Muito Além do Nosso Eu

Reinaldo José Lopes, Editor de Ciência e Saúde da Folha de S. Paulo (18/06/11), escreveu breve resenha sobre o livro “Muito Além do Nosso Eu” (São Paulo, Companhia das Letras, 2011, R$ 39,50) de autoria do neurocientista Miguel Nicolelis. A história contada no livro de Nicolelis é a do embate entre duas visões opostas sobre o cérebro. Nos últimos séculos, alguns cientistas apostaram que cada área cerebral, e até cada neurônio, seriam altamente especializados, com funções exclusivas. No campo adversário encontra-se Nicolelis: o lado dos que defendem que as populações de células do cérebro, como bons curingas, são capazes de jogar em todas as posições, dependendo do grau de necessidade. O livro inclui ainda dados biográficos dos principais neurocientistas da história e muito da biografia do próprio Nicolelis.

O neurocientista Miguel Nicolelis, ele próprio um contumaz futurologista, só não tem paciência com determinado tipo de ideia futurista: a de que os computadores acabarão desenvolvendo uma mente que replicaria a do homem. “O cérebro humano não é computável, não dá para simulá-lo com um algoritmo [lista de expressões matemáticas]”, diz Nicolelis. Ele se arrisca a prever que nenhum avanço teórico ou tecnológico vai mudar isso. “É quase como a velocidade da luz na física”, um limite que, por definição, não pode ser ultrapassado.

Em “Muito Além do Nosso Eu“, livro de divulgação científica do pesquisador que está sendo publicado agora ao Brasil, Nicolelis explica o porquê: o cérebro, diz ele, tem um ponto de vista, diferentemente das máquinas de silício. O órgão cria ativamente o mundo que percebemos, em vez de recebê-lo passivamente pelos sentidos. Estaria mais para simulador de realidade virtual do que para câmera digital.

O paulistano de 50 anos, líder do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, na obra, volta a detalhar seu antigo sonho: fazer um paraplégico voltar a andar usando apenas a força do pensamento. O desejo pode virar realidade graças às chamadas interfaces cérebro-máquina, tecnologia que ele ajudou a desenvolver. Nesse tipo de sistema, é possível “ler” a atividade elétrica de dezenas ou centenas de neurônios e traduzir esses sinais em instruções para mexer um membro robótico, ou mesmo, em tese, um exoesqueleto robotizado inteiro.

Formas embrionárias do conceito já funcionaram em ratos, macacos e humanos. Nicolelis, contudo, acha que é possível ir além. Nada impede que pessoas normais estendam o alcance de seus sentidos se conectando à distância com máquinas. Conforme as interfaces forem se tornando menos desajeitadas e invasivas, ele e seus colegas apostam que será possível conectar diretamente a mente de duas ou mais pessoas. Nasceria assim a “brainet“, versão cerebral da internet.

Ideias ousadas desse tipo estão por toda parte no livro, e Nicolelis reconhece sua predileção por forçar um pouco os limites de seu campo. Um dos problemas da ciência atual, afirma, é que as pessoas começaram a se contentar com “avanços pequenos, passos muito miúdos”. “A coisa passou a ser jogo de sobrevivência, enquanto devia ser jogo de risco, até porque virou um negócio enorme. Perdeu-se muito do romantismo”.

Ele vê avanços na ciência brasileira dos últimos anos, mas alerta para o fato de que índices de produtividade, como número de artigos publicados por cientistas, podem não significar grande coisa. “É um grande problema avaliar produção científica da mesma maneira que se avalia produção econômica. Tem gente que publica um único trabalho na vida, mas esse trabalho faz toda a diferença. Nesse sentido, a ciência está muito mais próxima da arte”.

One thought on “Muito Além do Nosso Eu

  1. Boa noite,

    Gostaria de parabeniza-lo pela resenha do livro “Muito Além do Nosso Eu”, realmente ele é fantástico.

    Sugiro fortemente vc em conhecer um outro livro pelo qual poderá enriquecer sobre tudo o que vc escreveu.

    O livro se chama “Universo em Desencanto – A verdadeira origem da humanidade”

    Este livro explica, prova e comprova como desenvolver o EU verdadeiro em sua plenitude, e através deste, conhecer em vida o elo lógico do nosso “EU” (grandula pineal – localizada na base do cerebro) como o nosso verdadeiro mundo de origem. O “EU” é o único elo de ligação…

    A primeira frase que li neste livro foi:
    Quem és TU que a ilusão é tanta incapaz de definir o teu “EU”….

    Se quizer, me escreva que te envio o livro gratuitamente.

    Saldações
    Charles
    mundoracional@yahoo.com.br

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