Um estatístico se afogou atravessando um rio que tinha, em média, um metro de profundidade…

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Nate Silver, guru das previsões políticas nos Estados Unidos, autor do livro intitulado “O sinal e o ruído”, afirma que “os resultados das pesquisas de opinião em campanhas políticas costumam vir devidamente acompanhados das respectivas margens de erro, um indicador de que contém certo grau de incerteza. Por outro lado, em previsões econômicas, na maioria das vezes, menciona-se apenas um número, por exemplo, a economia criará 150 mil empregos no próximo mês; a previsão de crescimento do PIB para o ano que vem é de 3%; o preço do barril de petróleo chegará a 120 dólares.”

Isso gera a noção de que essas previsões são incrivelmente precisas. É comum vermos nos cadernos de Economia manchetes que expressam surpresa diante de qualquer pequeno desvio, por exemplo, “Aumento inesperado na taxa de desemprego: taxa de desemprego de 9,2% aflige mercados”. Lendo as letras miúdas dessa matéria, descobrimos que o resultado “inesperado” foi a taxa de desemprego ter sido 9,2% — e não 9,1%, como os economistas haviam projetado. Se um erro de um décimo foi suficiente para o assunto virar notícia, parece que essas projeções devem ser muito confiáveis.

No entanto, elas são, no máximo, instrumentos grosseiros que em geral conseguem prever pontos de virada econômicos com apenas alguns meses de antecedência. Na verdade, várias vezes esses instrumentos não conseguiram “prever” recessões mesmo depois que elas já se haviam instalado: a maior parte dos economistas americanos só percebeu as três últimas crises — em 1990, 2001 e 2007 — depois que elas haviam começado! Continuar a ler

Ideias Inatas: O Que A Experiência Não Pode Ensinar

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De acordo com Andrew Pessin, em Filosofia em 60 Segundos, muito do que aprendemos sobre o mundo se dá por meio da experiência sensorial.

Isso pode tentá-lo a pensar que no nascimento nossa mente está como uma lousa em branco: vazia de conteúdo, esperando para ser preenchida pelas experiências.

Mas enquanto nosso corpo está realmente nu ao nascermos, nossa mente não está: chegamos a este mundo com um saudável estoque de ideias inatas.

A prova é o fato de que quando adultos somos possuídos por ideias de que a experiência sensorial em si simplesmente não poderia nos fornecer. Continuar a ler

Opções de Ações Futuras Estão Predeterminadas

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Andrew Pessin, em “Filosofia em 60 segundos”, afirma que “você não precisa ser um filósofo para ver que essa declaração está certa. Afinal, só existem essas duas opções aqui: sim ou não. Então, ou você concorda ou discorda.”

E isso é tudo que você precisa saber para entender que não tem livre-arbítrio.

Qualquer ação sua possível, por exemplo, usar determinada roupa amanhã: ou você usa ou não usa.

Nenhum de nós pode saber agora o que vai acontecer – talvez devamos esperar para ver como você vai se sentir amanhã de manhã, mas sabemos que uma das opções vai ocorrer. Continuar a ler

Idealismo X Materialismo

idealismo x materialismo x espiritualismoMaterialismo

Um amigo olhou desaprovadoramente para a comida de Andrew Pessin, autor de Filosofia em 60 segundos. “O que foi?”, perguntou-lhe. “Está deliciosa!” “Não está, não”, ele respondeu. Pessin não continuou essa discussão porque não havia nada a argumentar quanto a isso…

Por que não? Porque o gosto das coisas, como diz a sabedoria popular, é relativo.

Tudo varia entre os observadores:

  1. se dois objetos têm a mesma cor;
  2. se um ambiente está frio ou quente;
  3. se alguém é lindo ou não; etc.

Simplesmente, não podemos dizer que a percepção de alguém esteja correta e que a do outro não está. As características percebidas aqui são subjetivas: não no objeto, mas na mente do observador. Beleza, como se diz, está no olho do observador. Continuar a ler

Sorte do Acaso

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“A vida não é justa”, reclamam muitas pessoas – apesar de que, normalmente, só quando a injustiça é desvantajosa para elas.

Uma olhada breve sobre a vida passada e o mundo presente, rapidamente, revela grandes disparidades em todos os tipos de “bens”: saúde, riqueza, poder, status, etc.

E há, na realidade, muitos casos em que indivíduos podem reclamar legitimamente de injustiça.

Mas há, segundo Andrew Pessin, em Filosofia em 60 segundos, menos injustiça no geral do que você poderia pensar.

Porque muitas disparidades podem ser traçadas até uma mais fundamental que é a disparidade do nascimento:

  • algumas pessoas nascem com maior inteligência do que outras;
  • algumas nascem mais saudáveis;
  • algumas nascem em países desenvolvidos,
  • algumas nascem em famílias financeiramente estáveis,
  • algumas nascem em comunidades prósperas,
  • ao passo que outras, não.

