Responsabilidade Socioambiental das Empresas Estatais

Empresas estatais fazem parte de um conjunto das organizações brasileiras responsáveis pela elaboração e difusão das ideologias na sociedade civil. A alternância democrática do poder entre a era neoliberal e a era neodesenvolvimentista possibilitou a criação de novo pacto corporativo em torno da responsabilidade socioambiental de cada uma dessas empresas. Proporcionou, assim, a colagem ideológica entre a alta administração e o corpo funcional, cujo entendimento mútuo tinha sofrido rompimento ou, pelo menos, interrupção de continuidade, nos episódios de reengenharia, terceirização, transferências arbitrárias, demissões “voluntárias” (sic), etc.,  ocorridos na década anterior.

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Responsabilidade Socioambiental das Empresas

O modo de vida planetário, organizado através de uma economia de mercado, onde predominam apenas os interesses das grandes corporações transnacionais, virou alvo de avaliação crítica. Seu poder de destruição do meio ambiente passou a sofrer constantes denúncias de cientistas e cidadãos preocupados com a vida humana. Ecologia Política não trata apenas da relação dos seres humanos com o meio ambiente, mas também entre si, p.ex., temas como igualdade de gêneros, diversidade sexual ou homofobia, anti racismo, etc., entram em pauta. A elevação desse tipo de consciência ecológica dos membros dessas corporações leva às mudanças no sentido da adoção de auto-regulação, antes que legislações draconianas sejam impostas.

A gestão empresarial que tenha como referência apenas os interesses dos acionistas (shareholders) revela-se insuficiente no novo contexto. Ele requer gestão balizada pelos interesses e contribuições de conjunto maior de partes interessadas (stakeholders), isto é, trabalhadores, consumidores, cidadãos. A busca de excelência pelas empresas passa a ter como objetivos a qualidade nas relações interpessoais e a sustentabilidade econômica, social e ambiental. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir e analisar os interesses conflitantes de todos aqueles que têm algum apego a sua atuação – funcionários, clientes, governos, organizações não governamentais, etc. – e não apenas dos acionistas, tentando incorporá-los no planejamento de suas atividades.

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Desenvolvimento Sustentável

O conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado em 1987, como resultado da Assembléia Geral das Nações Unidas, no relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum), conhecido como Relatório Brundtland, devido ao fato do encontro ter sido presidido por Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega. A população deste país desfruta excelente qualidade de vida, pois a Noruega ostenta, desde 2001, o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo.

O Relatório Brundtland traduziu preocupações com o meio ambiente que já se instalavam na sociedade. Nele foi expresso pela primeira vez o conceito de desenvolvimento sustentável utilizado até os dias atuais e definido como aquele que “atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas”. Isso ocorreria por meio da sustentabilidade do desenvolvimento que implicaria em mudança nas relações econômicas, político-sociais, culturais e ecológicas.

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Movimento Ambientalista

Uma nova era cultural foi instalada no mundo, seguindo as manifestações da contracultura americana e europeia na década de 60. O “conflito de gerações” camuflava, inicialmente, um choque cultural mais profundo contra o conservadorismo. Os adversários dos jovens eram todos os reacionários que reagiam contra a evolução social.

A nova concepção filosófica, nascida da contracultura dos anos 60, pressupunha que a condição humana era fundada pela negação da herança natural. A sociedade se desenvolvia, opondo-se às forças cegas da natureza. Socialmente, nada seria mais parecido com essa livre-natureza do que o livre-mercado. Em um novo mundo civilizado, não haveria mais a necessidade de se dominar pelo pensamento que a essência humana era essencialmente egoísta e imutável. O instinto de sobrevivência (inclusive planetária) poderia predominar, socialmente, sobre os outros instintos primários.

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Efeito Recessão dos Estados Unidos

 

Assis Moreira (Valor, 26/08/11) informa que nova recessão nos Estados Unidos poderá cortar em 1 ponto percentual o crescimento econômico do Brasil entre 2011-2013, estima a agência de classificação de risco Fitch em meio a uma serie de indicadores frágeis na economia internacional. A agência preparou relatório simulando os efeitos de uma “double dip” recessão nos Estados Unidos sobre a recuperação econômica, enquanto o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, não indica como vai estimular a expansão americana.

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Ideário de Liberal

Antonio Delfim Netto, professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento, durante o regime militar, anuncia em artigo (Valor, 23/08/11) que “ainda não é o fim do capitalismo”! Com sua conhecida ironia, comenta que “a visão pessimista da situação da economia mundial estimula alguns ingênuos, persistentes e generosos otimistas a acreditarem (pela décima vez, nos últimos 170 anos) que chegamos, enfim, ao fim do capitalismo e vamos entrar na era do solidarismo, onde o lucro será anátema e os mercados serão sociais”.

Vale lembrar: as pessoas que tem o instinto de proteção predominante se interessam pela eliminação das desigualdades sociais. As pessoas que, por sua vez, possuem o instinto de competição predominante, como é o caso do Delfim, insistem na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não são elimináveis, embora possam ser gradualmente minoradas em processo civilizatório.

Vamos reproduzir abaixo, destacando as principais ideias, o final de seu artigo, onde ele apresenta o ideário autêntico de um liberal brasileiro, que, paradoxalmente, serviu de maneira destacada a regime ditatorial que impediu a escolha democrática nas urnas. Vejam bem: liberal e não neoliberal do qual ele debocha a mania de achar que existe (ou existiu) mercado sem Estado.

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Leiloeiro-economista e Hipótese do Duplo Equilíbrio

Ao mecanismo de contratos virtuais sucessivos na determinação dos preços de equilíbrio, Léon Walras deu o nome de tâtonnement, traduzido por “tateio”. Tateio significa o ato de deduzir ou perceber por intuição, indagar, sondar para descobrir; pesquisar; fazer a experiência de; ensaiar; examinar, procedendo com cautela. Expressa bem a postura que deveria ser adotada por economistas quando se pronunciassem sobre configuração de preços relativos básicos. Na realidade, é impossível se atingir aquela situação idealizada – o equilíbrio geral –, talvez nem de maneira transitória, ou seja, de passagem, temporariamente.

Ao popularizarem aquela noção de aproximações sucessivas, os seguidores neoclássicos de Walras criaram a figura metafórica do “leiloeiro walrasiano”, cujo papel seria o de promover o reajuste dos preços com base nos contratos virtuais, só permitindo que as transações efetivamente se realizassem aos preços de equilíbrio. De acordo com os neoliberais, são o governo e as instituições que interveem  no trabalho desse “sujeito” e não lhe deixam entregar o equilíbrio geral idealizado. As falhas são exógenas ao mercado.

Pois bem, no Brasil, aplicando esse modelo abstrato à realidade, de maneira canhestra, alguns economistas se propõem a substituir o “leiloeiro walrasiano” ao levantarem a Hipótese do Duplo Equilíbrio. “Outro mundo é possível”: basta consultá-los a respeito de novo acerto de dois preços básicos, câmbio e juro, que o sistema de preços relativos se ajustará em novo equilíbrio. Sair-se-á do “equilíbrio perverso” atual, que prejudica a exportação da indústria de ponta, ao “equilíbrio bondoso” externo (balanço de pagamentos) e interno (pleno emprego e inflação sob controle): fantástico, não?

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