Felicidade Interna Bruta (FIB)

Ranking de FIBAlexandre Hohagen é vice-presidente do Facebook para a América Latina. Publicou artigo (Valor, 02/10/14) sobre o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), tema que tratei recentemente em aula sobre Economia da Felicidade – De volta à Filosofia, Sociologia e Psicologia.

“Mais de uma vez me peguei pensando em o que consiste a felicidade. E tais reflexões me fizeram concluir que o trabalho vem sendo visto como um dos fatores mais importantes na obtenção da satisfação e que o usamos como alavanca para chegar à felicidade: trabalha-se em função da recompensa, que é necessária para se conquistar elementos que nos fazem felizes. Mas sempre olhei para o trabalho de uma forma diferente, na qual mais do que o meio para se alcançar determinado fim, ele deve ser visto como parte integrante e inerente do caminho, que precisa proporcionar plenitude no dia a dia. Continuar a ler

Aposentadoria: Conceito Ultrapassado por Pós-Carreira Profissional

Pós-Carreira Profissional

Em um modelo criado e patenteado pelo Itaú, para ajudar o investidor a decidir quanto precisava poupar para a aposentadoria, batizado de 1, 3, 6, 9, a regra de bolso ensina que, para uma velhice tranquila, é preciso ter acumulado um ano de renda até os 35 anos de idade, três anos até os 45, seis anos até os 55 e nove anos até os 65. Por exemplo, quem ganha R$ 300.000 / ano (ou R$ 25.000 / mês), teria então de ter patrimônio de R$ 2.700.000 aos 65 anos. Como, no Private Banking (saldo acima de R$ 3 milhões), em março de 2014, havia apenas 55.104 investidores, é provável que, nessa regra de bolso, considera-se também o patrimônio imobiliário, além do financeiro, lembrando-se que a liquidez da casa própria reduz-se à troca de uma maior para casal e filhos por um apartamento para casal ou viúvo(a).

Karla Spotorno (Valor, 03/09/14) informa que a falta de um projeto para a aposentadoria é comum entre os brasileiros por fatores culturais. As pessoas ainda são educadas a seguir roteiros preestabelecidos e a buscar um emprego em vez de empreender, aponta Renato Bernhoeft, da consultoria höft. Ele observa que as famílias estimulam os filhos a conquistar uma carreira numa empresa grande ou mesmo a fazer um concurso público.

Para Denise Mazzaferro, sócia da consultoria Angatu IDH e mestre em gerontologia pela PUC-SP, “a grande questão é que quem deve construir a história da sua vida é você“. Apesar disso, considera ela, alguns pais ainda dizem o que o filho deve fazer, e as empresas continuam sendo vistas como responsáveis pela carreira do profissional.

Essa passividade foi o que motivou o especialista em Finanças Pessoais Gustavo Cerbasi a escrever seu 12º livro. “Adeus, Aposentadoria” foi lançado mês passado, depois de uma lenta gestação de quase sete anos. Ao longo de todo esse tempo, Cerbasi observou uma repetição no comportamento das pessoas que o procuravam depois de palestras ou quando ainda prestava consultoria. “Muitos poupavam para a aposentadoria, mas estavam descontentes, porque sabiam que economizavam menos do que poderiam, não gostavam de poupar e entendiam que a poupança não era o suficiente“, conta.

Talvez por conta desses relatos, Cerbasi decidiu começar seu livro de forma apocalíptica. Ele escreve: “Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre aposentadoria. Aliás, esqueça a ideia de se aposentar. Aposentadoria, no sentido que o senso comum dá a essa palavra, é um conceito ultrapassado“. Continuar a ler

Neuromarketing

Neuromarketing

Fernando Torres (Valor, 26/08/14) escreveu artigo sobre Neuromarketing, um ramo da Neuroeconomia, primo (rico ou pobre?) das Finanças Comportamentais. De um lado, desenvolveu-se o chamado neuromarketing, que usa as ideias sobre a tomada de decisões para atiçar as vendas. Ajuda a descobrir meios de melhorar a comunicaçãoas reações do consumidor. Do outro lado, proliferam cursos para investidores ministrados por neurocientistas. Ele ensina a evitar as armadilhas da mente humana e a tomar decisões vantajosas no tempo certo. Reproduzo o artigo abaixo. Continuar a ler

Eleição entre A Religião e A Ciência

Bertrand Russell, 1951

Nesta campanha eleitoral em que a disputa se dá entre uma crente evangélica e uma defensora do Estado laico, vale (re)ler o texto clássico de Bertrand Russel, intitulado A Filosofia entre A Religião e A Ciência. Vamos apresentá-lo em uma série de pequenos posts, sublinhando seus conceitos-chave.

Os conceitos da vida e do mundo que chamamos “filosóficos” são produtos de dois fatores:

  1. um, constituído de fatores religiosos e éticos herdados;
  2. o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar “científica”, empregando a palavra em seu sentido mais amplo.

Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteriza a Filosofia.

Filosofia” é uma palavra que tem sido empregada de várias maneiras, umas mais amplas, outras mais restritas. Pretendo empregá-la em seu sentido mais amplo, como Russel procura explicar adiante.

A Filosofia, conforme Bertrand Russel entende a palavra, é algo intermediário entre a Teologia e a Ciência.

