Re-evolução da Meia-Idade: Aposentadoria Precoce

Em seu livro “O Melhor Cérebro da Sua Vida: Segredos e Talentos da Maturidade” (Rio de Janeiro, Zahar, 2011), a Editora de Ciência do New York Times, Barbara Strauch, informa que, “apesar da perda da velocidade e do fato de que, às vezes, os indivíduos mais velhos demoram mais para aprender algumas novas habilidades, eles conduzem sua vida profissional com habilidade e destreza crescentes”.

Estudo recente constatou que gerentes de bancos mais velhos exibiam, em testes cognitivos, um declínio normal relacionado com a idade, mas seu grau de sucesso profissional dependia quase inteiramente de outros tipos de habilidades. O conhecimento prático adquirido sobre a cultura do mundo dos negócios e as relações interpessoais faz o gerente trabalhar com mais eficiência. No entanto, há bancos que obrigam esses gerentes entrarem em “aposentadoria compulsória”!

Nos últimos anos, os cientistas criaram novas maneiras de medir o sucesso na vida real, examinando o que chamam de conhecimento prático ou tácito. Uma das maneiras de fazê-lo foi dar aos gerentes cenários reais, seguidos por soluções diferentes, as quais tinham demonstrado funcionar ou não funcionar nos meios profissionais. Depois dos participantes escolherem suas soluções, seus resultados foram classificados. Nesse caso, os mais velhos, recorrendo a seus cérebros de meia-idade – serenos, ricamente interligados e reconhecedores de padrões –, obtiveram sistematicamente a classificação de especialistas.

Mede-se a sabedoria do indivíduo conforme seu desempenho em três dimensões:

  1. a cognitiva, que se descreve como “o desejo de saber a verdade e poder enxergar os meios-tons, em vez de ver tudo em preto e branco” e como a capacidade de “tomar decisões importantes, a despeito da imprevisibilidade da vida”;
  2. a reflexiva, que consiste na capacidade e disposição de olhar para perspectivas diferentes;
  3. a afetiva, que é o nível de solidariedade e compaixão pelos outros.

De modo geral, as pessoas que se concentram em algo fora delas mesmas são as que se revelaram mais sábias. Obtêm pontuações muito baixas no egocentrismo. Importam-se com outras pessoas. Os indivíduos que se interessam primordialmente por si mesmos, ou por sua posição na comunidade, obtêm pontuações muito baixas na escala da sabedoria.

Essa sabedoria provém diretamente da ação de adquirir perspectiva mais ampla ao longo do tempo. Infelizmente, vivemos em sociedade que, em vez de recompensar os altruistas, isto é, os que ensinam ou cuidam de terceiros, glorifica os jovens egocêntricos que pensam sobretudo em seu ganho pessoal: “os que buscam o dinheiro pelo dinheiro”. Necessitamos alcançar a serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificarmos aquelas que se podemos, e a sabedoria para distinguirmos uma das outras.

Está na hora da geração dos anos 60, aquela que fez revolução nos costumes, liderar a “re-evolução da meia-idade”!

Mais de 500 milhões de pessoas no mundo estão com 65 anos ou mais. Após 2030, uma em cada oito pessoas no Planeta estará na meia-idade ou será mais velha. Elas superarão o número de pessoas com menos de 15 anos.

Não se trata apenas de enfrentar a “crise demográfica” da Previdência Social, isto é, da população ativa não conseguir mais sustentar a inativa em regime de repartição, necessitando esta adotar Previdência Complementar e assumir riscos  de renda variável inerentes ao regime de capitalização. Com cérebros maduros, as pessoas querem continuar a trabalhar, desde que seja de maneira criativa. Porém, depois dos 65 anos, apenas 13% dos aposentados atuais efetivamente trabalharam até essa idade. Ao contrário, 40% deles foram forçados a suspender o trabalho antes do que esperavam. Sua média etária de aposentadoria foi de 59 anos.

A discriminação etária continua no mercado de trabalho. Os candidatos mais jovens têm probabilidade 40% maior de ser chamado para alguma entrevista do que os de 50 anos ou mais.

A longevidade mais do que dobrou, entre o início e o fim do Século XX, mas não se pensa em que faremos com todos esses anos a mais de esperança de vida e cérebros melhores. Tornar-nos irrelevantes socialmente? Por que não criar licenças sabáticas em todas as ocupações a fim de ser possível aprender algo criativo fora do trabalho alienado? Por que não reduzir a semana de trabalho? Por que não gerar mais empregos com horários flexíveis ou de meio expediente? Por que não manter os trabalhadores mais velhos na força de trabalho, para ajudar os mais jovens aprender suas habilidades? Os empregados com mais de 60 anos não podem treinar os mais jovens? As pessoas acima dos 60 anos estão velhas demais para lecionar, medicar, advogar?!

Dado que a maioria está em melhor forma física e vivendo mais, a idade verdadeira deveria ser determinada não pelos anos decorridos desde o nascimento, mas pelos que restam por viver. Em outras palavras, de acordo com o risco de morrer dentro do próximo ano. Na meia-idade, o risco de mortalidade entre 1% e 4% no próximo ano começa, atualmente, por volta dos 58 anos entre os homens e dos 63 entre as mulheres. Assim, os homens só tornar-se-iam velhos aos 73 anos e as mulheres aos 78 anos. Antes da velhice, o cérebro maduro tem trilhões de ligações neurais que nos tornam mais inteligentes, mais calmos, mais sensatos e mais felizes. Capazes de lidar com quase qualquer crise. Não somos inúteis!

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