Déficit nas Transações Correntes do País

Vale observar alguns efeitos econômicos atuais da desnacionalização incentivada nos anos 90. As transações correntes do balanço de pagamentos apresentaram déficit  acumulado no ano, até julho de 2011, de US$ 28,9 bilhões, equivalentes a 2,09% do PIB. No mesmo período, o balanço comercial acumulou superávit de US$ 16,1 bilhões. Entretanto, neste ano, a conta de serviços já registra déficit de US$ 21,3 bilhões e a conta de rendas, déficit de US$ 25,4 bilhões.

Estamos colhendo hoje os efeitos da desnacionalização de outrora. O déficit no balanço de transações correntes cresceu tanto não em função do pagamento de juros por dívida externa (déficit de US$ 5,2 bilhões), mas sim devido às remessas de lucros e dividendos (déficit de US$ 20,6 bilhões) das filiais aqui instaladas, para suas matrizes em economias passando por crise, além do repatriamento de ganho de capital estrangeiro volátil.

Por Um Punhado (de ½ trilhão) de Dólares

Sergio Leo (Valor, 01/09/11) – quase o nome do grande diretor de filmes de “faroeste spaghetti”, Sérgio Leone – informa que o vigoroso aumento nas operações de comércio exterior, em um mês com 23 dias úteis, garantiu para agosto um recorde nas exportações e importações brasileiras, conforme anúncio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No ano corrente, o superávit acumula US$ 20 bilhões até agosto, valor equivalente ao de 2010 inteiro. Especialistas do setor esperam que o Brasil deve terminar o ano com superávit maior do que US$ 26 bilhões no comércio exterior.

O total das importações e exportações, a corrente de comércio do Brasil, vai chegar perto de meio trilhão de dólares neste ano. Prevê-se que as exportações somarão US$ 257 bilhões, neste ano, e as importações não menos que US$ 230 bilhões.

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“Maquilas” Paraguaias: A Vingança de Solano López

Na Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870), Argentina, Brasil e Uruguai uniram forças contra o Paraguai, vizinho sem acesso ao mar e, comparativamente, com território e população muito menores. Os paraguaios lutaram até que a população foi reduzida ali em 2/3 de um total que antes da Guerra era estimado em 450 mil habitantes. Foi uma catastrófica dizimação de homens, apenas um restou vivo para cada quatro ou cinco mulheres, e a virtual desintegração do Estado, segundo Edgar J. Dosman conta na biografia Raul Prebisch (1901-1986): A Construção da América Latina e do Terceiro Mundo, lançada recentemente.

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