Efeito Recessão dos Estados Unidos

 

Assis Moreira (Valor, 26/08/11) informa que nova recessão nos Estados Unidos poderá cortar em 1 ponto percentual o crescimento econômico do Brasil entre 2011-2013, estima a agência de classificação de risco Fitch em meio a uma serie de indicadores frágeis na economia internacional. A agência preparou relatório simulando os efeitos de uma “double dip” recessão nos Estados Unidos sobre a recuperação econômica, enquanto o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, não indica como vai estimular a expansão americana.

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Ideário de Liberal

Antonio Delfim Netto, professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento, durante o regime militar, anuncia em artigo (Valor, 23/08/11) que “ainda não é o fim do capitalismo”! Com sua conhecida ironia, comenta que “a visão pessimista da situação da economia mundial estimula alguns ingênuos, persistentes e generosos otimistas a acreditarem (pela décima vez, nos últimos 170 anos) que chegamos, enfim, ao fim do capitalismo e vamos entrar na era do solidarismo, onde o lucro será anátema e os mercados serão sociais”.

Vale lembrar: as pessoas que tem o instinto de proteção predominante se interessam pela eliminação das desigualdades sociais. As pessoas que, por sua vez, possuem o instinto de competição predominante, como é o caso do Delfim, insistem na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não são elimináveis, embora possam ser gradualmente minoradas em processo civilizatório.

Vamos reproduzir abaixo, destacando as principais ideias, o final de seu artigo, onde ele apresenta o ideário autêntico de um liberal brasileiro, que, paradoxalmente, serviu de maneira destacada a regime ditatorial que impediu a escolha democrática nas urnas. Vejam bem: liberal e não neoliberal do qual ele debocha a mania de achar que existe (ou existiu) mercado sem Estado.

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Leiloeiro-economista e Hipótese do Duplo Equilíbrio

Ao mecanismo de contratos virtuais sucessivos na determinação dos preços de equilíbrio, Léon Walras deu o nome de tâtonnement, traduzido por “tateio”. Tateio significa o ato de deduzir ou perceber por intuição, indagar, sondar para descobrir; pesquisar; fazer a experiência de; ensaiar; examinar, procedendo com cautela. Expressa bem a postura que deveria ser adotada por economistas quando se pronunciassem sobre configuração de preços relativos básicos. Na realidade, é impossível se atingir aquela situação idealizada – o equilíbrio geral –, talvez nem de maneira transitória, ou seja, de passagem, temporariamente.

Ao popularizarem aquela noção de aproximações sucessivas, os seguidores neoclássicos de Walras criaram a figura metafórica do “leiloeiro walrasiano”, cujo papel seria o de promover o reajuste dos preços com base nos contratos virtuais, só permitindo que as transações efetivamente se realizassem aos preços de equilíbrio. De acordo com os neoliberais, são o governo e as instituições que interveem  no trabalho desse “sujeito” e não lhe deixam entregar o equilíbrio geral idealizado. As falhas são exógenas ao mercado.

Pois bem, no Brasil, aplicando esse modelo abstrato à realidade, de maneira canhestra, alguns economistas se propõem a substituir o “leiloeiro walrasiano” ao levantarem a Hipótese do Duplo Equilíbrio. “Outro mundo é possível”: basta consultá-los a respeito de novo acerto de dois preços básicos, câmbio e juro, que o sistema de preços relativos se ajustará em novo equilíbrio. Sair-se-á do “equilíbrio perverso” atual, que prejudica a exportação da indústria de ponta, ao “equilíbrio bondoso” externo (balanço de pagamentos) e interno (pleno emprego e inflação sob controle): fantástico, não?

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