Fundos de varejo populares X depósitos de poupança

O Valor (29/04/2010) publicou informações relevantes para a análise financeira, depois da retomada da elevação da taxa de juros básica (SELIC). Enquanto os investimentos em fundos voltados para o varejo estavam caindo, o patrimônio dos clientes mais abonados, os chamados private, cresciam. Em março de 2010, os fundos voltados para a alta renda acumulavam R$ 209 bilhões, 37% mais do que os R$ 152 bilhões de dezembro de 2007. O crescimento dos fundos para milionários coincidiu com a expansão dos negócios das áreas de private banking dos bancos, dos escritórios de aconselhamento financeiro voltados para a alta renda ou mesmo dos gestores de fortunas (“family offices“). Nessa situação, o almejado por muitas instituições foi operar com relativamente poucos clientes, mas com aplicações individuais elevadas.

Apesar da expansão geral do setor de fundos, isso não vem acontecendo na área de varejo. Aparentemente, o pequeno investidor tem optado por aplicar em caderneta de poupança ou em CDBs. Com a crise que eclodiu, em 2008, muitos investidores deixaram de aplicar em fundos de investimento rumo a aplicações mais conservadoras e, ao que tudo indica, não voltaram mesmo após a recuperação.

Do total das aplicações do segmento de varejo em fundos, 75% estavam investidos em carteiras DI ou de renda fixa, 16% em fundos de ações e 8% em multimercados. O principal fator para a fase atual de elitização do mercado de fundos era a dificuldade que o investidor encontrava para acessar boas carteiras. Ao não encontrar fundos DI e de renda fixa que consiguissem ao menos rivalizar com a caderneta de poupança, os pequenos investidores passaram a simplesmente descartar os fundos. Os fundos de investimento de varejo representavam 18% do total das aplicações financeiras do país em 2005, percentual que caiu para 11%.

Não havia, porém, sinais de migração dos recursos de fundos mais populares para outros tipos de aplicação. Assim, o que estaria ocorrendo é que as novas aplicações de varejo estavam indo para outras alternativas. O pico de patrimônio registrado em 2007 foi motivado também pela forte valorização dos ativos naquele ano.

Dentro do segmento institucional, que também cresceu, estão os planos de previdência das pessoais físicas, que aparecem em outra categoria porque o cotista é a seguradora. Não é possível fazer a separação desses números. Espera-se, ao longo deste ano, crescimento tímido no varejo. Além do bom retorno da caderneta de poupança, que rende a variação da Taxa Referencial (TR) mais 6,17% ao ano livre de imposto, os bancos estão captando recursos com CDBs.

O dinheiro do varejo que saiu de fundos durante a crise ainda não voltou. A maior competitividade da caderneta proporcionada pela redução do juro é argumento forte para esse movimento. A queda da taxa de juros para 8,75%, só retomando sua elevação em abril de 2010, para 9,5% aa, mostrou que as taxas de administração de alguns fundos eram bastante exageradas. Com isso, muitos investidores preferiram a tradicional caderneta de poupança.

Investir em fundos é algo que demanda tempo e estudo para entender as estratégias da aplicação, além de profissionais qualificados com paciência para tirar as dúvidas dos investidores. Na dúvida, o investidor busca a caderneta de poupança e o CDB, que são mais fáceis de serem entendidos.

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