Celular como Meio de Pagamento

As empresas brasileiras desenvolveram expertise em produtos como hardware e software para redes de máquinas de auto-atendimento (ATMs), internet banking, e-mail banking e, mais recentemente, mobile banking (acesso à conta bancária pela telefonia celular), entre muitos outros produtos. A implantação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), cuja estrutura exigia que as empresas fornecessem soluções para diversas camadas (bancos, câmaras de liquidação, Banco Central) tornou o mercado interno altamente comprador de automação bancária. Esse sistema controla todos os pagamentos realizados no país via operações interbancárias, em rede e em tempo real. Ele desperta o interesse em vários países, que enviam missões ao Brasil para melhor conhecê-lo. As empresas brasileiras de software para finanças, atualmente, vendem soluções avançadas, com tecnologias de ponta, em várias regiões do mundo.

O uso da comunicação móvel como canal de serviços é a fronteira tecnológica. Com notebooks e smart phones, acessa-se a internet de qualquer lugar que disponha de rede-sem-fio. Mas, enquanto o internet banking tem como limite a ainda reduzida parcela da população com acesso à rede mundial, o celular está mais acessível ao bolso de cidadãos brasileiros de todos os segmentos de renda da sociedade. Mira-se, então, na experiência bancária da África do Sul, onde o First National Bank usou o canal celular para dar acesso bancário a centenas de milhares de pessoas.

Com mais de 190 milhões vendidos no Brasil, os celulares massificaram o acesso à telefonia, o que levou à expansão dos call centers dos bancos. Mas o grande salto seria o uso dos celulares como meios de pagamento. Tratava-se de mídia sofisticada, com processador, memória e conectividade, que pode representar evolução em relação aos cartões. Entretanto, se o número de celulares era grande, a parcela com aparelhos de fato habilitados a mobile banking ficava entre 4 a 5 milhões de terminais.

Tem ainda que se avançar tecnologicamente para chegar à solução de pagamento para valores baixos, em que o custo da ligação telefônica terá certo peso relativo. As transações por celular incidem em custo para o usuário, assim como tem o custo do acesso pela Internet. Mas, os acessos às agências ou aos postos de atendimento bancário também tem custos (e riscos) crescentes, face ao tempo perdido no trânsito, quando não se enfrenta assaltos…

O tema mobilidade passou a ser a pauta mais presente em quase todo grande banco. A expectativa é que as agências permaneçam, mas não mais como centros de transações, mas sim como centros de processamento. A possibilidade de corte de custos com as agências justifica que os bancos invistam pesado em seus projetos de mobile banking e, mais adiante, na HDTV banking, ou seja, no banco diretamente na TV digital do cliente, para ele operar sua agência sem sair de sua casa. No primeiro caso, não existem maiores problemas técnicos e a infra-estrutura está preparada para receber esse novo canal.

De imediato, a expectativa é que pagamentos e transferências devem ser o principal atrativo do mobile banking entre categorias de aplicações wireless possíveis. O Mobile Payment é o uso do celular para ordem de transferência de depósitos à vista, em substituição a cartões de débito ou crédito, sendo o canal inerentemente preparado para pagamentos remotos.

No serviço de M-Payment, a transação se completaria no próprio celular. Essa solução permitiria que o cliente realizasse e pagasse compras à distância, com a ajuda do celular. Com o serviço, a compra poderia acontecer sem a presença física do cliente, o que seria ideal, por exemplo, para serviços de entregas de lojas virtuais.  Uma vez informado o número do telefone, o lojista por um desses três canais (POS adaptado, página da bandeira na internet ou celular próprio) lançaria a transação no sistema. Logo, o cliente receberia mensagem SMS informando que havia transação pendente de confirmação por senha, que ele faria, imediatamente, usando a mesma do seu cartão. Os maiores apelos seriam facilidade, segurança e rapidez, criando cultura de pagamento móvel no Brasil.

Para que as soluções de mobilidade, em transações financeiras, realmente funcionem, é preciso que os comerciantes operem com qualquer banco e com o celular de qualquer operadora. A primeira premissa é a definição de padrão de mensagem comum, protocolo padronizado. Deve se estabelecer forma padronizada de descrição de transações financeiras, assim como se homogeneizou a descrição dos serviços bancários tarifados, o que permite pagamentos e outras interações entre agentes econômicos vinculados a qualquer banco. É também necessário criar serviços comuns de clearing (compensação) e liquidação. Uma das propostas é usar a infra-estrutura da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), que opera o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), e fazer com que a provedora assuma a função de clearing. Portanto, haverá ganhos para todos os elos da cadeia: “bancarização” de não clientes, conforto para o já cliente-usuário, rentabilidade para a operadora, com a massificação da escala no seu tráfego.

Julio Wiziack e Toni Sciarretta, em reportagem para Folha de S. Paulo (03/11/10), revelaram que Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander se preparam para prestar serviços de telefonia móvel, para a massificação do uso do celular como cartões de débito e crédito, novidade que promete mudar os pagamentos eletrônicos no país. Além de substituir o cartão no varejo comercial, o celular é o meio ideal para autorizar transações de baixo valor. O telefone móvel tem tecnologia capaz de substituir as transações entre pessoas, feitas atualmente em papel-moeda ou cheques, reduzindo a importância dos caixas eletrônicos.

Com a regulamentação das “operadoras virtuais”, qualquer empresa poderá se associar a alguma operadora móvel (TIM, Vivo, Claro e Oi) para prestar serviços de telefonia. Grandes redes varejistas como Pão de Açúcar, Casas Bahia, Carrefour e Pernambucanas já têm projetos para virar teles, mas, provavelmente, são os bancos que vão acelerar esse processo porque têm o interesse comum de redução de custos. As transações feitas pelo celular geram gastos equivalentes a um décimo dos com efetuados com cartões de plástico.

A Anatel permitirá que os bancos escolham dois caminhos na telefonia celular. No primeiro, o banco comprará no atacado milhões de minutos das teles e depois venderá (ou repassará como prêmio) aos clientes. Na segunda opção, os bancos alugam a rede da operadora e prestam o serviço diretamente ao cliente, dando suporte técnico e respondendo pelas reclamações.

Estatais, o BB e a Caixa estão mais inclinados a assumir a gestão do relacionamento com o cliente. Itaú e Santander tendem a formar parcerias com as teles para atuar como “distribuidores” de minutos. O Bradesco estuda ambos os caminhos.

Parceiro da Vivo e da TIM, o Itaú já converteu chips de 500 mil terminais da Redecard para aceitarem pagamentos via celular. Inicialmente, o banco emitiu 500 mil cartões Itaucard para clientes da Vivo e da TIM. Muitos desses clientes não sabem, mas têm no celular um chip habilitado para fazer pagamentos na Redecard. Ao mesmo tempo, o Itaú oferece celulares da Vivo e da TIM para seus clientes. O usuário vira cliente dos dois serviços, até que em determinado momento será uma coisa só. Aos poucos, o banco vai vinculando o cartão de crédito a um número do celular.

Na Espanha, o Santander opera o serviço móvel “Habla Fácil“. O banco compra minutos no atacado, com preço menor, e depois os vende ou distribui como prêmio aos clientes.

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