Dinheiro compra felicidade?

Institutos de economia contemporâneos estudam em que medida o dinheiro traz felicidade e se os critérios de renda e posse realmente servem para medir a felicidade e o sucesso de cada sociedade. Primeiro ensinamento básico: dinheiro, consumo, poder e a expectativa de vida longa não trazem felicidade. Estimavam que, a partir da renda individual anual de cerca de US$ 20 mil (+/- R$ 4.000 /mês per capita), a felicidade não aumentaria na mesma proporção que a elevação dos rendimentos.

Embora comprar possa trazer felicidade, por algum (pouco) tempo, o mesmo não acontece com a posse. Se determinados anseios estão satisfeitos, logo surgirão novos, enquanto nos acostumamos com rapidez ao que possuímos como algo natural. Bom relacionamento e sexo trazem mais alegria de viver do que, por exemplo, dinheiro e propriedades.

Recentemente, Daniel Kahneman (psicólogo laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2002 por sua contribuição à Economia Comportamental ou Psicologia Econômica) e Angus Deaton refizeram o cálculo, através de pesquisa recente, e chegaram à conclusão que aquele “valor-chave da felicidade” seria o ganho anual de US$ 70.000 nos Estados Unidos. Corresponde à R$ 83.000 no Brasil, ajustado pelo câmbio e pela Paridade do Poder de Compra. É equivalente a salário mensal de R$ 6.400, incluindo o 13o.

No Brasil (ver tabela acima), apenas 3,25% da população em idade ativa (entre 15 e 65 anos) ou 5,2 milhões de pessoas recebem renda familiar acima de R$ 6.000 /mês e estão classificados na Classe A. Curiosamente, só 1% das Classes B (renda de R$ 3.001 a R$ 6.000) e C (de R$ 1.201 a R$ 3.000) se considerava estar entre os Ricos. Pessoas das classes A e B (sobretudo A), com curso superior completo, tinham autoimagem de pertencer à Classe Média Alta. Possível explicação para isso: a sensação de riqueza é relativa, ou seja, resulta de comparação de patrimônios (ou “sinais exteriores de riqueza”), inclusive com os de ricos de outros países. Dedução: as pessoas que possuem autoimagem de estarem em classes superiores à que, de fato, estão, inclusive as das Classes D (de R$ 601 a R$ 1.200) e E (até R$ 600), provavelmente, estão “sem medo de ser felizes”!

Ler mais: Qual o valor de uma vida felizQual o valor de uma vida feliz (2 de 2).

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