Abstenção no Segundo Turno de 2010

Quanto à dúvida a respeito de qual seria a abstenção no segundo turno (Histórico de AbstençõesAbstenções em EleiçõesMapa Eleitoral), de fato, aumentou a abstenção de 18% para 21,5%, sendo maior em regiões onde a Dilma obteve maiores votações: Norte e Nordeste, inclusive no semi-árido do Norte de Minas Gerais, na pobre região do Vale de Jequitinhonha. Esse percentual foi superior ao do segundo turno em 2002 e 2006. Na realidade, o Cadastro Geral de Eleitores, onde constam 135 milhões de nomes face à população de 192 milhões brasileiros (70%, sic), deve estar ainda mais desatualizado em termos de falecidos que nele permanecem ou migrantes que não atualizaram seus endereços.

Deve ser ressaltado, entretanto, que Dilma obteve toda a legitimidade democrática da maioria do eleitorado votante com 52,3% dos votos totais. Os índices de abstenção no Norte e Nordeste não impediram sua vitória. Depois de três derrotas presidenciais, os tucanos devem reconhecer que não têm base eleitoral no Norte e Nordeste, porque o Governo FHC não adotou lá programas sociais e de investimento na mesma amplitude do que a do Governo Lula.

Votação por Município

Chama a atenção nesse Mapa Eleitoral por Municípios que o PT, aliado ao PMDB e ao PSB e sustentado pela política social ativa do Governo Lula, conseguiu alcançar os chamados “grotões da miséria”, isto é, municípios do interior do Brasil onde, no passado, as políticas públicas não chegavam.

Abaixo aparece mais a votação nos municípios do Rio Grande do Sul.

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Votação no Estado de São Paulo

A diferença de votos em São Paulo a favor de Serra foi de apenas 1,846 milhão. Em termos percentuais, sua vitória foi  54% a 46%. A Dilma teve, portanto, mais dez pontos percentuais no seu total nacional do que no Estado que é base eleitoral de seu adversário. Este, entretanto, não conseguiu frente suficiente para superar, substantivamente, a diferença da vitória da Dilma em Minas Gerais, seu berço natal. Considerando também a diferença colocada no Estado do Rio, ambos Estados conseguiram superar toda a vantagem de Serra acumulada na Região Sul, Centro-Oeste e São Paulo. Graças à militância em todos os Estados!

Votação na Região Metropolitana de Campinas

Dilma ganhou onde mora a classe trabalhadora na Região Metropolitana de Campinas (Paulínia, Cosmópolis, Sumaré, Santa Bárbara do Oeste, Nova Odessa, Monte Mor, Hortolândia), um dos enclaves de resistência ao elitismo conservador paulista, perdendo apenas por diferença de 18.259 votos na Cidade de Campinas, cujo total de votos válidos atingiu 557.971. Em outros termos, com apenas mais 9.130 votos superaria Serra.

Força eleitoral das religiões foi supervalorizada?

Maria Inês Nassif (Valor, 29/10/2010) mostra que, segundo artigo do cientista social Ricardo Mariano, da PUC do Rio Grande do Sul, “Pentecostais e política no Brasil“, em 2005, o país abrigava 30 milhões de evangélicos, dois terços (2/3) deles pentecostais. O pentecostalismo já era o segundo grupo religioso do país.

Essa parcela pentecostal representada no Congresso tem agenda moral e elege seus inimigos: “Os parlamentares que defendem o Estado laico, feministas, homossexuais, grupos de esquerda e materialistas”, diz o cientista social.

Não é eleitorado desprezível, nem sua expansão em setores de baixa renda passou desapercebida pelos partidos. Será que o PT, depois do ataque sofrido em 1989, adotou como prioridade na campanha a conquista dos evangélicos? Na realidade, desde 1989, esses grupos são instrumentalizados politicamente por candidatos de todas as colorações.

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Partido Político e Nomenclatura

Partido Político, no sentido moderno da palavra, pode ser definido como a “união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político”. No eleitorado brasileiro, menos da metade se declara simpatizante de algum Partido (Evolução da Preferência pelo PT).

Grassa a concepção negativa a respeito deles como as seguintes. Os Partidos Políticos são vistos como organizações onde predomina a burocracia na sua estrutura. Eles se fundamentam na ideologia da representação política, e não no acesso direto do povo às decisões políticas. Eles têm como objetivo apenas conquistar o poder político estatal, além de serem expressões políticas de alguma oligarquia econômica ou tradicional.

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