Hayek: Guru dos Conservadores

George_Orwell_press_photoGeorge Orwell (foto), simpatizante da proposta anarquista e do socialismo não-autoritário, faz uma defesa da auto-gestão ou autonomismo e, daí, uma forte crítica ao socialismo autoritário e estalinista. Ele teve contato direto com esse regime totalitário, traidor da democracia socialista, na experiência como combatente voluntário no lado republicano da Guerra Civil Espanhola. Juntou-se à luta no POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), uma milícia de tendência trotskista contra Francisco Franco e seus aliados Mussolini e Hitler, na Guerra Civil Espanhola.

O autor de “Revolução dos Bichos” e “1984”, em 1944, escreveu a resenha de The Road to Serfdom [O Caminho da Servidão] de autoria de Hayek, afirmando que “o coletivismo não é inerentemente democrático”, pois concede poderes a uma minoria tirânica. “Como a maioria das pessoas prefere e muito contar com a regulamentação do Estado a enfrentar depressões e desemprego, a caminhada em direção ao coletivismo poderá muito bem prosseguir, caso a opinião popular se manifeste sobre essa questão”.

Até hoje, os direitistas mais intolerantes são aqueles foram, no passado, estalinistas. Posam arrependimento como ex-comunistas e vociferam contra toda a esquerda, inclusive a democrática. Não é o caso de George Orwell. Continuar a ler

O Caminho da Servidão ao Liberalismo de Hayek

Friedrich_Hayek_portraitQuando a Segunda Grande Guerra Mundial irrompeu, o isolamento de Hayek (foto) em Londres se transformou em uma reclusão virtual. A perda de audição em um ouvido resumia quanto ele se sentia desligado de seu antigo ambiente liberal e do mundo de economia de guerra que o adotara.

Almejou participar no esforço de guerra com uma nomeação para o Ministério da Propaganda. Porém, pelo fato de ser estrangeiro, ficou claro que ele não participaria diretamente das tarefas de contrapropaganda em programas radiofônicos para os alemães.

Isolado e amargurado, os três anos seguintes se tornaram alguns dos mais produtivos da vida de Hayek. The Road to Serfdom [O Caminho da Servidão] foi sua contribuição ao esforço de guerra dos aliados. Enquanto as bombas caíam, ele escrevia nada menos do que três livros. Continuar a ler

Hayek: Inspirador dos Ultraliberais da Escola Austríaca

Ludwig von Mises

Caso a Marina Silva seja eleita é bom conhecer o que vem por aí... Depois, se votarem nela, não me reclamem, choramingando que “era feliz, mas não sabia”…

Friedrich von Hayek (1889-1992) era primo do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein e tinha sido cabo do Exército austro-húngaro na Primeira Guerra Mundial. Hayek doutorou-se em Direito, em 1922, no auge da hiperinflação, o que lhe chamou a atenção para o papel-chave do dinheiro. Passou a assistir aulas de Friedrich von Wieser, o último ministro de Finanças da monarquia austríaca. Leu os pensadores austríacos, como Carl Menger e Eugen von Bohm-Bawerk.

No entanto, a formação mais influente de Hayek aconteceu nos cafés de Viena frequentados por seus colegas então esquerdistas. Organizaram um seminário quinzenal que denominaram Geist-Kreis. Geist tanto pode referir-se ao Espírito Santo como aos espíritos seculares, até demoníacos, que se manifestam em sessões espíritas. Entre outros, incluía o economista Fritz Machlup.

Um acontecimento – a “socialização iluminista” dos bolcheviques em 1919 – levantou questões urgentes para os jovens intelectuais de esquerda:

  1. Poderia o socialismo funcionar?
  2. Poderia fornecer bens?
  3. O planejamento era factível?

Depois, o jovem esquerdista se endireitou. O economista ultraliberal Ludwig von Mises (foto) foi o mentor de Hayek. Ele instaurou um debate sobre “A Economia Coletiva”, direcionando o enfoque para as informações. Partia da premissa de que a economia se assemelhava a um processo computacional para resolver um problema matemático. Ponderava que faltavam a uma economia planejada centralmente as informações necessárias para reduzir o número de dados desconhecidos ao número de equações do modelo. Portanto, ela não dispunha de meios para calcular os preços que colocavam em equilíbrio a oferta e a demanda. Só… Continuar a ler

Mudança Estrutural: Xisto dos EUA

Gasolina nos EUA

Ed Crooks e Anli Raval (Valor, 24/07/14) informa a respeito de uma das mudanças estruturais, na economia mundial, que impede a extrapolação de uma média regular do passado para a antevisão do futuro: o xisto dos EUA reduz a ameaça de nova crise no petroleo.

