Salário de Alto Executivo de Bancos Internacionais

Megan Murphy (Financial Times, de Londres, apud Valor, 15/06/2011) informa que o salário médio dos diretores de bancos nos Estados Unidos e na Europa deu salto de 36% no ano passado, para US$ 9,7 milhões, segundo dados reunidos para o “Financial Times“, apesar do desempenho variável do setor.

Dois dos maiores nomes da área – Jamie Dimon, o principal executivo do J. P. Morgan Chase, e Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs – receberam em 2010 quantia equivalente a mais de 15 vezes seus ganhos de 2009. Jamie Dimon recebeu quase US$ 21 milhões, superando a pesquisa do Financial Times dos pacotes salariais e de bônus concedidos aos 15 principais dirigentes do setor bancário. Blankfein ganhou US$ 14,1 milhões no ano passado, o que inclui um bônus de US$ 5,4 milhões em dinheiro, em relação aos US$ 863 mil que foram embolsados em 2009.

No Reino Unido, os principais executivos de Barclays, HSBC, Lloyds Banking Group e Royal Bank of Scotland receberam bônus em dinheiro e em ações avaliados em mais de US$ 26 milhões no ano passado. Essa quantia contrasta com o ano de 2009, quando todos os quatro reduziram os bônus, para aplacar a ira da opinião pública e da arena política.

A análise, realizada pela Equilar, a empresa de pesquisa salarial sediada nos Estados Unidos, mostra que a remuneração dos principais executivos de vários bancos ainda é significativamente inferior à sua alta recorde do período pré-crise. Blankfein recebeu mais de US$ 70 milhões do Goldman em 2007, enquanto Dimon faturou US$ 40 milhões em 2006.

As autoridades reguladoras preferiram não impor limites à remuneração no setor bancário, introduzindo, em vez disso, mudanças que, segundo acreditam, vão refrear os incentivos para assumir riscos excessivos. Isso levou muitos bancos a aumentar os salários fixos, reduzir a dependência dos funcionários em relação aos bônus anuais e adiar em vários anos a concessão de recompensas em dinheiro e em ações.

“A verdadeira história em torno dos salários é o avanço em assegurar que os bônus sejam protelados, pagos em ações e sujeitos a metas de desempenho e de recuperação de recursos, e não tanto a fixação da cifra nominal”, disse Angela Knight, principal executivo da Associação Britânica dos Dirigentes de Bancos.

A análise da Equilar mostra, no entanto, que o salário é, geralmente, apenas uma pequena parcela do total recebido. James Gorman, principal executivo do Morgan Stanley, ganhou US$ 14,9 milhões em 2010, dos quais apenas US$ 800 mil correspondiam ao seu salário fixo. Um bônus em ações de US$ 9,3 milhões concedido a Brady Dougan, principal executivo do Credit Suisse, equivaleu a quatro vezes sua remuneração fixa.

Dois dos que mais receberam em 2010 foram os principais executivos britânicos que, desde então, deixaram a empresa em que trabalhavam. Eric Daniels, ex-diretor do Lloyds Banking Group, faturou US$ 8,4 milhões no ano passado, em relação aos US$ 5 milhões ganhos em 2009. John Varley, ex-diretor do banco Barclays, recebeu quase US$ 6 milhões, um aumento de 239% em relação a 2009.

Não se pode amarrar cachorro com linguiça” e “nem se pode colocar raposa para vigiar galinheiro” sugerem provérbios populares… Mas a alta finança internacional continua sem regulação adequada.

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