Movimento Ambientalista

Uma nova era cultural foi instalada no mundo, seguindo as manifestações da contracultura americana e europeia na década de 60. O “conflito de gerações” camuflava, inicialmente, um choque cultural mais profundo contra o conservadorismo. Os adversários dos jovens eram todos os reacionários que reagiam contra a evolução social.

A nova concepção filosófica, nascida da contracultura dos anos 60, pressupunha que a condição humana era fundada pela negação da herança natural. A sociedade se desenvolvia, opondo-se às forças cegas da natureza. Socialmente, nada seria mais parecido com essa livre-natureza do que o livre-mercado. Em um novo mundo civilizado, não haveria mais a necessidade de se dominar pelo pensamento que a essência humana era essencialmente egoísta e imutável. O instinto de sobrevivência (inclusive planetária) poderia predominar, socialmente, sobre os outros instintos primários.

Essas duas linhas de pensamento, uma em que predominava o instinto de competição, outra em dominava o instinto de proteção, possuíam contrastes não só de ideias, mas também de interesses econômicos e de prioridades a respeito da direção a ser seguida pela sociedade. Mas a ideia de que a sociedade era separada por uma ampla linha divisória maniqueísta ignorava o fato de que pessoas diversas traçaram essa linha de maneira desigual e em níveis diferentes. O conflito de interesses não era, simplesmente, binário, senão essa estrutura social teria sido destruída.

No final do milênio, a nova cultura passou a reconhecer o insucesso da tentativa de exterminar o oponente classista, em sociedade antagônica. Portanto, construir um novo mundo, unido pelo instinto de sobrevivência, ou melhor, pela consciência ecológica, seria uma evolução possível.

Esse pacto social passaria a ser o sonho (real), a alternativa (possível) e a utopia (necessária) no novo milênio. A imaginação no poder significaria construir uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade, inclusive na sua relação com o meio ambiente.

Não seria mais um projeto de natureza irrealizável, uma idéia generosa, porém impraticável. Por ser produto da imaginação, não significaria ter, necessariamente, ausência de consistência ou fundamento real. Essa ficção não seria ilusão, desde que atendesse à necessidade de construção real. Esse modelo imaginado de sociedade ideal foi concebido como crítica à organização social (e ao poder corporativo) existente. Porém, seria inexequível, se não estivesse vinculado à defesa de condições ambientais saudáveis, na realidade concreta.

Nasceu então o “movimento verde” (ou “ambientalista”) como um projeto alternativo de organização social, capaz de indicar potencialidades realizáveis e concretas, em determinada ordem política constituída, contribuindo desta maneira para sua transformação. Supera a luta por um novo modo de produção socialista ao combater por algo mais abrangente: um novo modo de vida!

Nesse caldo da contracultura, surgiu na Suécia, em 1968, a ideia então vanguardista de fazer uma conferência internacional sobre o meio ambiente. Ela foi efetivamente realizada em Estocolmo, em 1972. Nascia, com a então denominada Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, o “compromisso ecológico” assumido pela geração de 70 e as posteriores. Não por acaso, a Conferência foi realizada na Suécia, que havia sofrido sérios danos em seus lagos, em consequência de chuvas ácidas resultantes da forte poluição atmosférica na Europa Ocidental.

A longa história política democrática na Suécia também a justificava. Ela ensejou não só uma melhor qualidade de vida, mas uma cidadania mais avançada, naquele país. Precocemente, em 1917, ministério de coalizão entre liberais e social-democratas assumiu o poder e iniciou reformas sociais, como a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e a extensão do sufrágio universal às mulheres.

O Partido Trabalhista Social Democrático permaneceu no governo, quase ininterruptamente, de 1932 a 1976. O modelo sueco era econômico e político, mas também, e principalmente, societário. Era modelo de ética social, isto é, a ética da absoluta transparência das relações sociais e o ideal da comunicação perfeita. A distinção entre privado e público, na Suécia, era exemplar: havia desvendamento do secreto, desprivatização, gestão pública do privado. O que em outros lugares seria considerado “violação do espaço privado individual” lá era conquista social inarredável.

O modelo sueco tinha pretensão de universalidade (pacifismo, ajuda ao Terceiro Mundo, solidariedade social, respeito pelos direitos humanos), no que tem como fundamento ideológico o consenso e a transparência. Ele constitui talvez espécie de representação antecipada de nova ordem social.

A Conferência de Estocolmo foi o evento que colocou o meio ambiente no foco das preocupações internacionais. A Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano e seus princípios constituíram o primeiro conjunto de soft laws – leis internacionais apenas intencionais, sem aplicação obrigatória – para questões ambientais internacionais.

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