Previdência Complementar

Antonio Perez (Valor, 15/09/2010) apresenta resumo de estudo da consultoria Kantar Worldpanel a pedido da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). De acordo com o estudo, que abrangeu 8,2 mil domicílios, o número de famílias que planeja investir em previdência complementar saltou de 29% em 2008 para 44% no ano de 2009. No entanto, apenas 4% das famílias consultadas têm Plano de Aposentadoria Complementar, como PGBL e VGBL. Ler: Aplicar em PGBL, VGBL, CDB ou FIF.

O crescimento acelerado do números de famílias que desejam investir para aposentadoria mostra que há grande possibilidade para expansão da Previdência Privada no país. Os ativos dos planos privados subiram de R$ 68 bilhões para R$ 201 bilhões. Houve grande crescimento, mas o mercado ainda é pequeno.

As dúvidas em torno das possíveis alterações nas regras da Previdência Pública e a própria mudança demográfica do país, que mostra envelhecimento progressivo da população como um todo, explicam o aumento do interesse em investir para a aposentadoria. Foi superada aquela fase em que as pessoas investiam apenas para comprar determinado bem, como carro ou casa. Muita gente está percebendo a dificuldade dos idosos em manter bom padrão de vida apenas com a aposentadoria da Previdência Social.

A pesquisa mostra ainda que 10% das famílias das classes A e B (com renda mensal acima de 10 salários mínimos) investem em previdência privada. Entre os domicílios da classe C (renda mensal entre 4 e 10 salários mínimos), apenas 4% têm plano de previdência. Esse percentual cai para 1% entre as famílias das classes D e E, cuja renda mensal varia entre 1 e 4 salários mínimos.

Além da escassez de renda, que atinge as classes C, D e E, o percentual de famílias da classe A que tem planos de previdência privada no Brasil ainda está muito aquém do que se observa nos países desenvolvidos. Há potencial para crescer em todas as faixas de renda, sobretudo em A, B e C. No caso das classes D e E, a aquisição de seguro de vida costuma vir antes da contratação de plano de previdência.

Entre as regiões do país, a pesquisa mostra que 8% das famílias dos estados do Sul contribuem para fundo privado de previdência. Elas destinam R$ 1.353 por ano aos planos, volume 16% superior à média nacional (R$ 1.167). Na segunda posição, aparece o interior do Estado de São Paulo, em que 6% das famílias têm plano de previdência complementar. Em seguida, surgem o interior do Estado do Rio de Janeiro e os estados do Espírito Santos e Minas Gerais (5% dos domicílios têm planos).

A Grande São Paulo e o Grande Rio de Janeiro aparecem apenas na quarta posição. Somente 4% das famílias dessas localidades aplicam em fundos de previdência aberta. É interessante observar que a renda média é mais elevada em São Paulo e Rio, mas quem mais poupa são as famílias do Sul. Não é possível saber ao certo, mas talvez a educação financeira e a cultura de poupança sejam mais disseminadas no Sul do país.

No Centro-Oeste, 3% dos domicílios investem em planos de aposentadoria, à frente apenas do Norte e Nordeste, onde esse percentual cai para 2%. Nessas duas regiões, as contribuições médias das famílias para a previdência privada são de R$ 969 por ano, 17% menores que a média nacional (R$ 1.167).

Em relação à faixa etária, as pessoas entre 40 e 49 anos são as que mais aplicam em previdência, destinando em média R$ 1.270 por ano aos fundos privados. Na outra ponta, os indivíduos que têm entre 30 e 39 anos contribuem com R$ 1.074, a menor média entre as faixas etárias. As pessoas com até 29 anos estão um pouco à frente, com investimento anual de R$ R$ 1.080.

Segundo o estudo, esses números refletem a própria composição do orçamento doméstico por faixa etária. Nos domicílios em que os chefes de família têm entre 30 e 39 anos, os gastos mensais, na média, superam as receitas em 6%. Nas famílias lideradas por pessoas entre 40 e 49 anos, o quadro é inverso: as receitas superam os gastos mensais em cerca de 2%, ou seja, há sobra para investir.

Os jovens têm uma propensão maior ao gasto, e muitas vezes não se sentem confortáveis em trocar o consumo imediato por investimentos para assegurar o bem-estar futuro. É questão de educação financeira. Os jovens precisam entender que, como têm mais tempo até a aposentadoria, podem atingir patrimônio elevado investindo pequenos valores por mês.

Ler mais: Planejamento da Aposentadoria

Outro post: Educação Financeira

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