Inovações Tecnológicas e Crescimento

Tecnologia para Crescer

Ricardo Mioto (FSP, 11/05/13) inicia sua matéria jornalística com “argumento de autoridade”, citando frase do Nobel da Economia, o economista neoclássico Robert Solow: “Vemos a era dos computadores em toda parte, menos nas estatísticas de produtividade“.

Argumenta que “novos estudos” [Quis? Quid? Ubi? Quibus auxilliis? Cur? Quomodo? Quando?, ou seja, Quem? O que? Onde? Por que meios? Por que? Como? Quando? que é o método científico para circunstanciar a pessoa, o fato, o lugar, os meios, os motivos, o modo, o tempo.] mostram que “os computadores e a internet, apesar da repercussão causada na vida cotidiana, ficaram longe de impactar o desenvolvimento econômico como fizeram o motor a vapor e à eletricidade”.

Daí o repórter diz que “quem chama a atenção para o tema é o economista André Lara Resende, idealizador do Plano Real, no seu recém-lançado “Os Limites do Possível” (Portfolio Penguin).”

[Epa! Ui... O "criador da moeda-indexada" (URV) para combater a inflação inercial em economia indexada, sem dúvida, é criativo, mas... Contra argumentos, há fatos... e teoria alternativa.]

Bom, o melhor é, primeiro, ler a matéria jornalística, para no final emitir meu parecer a seu respeito:

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Onanismo Mental de “Quem Faz A Ciência Por Trás das Decisões do COPOM”

Onan

Economistas ortodoxos andam fazendo masturbação teórica com o Modelo Dinâmico Estocástico de Equilíbrio Geral (DSGE) para alcançarem um orgasmo intelectual entre pares!

No entanto, esse onanismo não passa de uma interrupção do coito antes da ejaculação, ou seja, coito interrupto. Essa automasturbação mental masculina é uma quiromania que nunca me empolgou, desde que comecei a estudar Economia em 1971. Talvez a etimologia da palavra (Onan + -ismo) explique porque a ortodoxia econômica tem dificuldade em procriar intelectualmente.  Onan era um personagem bíblico, um hebreu que, por motivos especiais, não queria ter filhos, e, por isso, praticava o coito interrompido com a mulher, espalhando seu sêmen pelo chão.

Leio o artigo publicado hoje pelo decano dos economistas brasileiros, Antonio Delfim Netto (Valor, 14/05/13) – reproduzo-o abaixo e, depois, a citada reportagem do Alex Ribeiro (Valor, 10/05/13) – e só concordo com sua última frase! “A teoria econômica não se esgota na matemática. Precisa da história.”

Acho que a “Ciência Pura” que esses economistas do mainstream querem levar a crer que está por trás da Política Monetária é pura ilusão. Na realidade, a Ciência Aplicada, onde se reincorpora tudo que antes foi abstraído pelos teóricos puros (conflitos de interesses, sociais e políticos), informa mais às tomadas de decisões práticas do que o DSGE (argh!). A Política Monetária depende muito mais de habilidade e sensibilidade à realidade do que de “Ciência”. Quem faz Ciência por trás das decisões do COPOM?! Não me venham com mistificação…

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Sofisma da Composição

Isto é só uma teoria

Reza a lenda bancária que o criador do Bradesco, Amador Aguiar, se vangloriava de nunca ter lido um livro de Economia. Justificava-se: “Para não cometer erros”… Tá certo… Tá mesmo?!

Um homem de negócios pode aprender Economia sem estudá-la? Pode sim aprender, na “escola da vida”, a fazer negócios. Quando faz um, se dá certo, repete a decisão, se dá errado, “repetir erro não é humano” – a não ser no caso de casamento, que é decisão movida pela paixão cega!

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Perspectiva Econômica dos Estados Unidos

Exportações Americanas

Sudeep Reddy (The Wall Street Journal, apud Valor, 22/04/13) informa que os problemas nos mercados internacionais estão ameaçando a recuperação da economia dos Estados Unidos pelo quarto ano consecutivo. Desta vez, é o enfraquecimento de economias em todo o mundo, não mercados de ações em queda, que sinalizam turbulência pela frente.