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Paradoxo Lógico da Fé em Onisciência e Onipotência

Noé

“Deus supostamente é onisciente, sabe tudo. Mas, então, Ele deveria saber o que você vai fazer no futuro, mesmo se você agir livremente. Mas como exatamente Deus poderia saber, nesse momento, o que você vai fazer, com seu livre-arbítrio, amanhã?!”

Esta é pergunta filosófica – reproduzida por Andrew Pessin, em “Filosofia em 60 segundos” – a respeito de qualquer ente sobrenatural que seja ao mesmo tempo:

  1. Onisciente, isto é, que tem saber absoluto, pleno, tendo conhecimento infinito sobre todas as coisas;
  2. Onipotente, ou seja, que pode tudo, que é todo-poderoso, que dispõe de autoridade ou poder absoluto, cujo poder é ilimitado, irrestrito.

Bem, há três maneiras de adquirir conhecimento:

  1. no modelo racional-dedutivo, pode-se raciocinar sobre o que deve, racionalmente, acontecer,
  2. no modelo histórico-indutivo, pode-se generalizar a partir de padrões anteriores sobre o que provavelmente ocorrerá, ou
  3. no modelo positivo, pode-se apenas fazer observações sobre o que está acontecendo agora.

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Retórica das Contrainformações

O poder das palavras

Quando se faz um rol das demandas de todos os movimentos sociais, verifica-se a extensão das demandas sociais sem a análise da viabilidade política e econômica do atendimento.

Esse é um problema da Economia Normativa: prega “o que deveria ser” sem um diagnóstico preciso de Economia Positiva (“o que é”).

Funciona como um “teste de mentiras“: qualquer candidato que prometer atender toda essa pauta estará mentindo!

Observe o risco político ao “bater à esquerda” no governo sem medir a consequência de que a oposição “bate à direita” fortemente.

O resultado prático dessa receita — “bater a clara do ovo bastante para o bolo crescer” — é estimular os eleitores a buscar alternância de Poder, o que no caso brasileiro significa a direita retomá-lo, ou seja, retrocesso político, social e econômico!

Essa polarização tipo “cabo-de-guerra”, sintomaticamente, colocando em pauta inclusive todas “as reformas de base” de 1/2 século atrás, antes do golpe de 1964, não levará a outro golpe militar, mas, em regime democrático, a outro governo conservador.

Nesta conjuntura pré-eleitoral, a retórica das contrainformações recorre a: Continuar a ler

Meritocracia Complementada

Subam na árvore

Meritocracia, segundo a Wikipedia, é um sistema de gestão que considera o mérito, visto como aptidão e/ou habilidade, a razão principal para se atingir posição de topo. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento. Entre os valores associados a isso estão educação, moral, aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se um método de seleção e, em sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia governativa.

A meritocracia está associada, por exemplo, à forma pela qual os funcionários do Estado são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade através de concursos públicos. A associação mais comum é realizada em relação aos exames de ingresso ou avaliação nas Universidades, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim, meritocracia indicaria posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal.

Embora a maioria das organizações estatais ou privadas seja apologista da meritocracia, esta não se expressa de forma pura em nenhum lugar. Governos utilizam padrões meritocratas com base em títulos ou diplomas escolares não como determinante para a escolha de autoridades, mas sim como pré-condição para se candidatar a certos cargos nomeados. Essa refere-se à capacitação técnica, podendo ser atestada por quaisquer diplomas de Faculdades. Entretanto, em última instância, predomina o requisito de representatividade política, o famoso QI – “Quem Indica”. Continuar a ler

O Animal Social

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Robson Viturino (Valor, 17/06/14) resenha um livro de autoria de David Brooks a respeito de um campo multidisciplinar que desejo ler, pois se relaciona ao que escrevi no meu Memorial para Concurso de Professor-Titular.

“Na literatura americana existe um território híbrido – entre o jornalismo, a ciência e a autoajuda chique – de onde saem best-sellers aos montes. Volta e meia, os autores dessa categoria são criticados por simplificarem teorias científicas além da conta, com o intuito de fisgar o leitor. Abordagens originais e bem descritas são mais raras, mas às vezes também acontecem. Com o recém-lançado “O Animal Social”, o jornalista americano David Brooks é um desses poucos autores que conseguiram a proeza de transitar por essas áreas, extrair algo rico dessa combinação improvável e tornar-se um sucesso de vendas sem causar dores de estômago na academia.

