Automóvel Particular X Táxi

Calcule se vale a pena o paulistano usar seu carro no UOL: Carro X Taxi (15/05/11). Samy Dana, professor de finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas, fez comparação entre os custos anuais para manter um carro e para andar de táxi. Os cálculos do professor da FGV mostram quando é vantagem vender o carro e ir (ou ligar) para o ponto de táxi.

Para quem roda até 15 km por dia entre ida e volta (do trabalho, por exemplo), o táxi sai (1%) mais barato do que comprar e manter um veículo de R$ 40 mil, que é o preço médio dos carros novos vendidos no país. O custo anual para rodar aproximadamente 5.500 km com carro particular é de cerca de R$ 17.300. Isso quando o dono arca com combustível e todas as taxas, como inspeção, seguro e estacionamento. A depreciação do veículo também está inclusa, sendo que o Datafolha calcula que o carro perde 7% do valor ao ano.

Quando a comparação é feita com modelo “popular” (ou “luxo depreciado”), de R$ 24,5 mil, com motor 1.0 ou turbo, que são mais econômicos, o táxi só compensa para quem roda até 10 km por dia. Nesse caso, o custo anual para percorrer 3.600 km seria de R$ 12.463, ou seja, R$ 459 a menos do que com o carro.

Isso porque a tarifa de táxi na capital paulista é cara, apontam especialistas. Custa quase o dobro da de Buenos Aires, por exemplo. Em São Paulo, além dos R$ 4,10 iniciais, paga-se mais R$ 2,50 por quilômetro rodado. Após as 20h e aos domingos, esse valor aumenta 30%.

Mesmo assim, há motorista vendendo o segundo carro sob a alegação que a cidade de São Paulo não comporta mais esse luxo. Muitos desistem de carro particular para aderir ao táxi desde a Lei Seca de 2008. Passam a usar táxi para ir às baladas e vêem que é vantajoso, porque os estacionamentos são muito caros, no mínimo, R$ 15 /noite.

Para o especialista em engenharia de tráfego Sérgio Ejzemberg, para o trânsito, tanto faz usar táxi ou carro, porque o veículo individual vai ocupar o mesmo espaço na rua, embora certos corredores tenham faixa exclusiva para ônibus e táxi. A solução mais adequada é o transporte coletivo, como o metrô, viu, “gente diferenciada de Higienópolis”?

As pessoas só desistirão do status social de possuir carro quando houver transporte coletivo com custo de oportunidade inclusive em conforto e tempo. A solução mais saudável é se locomover apenas perto da moradia em ciclovia ou caminhando a pé

Para fazer essa comparação em outra cidade, é necessário considerar se ela tem condições metropolitanas semelhantes, ou seja, contínuo engarrafamento e farta oferta de táxi. Reveja o cálculo real acima, zerando o custo de estacionamento e considerando que praticamente não há oferta de táxi.

Por exemplo, para eu ir da minha residência à Unicamp, são apenas 3 km de carro, porém praticamente não se encontra táxi no bairro Cidade Universitária, onde moro, em torno do campus. É melhor ir à pé ou de bicicleta, inclusive porque o trajeto se reduz para apenas um km.

Outro ponto decisivo, que a matéria jornalística não foca, diz respeito a considerar o carro como “valor de troca” ou como “valor de uso“. Na fase reprodutiva masculina, quando só se pensa em acasalamento, a posse do automóvel é considerado por muitos quase um símbolo fálico! Na fase da sabedoria, quando já se pensa com outra cabeça, apenas o “valor de uso” passa a ser reconhecido. Então, considera-se o “troca-troca” de automóvel coisa de… irracional.

Desconsiderando o status social, o cálculo se modifica, completamente, com a aquisição de um carro bom e barato, preferencialmente de marca de origem alemã ou japonesa, usado ou seminovo, que tenha baixo custo de manutenção. É a prática dos milionários tradicionais norte-americanos, que compram os carrões dos novos-ricos, quando se aproxima o final do prazo de garantia, e ficam com eles durante anos. Depois que eu a adotei, deixei de “rasgar dinheiro” com a troca periódica de carro.

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5 thoughts on “Automóvel Particular X Táxi

  1. Tem-se que levar em conta ainda se sempre haverá taxi quando precisar, eles costumam desaparecer de vez em quando… Mas, a solução definitiva será usar veiculo coletivo seguro, limpo e pontual. Todavia, parece que isso só será viável se houver pressão política. Haverá, por parte de quem?

    • Prezado Lucke,
      na verdade, em SP, está havendo “engarrafamento” até de tráfego de helicópteros! A elite vê “lá de cima” seus trabalhadores atrasados “lá embaixo”. Não vai continuar “cuspindo”, nem para baixo, nem para cima…
      Att.

  2. Sobre o cálculo de táxi, duas coisas não podem ser esquecidas:
    – a Bandeira DOIS e
    – muitas vezes você sai da sua cidade, isso gera uma tarifa adicional de táxi.

    Outro ponto que não levam em conta é que muitas vezes você vai precisar alugar um carro para viajar (curtas e médias distâncias).

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