Cidadania & Cultura

Cidadania (Economia, Política, Sociedade e Comportamentos) & Cultura (Arte, Cinema, Livros, Música, Futebol, Humor e Internet)

Mito X do Debate Econômico Pré-Eleitoral: A Crise Acabou!

Exportações no Mundo 2002-2014Destino das Exportações BrasileirasPIB China 1997-2016PIB EUA 2014-15PIB Áreas do Euro 2008-2014

Um Manifesto dos PhDeuses Autistas a la Armínio foi divulgado, porém argumentando que não explicita apoio a nenhum dos candidatos, embora só critique o governo da Dilma. Então, para que manifestar-se?! Ora, ora, “neutralidade científica” à vespera de uma eleição onde decide-se o rumo do País?!

Ficar “em cima do muro“, nesse caso, é uma posição oportunista — e muitas vezes carrerista — tradicionalmente identificada como a de poleiro tucano

Neste Manifesto, um grupo de 164 professores universitários de Economia de diferentes centros — que vai da PUC do Rio, passa por Yale e chega aos departamentos da Unicamp [1/2 dúzia dos meus colegas tucanos, nenhuma instituição é perfeita...] e da UFRJ — se propõe a desconstruir o que chamam de “um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral”. O grupo de oposição rechaça uma das principais justificativas dadas pelo governo para o baixo crescimento atual — a desaceleração da economia global — ao não reconhecer a ideia de uma crise internacional generalizada!

Lembrei-me da crítica dos estudantes franceses que se espalhou pelas “escolas do Primeiro Mundo”, onde esses PhDeuses se catequizaram: Manifesto Pós-Autista: Carta-aberta dos Estudantes aos Professores e Responsaveis pelo Ensino de Economia. O autismopolarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante — é uma epidemia pior do que a do ebola entre eles!

O manifesto alerta ainda que, no cenário atual que identificam como de baixo crescimento e inflação alta, a “semente do desemprego está plantada e os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco”. Para o grupo, “diante dos sérios desafios a ser enfrentados pelo país, é necessário um debate transparente e intelectualmente honesto”. Sim, eles deveriam apresentar dados e evidências empíricas que se contraponham aos acima apresentados — com os principais destinos das exportações brasileiras e seus desempenhos econômicos em queda — e  comprovem que não há crise no mundo!

Um dos signatários do manifesto, o professor Arilton Teixeira, da Fucape Business School [?], frisa que o texto não é uma manifestação de apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) ( :) ). “Muitos de nós fizemos doutorado e PhD no exterior, com frequência com a ajuda financeira de órgãos do governo. Nós tínhamos obrigação de nos manifestar. Nossa omissão seria penalizar o país”, diz Teixeira, cuja crítica se volta especialmente ao uso recorrente da crise internacional para explicar a desaceleração da atividade neste ano. “Nossos principais mercados consumidores – os Estados Unidos, a Europa – estão se recuperando. A Argentina continua mal, mas quanto ela representa nas nossas exportações, 8%, 9%?”, pondera o economista.

Será que os PhDeuses não estudaram ciclos econômicos, crises e tendências, defasagens temporais, efeitos multiplicadores, abordagem das elasticidades, abordagem estruturalista e coisas como tais?!

Pelo menos, deveriam ler (e ver os gráficos abaixo) da matéria de Marcus Walker e Anton Troianovski, publicada no The Wall Street Journal hoje (quarta-feira, 15 de outubro de 2014), onde informam que um impasse entre o Banco Central Europeu, a Alemanha e outros governos da zona do euro está impedindo a Europa de reanimar sua debilitada recuperação econômica.

As tensões, que vêm fermentando há meses, pioraram este mês em meio à deterioração dos dados econômicos da zona do euro, ameaçando impedir uma resposta política coerente à medida que a economia europeia caminha em direção a uma terceira recessão em seis anos.

Continuar a ler

Dominique Plihon e Marc Lavoie: Visitas ao IE-UNICAMP

IE-UNICAMP Pátio InternoAlô, alô, Alexandre Rands, confira os seminários abaixo para conhecer melhor o IE-UNICAMP — e evitar falar impropérios tais como:

“O PSDB adora dizer que a gente está copiando. De fato, numa discussão, vamos concordar em 80% das coisas. Não é porque os economistas de Marina são tucanos, mas simplesmente porque hoje em dia existem alguns consensos na teoria econômica. Estão em todas as universidades americanas, em 98% das europeias, em 95% das asiáticas e 97% das brasileiras. Só uma universidade aqui não tem articulação internacional, não traz e não manda ninguém para o exterior: a de Campinas (Unicamp). Ela é endógena. No entanto, tem uma força no governo Dilma que não tinha no de Lula, que era muito mais próximo do que Marina defende hoje. Os economistas de Campinas não consideram todo o desenvolvimento da teoria econômica desde a década de 1960. Dilma pensa com a cabeça de Campinas, que hoje é um lugar isolado, fora do mundo. Uma ilha que parou no tempo”.

Somos tais como a aldeia de Asterix na Gália contra o Império Romano!

- “Financial reforms in the European Union – There may be several slips between the cup and the lip” 
Data: 08/10 (quarta-feira)
Horário: 14h30
Local: Auditório Jorge Tápia
Palestrante: Prof. Dominique Plihon
 
- “What lessons can economists draw from the euro crisis ?”
Data: 09/10 (quinta-feira)
Horário: 14h30
Local: Auditório Jorge Tápia
Palestrante: Prof. Dominique Plihon
As palestras serão proferidas em inglês e os artigos de referência estão em anexo.
Obrigatório aos alunos matriculados nas disciplinas: HO-303, HO-306 e HO-308
 

Além disso, o Prof. Plihon estará à disposição dos professores e alunos do IE, durante toda a semana, para a realização de reuniões individuais sobre os temas de pesquisa com os quais ele trabalha. Sugere-se, sobretudo, que os alunos cujas dissertações ou teses tratem dos temas de especialidade do Prof. Plihon (e.g. financeirização, sistema bancário, taxa de câmbio, crise da zona euro) aproveitem a oportunidade para debater com ele suas pesquisas. 

