Golpistas da Internet

Abgnale Prende-me Se For Capaz

Acho curioso os direitistas se apresentando como moralistas “contra o Estado corrupto” sem apresentar nenhuma crítica às falcatruas privadas, maiores e muito menos controladas. Fornecem aquele tradicional discurso de vitimização autojustificador “roubo porque os poderosos roubam”. Ah, é?!

João Luiz Rosa (Valor, 02/04/14) informa que as perdas com fraudes em transações financeiras somaram R$ 2,3 bilhões em 2013, segundo informações da Serasa Experian. As fraudes off-line, ligadas ao roubo de identidade, foram de R$ 1,2 bilhão, de acordo com a companhia. O Brasil é o 5º país no ranking mundial desse tipo de delito. Cerca de 30% de todos os usuários de cartão de crédito já tiveram algum problema do tipo. Na internet, os prejuízos foram de R$ 500 milhões no comércio eletrônico e de R$ 600 milhões na movimentação bancária via internet.

Na prática, se estabelece um jogo de gato e rato em que os hackers aperfeiçoam seus ataques a cada vez que encontram barreiras melhores. “Não estamos brigando com computadores, mas com pessoas muito espertas”, diz Ori Eisen, fundador da companhia americana 41st Parameter, que hoje é parte do grupo Experian. “Toda tecnologia tem prazo de validade. Os fraudadores acabam aprendendo a contorná-la.”

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Neuroeconomia: Empatia, Emoções e Negociações

Empatia

Norbert Elias (“O Processo Civilizador“, original de 1939) — leia: Processo Civilizador: Revolução Econômica – avalia que um clássico jogo de soma positiva na vida econômica é a troca de excedentes. Todos saem ganhando. Obviamente, uma troca em um único momento no tempo só compensa quando existe divisão do trabalho. Esta é chave para a criação de riqueza. Trabalhadores especializados aprendem a produzir uma mercadoria com crescente relação eficiência / custo e a trocar seus produtos especializados por um meio de troca universal.

A troca eficiente depende de dois fatores. Uma infraestrutura de transporte que possibilita aos produtores trocar seus excedentes mesmo quando separados pela distância. Outro é o dinheiro, que permite aumento de escala com a venda a prazo com juro, viabilizando os produtores trocarem muitos tipos de excedente com muitos outros produtores em muitos pontos do tempo.

Os jogos de soma positiva também mudam os incentivos para a violência. Na troca, o parceiro comercial fornecedor torna-se mais valioso vivo do que morto. Há mais incentivo para prever o que o outro quer, para melhor supri-lo, atende-lo e/ou vender. O livre mercado recompensa a empatia!

Alicia Clegg (Financial Times apud Valor, 13/02/14) conta que “Nelson Mandela passou parte de seu tempo na prisão estudando a história africâner e aprendendo sozinho o africanês, o idioma de seus carcereiros. Ele achava que ver o mundo através dos olhos de seus adversários seria importante em qualquer negociação futura.

A empatia e as emoções – tanto as próprias quanto as de quem está do outro lado – têm um papel crucial nas negociações, sejam elas políticas ou de negócios. A percepção emocional pode ajudar você a “navegar no escuro” e superar preconceitos, além de proporcionar autocontrole.

Em um livro publicado recentemente, “The Art of Negotiation: How to Improvise Agreement in a Chaotic World“, o professor Michael Wheeler, da Harvard Business School, compara as habilidades dos bons negociadores às dos músicos de jazz ou comediantes na arte do improviso. Artistas como esses sabem interpretar as reações uns dos outros, respondendo criativamente a mudanças inesperadas e conduzindo um tema.

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Tementes de Deus

Big Brother DivinoExperimentos de Laboratório

Não é incomum, geralmente, domingo pela manhã, no Bairro Cidade Universitária, ao lado do Campus da Unicamp, uma dupla de senhores ou senhoras idosas bater a campanhia à minha porta e me perguntar: “Você é temente de Deus?“. Respondo: “Não te minto: Deus não existe. Sou ateu.” Olham-me como tivesse vendo o diabo personificado e, pior, não consigo conter um sorriso vitorioso… Como tivesse com o capeta no corpo! :)

Reinaldo José Lopes (FSP, 25/01/14) dá uma dica advinda de pesquisa de ponta em Psicologia para quem organiza reuniões de condomínio: para minimizar a chance de que alguém tente passar a perna nos demais presentes, pinte um grande olho na parede do salão.

Parece ridículo, mas é um conselho apoiado por fortes evidências experimentais. Quando voluntários que participam de jogos nos quais há a chance de trapacear veem fotografias ou desenhos de olhos, a chance de que alguém burle as regras cai.

Gente vigiada é gente bem comportada“, diz Ara Norenzayan, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), e autor de “Big Gods” (“Deuses Grandes“).

No livro, ainda sem versão no Brasil, Norenzayan argumenta que essa é a principal razão pela qual a maioria dos seres humanos em sociedades complexas acredita em divindades preocupadas com o comportamento ético: reais ou não, tais figuras ajudam a controlar a tentação de passar a perna nos outros.