As exportações de bens dos EUA para a União Europeia estão em franco declínio. O crescimento das exportações dos EUA em geral vem caindo há meses, depois de ter subido por três anos após a recessão. E grandes empresas americanas apresentam cenários cada vez mais pessimistas no exterior devido à recessão na zona do euro e à diminuição do crescimento em outras economias importantes, como a China.

Temores renovados de uma desaceleração global surgem depois de meses de esperança de que uma forte recuperação finalmente estivesse tomando forma.

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Subestimação do PIB

TI no PIB brasileiro

O IBGE deverá divulgar mais evidências empíricas que poderão respaldar minha hipótese a respeito da Servindústria Brasileira. A perplexidade e frustração geradas pelos resultados decepcionantes do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 e de 2012 têm provocado desde dezembro passado, após a divulgação dos números do terceiro trimestre do ano, o surgimento de uma série de questionamentos técnicos quanto à precisão dos cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Chico Santos (Valor, 18/04/13) informa que, embora no governo haja a preocupação de evitar a impressão de que ele está pressionando seu órgão oficial de estatísticas, uma nota técnica minuciosa apresentada em seminário organizado pelo Ministério da Fazenda, em março, pelo economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, reforçou a convicção de setores governamentais ou ligados a ele de que a atual metodologia do IBGE não está conseguindo captar adequadamente o crescimento do setor de serviços, responsável por 65% do PIB de 2012, provocando o pífio 0,9% de crescimento da economia após o fraco 2,7% de 2011.

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Usos do Raciocínio Abstrato em Economia segundo Marshall

Pensamentos e Fragmentos do Conhecimento

De acordo com Marshall, “a indução, auxiliada pela análise e pela dedução, reúne os fatos em classes apropriadas, ordena-os, analisa-os e infere deles proposições gerais ou leis”.

Então, por um momento, a dedução assume o principal papel:

  1. associa umas com outras algumas dessas generalizações;
  2. tenta com elas chegar novas e mais amplas generalizações ou leis; e
  3. então convoca a indução de novo para a principal tarefa da obra de coletar, peneirar e manipular os fatos de sorte a testar e “verificar” a nova lei.

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O Trabalho do Historiador Econômico segundo Marshall

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Tudo que foi reproduzido nos posts anteriores leva a Marshall considerar a relação que tem a Economia com os fatos de tempos distantes. “O estudo da História Econômica pode ter várias finalidades, e, consequentemente, vários métodos”.

Considerada como um ramo da História Geral, pode ela ter em mira ajudar-nos a compreender:

  • Qual tem sido a estrutura institucional da sociedade em diversos períodos;
  • Qual a constituição das várias classes sociais e as suas relações recíprocas;
  • Qual tem sido a base material da existência social;
  • Como tem sido supridas as necessidades e conveniências da vida;
  • Sob que organização a mão de obra tem sido fornecida e dirigida;
  • Como tem sido distribuídas as utilidades assim produzidas;
  • Quais as instituições que tem repousado sobre essa direção e distribuição, e assim por diante.

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Análise e Dedução segundo Marshall

Método Científico

Segundo Alfred Marshall, “a função da análise e da dedução na Economia não é forjar algumas longas cadeias de raciocínio, mas forjar, seguramente, muitas pequenas cadeias e simples elos de ligação. Esta contudo não é uma tarefa trivial. Se o economista raciocina rápida e levianamente, está sujeito a estabelecer articulações más em cada volta de sua obra. Precisa ele fazer uso cuidadoso da análise e da dedução, porque somente pela sua ajuda pode selecionar os competentes fatos, grupá-los corretamente e torna-los de serventia para sugestões ao pensamento e guia na prática”.

Isto porque, “da mesma maneira como toda dedução deve repousar sobre uma base de induções, também cada processo indutivo envolve e inclui a análise e a dedução. Ou, por outra, a explicação do passado e a previsão do futuro não são operações diferentes, mas uma só elaborada em direções opostas, uma do efeito para a causa, a outra da causa para o efeito”.

