Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social na UNICAMP

UNICAMP

Lucas Sampaio (FSP, 15/03/14) informa que o número de alunos de escolas públicas matriculados na Unicamp cresceu 20% em um ano de acordo com a Universidade. Eles passaram de 30,7% dos inscritos em 2013 para 37% em 2014.

Entre os que se declaram pretos, pardos e indígenas, a alta foi mais expressiva: 34%. Apesar disso, esse grupo ainda representa só 17,7% das matrículas neste ano, ante 13,2% no ano passado.

“Os resultados foram bastante positivos”, avalia o reitor José Tadeu Jorge. “O PAAIS [Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social] deve ser intensificado porque esse é o nosso grande programa de inclusão. A base de inscritos não se alterou, mas a quantidade de aprovados, sim.”

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Resultados da Condicionalidade do Bolsa-Família na Área Educacional

Condicionalidades do Bolsa-Família

Mais uma avaliação de uma das Políticas Sociais Ativas adotadas pelos Governos Social-Desenvolvimentista desde 2003. É importante conhecer para dar um voto consciente na continuidade dos programas de erradicação da miséria no Brasil.

Luciano Máximo (Valor, 10/01/14) contas estórias brasileiras. “Ribeirão do Largo, no sul da Bahia, e Algodão de Jandaíra, no agreste da Paraíba, são cidades pobres do interior nordestino. Além disso, têm em comum o fato de a cobertura do Bolsa Família ser superior a 75% de suas respectivas populações (a média nacional é 25%). Também são considerados municípios prioritários pelo Ministério da Educação (MEC) por estarem abaixo da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), hoje o principal instrumento para medir a qualidade do ensino no país.

Embora quase todos os filhos e filhas dos beneficiários do programa federal de transferência de renda frequentem escola pública, a trajetória de alguns indicadores educacionais que determinam avanço ou retrocesso no ensino nas duas cidades é bem diferente.

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(Re)evolução no Ensino Técnico: PRONATEC

Ensino Técnico

Democracia é uma conquista social não só porque propicia maior liberdade política, mas também porque compromete os governos que almejam a sua reeleição e/ou a do sucessor escolhido com políticas sociais que atendam à maioria do povo. Logo, a crítica implícita ou explícita de “política eleitoreira” deve ser entendida como política popular com resultados em curto prazo, isto é, em um mandato governamental. Bom governo é o social-desenvolvimentista, como é o da Dilma, que combina política social ativa em curto prazo com planejamento indicativo de decisões de investimentos de longo prazo de maturação. Está fazendo uma (re)evolução no Ensino Técnico, alternativa profissionalizante ao nível de Ensino Médio.

Luciano Máximo e Andrea Jubé (Valor, 30/12/13) avaliam que, junto com o recente programa Mais Médicos e as políticas sociais de superação da miséria, a presidente Dilma Rousseff destacará o ensino técnico como uma de suas marcas de governo e colocará o tema no centro do debate eleitoral de 2014. A campanha petista aposta que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e a expansão dos institutos técnicos e tecnológicos federais, iniciada ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, são respostas às reivindicações das centenas de milhares de jovens que saíram às ruas para protestar em junho de 2013. Ao mesmo tempo, a promoção da qualificação da mão de obra no país dialoga com o setor produtivo e coleciona números expressivos, difíceis de serem contestados pelos adversários.

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Ensino Gratuito: Modelo Social-Desenvolvimentista Brasileiro

UFABC

Luciano Máximo (Valor, 14/01/14) informa que a Universidade Federal do ABC (UFABC) tem só sete anos de funcionamento. Parte de seus prédios, laboratórios e salas de aula no campus-sede de Santo André e na unidade de São Bernardo do Campo não está completamente pronta, obrigando alunos, professores e funcionários a conviver com transtornos causados por obras atrasadas. Ainda assim, a instituição apresenta bons conceitos em indicadores acadêmicos oficiais e vem galgando posições em rankings universitários no Brasil e no exterior.

Seu maior destaque nessas classificações é no quesito internacionalização. A UFABC é a primeira do Brasil. Tem uma área de relações internacionais atuante no fechamento de acordos de cooperação acadêmica com universidades estrangeiras – atualmente são parcerias com instituições de mais de 20 países, em todos os continentes. Dos quase mil alunos da pós-graduação, mais de 50 são do exterior. Dos 506 professores concursados, 63 são estrangeiros, a maioria com histórico profissional no Brasil e fluente em português. Mas o objetivo é avançar na barreira do idioma, lançando concursos públicos completamente em inglês para docentes e incluir aulas ministradas também em inglês na grade curricular. Além disso, a instituição vai abrir um centro de idiomas para alunos e funcionários e terá um reitor alemão em 2014.

