio em meio à crescente preocupação com a saúde financeira de um banco português.

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Mudança do Tratamento Regulatório dos Títulos Soberanos de Dívida Pública

 

risco de default soberanoAssis Moreira (Valor, 22/07/14) informa que a classificação dos títulos de dívidas dos governos como automaticamente livres de risco pode estar com os dias contados, o que deverá forçar os bancos a levantar bilhões de dólares em capital extra no futuro. O Comitê de Basileia de Supervisão Bancária, reunindo os principais reguladores do setor financeiro global, começou a examinar o tratamento regulatório dado aos títulos soberanos.

Atualmente, as regras do Comitê de Basileia permitem aos bancos considerar risco zero para a exposição em títulos que compram dos governos. Isso é um poderoso instrumento para as instituições aumentarem a compra desses papéis. No entanto, a crise financeira na Europa colocou em xeque essa avaliação, quando a Grécia declarou moratória de sua dívida. A partir daí, muitos investidores passaram a tratar vários títulos emitidos por governos europeus com diferentes graus de risco. Continuar a ler

Lei Financeira Dodd-Frank

Dodd-Frank

Victoria McGrane e Julie Steinberg (The Wall Street Journal apud Valor, 24/07/14) informa que, quatro anos após a lei financeira Dodd-Frank ter se tornado realidade nos Estados Unidos, a máquina reguladora do governo está transformando Wall Street de um modo fundamental.

Os bancos dos EUA estão:

  1. vendendo divisões lucrativas,
  2. saindo do mercado de financiamentos de curto prazo,
  3. cortando vínculos com empresas que poderiam atrair a vigilância dos reguladores e
  4. reforçando suas defesas contra crises futuras.

Embora os lucros estejam subindo, graças a cortes de custos e reduções das reservas para cobrir potenciais prejuízos, o motor tradicional dos lucros dos bancosoperações de mercado alavancadas com capital próprio – está dando sinais de enfraquecimento, já que os bancos estão abandonando algumas atividades devido à pressão regulatória.

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