Cinco Cês da Classe C

Os Cinco Cês da Classe C são Carro, Casa, Casar, Cruzar-Criar-Crianças, Consumir. Se quiséssemos ampliar o mnemônico, que serve para facilitar a memorização, de modo jocoso, diríamos “Ceis” (com C) “Çonhos” (com C cedilha) da Classe C, isto é,  da típica Classe Média, são aqueles acrescentados de Cruzeiro como símbolo do status de viajar. Mas isso poderia ser visto como esnobismo, porque professor acha que “passaporte não é diploma”. Ele tenta valorizar e cobrar dos outros o que, pretensamente, possui: Cultura. Este seria o sétimo , mas custa muito conseguir… Tento ainda incentivar o oitavo : Complementar Previdência.

Embora avaliar os outros seja entre “os ossos do ofício” o que acho mais “duro de roer”, pois não existe tal régua objetiva para medir subjetividades, encanta-me a livre reflexão posterior a respeito de comportamentos sociais. Cada turma de alunos universitários, especialmente entre as compostas por profissionais já formados, que trabalham durante o dia e cursam à noite pós graduação latu sensu, constitui amostra bastante representativa dos esforços, estratégias e metas de mobilidade social que está no “imaginário popular”.

A partir de dados do IBGE, prevê aumento do número de famílias de 58 milhões em 2009 para 69 milhões em 2020, sendo, desse total, 29 milhões da “nova classe média”. O poder de compra total da classe C (R$ 757 bilhões) vai ser 20% maior que o da classe A (R$ 618 bilhões), 33% maior do que o da B (R$ 570 bilhões) e quase o triplo das massas de renda das classes D e E somadas. Levando em conta o número absoluto de famílias, o tamanho das classes D e E permanecerá praticamente constante de 1999 até 2020. Nesse cenário, o “brasileiro médio” passará a ter padrão de consumo próximo ao observado em países desenvolvidos.

Em relação à distribuição de renda estimada para o Brasil em 2020, a classe C (R$ 1.196 a R$ 2.988) deverá representar 41% das famílias. Em 2009, eram 34%. A classe D (R$ 598 a R$ 1.195) diminuiria para 22% (saindo de 27%), e a E (R$ 0 a R$ 597), para 17% (saindo de 21%). Esses valores seriam a preços atuais.

Os dados mostram que a ascensão social que tem existido nas classes mais baixas no país é o das novas gerações. São os filhos que, com mais estudo, conseguem mobilidade. Alguns poucos alunos planejam ter filhos e se preocupam em financiar seus estudos em ensino privado.

Como, no microuniverso da sala-de-aula, eu atesto isso? Solicito, para avaliação final do curso sobre Finanças Comportamentais, trabalho escrito sob forma de Sumário Executivo, onde o aluno planeje suas finanças até a aposentadoria, e daí até sua morte, ou seja, faça o planejamento de sua vida financeira. Evidentemente, não é simples, porque no período em questão poderão ocorrer cenários com as seguintes características: cenário de retomada de crescimento, com taxas de inflação, juros e câmbio declinantes e Ibovespa ascendente; cenário de estabilização, com estabilidade nas taxas de inflação e de juros, taxa de câmbio declinante, Ibovespa volátil, mas ainda com tendência ascendente; cenário de instabilidade, onde todas as taxas estarão ascendentes, mas o Ibovespa flutuará com tendência de queda. O problema é que não se conhece, com grau de certeza confiável, as durações desses ciclos.

Os alunos simulam, então, seu orçamento doméstico a partir de sua formatura, pesquisando informações reais para as principais despesas, inclusive com plano de saúde, automóvel e prestação imobiliária ou aluguel. Verificam a remuneração média durante os diversos ciclos de vida profissional e titulações acadêmicas. Avaliam a possível sobra de renda líquida disponível, mensalmente, em seus Orçamentos Domésticos, para aplicações financeiras. Estimam, depois, quanto será necessário acumular, previamente, para manter o mesmo padrão de vida, durante a fase de vida inativa, levando em conta sua “esperança de vida”.

Consideram, então, as seguintes alternativas disponíveis para aplicações: Tesouro Direto com títulos de dívida pública prefixados, posfixados ou indexados por índice de preços, CDB prefixado e pós-fixado, Fundos DI, de renda fixa, cambial (ou dólar), Fundo referenciado ao Ibovespa, Ações blue chips, mid e small caps, Imóveis. Cada qual faz sua escolha de portfólio. Estipula o percentual de cada aplicação na seleção de carteira de ativos, inclusive imóveis e outros, durante os diversos cenários. Utiliza matemática financeira para calcular seu plano de aposentadoria, inclusive com aplicações, retiradas, prazos, rendimentos reais esperados, desconto da inflação, etc. Apresenta também seus critérios de projeções, tanto de índices quanto de cenários.

Na avaliação é considerada, principalmente, a consistência teórica de suas justificativas para cada tomada de decisão financeira. Além disso, são avaliadas quais são suas prevenções quanto aos vieses heurísticos de investidores individuais.

Quais são as impressões gerais? Como a maioria é composta por jovens solteiros recém-formados, em início de carreira profissional, é muito interessante verificar como se diferenciam dos casos de alguns colegas mais velhos já casados e com filho(s) ou mesmos com os de profissionais maduros mais próximos da aposentadoria. Outra diferença nítida, nesse exercício de planejamento da vida financeira, está entre as escolhas daqueles que trabalham no mercado financeiro, com foco apenas em produtos financeiros, e os que trabalham em outras atividades, que planejam aplicar em imóveis para se tornar rentistas.

Na fase de acumulação de reservas para a aposentadoria, infelizmente, as necessidades imediatas são muito mais importantes e presentes do  que  as  necessidades futuras. Há mudança de hábito quando eles passam dessa para a fase de consumo dessas reservas. Aí,  aposentados quando têm  que  vender  algum patrimônio para  consumir,  preferem  não  fazê-lo,  se dispondo, inclusive, a sacrificar seu nível de consumo, ou seja, pensam então no futuro!

Mas a impressão maior que fica é a respeito do excesso de confiança, pois a maioria das pessoas superestima suas próprias habilidades, considerando-se acima da média, o que não pode ser verdade de maneira coletiva. Também há a “falácia do planejamento sistemático”: as pessoas predizem que suas metas serão cumpridas mais cedo do que realmente são (se são) e não verificam as falhas em cumprir o planejado. O otimismogera menosprezo do risco de obtenção de resultados ruins e ilude a respeito da sensação de controle sobre condições futuras que, absolutamente, não têm nenhuma ingerência.

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