Brooks, prestigiado colunista político do “New York Times” que volta e meia recorre à ciência para explicar o que ocorre em Washington, arriscou-se em outro campo não menos movediço: o inconsciente. A partir de uma série de estudos recentes de Neurociência, Economia Comportamental, Psicologia, Antropologia e Sociologia, seu livro revela porque esta parte pouco conhecida da mente humana é a grande força motora da nossa vida, sobrepondo-se ao consciente. “As partes inconscientes da mente não são vestígios primitivos que precisam ser conquistados para realizar decisões sábias, nem cavernas obscuras de ímpetos sexuais reprimidos”, diz Brooks. Em vez disso, é “onde a maioria das decisões e muitos dos atos mais impressionantes de pensamento acontecem”. Continuar a ler

Case-se com seu Similar: Acasalamento Seletivo e Desigualdade de Renda

Mobilidade de Renda nos EUA

Morten Olsen é professor de Ciências Econômicas na IESE Business School. Ria Ivandic é pesquisadora assistente na IESE Business School. Ambos resenham (Valor, 25/03/14) um recente estudo de Jeremy Greenwood, Nezih Guner, Georgi Kocharkov e Cezar Santos, “Marry Your Like: Assortive Mating and Income Inequality” (Case-se com seu Similar: Acasalamento Seletivo e Desigualdade de Renda, em inglês, National Bureau of Economic Research, 2014) aponta um fator muito mais próximo de seu lar: a pessoa com quem você se casa. Continuar a ler

Golpistas da Internet

Abgnale Prende-me Se For Capaz

Acho curioso os direitistas se apresentando como moralistas “contra o Estado corrupto” sem apresentar nenhuma crítica às falcatruas privadas, maiores e muito menos controladas. Fornecem aquele tradicional discurso de vitimização autojustificador “roubo porque os poderosos roubam”. Ah, é?!

João Luiz Rosa (Valor, 02/04/14) informa que as perdas com fraudes em transações financeiras somaram R$ 2,3 bilhões em 2013, segundo informações da Serasa Experian. As fraudes off-line, ligadas ao roubo de identidade, foram de R$ 1,2 bilhão, de acordo com a companhia. O Brasil é o 5º país no ranking mundial desse tipo de delito. Cerca de 30% de todos os usuários de cartão de crédito já tiveram algum problema do tipo. Na internet, os prejuízos foram de R$ 500 milhões no comércio eletrônico e de R$ 600 milhões na movimentação bancária via internet.

Na prática, se estabelece um jogo de gato e rato em que os hackers aperfeiçoam seus ataques a cada vez que encontram barreiras melhores. “Não estamos brigando com computadores, mas com pessoas muito espertas”, diz Ori Eisen, fundador da companhia americana 41st Parameter, que hoje é parte do grupo Experian. “Toda tecnologia tem prazo de validade. Os fraudadores acabam aprendendo a contorná-la.”

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Neuroeconomia: Empatia, Emoções e Negociações

Empatia

Norbert Elias (“O Processo Civilizador“, original de 1939) — leia: Processo Civilizador: Revolução Econômica — avalia que um clássico jogo de soma positiva na vida econômica é a troca de excedentes. Todos saem ganhando. Obviamente, uma troca em um único momento no tempo só compensa quando existe divisão do trabalho. Esta é chave para a criação de riqueza. Trabalhadores especializados aprendem a produzir uma mercadoria com crescente relação eficiência / custo e a trocar seus produtos especializados por um meio de troca universal.

A troca eficiente depende de dois fatores. Uma infraestrutura de transporte que possibilita aos produtores trocar seus excedentes mesmo quando separados pela distância. Outro é o dinheiro, que permite aumento de escala com a venda a prazo com juro, viabilizando os produtores trocarem muitos tipos de excedente com muitos outros produtores em muitos pontos do tempo.

Os jogos de soma positiva também mudam os incentivos para a violência. Na troca, o parceiro comercial fornecedor torna-se mais valioso vivo do que morto. Há mais incentivo para prever o que o outro quer, para melhor supri-lo, atende-lo e/ou vender. O livre mercado recompensa a empatia!

Alicia Clegg (Financial Times apud Valor, 13/02/14) conta que “Nelson Mandela passou parte de seu tempo na prisão estudando a história africâner e aprendendo sozinho o africanês, o idioma de seus carcereiros. Ele achava que ver o mundo através dos olhos de seus adversários seria importante em qualquer negociação futura.

A empatia e as emoções – tanto as próprias quanto as de quem está do outro lado – têm um papel crucial nas negociações, sejam elas políticas ou de negócios. A percepção emocional pode ajudar você a “navegar no escuro” e superar preconceitos, além de proporcionar autocontrole.

Em um livro publicado recentemente, “The Art of Negotiation: How to Improvise Agreement in a Chaotic World“, o professor Michael Wheeler, da Harvard Business School, compara as habilidades dos bons negociadores às dos músicos de jazz ou comediantes na arte do improviso. Artistas como esses sabem interpretar as reações uns dos outros, respondendo criativamente a mudanças inesperadas e conduzindo um tema.

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