Efeito do Viés Humano: Redução das Tendenciosidades

FHC sobre Aécio

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, conclui que a história da projeção na economia e em outras áreas sugere que as melhorias tecnológicas podem não ajudar muito se sofrerem o efeito do viés humano, e não há muitos indícios de que os previsores econômicos superaram suas tendenciosidades.

Por exemplo, eles não parecem ter aprendido com a experiência da Grande Recessão. Se analisarmos as projeções de crescimento do PIB feitas pela Survey of Professional Forecasters em novembro de 2011, veremos a mesma tendência ao excesso de confiança de 2007, pois os responsáveis por sua elaboração desconsideram muito mais os cenários de aceleração do que o justificável pela precisão histórica de suas projeções.

Se quisermos reduzir essas tendenciosidades — nunca conseguiremos nos livrar delas por completo —, temos duas alternativas fundamentais:

  • adotar uma abordagem pelo lado da oferta, criando um mercado para previsões econômicas precisas, ou
  • pelo lado da demanda, reduzindo a busca por previsões imprecisas e confiantes demais.

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Erros de Previsão e Vaidade pela Reputação

Previsão de Marina Silva

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, afirma que, com certeza, havia razões para pessimismo econômico em setembro de 2011, por exemplo, o desenrolar da crise da dívida na Europa, mas economistas midiáticos não as estavam analisando. Na realidade, tinha uma sopa aleatória de variáveis que confundia correlação com causalidade.

Em geral, os economistas têm alguma confiança em seu bom senso quando fazem uma projeção, em vez de apenas aceitar o resultado de um modelo estatístico. Considerando a quantidade de ruídos nos dados, esse comportamento provavelmente é útil.

Ajustes nos métodos de projeção estatística resultaram em previsões aproximadamente 15% mais precisas. A ideia de que um modelo estatístico seria capaz de “resolver” o problema das previsões econômicas esteve em voga nas décadas de 1970 e 1980, quando os computadores começaram a ser usados de modo mais amplo.

Porém, do mesmo modo que aconteceu também em outras áreas, como a projeção de terremotos naquela época, o avanço tecnológico não compensou a falta de compreensão teórica sobre a economia. Só propiciou aos economistas maneiras mais rápidas e sofisticadas de confundir ruído e sinal. Modelos aparentemente promissores falharam e acabaram indo para a lata de lixo. Continuar a ler

Teoria Física do Caos e Teoria Econômica da Complexidade

Previsão

O terceiro grande desafio para os especialistas em projeções econômicas, segundo Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, está no fato de seus dados brutos não serem muito bons. Ele mencionou (leia os outros posts) que é raro esses especialistas fornecerem intervalos de previsão em suas projeções — provavelmente porque isso minaria a confiança do público em relação ao trabalho deles. “Por que as pessoas não revelam intervalos? Por constrangimento”, afirma Hatzius. “Acredito que seja por isso. As pessoas se sentem constrangidas.”

A incerteza, porém, aplica-se não só às projeções econômicas, mas também às variáveis propriamente ditas. As séries de dados econômicos costumam ser submetidas a revisão, processo que pode durar meses ou até anos após a publicação das estatísticas. As revisões às vezes são enormes. Continuar a ler

Pontos de Virada

Leões X Jumentos

A respeito da ilustração acima, vote contra a fragmentação partidária e a favor de uma base parlamentar que propicie governabilidade à Presidenta Dilma Rousseff sem necessidade de tantas alianças partidárias: vote para deputados e senador do PT! Vote 13!

Consulte em: http://www.eleicoes2014.com.br/pt/  e/ou https://www.pt.org.br/

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, informa que nas extensas minutas preparadas pelo Fed após uma reunião realizada no final de outubro de 2007, o termo “recessão” não foi usado sequer uma vez. Como o Fed toma muito cuidado com a linguagem que utiliza, a possibilidade de uma recessão pode até ter sido aventada por meio da expressão riscos de queda. Mas ele não apostava em uma crise (sua projeção continuava prevendo crescimento), e havia poucos sinais de que se vislumbrava a ocorrência de uma recessão tão grave quanto a que viria a se desenrolar.

Talvez isso tenha ocorrido porque o Fed estava analisando dados do período da Great Moderation para definir a expectativa de precisão de suas projeções. Em particular, utilizou-se, com frequência, um artigo que analisava o desempenho das projeções econômicas para os anos de 1986 a 2006.

