2 thoughts on “Crítica ao Conceito de Poupança

  1. Olá professor, tudo bem? Sou Martín Wachs da Argentina, eu cursei Macroeconomía III no semestre passado. Estou estudando sobre a economia brasileira e queria fazer três perguntas:
    1) Sabendo que o Brasil tem uma das taxas de juros reais mais altas do mundo e existe contínua apreciação da moeda, o investidor estrangeiro ganha pelas duas pontas (diferencial de juros e apreciação esperada). Portanto, seria boa idéia investir em títulos brasileiros o dia anterior à eleição, sabendo que em época de eleiçoes sempre há pequena depreciação? Quando seria o momento ótimo para faze-lo?
    2) Esta teoria é um pouco simplista, mas quero saber se o seguinte raciocinio está certo: o Brasil precisa de uma oferta mundial que responda à forte demanda local impulsada pela imensa população brasileira, a taxa de cambio valorizada permite isto, mas também causa deficit comercial. Pode ser que o Brasil nao se preocupe por isto devido ao descobrimento de petróleo em 2007 e a receita que vai gerar com isso?
    3) O Brasil pode se transformar em bolha, que estourará em algum dia, se a taxa de juro continuar alta?

    • Prezado Martín,
      1. A especulação cambial baseada em suposto ciclo político-eleitoral envolve risco acima do padrão normal. Caso fosse consultado, eu aconselharia o investidor seguir a análise fundamentalista (paridade de juros, transações correntes e paridade do poder de longo prazo) em prazo maior. Especular em cima de expectativas de política econômica é muito arriscado, pois esta é fruto de ação discricionária, ou seja, a equipe econômica observa as ações dos investidores e pode os contrariar…
      2. Nesse caso, é necessário separar ações de política econômica em curto prazo, p.ex., no próximo mandato governamental, da conjuntura a partir de 2014, quando, provavelmente, o petróleo do pré-sal já poderá ser exportado. Parece-me que o debate hoje retomou aquela clássica diferença: o “desenvolvimentistas de esquerda” que apóiam a Dilma pretendem fazer ajuste cambial gradualista, conjuntamente com trade-off de política de juros por política fiscal, e até 2014 zerar o déficit nominal e deixar a relação dívida/PIB em 30%; os “desenvolvimentistas de direita”, junto com neoliberais, que apóiam o Serra, pretendem dar logo um choque cambial, como isto redundará em choque inflacionário, darão em seguida choque fiscal e, pressionados, choque de juros, voltando então a estagflação típica dos 8 anos do Governo FHC, mas com sua base de apoio – industriais paulistas e exportadores do agronegócio – satisfeita. O povo brasileiro, com redução de salários reais e corte de empregos, arcará com o ônus desse tratamento de choque.
      3. Toda as economias de mercado possuem o risco de sofrer bolhas de ativos, no caso brasileiro, sofrer com eventual bolha de commodities. Porém, com a recessão mundial, os preços das commodities não devem atingir o patamar pré-crise de 2008/2009. Caso a Dilma ganhe a eleição, o trade-off entre política de juros por política fiscal deve diminuir a relação juros internos / juros externos.
      Att.

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