Continuar a ler

Efeito do Viés Humano: Redução das Tendenciosidades

FHC sobre Aécio

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, conclui que a história da projeção na economia e em outras áreas sugere que as melhorias tecnológicas podem não ajudar muito se sofrerem o efeito do viés humano, e não há muitos indícios de que os previsores econômicos superaram suas tendenciosidades.

Por exemplo, eles não parecem ter aprendido com a experiência da Grande Recessão. Se analisarmos as projeções de crescimento do PIB feitas pela Survey of Professional Forecasters em novembro de 2011, veremos a mesma tendência ao excesso de confiança de 2007, pois os responsáveis por sua elaboração desconsideram muito mais os cenários de aceleração do que o justificável pela precisão histórica de suas projeções.

Se quisermos reduzir essas tendenciosidades — nunca conseguiremos nos livrar delas por completo —, temos duas alternativas fundamentais:

  • adotar uma abordagem pelo lado da oferta, criando um mercado para previsões econômicas precisas, ou
  • pelo lado da demanda, reduzindo a busca por previsões imprecisas e confiantes demais.

Continuar a ler

Erros de Previsão e Vaidade pela Reputação

Previsão de Marina Silva

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, afirma que, com certeza, havia razões para pessimismo econômico em setembro de 2011, por exemplo, o desenrolar da crise da dívida na Europa, mas economistas midiáticos não as estavam analisando. Na realidade, tinha uma sopa aleatória de variáveis que confundia correlação com causalidade.

Em geral, os economistas têm alguma confiança em seu bom senso quando fazem uma projeção, em vez de apenas aceitar o resultado de um modelo estatístico. Considerando a quantidade de ruídos nos dados, esse comportamento provavelmente é útil.

Ajustes nos métodos de projeção estatística resultaram em previsões aproximadamente 15% mais precisas. A ideia de que um modelo estatístico seria capaz de “resolver” o problema das previsões econômicas esteve em voga nas décadas de 1970 e 1980, quando os computadores começaram a ser usados de modo mais amplo.

Porém, do mesmo modo que aconteceu também em outras áreas, como a projeção de terremotos naquela época, o avanço tecnológico não compensou a falta de compreensão teórica sobre a economia. Só propiciou aos economistas maneiras mais rápidas e sofisticadas de confundir ruído e sinal. Modelos aparentemente promissores falharam e acabaram indo para a lata de lixo. Continuar a ler

Teoria Física do Caos e Teoria Econômica da Complexidade

Previsão

O terceiro grande desafio para os especialistas em projeções econômicas, segundo Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, está no fato de seus dados brutos não serem muito bons. Ele mencionou (leia os outros posts) que é raro esses especialistas fornecerem intervalos de previsão em suas projeções — provavelmente porque isso minaria a confiança do público em relação ao trabalho deles. “Por que as pessoas não revelam intervalos? Por constrangimento”, afirma Hatzius. “Acredito que seja por isso. As pessoas se sentem constrangidas.”

A incerteza, porém, aplica-se não só às projeções econômicas, mas também às variáveis propriamente ditas. As séries de dados econômicos costumam ser submetidas a revisão, processo que pode durar meses ou até anos após a publicação das estatísticas. As revisões às vezes são enormes. Continuar a ler

Pontos de Virada

Leões X Jumentos

A respeito da ilustração acima, vote contra a fragmentação partidária e a favor de uma base parlamentar que propicie governabilidade à Presidenta Dilma Rousseff sem necessidade de tantas alianças partidárias: vote para deputados e senador do PT! Vote 13!

Consulte em: http://www.eleicoes2014.com.br/pt/  e/ou https://www.pt.org.br/

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, informa que nas extensas minutas preparadas pelo Fed após uma reunião realizada no final de outubro de 2007, o termo “recessão” não foi usado sequer uma vez. Como o Fed toma muito cuidado com a linguagem que utiliza, a possibilidade de uma recessão pode até ter sido aventada por meio da expressão riscos de queda. Mas ele não apostava em uma crise (sua projeção continuava prevendo crescimento), e havia poucos sinais de que se vislumbrava a ocorrência de uma recessão tão grave quanto a que viria a se desenrolar.

Talvez isso tenha ocorrido porque o Fed estava analisando dados do período da Great Moderation para definir a expectativa de precisão de suas projeções. Em particular, utilizou-se, com frequência, um artigo que analisava o desempenho das projeções econômicas para os anos de 1986 a 2006.

O problema de se observar apenas esses anos é que eles contêm muito pouca volatilidade econômica: só houve duas recessões relativamente brandas em 1990-1991 e em 2001. “Ao aferir a incerteza atual a partir de dados de meados da década de 1980 em diante”, advertiram os autores, “estamos pressupondo implicitamente que as condições de calmaria presentes desde a época da Great Moderation persistirão no futuro”. Era um pressuposto grandioso demais. Um motivo parcial para que o Fed tenha concluído que uma recessão severa seria improvável em 2007 pode ter sido sua decisão de ignorar os anos em que de fato houve uma recessão severa. Continuar a ler

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.218 outros seguidores