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O Brasileiro, O Mercado e O Governo

Redenção

Habituei-me a tratar com reverência (e ironia) O Mercado. Assim, com artigo definido e nome próprio em maiúscula, tal como merece O Mercado como Deus.

Harvey Cox, professor de Teologia da Universidade de Harvard, recebeu o conselho de que “se quisesse saber o que estava acontecendo no mundo real, deveria ler as páginas de Negócios”. Embora o seu interesse ao longo da vida tenha sido o estudo da religião, sempre disposto a expandir seus horizontes, ele seguiu o conselho, embora com o medo de quem teria que lidar com um novo e desconcertante vocabulário. Em vez disso, ficou surpreso ao descobrir que a maioria dos conceitos com que deparou foi bastante familiar!

Seu depoimento é impagável. “Esperando uma terra incógnita, encontrei-me, em vez disso, na terra do déjà vu. O léxico do The Wall Street Journal e as seções de negócios da Time e Newsweek acabaram por ter uma semelhança impressionante com o Genesis, a Epístola aos Romanos, e  a Cidade de Deus de autoria de Santo Agostinho. Atrás de descrições de reformas pro mercado, a política monetária e as circunvoluções do Dow-Jones, eu gradualmente juntei as peças de uma grande narrativa sobre o significado mais profundo da História Humana, porque as coisas tinham corrido mal e elas diziam como colocá-las no rumo correto. Os teólogos chamam isso de Mitos de Origem, Lendas da Paixão, e Doutrinas do Pecado e da Redenção. Mas lá estavam todos eles, novamente, e apenas com leve disfarce: as crônicas sobre a criação de riqueza, as tentações sedutoras do estatismo, o cativeiro aos ciclos econômicos sem rosto e, por fim, a salvação através do advento de mercados livres, com uma pequena dose de cinto ascético apertado ao longo do caminho.”

Deus é um cara gozador. Adora brincadeira. Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro, mas achou muito engraçado me botar cabreiro. Na barriga da miséria, nasci O Brasileiro! Eu sou do terreiro!

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Custo/Benefício de Morar no Rio de Janeiro

Cariocas na PraiaIPC-RJ

Desejo voltar a morar no Rio de Janeiro. No próximo ano, completam-se 30 anos que mudei de lá, depois de ter morado sete anos (1978-1985). Mas talvez seja o lugar onde eu tenho mais amigos e conhecidos, pois foi a fase da minha vida mais intensa em “atividades-de-rua”. Eu ia ao meu apartamento, na Rua Almirante Guilhem, a duas quadras da praia do Leblon, em frente ao Rio Design Center, apenas para dormir. Foi a época da militância política no IERJ / Sindicato / CORECON, anistia, retorno dos exilados, fundação do PT, festas sexta-e-sábado, praia das 14:00 ao por-do-sol, “beijação pré-aids”… É uma cidade bela, sedutora e apaixonante, apesar de todas as suas mazelas em violência, malandragem, jeito-carioca-de-ser, desigualdade, etc. Mas, atualmente, um problema SurReal (humor típico carioca: “tiradas issspiiiertas“) alastra e incomoda moradores e, principalmente, visitantes e candidatos a moradores: os preços surreais! Não querem que eu volte…

Renata Batista (Valor, 24/01/14), de modo blasé, afirma “Todo verão é a mesma coisa. Os preços aumentam na praia e o carioca reclama. A novidade neste ano é que – pressionados por uma inflação maior do que a média das outras capitais – os cariocas, com sua conhecida irreverência, decidiram rebatizar o real, moeda que em 2014 completa 20 anos e virou marca da estabilidade econômica.

O surreal, moeda imaginária proposta pelo designer Toinho Castro para fazer frente aos preços que se vê pela cidade, virou movimento no Facebook, atraiu mais de 118 mil seguidores em menos de uma semana e já gerou filhotes em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília.

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Verão em Casa

Preço da Hospedagem

Fábio Brandt e Raquel Ulhôa (Valor, 31/01/14) informam que quem viaja a negócios para o Rio de Janeiro e para São Paulo paga mais caro na diária de hotel do que as pessoas que fazem o mesmo tipo de viagem para alguns dos grandes centros econômicos da Europa, como Milão (Itália), Viena (Áustria) e Frankfurt (Alemanha), segundo levantamento feito pela Embratur.

Os preços no Rio superam até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Tóquio, no Japão, apresentou diárias mais baratas que nas duas capitais brasileiras (ver tabela acima).

Quando a viagem é de lazer, a hospedagem no Rio fica mais cara do que em Paris (França), Londres (Inglaterra), Barcelona (Espanha) e Cancún (México).

O estudo, chamado de Pesquisa Internacional de Preços de Hotelaria (PPH), leva em conta a média dos preços da diária em dez cidades brasileiras e em outras dez cidades estrangeiras de outubro de 2012 a dezembro de 2013. Nesse período, os valores foram consultados a cada 15 dias, o que permite comprovar que Rio e São Paulo estão permanentemente entre os destinos mais caros do mundo, afirma Leandro Garcia, assessor da presidência da Embratur e responsável pela pesquisa. “Não é sazonal, que seria mais caro só na alta temporada do hemisfério sul”, diz Garcia.

