Taxa de câmbio no Brasil: Dinâmicas da Arbitragem e da Especulação (por Pedro Rossi)

Esse estudo de Pedro Rossi, doutorando do Instituto de Economia da UNICAMP (e sobrinho de uma grande amiga seguidora deste modesto blog), busca contribuir para compreensão da formação da taxa de câmbio brasileira tendo em conta os fatores microeconômicos do mercado de câmbio, como as instituições, os agentes, a regulamentação, a especulação e os canais de arbitragem entre os diferentes mercados. As conclusões do trabalho apontam para a centralidade do mercado de derivativos na dinâmica cambial recente, onde se destaca o papel dos estrangeiros e investidores institucionais, na formação de tendências no mercado de câmbio futuro, e dos bancos que transmitem essa pressão especulativa para o mercado à vista ao realizar ganhos de arbitragem. Em certo sentido, propõe-se uma hierarquia entre os mercados de câmbio, onde o mercado futuro, impulsionado pelo mercado offshore, condiciona a formação de posições no mercado interbancário, assim como a liquidez no mercado à vista.

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Obs.: a foto de Bernard Plossu é ilustrativa. O que tem a ver com câmbio?! Pense bem

 

As Duas Fases da História e as Fases do Capitalismo

Luiz Carlos Bresser-Pereira me enviou seu ensaio “As Duas Fases da História e as Fases do Capitalismo”, publicado na Revista Crítica e Sociedade:  (http://www.bresserpereira.org.br/papers/2011/11.30.Duas_fases_da_historia_e_capitalismo-RCS.pdf).

Seu abstract é o seguinte:

The capitalist revolution was such a major economic, social and political transformation that that we can see history divided into two phases: ancient and modern times or pre-capitalism and capitalism. While ancient societies change slowly, modern societies change fast as they, for the first time, experience economic development. Taking the more developed countries as reference, capitalism itself may be seen as divided in three phases: commercial capitalism that marked the transition, classical or bourgeois capitalism, and professionals’ or knowledge capitalism. The later, that is dominant since the beginning of the 20th century, may be divided in two phases: the Fordist one and the 30 neoliberal years of capitalism (1979-2008).

“Social-democratas” contra Social-Democracia

Denise Neumann (Valor, 26/08/11) mostra que a equipe do Plano Real – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e, por ordem alfabética, André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida – dedica-se agora a ganhar dinheiro e a receitar para o governo fazer tudo que ela não conseguiu fazer entre 1994 e 2002. Diz que “o Brasil optou pelo mix errado de política econômica em 2008 e perdeu uma oportunidade de fazer expressiva redução na taxa básica de juros quando o mundo entrou em crise após a queda do banco Lehman Brothers. Agora, a redução da taxa Selic exige paciência ou um novo momento de ruptura”. O diagnóstico, mais ou menos consensual entre eles, é equivocado, porque, de maneira reconhecida mundialmente, a economia brasileira obteve extraordinária recuperação do crescimento, devido à atuação anti depressão por parte do Governo Lula, mantendo o controle sobre a taxa de inflação e o endividamento público.

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Crise de Ideias dos Economistas da Oposição

Maria Cristina Fernandes (Valor, 26/08/2011) descreve com apuro “o futuro segundo os pais do Real”. Credo! O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com sua conhecida ironia, pedia que os palestrantes se ativessem ao tempo que lhes estava destinado para não atrasar o cronograma do seminário: “Alguns aqui trabalham. Poucos”. Nunca disse tanta verdade…

À sua volta estava “toda a árvore genealógica do Plano Real”: Pedro Malan, Pérsio Arida, Edmar Bacha, André Lara Resende e Gustavo Franco. Às 10h da manhã do dia 25 de agosto de 2011, contavam-se poucos assalariados no pequeno auditório do Instituto Fernando Henrique Cardoso. Além de Luís Stuhlberger (CSHG), Bernard Mencier (ex-BNP Paribas), Felipe Reischtul (ex-Petrobras), Celso Lafer (Fapesp), Roberto Teixeira da Costa (Bovespa), alguns intelectuais – José Arthur Gianotti, Bóris Fausto, Maria Hermínia Tavares de Almeida e Lourdes Sola – misturavam-se a uma maioria de silentes espectadores do que os pais do Real teriam a dizer sobre o futuro da economia brasileira.

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