A Força das Ideias para Um Capitalismo Sustentável

 

A força das ideias para um capitalismo sustentávelNo primeiro semestre de 2007, fui convidado por Raymundo Magliano, então presidente da Bovespa, para um almoço lá. Disseram-me que ele queria me conhecer e trocar ideias. Fui meio ressabiado, pois só tinha dado uma palestra na Bolsa de Valores de São Paulo para diversos participantes de O Mercado com o propósito de apresentar uma proposta para destravar a securitização no Brasil. Eu já tinha feito uma apresentação no Banco Central em Brasília e convidaram-me para repeti-la.

Tive uma tremenda surpresa agradável ao almoçar com o Magliano. Muito culto, ele era simpatizante das ideias de Antonio Gramsci e, especialmente, de Norbetto Bobbio. E eu compartilhava esse interesse com ele. O almoço se esticou pela tarde e, no final, convidou-me para conhecer a Biblioteca Norbetto Bobbio, que ele tinha instalado na rua em frente à Bolsa de Valores de São Paulo. Tinha as obras completas do maior filósofo italiano do final do século XX!

Por isso (e por outras ideias), quando meus colegas esquerdistas criticam os “rentistas”, eu apenas sorrio e penso: — Perdoai-os, ó Marx, eles não sabem o que dizem

Angelo Pavini (Valor, 01/07/14) resenhou o livro recém lançado: “A Força das Ideias para um Capitalismo Sustentável” de autoria de Raymundo Magliano Filho (Editora: Manole. 112 págs., R$ 29,00). Reproduzo a resenha abaixo. Continuar a ler

Abertura de Capital nos EUA: Novo Boom

Estreia nas bolsas americanas

A Economia de Mercado de Capitais a la americana tem vantagens e desvantagens em relação à Economia de Endividamento Bancário a la brasileira. A  facilidade e custo de abertura de capital por parte de empresas norte-americanas na Bolsa de Valores é muito maior e os investidores aplicam em renda variável (ações) mais do que em renda fixa (títulos desindexados) que pagam juros próximos de zero. Com isso, arriscam-se a ondas de booms e crashes. Nessa Economia de Bolhas, quando há a alta perseverante, o efeito riqueza só provoca euforia e alegria: fartura e abundância em uma sociedade de consumo e desperdício. Quando advém o crash, o efeito pobreza só dá pânico e tristeza: desemprego e despejo em uma sociedade de miséria implacável. Diferentemente do protestantismo ascético de lá, o catolicismo misericordioso de cá leva a juizes perdoarem dívidas contratuais para fazerem justiça social com as próprias mãos. Tem gente que gosta de lá; tem outras pessoas que gostam de cá…

Telis Demos (WSJ, 07/03/13) informa que, em uma agitação que lembra o auge da internet nos anos 90, empresas estão correndo para abrir seu capital no ritmo mais acelerado em anos. A ideia é aproveitar o boom no mercado acionário e a demanda dos investidores, enquanto eles duram.

Entre janeiro e fevereiro, 42 empresas abriram o capital nos Estados Unidos, levantando US$ 8,3 bilhões. O ano de 2014 já compete com 2007 como o mais concorrido início de ano para ofertas públicas iniciais de ações desde 2000, quando foram feitas 77 operações do gênero, de acordo com a Dealogic. Em 2013 — ano que também foi forte em aberturas de capital — foram realizadas 20 ofertas no primeiro bimestre.

Continuar a ler

Excesso de Emissões de Ações e Títulos de Dívida

Superaquecimento de emissões

E. S. Browning (The Wall Street Journal,  11/11/13) avalia que, justo quando os mercados financeiros americanos estavam se recuperando da turbulência em Washington, um novo sinal de perigo começa a ser visto, na forma de uma enxurrada de emissões de ações e títulos de dívida.

Muitas pessoas não veem nenhum problema nesse quadro. Elas consideram toda a atividade emocionante, como a euforia ao redor da oferta inicial de ações de US$ 2,1 bilhões do Twitter Inc. mostrou. O processo alimenta o empreendedorismo e as emissões de títulos são como leite materno para as corretoras, gerando enormes lucros.

Mas quando novas emissões se tornam tão gigantes como nos níveis atuais, pode significar que os mercados estão superaquecendo e se preparando para reverter alguns ganhos. É por isso que alguns investidores experientes não estavam em clima de festa na abertura de capital do Twitter.

image Continuar a ler

Investidor-Anjo

Investidor-Anjo

Marcel Gugoni (FSP, 21/07/13) informa que o investimento-anjo, aquele feito por pessoas físicas em empresas iniciantes, atrai executivos interessados em fazer apostas financeiras mais arriscadas dos que as da Bolsa de Valores, mas com retornos maiores se o negócio der certo. Mas essa atividade vai além do dinheiro.