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Ensino Pago: Modelo Neoliberal Chileno

indignados-ensino-pago

Jorge Felix (Valor, 14/01/14) avalia que “as manifestações estudantis no Chile, em 2011, surpreenderam muita gente. As ruas repletas em protestos por educação superior pública e de qualidade colocaram o tema na agenda política. Mais ainda. Com a promessa de atender aos apelos estudantis, Michelle Bachelet conquistou mais de 60% dos votos e volta ao poder em março.

O fato de o ensino universitário influenciar a pauta política, porém, em nada surpreendeu a jornalista María Olívia Mönckeberg, 69 anos, professora da Universidade do Chile. Já em 2005, ela percebia que este era um dos mais importantes problemas sociais do país e que o aumento sem fim das mensalidades provocaria uma reação popular. Decidiu, então, empreender um trabalho ímpar de jornalismo investigativo, que resultou em três livros: “La Privatización de las Universidades: Una Historia de Dinero, Poder e Influencias” (2005), “El Negocio de las Universidades en Chile” (2007) e, agora, “Con Fines de Lucro – La Escandalosa Historia de las Universidades Privadas en Chile“, lançado este mês (todos sem tradução em português).

Pelos dois primeiros, recebeu o prêmio jornalístico de maior prestígio no país (o Periodismo Nacional) em 2009, que acrescentou ao Louis Lyons Award for Conscience and Integrity in Journalism, recebido em 1984 da Nieman Foundation (da Universidade Harvard). Seu trabalho foi mostrar como, apesar de terem nome de universidade, prédio de universidade, alunos e professores, as instituições educacionais surgidas após a liberalização do setor promovida pela ditadura militar em 1981 desrespeitam a lei que proíbe o lucro na educação e funcionam para encobrir outras atividades da elite política do país. A principal delas: sonegar impostos. “As universidades privadas do Chile são um duto por onde passa o dinheiro; são verdadeiras instituições financeiras”, diz María Olivia, nesta entrevista ao Valor. Aos seus olhos, o desafio de Bachelet é desmontar esse esquema poderoso.

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Protesto nas Universidades Europeias Por Um Novo Ensino da Economia

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Reproduzimos abaixo a matéria publicada no Jornal dos Negócios de Portugal e já reproduzida no site CartaMaior a respeito do debate cujos documentos originais citados postamos antes neste modesto blog – Estudantes de Economia necessitam aprender mais do que Teoria Neoclássica e Manifesto Pós-Autista: Carta Aberta dos Estudantes aos Professores Responsáveis pelo Ensino de Economia. Agora, há um site do movimento Rethinking Economics, do Post-Crash Economics, um Institute for New Economic Thinking e um Post Keynesian Economics Study Group. Houve conferências como Are Economics Graduates Fit For Purpose?.

A forma como se ensina economia nas universidades é anacrônica e está “presa numa cápsula do tempo”.

Por Helena Oliveira, Jornal de Negócios (Portugal)

Adam Smith, Karl Marx, Joseph Schumpeter e John Keynes

Até aqui, poderia ser chamada como uma “revolução silenciosa”. Um pouco por todo o mundo, grupos de estudantes de Economia estão a organizar-se e a erguer a sua voz exigindo uma reforma nos programas curriculares da disciplina. Questionando a hegemonia da teoria neoclássica, a excessiva utilização dos modelos matemáticos e a desconexão entre “economia” e questões econômicas reais, os estudantes em causa, apoiados por um número crescente de acadêmicos e economistas de referência, divisaram estratégias variadas de ação e estão a começar a atingir sucessos reais. Depois de manifestos, movimentos e conferências, as mídias começaram a cobrir este grito de reforma e já há muita gente que o escuta, registra as suas frustrações e se prepara para agir. A história de uma “Nova Economia”, finalmente, parece estar a dar os primeiros passos em muitas instituições de ensino de referência.

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Avaliação Discente do Curso Métodos de Análise Econômica: Documentários-Pesquisas-Apresentações

Networking

Completada mais uma experiência didática-cinematográfica no Curso de Graduação do IE-UNICAMP – delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto, usando documentários para obter informações e empatia com os protagonistas e aplicando métodos de análise econômica para fazer apresentações de histórico, estatísticas, diagnóstico e políticas públicas para enfrentar os problemas apresentados nos documentários –, é interessante compartilhar seus resultados com todos os interessados.

O objetivo central do curso Métodos de Análise Econômica era ensinar/aprender a análise das políticas socioeconômicas e formas de intervenção governamental para regulação de economia de mercado. Usamos como método didático, em uma aula, a apresentação de um documentário sobre temática socioeconômica brasileira para referenciar e/ou motivar o debate das políticas públicas para enfrentar os problemas abordados pelo filme. Na aula seguinte, um grupo de alunos apresentava os resultados de suas pesquisas a respeito.