O problema de se observar apenas esses anos é que eles contêm muito pouca volatilidade econômica: só houve duas recessões relativamente brandas em 1990-1991 e em 2001. “Ao aferir a incerteza atual a partir de dados de meados da década de 1980 em diante”, advertiram os autores, “estamos pressupondo implicitamente que as condições de calmaria presentes desde a época da Great Moderation persistirão no futuro”. Era um pressuposto grandioso demais. Um motivo parcial para que o Fed tenha concluído que uma recessão severa seria improvável em 2007 pode ter sido sua decisão de ignorar os anos em que de fato houve uma recessão severa. Continuar a ler

Economia Dinâmica: Mudança Quebra Regularidade

Congresso Submerge e Emerge

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, adverte que mesmo que pudessem resolver todos os problemas estatísticos para efetuar previsões confiáveis, os economistas ainda teriam que lidar com um alvo móvel. A economia está em constante evolução, e o relacionamento entre diferentes variáveis pode mudar ao longo do tempo.

Por exemplo, tem havido uma correlação relativamente forte entre o crescimento do PIB e o aumento do índice de emprego. Os economistas dão a esse fenômeno o nome de lei de Okun. Durante o Long Boom, período de crescimento econômico que durou de 1947 a 1999, o ritmo de aumento de empregos costumava corresponder à metade da taxa de crescimento do PIB; portanto, se o PIB crescesse 4% durante um ano, o número de empregos aumentaria cerca de 2%.

A relação continua existindo — quanto mais crescimento, melhor para quem procura emprego. Mas a dinâmica parece ter mudado. Depois de cada crise recente, o número de empregos criados foi consideravelmente menor do que o esperado durante o período do Long Boom. Por exemplo, no ano que se seguiu à aprovação do pacote de estímulo econômico em 2009, o PIB estava crescendo rápido o suficiente para criar cerca de dois milhões de empregos segundo a lei de Okun. No entanto, outros 3,5 milhões de empregos foram perdidos no mesmo período. Continuar a ler

Limitações dos Modelos Estatísticos para Previsões

Passeatas de Junho de 2013

“Todas as vezes que você tomar conhecimento de uma pesquisa de intenção de voto e ouvir ou ler que a margem de erro é de dois pontos para cima ou para baixo da porcentagem informada, saiba que trata-se de uma informação incorreta. A margem de erro não existe. O que os institutos de pesquisa informam, por obrigação legal, é uma margem de erro análoga à que haveria caso adotassem uma metodologia completamente diferente da que usam. Em outras palavras, é uma total ficção. A aferição da margem de erro só poderia ser feita caso as pesquisas fossem feitas pela chamada amostragem simples aleatória. No Brasil, o sistema que é usado por todos os institutos é o de amostragem por quotas: toma-se o resultado de determinado levantamento censitário oficial e procura-se direcionar as entrevistas para reproduzir em amostragem a miniatura do retrato nacional. Neste método, não é possível determinar certa margem de erro.” [Leia mais em: Limitações das Pesquisas Eleitorais.]

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, cita um comentário de que “entender um organismo tão complexo quanto a economia é muito complicado.”

Nessa visão, os responsáveis pelas previsões econômicas enfrentam três desafios fundamentais.

Primeiro, é dificílimo distinguir causa e efeito com base apenas em estatísticas econômicas.

Segundo, a economia está sempre mudando, então as explicações de comportamento econômico que se aplicam a um ciclo de negócios talvez não funcionem em ciclos posteriores.

E, terceiro, por pior que tenham sido suas projeções, os economistas também não dispõem de dados muito bons para trabalhar. Continuar a ler

Ciclos de Expansão Global

Duração dos ciclos de expansão global

Sérgio Lamucci (Valor, 17/09/14) informa que o atual ciclo de expansão global já dura cinco anos e pode facilmente continuar por outros cinco, tornando-se o mais longo desde os anos 1970, segundo a aposta do Morgan Stanley. Embora o ritmo de crescimento seja fraco, o banco de investimentos considera que a economia mundial tem fôlego para avançar por um bom tempo sem cair abaixo de 2,5% ao ano, normalmente apontado como o nível que configura uma recessão global. Para este ano, a expectativa do Morgan Stanley é de uma avanço de 3,1% do PIB mundial.

Para justificar a sua avaliação, o banco ressalta a ociosidade ainda elevada na economia global e a expectativa de que a política monetária continue expansionista por um bom tempo nos países ricos. Além disso, os ciclos econômicos nos vários países não estão sincronizados, o que reduz o risco de aquecimento conjunto excessivo, diz o economista-chefe global do banco, Joachim Fels, no relatório “Mais Baixo, Mas Mais Longo” (Lower, but Longer).

 Segundo ele, um padrão cíclico global só apareceu nos anos 1970, “refletindo ligações crescentes por meio do comércio e dos fluxos de capitais, e também pelo advento de choques comuns, como o dos preços do petróleo nos anos 1970 e começo dos anos 1980″. Nos últimos 40 anos, os ciclos de expansão globais duraram entre quatro e oito anos, tendo em média 6,2 anos.

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