Blogs X miniblogs

Comparam-se blogs com conteúdo denso para interação social com miniblogs como forma ligeira de interação pessoal? Verne G. Kopytoff (New York Times apud Folha de S. Paulo, 02/03/11) afirma que os blogs já foram o canal de escolha das pessoas que queriam se expressar on-line, mas, com o crescimento de sites como Facebook e Twitter, eles estão perdendo o seu encanto para muitas pessoas, principalmente, jovens adolescentes. Ex-blogueiros dizem que andam muito ocupados para escrever longos posts e ficaram sem inspiração devido à falta de leitores. Outros falam que não têm interesse em criar blog porque as redes sociais fazem bom papel em mantê-los em contato com amigos.

Os blogs começaram sua rápida ascensão há cerca de dez anos, quando serviços como Blogger e LiveJournal se tornaram populares. Eles quase não tiveram concorrência até que o Facebook mudou o comportamento das pessoas com o seu eixo multipropósito para postar tudo o que é pessoal. O Twitter também contribuiu com essa comunicação ligeira.

Os internautas deixaram de precisar dos seus blogs para se conectar ao mundo. Em vez disso, sob “as tiranias da intimidade”, eles podiam fazer posts rápidos para reclamar do clima, linkar artigos que lhes deixavam enfurecidos, comentar notícias ou promover alguma causa – coisas para as quais os blogs foram planejados. Hoje, os blogs sobreviventes necessitam apresentar bom conteúdo, buscando o significado dos seus assuntos. Tem que ter maior densidade para atrair os leitores que não se satisfazem com miniblogs.

Na realidade, os blogs não estão morrendo, mas apenas mudando para menor quantidade com melhor qualidade. Empreendedores levaram algumas das características popularizadas pelos blogs a outros tipos de serviço. O efeito é sentido em serviços que oferecem plataformas de blogs. O Blogger, do Google, teve menos visitantes únicos dos EUA em dezembro do que recebeu no ano anterior.

O LiveJournal preferiu dar ênfase às comunidades fechadas em seu “mundinho”. Conecta pessoas com interesse em fofocas de celebridades, por exemplo, oferecendo a interação pessoal que falta aos blogs “clássicos”. Estes sim fazem interação social, que ocorre entre pessoas que, embora não se conheçam intimamente, tem interesses comuns. Há a impessoalidade que caracteriza a vida pública, diferentemente da privada.

Mas, alguns serviços como o Tumblr e o WordPress parecem ter escapado do declínio. A ferramenta do WordPress é, na maioria da vezes, algo para blogueiros que levam a coisa a sério, não para os jovens iniciantes.

Ferramenta popular durante a última década, o blog agora perde adeptos entre os mais jovens e alguns passam por crise de identidade. De acordo com dados divulgados no fim do ano passado pelo Pew Research Center, entre 2006 e 2009, a atividade de manter blog caiu pela metade (de 28% para 14%) entre jovens de 12 a 17 anos dos Estados Unidos. Entre aqueles com idades de 18 a 33 anos, os blogs encolheram apenas 2% entre 2008 e 2010.  Em contraste, as redes sociais ganharam mais adeptos desse grupo durante o mesmo período. O aumento foi de 16 pontos percentuais, de 67% para 83%. Serviços como o Facebook também se mostraram populares no grupo de 12 a 17 anos: 73% disseram ser usuários de redes sociais.

Os números sugerem que muito do conteúdo abrigado por blogs mudou de lugar. Não é mais necessário esse tipo de ferramenta para anunciar ao mundo algo de sua intimidade. As redes sociais, incluindo o Twitter, engoliram o aspecto de “diário íntimo” que muitos blogs carregaram durante seus primeiros anos.

Os blogs perderam o caráter de novidade do seu início, o que empolgaria menos as pessoas. Mas o ato de blogar segue se reinventando. Opções de expressão on-line não faltam e o blog tradicional dá sinais de transformação, tomando novas formas presentes em formatos de miniblogs como o do Twitter e o do Tumblr. Tem gente que gosta, eu não…

Os sites de vídeo, como YouTube e Vimeo, também abocanham público que já seguiu blog. Neles, a câmera substitui a escrita. Segundo o Pew Research Center, sites de vídeo tiveram crescimento entre todos os adultos americanos. O aumento foi de 14 pontos percentuais, de 52% para 66%.

Três características parecem comuns às novas formas de blogar: são fáceis de usar, economizam tempo e já vêm com algum público garantido. Por quanto tempo? Não se sabe. Uma das maiores causas de abandonos de blogs é, justamente, a falta de audiência. Quando iniciantes começam a blogar e a falta de tráfego fica evidente, eles passam a ficar mais realistas sobre quanto tempo irão ficar com o blog.

No entanto, enquanto fora do Brasil os blogs dão sinais de estarem ficando sem fôlego, entre os brasileiros a ferramenta goza de popularidade. Segundo a comScore, 71% dos internautas brasileiros acessaram blogs em 2010. A média mundial é de 50%. O número brasileiro é maior do que o dos sete países latino-americanos, incluindo México e Argentina, aos quais ele foi comparado.

O Brasil também teve média superior à da América do Norte, à da Europa e à da Ásia. O estudo também aponta que, entre 2009 e 2010, os blogs não tiveram crescimento mundial, mantendo a média de 50%.

Os blogs apresentaram popularidade mesmo com o aumento da presença dos brasileiros em redes sociais, um dos fatores apontados como responsáveis pelo declínio da ferramenta. A porcentagem de internautas do país em redes sociais foi de 85,3%, aumento de cerca de 10% em relação a 2009. A média global de pessoas em redes sociais foi de 70%.

Uma das causas para a popularidade dos blogs no Brasil em 2010, aponta o estudo, foram as eleições, o que revela a importância política de se ter essa alternativa ao PIG (Partido da Imprensa Golpista). Os meses de outubro e novembro tiveram o recorde de internautas (39,3 milhões, em novembro) e de páginas visitadas (2,25 bilhões, em outubro). Em todas as regiões do Brasil, o número de internautas que visitaram blogs cresceu nesse período. No Nordeste, a porcentagem pulou de 72,8%, em julho de 2010, para 77% em novembro. O Centro-Oeste foi de 70,7% para 74,3%. O Norte, o Sudeste e o Sul registraram crescimento de cerca de três pontos percentuais.

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