Quem Paga Mais

Levantamento feito pelo Valor (26/04/2010) com base em dados que começaram a ser divulgados neste ano ao mercado por determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reuniu as 50 empresas que tiveram o maior gasto médio por diretor no ano passado. Ao se comparar a lista com as 50 maiores companhias por valor de mercado na Bovespa, há coincidência em 28 dos casos. Tamanho realmente é documento quando se fala de remuneração de executivos. No entanto, não é o único fator que determina quanto os diretores das companhias abertas vão receber pelos serviços prestados.

Grosso modo, as estatais e as elétricas dão lugar no ranking de maiores salários para empresas de porte menor, mas não exatamente pequenas, que têm estratégia agressiva de remuneração variável, seja na forma de bônus ou via plano de opções. Na média, o peso da parcela variável, planos de opções em ações, por exemplo, no total pago é de 56% nas 50 empresas que mais remuneram, em comparação com índice de 29% nas demais companhias de amostra com 197 empresas que divulgaram os dados exigidos pela CVM.

Ainda dentro dessas características das líderes, destaque para as empresas do segmento financeiro e também para aquelas que já tiveram ou ainda têm investidores de fundos com participação relevante no capital e na gestão. Das 50 da lista, 9 contaram em algum momento com a gestão da GP ou do Pactual, por exemplo.

Maior banco do país, o Itaú Unibanco encabeça o ranking, com remuneração média de R$ 7,9 milhões para cada um dos seus 16 diretores estatutários em 2009. O valor está bem acima do pago pelos concorrentes Santander, com R$ 3,7 milhões, e Bradesco, com R$ 2,1 milhões. Atrás do Itaú, Vale, AmBev, Pão de Açúcar e Lojas Renner completam a lista das cinco empresas que melhor remuneraram os principais executivos em 2009.

Na média, as 50 empresas que pagaram mais no ano passado tiveram despesa de R$ 2,7 milhões com cada diretor e gastaram R$ 29,8 milhões com diretoria e conselho. Nas demais companhias, o valor individual cai para R$ 760 mil e o custo da administração recua para R$ 6,2 milhões.

Ao serem confrontados com o resultado do levantamento, especialistas da área de recursos humanos disseram que o tamanho das empresas é o principal fator determinante para a remuneração, principalmente por conta da responsabilidade do executivo, que aumenta proporcionalmente. Mas há desvios nessa regra geral, seja pela cultura ou filosofia da empresa em questão, seja por uma característica setorial ou por conta da fase vivida pela companhia.

As empresas do setor financeiro costumam ter políticas de remuneração mais agressivas. Elas pagam salário fixo pouco abaixo do mercado e dão como contrapartida parcela variável acima da média, sujeita aos resultados. Essa estratégia é repetida, às vezes com alavancagem menor, nas empresas não financeiras que possuem gestores de fundos de participação no comando.

Essas aparentes distorções têm a ver com a estratégia. Às vezes empresa pequena tem que pagar como grande, porque senão vai continuar sendo pequena. Se a meta é ser maior e crescer como as concorrentes, ela pode contratar executivos de companhias maiores.

Meritocracia é algo difícil de implantar. Tem que ser algo que faça diferença na vida das pessoas, referindo-se à remuneração variável. Não tem importância que o executivo ganhe muito, se o acionista também ganhar junto. Especialistas se posicionam contra o excesso de benefícios. O custo de se administrar os benefícios é muito maior do que o valor percebido.

Há distorção no cálculo do gasto com as opções, quando se faz a conta tendo como base o valor das opções em 31 de dezembro e não no momento da outorga, como a maioria das demais empresas. Por isso, há distorção bastante importante na comparação.

Em relação a a empresa com ações em bolsa, a forma como está estruturada a informação pedida pela CVM vai causar distorções nos dados de outras empresas, já que as despesas com salário fixo, benefícios e bônus se referem apenas aos gastos de determinado exercício social. Entretanto, o número sobre o pagamento em ações mistura tanto outorgas feitas em determinado ano civil quanto opções recebidas em exercícios anteriores, mas com prazo de carência vencendo.

Outra distorção do ranking é a ausência da OGX. A empresa diz que as opções outorgadas pelo controlador Eike Batista não entram na conta por não terem causado impacto contábil em 2009, o que deve acontecer a partir deste ano.

A maior parte das companhias abertas (169 em amostra de 195) não cumpriu as novas exigências da CVM, para a realização da AGO de acionistas, que constam da Instrução n. 481, editada em dezembro de 2009. Nesses 87% dos casos houve algum erro no preenchimento dos documentos que devem ser apresentados. O órgão regulador pode alertar a empresa sobre a irregularidade e, dependendo do caso, abrir processo administrativo sancionador. A CVM já enviou ofícios solicitando correções e reapresentação da documentação a essas 169 empresas.

Segundo a Folha de S. Paulo (27/04/10), a direção da Petrobras propôs remuneração para os altos executivos da estatal e membros do Conselho de Administração de até R$ 10,7 milhões neste ano, cifra 29% superior ao orçamento de 2009. A proposta foi aprovada em Assembleia Ordinária de acionistas controlada pela União, que detém 51% das ações ON (com direito a voto) da empresa.

Os valores correspondem ao teto de gastos com salários, abonos e benefícios como participação nos lucros, bônus por desempenho, previdência privada, auxílio moradia e passagens aéreas dos seis diretores da estatal, inclusive do presidente. Também englobam os vencimentos dos nove conselheiros dos quais sete são indicados pela União, como Guido Mantega (Fazenda), presidente do Conselho de Administração, e Márcio Zimmermann (Minas e Energia). A remuneração dos conselheiros está limitada a um décimo da remuneração da diretoria, excluídos os principais benefícios.

Segundo balanço de 2009, os honorários e benefícios máximos mensais pagos a um membro de direção da estatal chegaram a R$ 59.465,00, em dezembro do ano passado. Em média, diretores e conselheiros receberam R$ 39.400 ao mês. Para comparação, gerente geral de agência do Banco do Brasil recebe, mensalmente, até R$ 14.000, superintendente regional, R$ 25.000, vice-presidente, R$ 39.000, presidente, R$ 45.000.

Apesar do forte aumento previsto para 2010, os salários de executivos da Petrobras são mais baixos que os de empresas privadas. A Vale, por exemplo, gastou R$ 46,8 milhões em 2009 em remunerações a 38 executivos de alto escalão, ou seja, cifra 559% maior do que a gasta pela Petrobras. Em média, a Vale pagou R$ 1,4 milhão ao ano a seus altos dirigentes.

Os valores aprovados na AGO [Assembleia-Geral Extraordinária] são os valores máximos autorizados, e não serão necessariamente gastos. Os salários dos executivos estão entre os mais baixos do mercado de executivos de empresas de atividade semelhante. Precisavam ser recompostos para evitar a perda de profissionais, por exemplo, para empresa com “nome de final X” do controlador Eike Batista, oitavo maior bilionário no mundo.

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