“Na modorrenta área agrícola do sul do Texas, perto da cidade-fantasma de Helena, as 18 reluzentes torres da usina de estabilização de petróleo da ConocoPhillips são uma paisagem dissonante. Há três anos, havia apenas campos aqui, mas brotaram usinas para processar a enxurrada de petróleo que jorra da região de xisto de Eagle Ford, ao sul e a leste de San Antonio. Estes são tempos empolgantes no setor petrolífero americano – e as novas unidades de processamento são a prova disso.

As perspectivas são brilhantes aqui e em uns poucos outros países, como o Canadá. Com o fortalecimento da oferta de petróleo bruto da América do Norte, os analistas previram que os preços despencariam e inaugurariam uma nova era de combustível barato. Mas isso não aconteceu. Continuar a ler

Macroeconomia Monetária e Financeira da Produção Capitalista

É com grande alegria que compartilho a seguinte notícia:

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Ofício nº 501/2014/COFECON
Brasília, 25 de agosto de 2014.
Ao Senhor
David Ferreira Carvalho
Avenida 25 de setembro, nº 1474, apto 1102, edifício Grenoble.
Bairro: Marco
Belém – PA CEP: 66093005
Assunto: XX Prêmio Brasil de Economia
            Senhor Premiado,
1.         Comunicamos que o seu trabalho intitulado “Macroeconomia Monetária e Financeira da Produção Capitalista, Volume I, II, III e IV” foi contemplado com o 1º Lugar na Categoria Livro de Economia do XX Prêmio Brasil de Economia.
2.         Parabenizamos Vossa Senhoria pela conquista e desejamos que continue colaborando para o desenvolvimento técnico/científico de nosso país, enaltecendo a profissão economia.
3.         Na oportunidade, convidamos Vossa Senhoria para a solenidade de entrega da premiação, que ocorrerá no dia 3 de setembro de 2014, às 19h, no Hotel Mercure, situado na Avenida República do Líbano 1613, Setor Oeste, na cidade de Goiânia/GO.
4.         A secretaria do COFECON encaminhará as proposta dos bilhetes, para as quais solicitamos a gentileza de uma rápida decisão.
Atenciosamente,
Econ. Paulo Dantas da Costa
Presidente do COFECON
Econ. Celina Martins Ramalho
Coordenadora XX PBE
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David Carvalho foi meu aluno na pós-graduação do IE-UNICAMP e convidou-me, gentilmente, para eu escrever a Apresentação deste monumental livro (4 volumes) sobre Teoria Pós-Keynesiana.
O David merece! O Prêmio muito meritório; é o coroamento de todo o esforço de uma vida dedicada aos estudos.
Fico muito feliz com esse reconhecimento profissional. Sei da alegria que dá ao receber esse importante Prêmio.
Estou novamente alegre por participar muito modestamente com a apresentação desse grande livro. Reproduzo-a abaixo.

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Cenário Internacional

Cenários

Bernanrd Condon (AP apud Valor, 24/07/14)  acha que, no momento mesmo em que a economia dos EUA se fortalece, outros países ameaçam retardá-la.

Empresas americanas estão criando vagas no ritmo mais forte desde o fim da década de 90, e a economia do país finalmente parece pronta para crescer a um ritmo saudável. Mas a fragilidade do crescimento de França, Itália, Rússia, Brasil e China sugere que o velho chavão “quando os EUA espirram, o resto do mundo pega pneumonia” pode ter de ser mudado. Talvez o resto do mundo é que vai espirrar desta vez, e os EUA é que vão pegar pneumonia. Continuar a ler

Dívida / PIB da China: 251%; EUA: 260%; Reino Unido: 277%; Japão: 415% X Brasil: 58% (pública bruta) + 56% (crédito) = 114%

Yuan

Jamil Anderlini (Financial Times, apud Valor, 22/07/14) informa que o endividamento total da China cresceu para mais de duas vezes e meia o tamanho de sua economia, ressaltando as dificuldades com que se defronta Pequim para estimular o crescimento sem criar as condições para uma crise financeira.

A proporção entre endividamento total (público e privado) e Produto Interno Bruto (PIB) na segunda maior economia do mundo chegou a 251% no fim de junho de 2014, tendo crescido bem em relação aos 147% do fim de 2008, segundo uma nova estimativa do banco Standard Chartered.

Esse rápido incremento é muito mais preocupante do que o nível absoluto da dívida, uma vez que aumentos dessa magnitude, em outras economias, em período tão curto foram quase sempre seguidos de turbulência financeira.

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