Como a Teologia, consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conseguiu até agora chegar, mas, como Ciência, apela mais à razão humana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação.

Todo conhecimento definido pertence à Ciência; e todo dogma quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à Teologia.

Mas entre a Teologia e a Ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa Terra de Ninguém é a Filosofia. Continuar a ler

Estado Laico X Moral Religiosa Conservadora

Marcha Conservadora

Renata Batista (Valor, 09/09/14) informa que a crescente força da questão religiosa e de debates como o da união civil de homossexuais na política reflete o conservadorismo dos brasileiros. A avaliação é do Ipsos Public Affairs, instituto de pesquisa com atuação em 86 países. O Ipsos acaba de fechar um estudo de comportamento em 20 países, mas as respostas dos brasileiros foram, inicialmente, desconsideradas pelos analistas estrangeiros que consolidaram os dados globais para estudos específicos sobre a questão feminina e sobre as causas homossexuais.

“Eles acharam que tinha alguma coisa errada pois as respostas não eram consistentes com a imagem que tinham do país“, resume o diretor do Ipsos no Brasil, Dorival Mata Machado, que na época estava chegando na empresa e precisou avaliar os resultados ponto a ponto para reverter a situação.

 Para Machado, as respostas também estão distantes do próprio imaginário do brasileiro, que não percebe esse viés. “O conservadorismo moral do brasileiro está mais próximo de países percebidos internamente como mais fechados ou com forte influência religiosa, como China e Índia, do que de vizinhos da América Latina, como a Argentina”, avalia, e faz o contraponto com a imagem externa do país. “Lá fora, existe uma percepção do Brasil não tão conservador. Eles percebem que o país está crescendo, mudando, e não têm ideia de que é uma sociedade calcada em uma posição conservadora, principalmente na base da sociedade. Não conseguem entender a distância entre o Brasil novo e as posições conservadoras”. Em outras palavras, os estrangeiros não entendem a herança maldita de um regime escravocrata, com larga influência da Igreja Católica e agora, pior, da Igreja Evangélica, que coloca em risco o Estado laico em caso da vitória eleitoral da Marina Silva.

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Posfácio de “A Nascente” (por Leonard Peikoff)

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Antes de começar um romance, Ayn Rand escrevia copiosamente em seus diários a respeito do tema, dos personagens e do enredo. Ela escrevia não para qualquer outro leitor, mas para si mesma – para alcançar maior clareza em sua própria compreensão. Entretanto, para os seus admiradores, os diários de A Nascente são uma cornucópia de tesouros. Entre outras coisas, eles incluem os primeiros esboços dos personagens, anotações indicando a evolução do enredo, sua própria análise do primeiro rascunho da Parte I e uma ampla pesquisa sobre arquitetura, com passagens de livros de várias autoridades copiadas à mão e seguidas de seus próprios comentários. Permeando os diários, é claro, de uma forma ou de outra, há também filosofia – ou seja, as ideias que terminariam por culminar no objetivismo. Continuar a ler

Defesa de Howard Roark no livro “A Nascente” de autoria de Ayn Rand

A nascente

“– Há milhares de anos, o primeiro homem descobriu como fazer o fogo. Ele provavelmente foi queimado na fogueira que ensinara seus irmãos a acender. Foi visto como um homem maligno que havia tratado com um demônio temido pela humanidade. Mas, a partir de então, os homens possuíram o fogo para aquecer-se, para cozinhar sua comida, iluminar suas cavernas. Ele lhes deixou uma dádiva que não haviam concebido e removeu a escuridão da face da Terra.

Séculos mais tarde, o primeiro homem inventou a roda. Ele provavelmente foi despedaçado na própria roda que ensinara seus irmãos a construir. Foi visto como um transgressor que se aventurou em território proibido. Mas, a partir de então, os homens puderam viajar além de qualquer horizonte. Ele lhes deixou uma dádiva que não tinham concebido e abriu as estradas do mundo.

Esse homem, o primeiro, que não se submete a ninguém, figura nos primeiros capítulos de todas as lendas que a humanidade já registrou sobre suas origens. Prometeu foi acorrentado a uma rocha e despedaçado por abutres… porque roubou o fogo dos deuses. Adão foi condenado a sofrer… porque comeu o fruto da árvore do conhecimento. Qualquer que fosse a lenda, em algum lugar nas sombras de sua memória, a humanidade sabia que sua glória começou com um único homem, e que ele pagou pela sua coragem.

Ao longo dos séculos, existiram homens que deram os primeiros passos em novos caminhos, armados apenas com sua própria visão. Seus objetivos variavam, mas todos eles tinham algo em comum: o seu passo era o primeiro, o seu caminho era novo, a sua visão era original e a reação que receberam… o ódio.

Os grandes criadores… pensadores, artistas, cientistas, inventores… – enfrentaram sozinhos os homens de seu tempo. Todas as grandes ideias originais foram atacadas. Todas as invenções revolucionárias foram denunciadas. O primeiro motor foi considerado uma bobagem. O avião, impossível. A máquina de tear, maligna. A anestesia, pecaminosa. Mas os homens de visão independente seguiram adiante. Eles lutaram, sofreram e pagaram. Mas venceram. Continuar a ler