Importância da Continuidade da Diplomacia Sul-Sul

Segundo Valor (09/11/10), a Petrobras começou a operar na África nos anos 70 e hoje 25% do que produz de petróleo no exterior vem do continente. A empresa está presente em cinco países: Líbia, Namíbia, Tanzânia, Angola e Nigéria, mas somente nos dois últimos produz petróleo e gás natural. Nos demais, a empresa está em fase de exploração.

Os primeiros passos da Petrobras na África ocorreram em Madagascar, em 1973. Era um momento em que a empresa iniciava sua internacionalização. O objetivo era diversificar e ampliar a produção, já que as bacias em terra no país não davam conta da demanda e a companhia não tinha tecnologia para operações offshore.

O oeste da África é uma das áreas-foco de sua atuação internacional, juntamente com América Latina e Golfo do México. Em Angola e Nigéria, a produção conjunta da Petrobras é de 59.931 barris de óleo equivalente por dia, segundo dados de julho (os últimos disponíveis) um quarto do que produz no exterior.

África Subsaariana está endurecendo a relação com as petroleiras. Produtoras de petróleo lideradas por ExxonMobil, Chevron e pela londrina Tullow Oil gastaram bilhões em suas buscas por petróleo na África Subsaariana. Agora, o fluxo de lucro que esperavam está sob ameaça, uma vez que os governos africanos intensificam o controle sobre o setor.

Entre 1989 e 2009, as reservas de petróleo estimadas na África Subsaariana mais do que dobraram, para 127,7 bilhões de barris, o equivalente a 9,6% do total mundial, segundo a BP. Ao longo da costa oeste da África, Libéria, Gabão e São Tomé e Príncipe pediram ofertas pelas suas licenças de exploração. No interior, as formações geológicas entre a Mauritânia e o norte da Namíbia podem ter 71,7 bilhões de barris de petróleo por ser descoberto, de acordo com estimativas da agência de pesquisas geológicas do governo dos EUA.

Os exploradores também enfrentam dificuldade para conseguir licenças e para não acabar ficando com contratos menos favoráveis, uma vez que os governos locais, outrora ávidos em receber as petrolíferas ocidentais, agora buscam reiterar seu controle sobre seus recursos naturais e satisfazer os eleitores. Na Nigéria, por exemplo, as petrolíferas supõem que até o fim do ano estará em vigor uma nova lei petrolífera, que aumentará impostos e royalties sobre a produção de petróleo. As empresas estrangeiras sustentam que os impostos podem tornar deficitários os investimentos em campos marítimos.

A interferência do governo em Uganda e Gana é grande preocupação. O Congo terá dificuldades para atrair investimentos “legítimos” se não honrar contratos de forma transparente. Uma estratégia para operadoras de menor porte na África Subsaariana poderá ser encontrar o petróleo, depois vender as descobertas às grandes do setor ou aos chineses. A melhor forma de aumentar ao máximo o retorno aos acionistas é prospectar nesses países, mas gerar caixa em áreas politicamente mais estáveis. Tudo isso faz parte da maneira de se operar na África. Daí a importância da continuidade pelo Governo Dilma da diplomacia Sul-Sul que o Governo Lula estabeleceu, apesar da crítica de seu adversário eleitoral.

 

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