A associação Anjos do Brasil, que reúne pessoas que fazem aportes nessas companhias, estima que existam 6.300 anjos no Brasil. A expectativa é que esse número cresça 20% neste ano.

É preciso ter em mente que esse tipo de investimento é diferente de aplicações como a renda fixa ou a Bolsa, porque não é só o dinheiro que conta. O papel do anjo é mais apoiar a empresa a partir da sua própria experiência profissional. Hoje, esses investidores brasileiros dedicam, em média, 25% do seu tempo à atividade.

Continuar a ler

Debate sobre Alterações na Metodologia do Ibovespa

Papel-moeda

Criado em 1968, o Ibovespa ainda é a mais importante referência do mercado acionário brasileiro, ao retratar o comportamento dos principais papéis negociados na BM&FBovespa. O índice corresponde ao valor de uma carteira teórica de ações, constituída inicialmente com valor-base de 100 pontos.

A bolsa se orgulha de manter a metodologia do índice intacta desde sua elaboração. O indicador apenas foi dividido por dez e por cem em alguns episódios, sem alteração no cálculo.

Para integrar o índice, num período dos 12 meses anteriores à formação da carteira teórica, as ações precisam estar incluídas em uma relação de papéis cujos índices de negociabilidade somados representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais; apresentar participação, em termos de volume, acima de 0,1% do total negociado na bolsa; e presença maior que 80% no total de pregões do período. Se não conseguir atender a pelo menos dois desses critérios, o papel deixa de integrar o Ibovespa.

Atualmente, a carteira do Ibovespa é composta por 71 ações de 65 empresas. As dez mais representativas do índice, lista na qual se inserem companhias como Vale, Petrobras, Itaú Unibanco e a própria OGX, respondem por nada menos que uma participação de 43%. O portfólio tem vigência de quatro meses.

A metodologia do Ibovespa, disponível no site da bolsa, também define os critérios de exclusão de ações do índice. Companhias sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou, ainda, que estiverem sujeitas a prolongado período de suspensão de negociação, não integrarão o Ibovespa. As regras determinam ainda que, caso uma empresa com ação no índice seja incorporada por outra cujos papéis não pertencem ao referencial, a situação será analisada caso a caso. Caberá à bolsa, a seu critério, excluir a ação do Ibovespa, redistribuindo a participação pelos demais papéis da carteira. Outra opção prevista na metodologia é substituir a ação da empresa incorporada pela da incorporadora.

Beatriz Cutait e Luciana Seabra (Valor, 22/07/13) informam que o Ibovespa está em xeque. As discussões sobre a urgência de alterações na metodologia do principal índice da bolsa brasileira voltaram aos holofotes. E a razão por trás dos debates é uma só: as empresas do grupo X, do empresário Eike Batista, especialmente OGX. O próximo rebalanceamento do portfólio do Ibovespa só entra em vigor em setembro, mas os debates já estão a pleno vapor.

Continuar a ler

Ações? Melhor não tê-las!

Balanço de Indicadores

Ações…  Ações?
Melhor não tê-las!
Mas se não as temos
Como sabê-lo?

Lendo e aprendendo…

Alessandra Bellotto (Valor, 18/07/13) argumenta que a história diz que o mercado acionário é um instrumento eficiente de preservação do valor real do patrimônio. O que não dá para afirmar, com base no passado, é que a aplicação em bolsa tem valido mais a pena que a renda fixa no Brasil – marcada por juros altos. É o que mostra estudo realizado pelo HSBC que compara o desempenho do Ibovespa, principal índice da bolsa, com a inflação oficial, medida pelo IPCA, e com o CDI, o juro interbancário usado como referência para aplicações de renda fixa, desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Para as comparações, foram usados intervalos de tempo mensais, trimestrais, semestrais, anuais, bienais, trienais e quinquenais em janelas móveis, ou seja, considerando aplicação em dias distintos, para obter um acompanhamento contínuo, já que os investidores não necessariamente entram nas aplicações a cada início de período.

Continuar a ler

BM&FBovespa: Terceira Maior Bolsa de Valores do Mundo

Bovespa X Outras Bolsas de Valores

Aline Cury Zampieri (Valor, 14/05/13) informa que a BM&FBovespa é a terceira maior bolsa do mundo, com capitalização de mercado de US$ 14,210 bilhões, segundo números divulgados pela própria bolsa. Perde para a CME, nos Estados Unidos, com capitalização de US$ 20,248 bilhões, e para a bolsa de Hong Kong, com US$ 19,9 bilhões. A bolsa mexicana está na 15ª colocação, com capitalização de US$ 1,7 bilhão.

Continuar a ler