O Mercado de Notícias

Atriz de O mercado de notícias

Assisti, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, o documentário sobre jornalismo e democracia dirigido por Jorge Furtado. O filme traz os depoimentos de treze importantes jornalistas brasileiros sobre o sentido e a prática de sua profissão, o futuro do jornalismo e também sobre casos recentes da política brasileira.

O surgimento do jornalismo, no século 17, é apresentado pelo humor da peça “O Mercado de Notícias“, escrita pelo dramaturgo inglês Ben Jonson em 1625. Trechos da comédia de Jonson, montada e encenada para a produção do filme, revelam sua espantosa visão crítica, capaz de perceber na imprensa de notícias, recém-nascida, uma invenção de grande poder e grandes riscos.

Jorge Furtado estudava medicina quando largou a faculdade para cursar jornalismo. Depois abandonou a profissão para fazer cinema. Segundo o diretor, ele tinha uma dívida com o jornalismo e recentemente sentiu vontade de discutir a imprensa.

Pesquisando sobre o assunto, ele descobriu uma peça de 1625, escrita por Ben Jonson. No Brasil, a peça nunca havia sido encenada e não tinha tradução. Jorge Furtado e a professora Liziane Kugland traduziram a peça e o diretor enviou o material para 13 jornalistas que ele admirava o trabalho: Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif, Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira, Renata Lo Prete. Continuar a ler

Anti-Heróis: Homens Difíceis

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Por que presenciamos o sucesso de anti-heróis? Anti-herói é o termo que designa o personagem caracterizado por atitudes referentes ao contexto do conto contemporâneo, mas que não possuem vocação heróica ou que realizam a justiça por motivos egoístas, pessoais, vingança, por vaidade ou por quaisquer gêneros que não sejam altruístas, ou seja, é o antônimo da ideia que se tem de herói. A maioria dos anti-heróis da ficção são mais populares que os heróis.

Isabelle Moreira Lima (FSP, 30/03/14) comenta que “criaturas infelizes, moralmente incorretas e complicadas. Aquele tipo de gente que você não teria coragem de convidar para a sua casa. Para o escritor e jornalista Brett Martin, foram personagens com essas características que mudaram a história da televisão para sempre”.

No livro “Homens Difíceis“, lançado neste mês no Brasil, o autor fala sobre a primeira fase da nova era de ouro da TV. O período vai de 1997, com a série “Oz“, sobre uma prisão de segurança máxima, a 2013, com “Breaking Bad“, sobre um professor que se transforma em chefão do tráfico.

Martin afirma que o segredo desses personagens era serem profundamente humanos. Enfrentavam “batalhas cotidianas que os espectadores reconheciam”, ainda que polígamos (“Big Love“) ou serial killers (“Dexter“).

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Um Sonho Intenso

Um Sonho Intenso

Um sonho intenso é o novo documentário de José Mariani, que dirigiu em 2006 o doc “O longo amanhecer – cinebiografia de Celso Furtado”.

Desta vez José Mariani traça um panorama da economia brasileira desde meados do século 20, com fantásticas imagens de arquivo e atuais e comentários de economistas e historiadores.

O cineasta José Mariani já realizara um documentário exemplar – ” O longo amanhecer-cine biografia de Celso Furtado” – menção honrosa no festival É tudo verdade, de 2007.

Como um tema tão árido como economia podia se transformar em um filme agradável, instigante e ao mesmo tempo muito claro e denso ?

Pois Mariani mostrou que é possível, sim, e volta à carga neste ano de  2014  com um novo documentário – “Um sonho intenso” – que retoma por um outro viés a temática do desenvolvimentismo, tônica do primeiro trabalho.

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Séries de TV: Anos 60 Cinquenta Anos Após

Recebi a seguinte mensagem de advertência:

Para a turma das antigas!!!

Só para os (MUITO) maiores de 18 anos…

É uma amostra das séries de TV norte-americanas que existiam na época da infância da “geração 68″, nascida no baby-boom após a II Guerra Mundial. Coincidiu também com o início de transmissão da própria TV nos anos 50. Vale a lembrança para comparar com as séries da TV atual.

Não há mais herois do faroeste. Há apenas anti-herois contemporâneos: traficante de drogas (Breaking Bad), terrorista (Homeland), político corrupto (House of Cards), detector de mentiras (Lie to Me)… E a gente gosta!

Bastardos

Quem recomendar assistir esse filme arrisca-se a ser, depois, responsabilizado por “perdas e danos”. O espectador sairá do cinema, provavelmente, se perguntando: “quem foi o bastardo que me recomendou perder (ou passar) tempo com sofrimento?!”

Será isso mesmo? Depois, com mais vagar, talvez o espectador reflita melhor sobre sua catarse, imediata e aparentemente negativa, como algo positivo! Viu que, “olhando de perto, todos são loucos”, não salva ninguém! Relativiza a sua família: até que, relativamente, não é tão ruinzinha, não é?

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Álbum de Família

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Álbum de Família [August: Osage County] é o segundo filme longa-metragem para cinema comercial do diretor John Wells. O primeiro, A Grande Virada [The Company Men ou "Homens de Negócio"], lançado em 2010, tem a seguinte sinopse: o executivo Bobby Walker (Ben Affleck) não tem o que reclamar da vida. Tem uma bela família, um bom emprego e um Porsche na garagem da residência de alto padrão — e joga golfe em clube “nobre”. O que ele não esperava era que, devido a uma política de redução de pessoal após a explosão da crise de 2008, fosse subitamente demitido. Phil Woodward (Chris Cooper) e Gene McClary (Tommy Lee Jones), seus colegas de trabalho, passam pela mesma situação. A mudança faz com que o trio de executivos tenha que redefinir suas vidas de provedores de luxo, como maridos e pais de família. Em síntese, é um filme sobre os relacionamentos masculinos.

O segundo filme, Álbum de Família, é sobre relacionamentos femininos. Para nós, homens, seja como “observadores-externos”, seja como “participantes-ativos”, não há nada mais difícil de entender do que os relacionamentos neuróticos entre mãe e filha – e entre irmãs. Daí a dificuldade masculina em representar tais relacionamentos em um bom roteiro, focalizando a doença senil (e cancerígena) da matriarca da família, tal como foi alcançado por Tracy Letts.

O filme foi baseado na sua peça vencedora do Pulitzer de Teatro em 2008, August: Osage County. Letts, nascido em 4 de julho de 1965, portanto, com 48 anos, é um americano dramaturgo, roteirista e ator, que recebeu também um Tony Award por sua interpretação de George na reapresentação de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? Ele recupera o estilo daqueles grandes roteiros dramáticos do cinema norte-americano, baseados em peças teatrais, por exemplo, Um Bonde Chamado Desejo, Farrapo Humano, A Malvada, Morte do Caixeiro Viajante.

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