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Top Executive Compensation 2013: Desnacionalização do Mercado de Trabalho de Executivos

Executivos estrangeiros

Edson Valente (Valor, 30/12/13) informa que, segundo o estudo Top Executive Compensation 2013, realizado pelo Hay Group, das 322 empresas pesquisadas no país, 38% disseram ter executivos vindos do exterior em seus quadros.

Foram computados, ao todo, 163 profissionais do exterior – 9% deles ocupando a presidência e 91% nos cargos de diretoria e vice-presidência. Entre as companhias que relataram contar com estrangeiros, 89% são multinacionais e 11% nacionais.

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Irrelevância da Pesquisa de Padrões

Analista Fundamentalista X Análise Técnica

“Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso. No momento em que você começa a acreditar ter enxergado determinado padrão de ordem nos assuntos que envolvem seres humanos, inclusive nos assuntos financeiros, está correndo risco”. Apesar dessa visão do Homo Pragmaticus, apresentada em Comportamentos dos Investidores TDIE 165, os seres humanos não se emendam. Todo teórico está buscando encontrar algum padrão no meio ao caos. Na visão pragmática, o mundo do dinheiro é desordenado, sem nenhum padrão de comportamento, ou seja, com movimento caótico. Logo, os preços não seguem em movimento inercial como supõe a análise grafista ou técnica.

Os métodos mais usados para avaliar ações e definir perspectivas que pesam na hora de aplicar na Bolsa são as análises técnica — ou gráfica — e fundamentalista.

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Planejamento da Vida Financeira

Aposentados 02

Ana Paula Ragazzi (Valor, 11/12/13) informa que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estuda criar um comitê com cientistas, médicos, profissionais de educação e psicólogos para discutir questões de educação financeira. A ideia é ouvir essas pessoas para saber como o investidor toma as suas decisões e, a partir daí, traçar uma plano de ação. A CVM participou de seminário sobre Finanças Comportamentais, na véspera, no Rio.

Uma melhor compreensão do que influencia o comportamento do investidor se mostra fundamental para os reguladores do mercado de capitais. Passada a crise, a fase atual é de entender a importância do mercado de capitais para o desenvolvimento da economia, mas para tanto é preciso segurança nos mercados, que só virá com educação. A CVM assumiu o compromisso de colocar esse tema na agenda do planejamento estratégico para os próximos dez anos.

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Mascate Educacional: O Estilo Mercantilista de Educar

Chaim Zaher

Beth Koike (Valor, 18/12/13) traça o perfil biográfico de Chaim Zaher, que nasceu em Beirute e chegou ao Brasil com sete anos. “Ele já vendeu de tudo na vida – de calendários a roupas. Mas é na área da educação que fechou grandes negócios. Nos últimos seis anos, levantou cerca de R$ 2 bilhões ao participar das principais “janelas de oportunidade” do setor. Tornou-se neste ano o maior acionista da Estácio, uma das maiores companhias de ensino superior, e pretende, a partir de agora, liderar um processo de consolidação de escolas de educação básica.

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Grupo São Francisco do Assis: O Estilo “Meio Franciscano” de Ser

Estevam Duarte de Assis

Marcos de Moura e Souza (Valor, 11/11/13) traça o perfil biográfico do empresário Estevam Duarte de Assis. Ele assinou há três anos um contrato bilionário com o grupo varejista chileno Cencosud. Vendeu por R$ 1,35 bilhão a rede de supermercados Bretas, que seu pai havia fundado no interior de Minas Gerais. Era dinheiro para mudar sua vida e de toda a família. Mas quem o vê hoje tem às vezes a sensação de que ele empobreceu. Assis mora a maior tempo em um quartinho minúsculo, equipado apenas com um banheiro, em Belo Horizonte, e circula em um Pálio pela cidade. Doa, segundo um amigo, 90% de seus ganhos pessoais.

Aos 57 anos, o ex-presidente do Bretas – cuja venda ajudou a fazer do Cencosud a quarta maior rede de supermercados do país – dedica parte do seu tempo à recuperação de rapazes e moças que se afundaram no consumo de drogas, sobretudo o crack.

Ele é um dos principais apoiadores em Minas da Fazenda Esperança, uma comunidade terapêutica, ligada à Igreja Católica, especializada em recuperar dependentes químicos. Assis dá palestras aos jovens, atrai empresários dispostos a doar dinheiro ao projeto e também tira do bolso recursos para ajudar a manter o trabalho vivo.

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Oneomania

Endividamento

Um levantamento com internautas, elaborado pela LeadPix Survey em parceria com a Cristina Panella Planejamento e Pesquisa, mostra dados alarmantes. A pesquisa “A inadimplência dos brasileiros em 2013: situação financeira e percepção do futuro“, realizada entre agosto e setembro de 2013, via internet, com 5.566 participantes, aponta que 96% relataram que não estão com todas as contas, carnês, prestações ou dívidas em dia. Em 2012, a fatia representava menos da metade, de 44%.

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