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Raciocínio Dedutivo em Economia segundo Marshall

Método Dedutivo X Indutivo

“É verdade que as forças de que trata a Economia apresentam uma vantagem para o raciocínio dedutivo no fato do seu processo de combinação ser, como observou Mill, antes do da Mecânica que o da Química. Isto é, quando conhecemos a ação de duas forças econômicas separadamente – por exemplo, as influências que um aumento na taxa de salários e uma diminuição na dificuldade do emprego em uma indústria exercerão de maneira distinta sobre a oferta de trabalho na mesma – podemos prever perfeitamente a sua ação conjunta, sem esperar uma experiência específica”.

Marshall alerta quanto a não exagerar a extensão em que isso pode ser feito, colocando excessivas pretensões para os métodos dedutivos na Economia. “Mesmo na Mecânica, porém, as longas cadeias de raciocínio dedutivo são aplicáveis diretamente apenas às ocorrências de laboratório. Raro são por si suficientes para orientar o tratamento dos materiais heterogêneos e da combinação complexa e incerta das forças da vida real. Tais cadeias de raciocínios precisam, assim, ser completadas pela experiência específica, aplicadas em harmonia, e frequentemente em subordinação a um estudo incessante de novos fatos, uma incessante pesquisa para novas induções”.

Vale, neste ponto, diferenciar as expressões dedução, indução e abstração.

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O Âmbito e O Método da Economia segundo Marshall

Economia Mundial

“Há os que sustentam, como Comte, que o âmbito de qualquer estudo proveitoso da ação do homem em sociedade tem que ser coextensivo com toda a Ciência Social. Argumentam eles que todos os aspectos da vida social são tão estreitamente relacionados que o estudo de qualquer deles isoladamente deve ser fútil. Insistem que os economistas abandonem o seu papel distinto e se devotem ao progresso geral de uma Ciência Social única, que tudo abarque.”

Esse seria o espírito original da Economia Política e Social considerada clássica. No Apêndice C de sua obra “Princípios de Economia”, onde abandonou os epítetos Política e Social para adotar a abstração da Economia (“pura”), Alfred Marshall justifica a alcunha de sua concepção de Economia ser neoclássica.

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List e a Escola Histórica Alemã Socialista segundo Marshall

Alfred Marshall

Alfred Marshall (1842-1924) começou a trabalhar em sua obra seminal, os Princípios de Economia (Principles of Economics), em 1881, e passou boa parte da década seguinte escrevendo o tratado. Seu plano para a obra, gradualmente, se estendeu para uma compilação em dois volumes de todo o pensamento econômico. O primeiro volume foi publicado em 1890, sendo aclamado mundialmente, o que o colocou entre os principais economistas de seu tempo.

Nas duas décadas seguintes, ele trabalhou para completar o segundo volume dos Princípios, que deveria tratar do comércio internacional, do dinheiro, das flutuações comerciais, dos impostos e do coletivismo. Mas sua atenção obstinada aos detalhes e seu perfeccionismo o impediram de dar conta do fôlego da obra. O segundo volume nunca foi completado, mas foi publicado postumamente.

Em seu Apêndice B, ele esboça O Desenvolvimento da Ciência Econômica (MARSHAL, Alfred. Princípios de Economia: Tratado Introdutório. São Paulo, Abril Cultural – Os Economistas, 1982: 333-344). Vamos sintetizar sua análise dos economistas alemães, com foco especial em List e nos socialistas, reunindo mais argumentos em defesa da hipótese, lançada em meu TD-IE intitulado Desenvolvimento do Desenvolvimentismo: Do Socialismo Utópico ao Socialdesenvolvimentismo, que ideias de List foram compartilhadas com essa corrente de pensamento latino-americano. Por que? Pela necessidade das Nações em atraso histórico darem “salto de etapas”, buscando a fronteira tecnológica que propicia maior produtividade.

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A Tirania da Economia Política (por Dani Rodrik)

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Dani Rodrik é professor de Economia Política Internacional na Universidade de Harvard e autor de “The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy (O paradoxo da globalização: a democracia e o futuro da economia mundial). Reproduzo interessante artigo dele a respeito da relação esnobe dos economistas com os políticos. Curiosamente, os economistas, que se apresentam como porta-voz de O Mercado, tornaram-se mais ideólogos do que os pragmáticos políticos que negociam acordos possíveis com mais tolerância em relação às ideias distintas.

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