Como Conceder Entrevistas

EntrevistaOs banqueiros buscam ser discretos (low profile) há séculos. Há tradição universal de os homens das altas finanças preferirem a invisibilidade pública. A predileção é pela atuação nos bastidores junto às autoridades governamentais, políticas, jurídicas e, em certas circunstâncias, até as militares. Procuram não entrar em polêmicas políticas, financiam todos os grandes partidos, não disputam cargos eletivos e, raramente, concedem entrevistas.

Antes do regime ditatorial, entre a Revolução de 1930 e o Golpe Militar de 1964, alguns banqueiros brasileiros eram exceções que acabaram demonstrando a necessidade de confirmar essa regra geral. Ocuparam cargos de Ministros e até de governadores de Estados. Arriscavam-se a se candidatar. Depois, optaram por financiar campanhas políticas, fazendo “hedge político”, isto é, se prevenindo com apoio financeiro às campanhas de “políticos profissionais” de diversos partidos. Com as bancarrotas de várias “famílias das bancas”, praticamente, sobrou apenas uma no comando do atual maior banco privado nacional.

Os banqueiros, hoje, em geral, são profissionais que ascenderam na carreira hierárquica dos bancos. É mais raro encontrar, em postos de comandos na alta administração, membros herdeiros das “famílias controladoras”. Mesmo porque houve grande desnacionalização do setor bancário brasileiro.

Os banqueiros são assessorados em suas entrevistas. Antes delas, obtém informações sobre o repórter, o veículo ou programa, seu público e o formato da entrevista. Sabem exatamente o que querem transmitir, ensaiando os principais pontos a serem comunicados. Anotam, previamente, as questões prováveis e as respostas apropriadas. Preparam-se também para as mais difíceis.

Quando dão entrevistas, acabam, na prática, as conduzindo. Fornecem a manchete. Passam logo suas conclusões, sintética e diretamente, apoiando-as em fatos. Não são prolixos. Usam quaisquer perguntas para transmitir as mensagens que desejam. Quando são perguntados sobre algum problema, falam logo sobre a solução possível. Corrigem dados incorretos mencionados pelo repórter. Nunca repetem comentários negativos ou calúnias. Sempre concentram a resposta em declarações positivas. Não costumam cair na armadilha de falar sobre hipóteses. Evitam jargões, termos técnicos e siglas. Demonstram atitude de apreciação para com o trabalho do entrevistador. Evitam interrompê-lo, nem se deixam cair em provocações.

Não costumam mentir. Se não sabem a resposta, em vez de enrolar, prometem buscar informações ou indicam alguém para responder a pergunta. Têm a precaução de fazer sua própria gravação da entrevista, especialmente aquelas sobre temas mais sensíveis. Em outras palavras, são muito mais profissionais do que costumam ser os “economistas-chefes de bancos”, apresentados como fossem “o porta-voz do Mercado”.

Suas assessorias de imprensa elaboram “guia prático” para ensiná-los a se relacionar com a imprensa. Entre as dicas estão desde o oferecimento de conforto ao jornalista até não se irritar com alguma pergunta absurda ou provocação feita por ele. Nesse caso, é necessário demonstrar paciência e responder tudo com clareza.

O objetivo é orientar, principalmente os mais inexperientes, a se comunicar com a imprensa de maneira adequada. A cartilha também orienta a ser simpático sem cair bajulação. Tal como dizia Che Guevara, “é preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais”… Responder sempre de maneira educada até mesmo às perguntas mais agressivas. Há de se entender que perguntas indiscretas fazem parte do trabalho dos jornalistas e não se deve irritar com elas.

Quando falar para TV, o entrevistado deve evitar gesticulação excessiva, manter calma e evitar termos muitos técnicos. Em caso de erro, não estando em programas ao vivo, é normal solicitar para regravar.

Há também algumas dicas de promover a instituição a que representa. Uma delas é começar as respostas com o nome dela. Dessa forma, em eventual edição da entrevista, fica difícil desvincular a atuação pessoal da institucional. Entretanto, sempre é necessário ter cautela, no caso de “estar” como banqueiro, pois é  raro alguém se aproximar dele, ou lhe dar alguma oportunidade na mídia, que não seja com o objetivo de pedir algum dinheiro…

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