Papel de Intelectual

Meu amigo (e ex-orientando no Mestrado), Fernando Alberto, enviou-me mensagem que desejo compartilhar.

“Mesmo eu, que nunca o conheci pessoalmente, tive um choque ao ler, ontem, sobre a queda de uma laje que vitimou um dos nossos maiores e mais ativos intelectuais (não só economista) em pleno estudo em um domingo.

O Prof. Castro foi um dos maiores conhecedores de economia brasileira e de seu sistema produtivo, especialmente industrial. Além disso, foi um dos primeiros a dar a correta dimensão da ascensão da China e seus impactos na economia brasileira e, acho, era o maior especialista no assunto hoje. Lendo os textos que ele escreveu sobre o assunto e algumas entrevistas, percebe-se que ele fugia, como sempre, das explicações feitas e fáceis (o câmbio fixo e desvalorizado na China, seu dumping no comércio exterior, etc.) para colocar o dedo na ferida, apontando o risco competitivo ao qual nossa economia está exposta e os impactos que já estamos sentindo.

Por isso, sempre lia com avidez suas entrevistas e artigos e sempre saia dessa leitura engrandecido e com várias novas questões que não tinha pensado antes.

Pessoalmente, muito me envaideceu, também, um artigo que escreveu na Folha de São Paulo com elogios à minha dissertação de mestrado que ele leu na qualidade de membro da banca examinadora do Prêmio BNDES”.

Além de compartilhar a tristeza, ele me enviou mais dois links para a nova seção deste blog. Ambos são do Paul Krugman. O primeiro, How Did Economists Get It So Wrong?, é uma crítica à ortodoxia, feita em 2009, enquanto o segundo, Mr. Keynes and the Moderns, é sua visão do Keynes e da economia atual, escrito neste ano corrente (2011).

Antônio Barros de Castro (1938-2011)

Antônio Barros de Castro, meu professor em três disciplinas no Mestrado na Universidade Estadual de Campinas, foi um Mestre. Era uma pessoa dotada de excepcional saber em todas as áreas pelas quais se interessava, colocando-se sempre na vanguarda do debate. Formou discípulos intelectuais inclusive em atividades extras fora de salas de aula.

Continue reading “Antônio Barros de Castro (1938-2011)”

Expectativa de Estagnação Longa

Em outra reportagem de Sergio Lamucci (Valor, 16/08/2011) sobre o seminário do Centro Celso Furtado na Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, ele entrevistou economistas estrangeiros desenvolvimentistas. Acrescentarei minhas anotações durante suas exposições.

Esses economistas desenvolvimentistas traçaram o diagnóstico de que os países desenvolvidos devem enfrentar longo período de estagnação econômica, no cenário em que Estados Unidos e Europa deixam os estímulos fiscais em segundo plano, os salários não acompanham a evolução da produtividade e a política monetária pouco afeta a atividade. Consideram mais provável um quadro de vários anos de baixo crescimento do que uma ruptura como a que sucedeu a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A era de inflação nos preços de commodities tende a ficar para trás, afetando o Brasil, grande exportador de produtos primários.

Continue reading “Expectativa de Estagnação Longa”

Abençoado por Natureza

Moramos em um país tropical, “abençoado por natureza”, mas nunca podemos apenas exclamar “que beleza” – e “cruzar os braços” ou “deitar na rede”. No passado, a criação (e a defesa) de instituições nacionais, como a Embrapa/IAC, Embraer/ITA, Petrobrás, Eletrobrás, Embratel, BNDES, Banco do Brasil, Caixa, etc., foram fundamentais, em conjunto com políticas públicas acertadas, para a emergência da economia brasileira. Brevemente, ela deverá obter o quinto maior PIB (Produto Interno Bruto) na economia mundial.

Continue reading “Abençoado por Natureza”