A intuição e a criatividade dos alunos estiveram envolvidos nesse processo através da própria ação grupal de pesquisar dados e informações sobre o problema, dimensionando-o, e analisando se as políticas públicas usadas são as pertinentes. Assim estimulados, os alunos obtiveram a apropriação intelectual do tema apresentado. Através dessa prática didática, houve a elaboração mental cujos resultados estão postados neste blog em Apresentações do Curso de Métodos de Análise Econômica.

Fiquei muito satisfeito também com o resultado desse curso! No primeiro semestre, tinha usado muitos filmes do gênero Drama e/ou Épico Histórico para traçar a história da evolução humana através das Grandes Eras Econômicas. Ler: Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema. Desta vez, usei Documentários Brasileiros como motivação para a pesquisa e a elaboração da apresentação (oral e em PowerPoint) por parte de grupos de três alunos a respeito de cada tema apresentado. Visava o treinamento de exposição e debate em público.

Foi muito satisfatório conferir o sucesso da iniciativa, tanto pela avaliação oral, realizada na última aula, quanto pela avaliação escrita dos alunos sobre o curso.

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Estudantes de Economia necessitam aprender mais do que Teoria Neoclássica

Durham University library economics and politics books

Meu promissor ex-aluno, Roberto Borghi, atualmente completando seu doutoramento em Cambridge – Inglaterra, enviou-me, via Facebook, duas dicas de artigos publicados ontem pelo jornal The Guardian, pois deduziu, corretamente, que eles me interessariam. Completou: “A economia precisa olhar (ou ser olhada) para além do mainstream…” Traduzi o primeiro e postei o segundo em inglês mesmo. Leiam abaixo.

Economics students need to be taught more than neoclassical theory

University syllabuses for economics are stuck on an outdated model. There are other schools of thought worth learning about

Zach Ward-Perkins and Joe Earle

The Guardian.com, Monday 28 October 2013 08.00 GMT

Será que as pessoas leigas acham a maneira como os estudantes de economia são educados uma questão política importante? Provavelmente não, mas a forma como estudantes de Economia são educados tem implicações muito mais amplas para a sociedade do que é comumente imaginado.

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Psicologia Social e Educação

Manwalk_2Quando a Psicologia se constituiu como disciplina científica, seu alcance ficou inicialmente limitado à análise da mente e de seus mecanismos, antes de expandir-se e incluir o estudo do comportamento. Durante a maior parte da primeira metade do séculos XX, a ênfase da disciplina ficou, portanto, no estudo da mente e do comportamento individual e suas respostas ao ambiente. Não obstante, ficou cada vez mais claro para alguns psicólogos que o “ambiente” incluía outras pessoas, configurando um ambiente socioeconômico e político através de relações interpessoais.

A Psicologia Social surgiu na década de 1930, quando os psicólogos começaram a investigar as interações de indivíduos dentro de grupos e da sociedade como um todo. Eles examinaram o efeito das organizações sociais sobre o indivíduo e de que maneira as estruturas sociais são influenciadas pela psicologia dos indivíduos.

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Curso online para escrever artigos científicos

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Conheça o Escrita Científica, oferecido gratuitamente com o objetivo de auxiliar pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação na elaboração de artigos científicos de melhor qualidade e maior relevância acadêmica, a USP criou o curso online de Escrita Científica. Oferecido gratuitamente, o curso foi desenvolvido pelo professor Valtencir Zucolotto, do Instituto de Física de São Carlos. Dividido em oito módulos, ele conta com video aulas que podem ser consultadas a qualquer momento e explicam cada parte que compõe o paper. O curso pode ser acessado pelo link: http://www.escritacientifica.com/

Dia do Professor

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina

O homem mais sábio declara que não sabe nada. Para adquirir o conhecimento acerca do mundo e de si mesmo é necessário compreender os limites da própria ignorância e remover as ideias preconcebidas. Só não sabendo se pode ter esperança de ensinar.

A missão do professor não é a de instruir as pessoas, nem mesmo aprender o que elas sabem, mas explorar as ideias que elas tem. Tal como no ofício de uma parteira, o questionador auxilia o nascimento de ideias.

Recebi a seguinte (magnífica) mensagem da minha grande amiga carioca:

“F., mais uma vez coloco a minha cara a tapa e não por acaso levo alguns. Mas mando meu texto para voce, meu querido amigo e companheiro de lutas e profissão. Beijo grande, Glorinha.”