Fim da Grande Depressão nos Estados Unidos?

A reação dos EUA à crise financeira provavelmente evitou repetição de crise com efeitos similares ao da Grande Depressão de 1929, ao amenizar a queda do PIB e salvar cerca de 8,5 milhões de empregos, disseram os economistas Alan Blinder e Mark Zandi. Medidas governamentais de política econômica e financeira, incluindo o estímulo fiscal, o socorro a empresas financeiras, os testes de estresse aos quais os bancos foram submetidos e a compra pelo Fed (o banco central dos EUA) de títulos hipotecários vinculados a financiamentos habitacionais para reduzir os juros, provavelmente evitaram o que poderia ter sido chamado de Grande Depressão 2.0, disseram Blinder e Zandi em estudo chamado “How the Great Recession Was Brought to an End” (End-of-Great-Recession 270710). Sem essas medidas, os EUA teriam entrado em deflação.

Entretanto, James Bullard, que preside o Fed de St. Louis, teme ainda que os EUA possam ter deflação a la japonesa, se o Fed não mantiver os juros baixos por bom tempo e retomar seu programa de compra de títulos do governo (Seven Faces of The Peril 2010Jul28). A deflação é queda generalizada e prolongada dos preços dos bens, das casas, das ações e dos salários.

Dezoito meses atrás, o sistema financeiro mundial estava à beira do colapso. Os EUA estavam sofrendo a sua pior crise econômica desde os anos 1930. A Grande Recessão deu lugar àrecuperação tão rápida em grande parte por causa da reação sem precedentes de políticas monetária e fiscal.

Blinder, 64 anos, foi vice-presidente do Fed e é professor de economia na Universidade Princeton e vice-presidente da Promontory Interfinancial Network, firma de consultoria para o setor bancário com sede em Washington. Zandi, 51 anos, é economista-chefe da Moody Analytics, em Nova York. Ambos são muito respeitados no meio acadêmico americano.

Se os governos Bush e Obama não tivessem agido, o PIB teria caído 7,4% em 2009, em vez de 2,4%. Nesse cenário, no momento em que o desemprego chegasse ao máximo, cerca 16,6 milhões de empregos teriam sido perdidos,  aproximadamente, o dobro do número efetivamente perdido. Somente o estímulo fiscal do governo fará o PIB crescer cerca de 2% em 2010 e adicionará cerca de 2,7 milhões de empregos às folhas de pagamento americanas.

Em outubro de 2008, o Congresso autorizou a liberação de US$ 700 bilhões, usados no Programa de Socorro a Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) para evitar um colapso do sistema financeiro americano. O programa tem sido criticado por congressistas por ajudar mais os grandes bancos do que aos cidadãos comuns.

O Tarp obteve grande sucesso em seu propósito, tendo ajudado a restaurar a estabilidade do sistema financeiro e a frear a queda livre dos mercados imobiliário e automobilístico. O custo para os contribuintes será pequena fração do montante inicialmente concedida pelo Congresso, provavelmente menos de US$ 100 bilhões, e a parte do Tarp dedicada ao salvamento de bancos provavelmente produzirá lucro para o Tesouro Nacional.

Leia o estudo: How the Great Recession Was Brought to an End

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