Afinal, o que é Política?

Em época de eleição, é muito difícil pensar ou falar de outro assunto que não seja Política. Afinal, o que é esta “coisa” que tanto nos mobiliza, inclusive emocionalmente? A Política é considerada por alguns analistas apenas como a arte de governar. Neste sentido, acham que existe uma Ciência Política, isto é, ciência da organização, direção e administração de Nações ou Estados. É, portanto, a aplicação desta arte aos negócios internos da Nação, no caso da política interna, ou aos negócios externos, considerando a política externa.

Outra concepção refere-se à orientação ou ao método político. Por extensão deste sentido, sua derivação refere-se à série de medidas para a obtenção de um fim. Logo, é a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de determinado partido, pela influência da opinião pública, pelo aliciamento ou convencimento de eleitores, etc.  Nesse caso, a definição envolve o conjunto de princípios ou opiniões políticas. É o conjunto de opiniões e/ou simpatias de uma pessoa com relação à arte ou ciência política, a uma doutrina ou à ação coletiva.

Os eleitores que enxergam a Política naquele primeiro sentido, por exemplo, acham muito importante que a candidatura à Presidência da República seja preenchida por alguém que tenha experiência administrativa. Aliás, como é o caso das duas candidaturas que foram para o segundo turno em 2010. Já no segundo sentido da Política, os candidatos representam correntes de opinião e/ou coalizões de partidos, progressistas de um lado, conservadores de outro.

Mas há um terceiro sentido da concepção da Política, particularmente forte em algumas áreas do País, onde ela é vista como a prática ou a profissão de conduzir negócios políticos. Não sei se é devido à longa tradição histórica brasileira de “comprar votos”, “currais eleitorais” ou “votos de cabresto”, o fato que há muitos eleitores que avaliam seu voto na base fisiológica e não ideológica. Eles se perguntam: o que irei ganhar com isto?

Neste caso, a política muitas vezes é encarada como uma profissão. Ela não é feita com P maiúsculo, mas sim na base da politicagem. É a política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes. O conjunto dos políticos que se dedicam a essa espécie de política são os profissionais da politicalha ou politiquice.

Curiosamente, nesta personalização da política, o profissional tem de possuir habilidade no relacionar-se com os outros, tendo em vista a obtenção de resultados desejados. Ele deve executar com destreza a cerimônia da cortesia e da urbanidade. Muitos eleitores que se deixam envolver por sua astúcia, depois se sentem ludibriados e criam aversão pela Política. Enxergam-na apenas como o maquiavelismo no processo de obtenção de alguma coisa. Nesse sentido figurado, o maquiavelismo é a conduta desleal e pérfida.

Mas o sujeito político é visto também como aquele dotado de delicadeza no trato com os outros. Por exemplo, agora, sua argumentação tem de ser muito boa, diplomática, para ser dirigida a eleitores indecisos. A esta altura, provavelmente, ou eles são alienados ou não gostam de conflitos ou disputas de origem política. Os que sofrem de alienação vivem sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que os condicionam e os impulsos íntimos que os levam a agir da maneira que agem. Assim, voluntariamente ou não, se mantêm distanciado das realidades que o cercam. Estão alheados, ficam “em cima do muro”, equilibrando-se para não cair nem do lado de lá, nem do de cá.

Em várias situações, a moderação é atitude prudente, porém nunca me convenci que o melhor em Política é a posição do meio resultante da média do que os extremos tem de melhor. Esta posição de centro tentam trilhar, de maneira muitas vezes oportunista, alguns candidatos. Parece-me uma idealização da realidade, ou seja, um modelo abstrato. É o discurso do tipo “irei juntar os melhores quadros do PT e do PSDB”. Fácil de falar, difícil de fazer. Racional, mas não lida com o emocional dos partidários de ambos os lados.

Entretanto, agora, no final da campanha eleitoral, é necessário convencer exatamente gente que pensa assim! Política, afinal, não é arte do convencimento de gente que pensa diferente de nós, para agirmos juntos, coletivamente?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s