Mecanismo de Transmissão Interação e Iteração

19 Mecanismo de Transmissão Interação e Iteração

Resumo da aula:

Os modelos quantitativistas pretendem transformar a medição da condição inicial da oferta de moeda em simulação de tendências futuras em termos do nível de atividades e de preços. Mas sistema dinâmico complexo como o capitalista tem pontos de instabilidade que modificam a cadeia de acontecimentos. Ele é sistema que nunca se encontra em estado estacionário. Ele quase se repete, mas nunca exatamente do mesmo jeito, pois seu comportamento é não-periódico. Daí a incapacidade dos economistas de prevê-lo: há elo entre aperiodicidade e imprevisibilidade. O modo de análise do mecanismo de transmissão monetário baseado em teoria das decisões interdependentes tem aspiração de descrever trajetórias dinâmicas e não de determinar níveis das variáveis econômicas em torno de determinado centro de gravitação. Portanto, faz repúdio da noção de equilíbrio, ou seja, estado no qual os planos dos agentes são consistentes entre si sem nunca haver desapontamentos. O fundamento microeconômico da macroeconomia pós-keynesiana apresenta esta como resultante ex-post daquelas decisões ex-ante tomadas sob condições de incerteza. Elas assumem estratégias diversas, de maneira descentralizada, mas acabam se tornando interdependentes. Com esse esforço de análise dinâmica se descarta o niilismo teórico, ou seja, a impostura de defender a impossibilidade de teorizar o mecanismo de transmissão dinâmico, que parece caótico à primeira vista.

Serra Leoa 1 X 2 Brasil

A comparação do número de pobres do Brasil com o de outros países é dificultada em razão dos diferentes critérios e métodos por vezes usados pelos países. No entanto, em termos de desigualdade, é possível afirmar que a distribuição de renda no Brasil somente agora está deixando de ser uma das piores do mundo. Considerando o índice de Gini de 130 países selecionados, no governo FHC, o Brasil era o penúltimo colocado (0,60), superado apenas por Serra Leoa (0,62). O índice brasileiro era aproximadamente duas vezes e meia pior que o verificado na Suécia (0,25), nação que estava entre as que tinham renda mais bem distribuída no mundo, e também pior que o observado em países com características semelhantes às brasileiras, como o México (0,53). Dizia o IPEA, na época, que “o que distingue o caso do Brasil em termos internacionais é que os elevados níveis de pobreza não estão relacionados à insuficiência generalizada de recursos, mas sim à extrema desigualdade em sua distribuição”.

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