Debate sobre Taxa de Câmbio entre Economistas Desenvolvimentistas

Sergio Lamucci (Valor, 17/08/2011) reportou corretamente o debate sobre taxa de câmbio entre os economistas desenvolvimentistas, ocorrido na seminário “Um novo desenvolvimentismo e uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento“, organizado pela Escola de Economia de São Paulo da FGV e pelo Centro Celso Furtado. O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira disse que, no fim dos anos 60, os manufaturados correspondiam a 6% da pauta de exportações. Nos anos 80, esse percentual superava 60%, graças à política econômica que estimulou a exportação desses produtos. Concluiu que “o Brasil não está fadado a exportar apenas commodities”. Para Bresser, uma das maneiras de lutar contra a valorização do câmbio é taxar a exportação de alguns produtos primários, como o minério de ferro, de modo a “neutralizar a doença holandesa”, fenômeno pelo qual as receitas obtidas com commodities apreciam o câmbio e afetam os setores manufatureiros “de ponta”. A outra medida fundamental, segundo ele, é diminuir os juros reais mais elevados do mundo, que atraem o capital de curto prazo para o país, o que pode ser facilitado com política fiscal mais restritiva. O questionamento dessa hipótese foi a referencia para o debate.

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Heranças

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escreveu artigo sob o título “Heranças” (Valor, 11/08/2011), mostrando que, nos 15 últimos anos de estabilização monetária apresentaram duas tendências diametralmente opostas para o comportamento das rendas do trabalho e da propriedade no Brasil, segundo as informações oficiais disponibilizadas pelo IBGE. Por nove anos seguidos, a trajetória de queda da participação salarial na renda nacional foi uma constante, acompanhada simultaneamente pela expansão contínua das rendas da propriedade, ou seja, lucros, juros, renda da terra e aluguéis. Entre 1995 e 2004, por exemplo, a renda do trabalho perdeu 9% do seu peso relativo na renda nacional, enquanto a renda da propriedade cresceu 12,3%.

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Renda do Trabalho X Renda do Capital

Mariana Schreiber (Folha de S. Paulo, 07/08/11) mostra que o mercado de trabalho aquecido e a alta do salário mínimo fizeram a soma da remuneração dos trabalhadores assalariados subir em ritmo maior do que o conjunto do lucro de empresas, bancos e donos de terra entre 2005 e 2010. Com isso, após recuar por vários anos, a participação da renda nacional na mão dos trabalhadores assalariados voltou a aumentar na segunda metade da década passada.

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