Cariocas Liberalizados e Socializados

Recebi por e-mail o artigo “Alexandre de Freitas Barbosa ARISTOCRACIA ECONÔMICA Carta Capital setembro 2011”, acompanhado de recomendação elogiosa do amigo remetente. Não conheço o autor, Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Econômica e Economia Brasileira no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), embora ele seja doutor em Economia Aplicada pela UNICAMP.

É “artigo de combate”, carregado de ironia. Confesso que já escrevi muito artigo com esse tom, quando era mais jovem. Hoje, não aprecio muito a ironia, talvez porque já senti o que é ser alvo da generalização crítica, muitas vezes injustamente, e não obter a possibilidade de resposta. Prefiro, mesmo sob risco de criar certa animosidade, nomear meu alvo de crítica ideológica, porém, evitando qualquer ofensa pessoal e colocando o debate no plano das ideias divergentes, sem fazer caricaturas.

Por exemplo, Barbosa escreve que “a aristocracia econômica ‘carioca’ tem suas sutilezas e ramificações. Uma pesquisa de campo não se faria difícil, já que as instituições a que pertencem são de conhecimento de todos. Seus expoentes também, sempre prestes a conceder entrevistas para a mídia conservadora, na qual possuem uns tantos agregados. Podem ser divididos em dois grupos: os liberal-cariocas e os social-cariocas”. Ele adverte: “São todos ‘cariocas’, não por origem, mas por se socializarem na [ex] capital do Império”.

Evidentemente, o tom bairrista enfraquece a crítica, inclusive enfraquece a posição dos aliados que lá enfrentam o debate com a direita. Eles são discípulos dos mestres a que Barbosa rende homenagem no final de seu artigo: “os economistas cariocas que fazem parte de nosso patrimônio cultural – Maria da Conceição Tavares, Antônio Barros de Castro e Carlos Lessa – a quem presto uma sincera homenagem”.

Nasci e me graduei em Minas Gerais, fiz a pós-graduação em Campinas, comecei a vida profissional no Rio de Janeiro, trabalhei em São Paulo e Brasília, minha mulher é carioca, meus filhos são paulistas, gosto de todo o Brasil! Mas sinto carinho todo especial pelos cariocas. No Rio de Janeiro, onde morei oito anos, eu me sinto em casa, diferentemente do que ocorre em Campinas, onde moro há 26 anos.

Não vejo diferença profunda entre os economistas conservadores “cariocas” e os “paulistas”, inclusive eles, assim como os da nossa patota desenvolvimentista, migram continuamente de lá para cá – e de cá para lá. O regionalismo é falsa questão para debate, geralmente tratada de maneira preconceituosa. Os rótulos fáceis podem ser até “engraçadinhos”, para fazer provocação “em conversa de bar”, mas discriminam pessoas inadequadamente.

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300.000 Visitas

Em 25/05/11, este modesto blog acumulou 200.000 visitas. Menos de quatro meses depois, somou mais cem mil, alcançando hoje 300.000 visitas em menos de 20 meses de existência. Dá média mensal de 15.000 visitas, porém no último mês, agosto de 2011, atingiu o recorde mensal com 33.129 visitas, sendo que no dia 30 de agosto, ocorreu o recorde diário: 1650 visitas / dia. Evidentemente, nesses números não estão consideradas as minhas muitas visitas, pois uso-o, seguidamente, como “banco de dados e informações”. Perdendo minha memória, ficam nele registradas minhas lembranças, muito delas autobiográficas.

Agradeço muito a atenção dos 68 subscritores que recebem tudo que nele escrevo por E-mail. Nesses quase 20 meses foram 1.628 Posts. Receberam 928 Comentários. Gracias a la Vida, vivo…

Resenha sobre a Literatura Marxista Contemporânea

Joaquim Toledo Jr. (Folha de S. Paulo, 28/08/11) coloca a questão ao leitor de sua resenha sobre a literatura marxista contemporânea: Marx consegue dar conta do século XXI? As recentes crises financeiras mundiais e as transformações no comércio, na produção e no mercado de trabalho põem à prova o marxismo, teoria que vicejou nos séculos XIX e XX para ter sua “morte” (ou “crise”) decretada pelos conservadores na virada do século XXI. Segundo essa crítica, os livros de autores marxistas contemporâneos aproximam a economia atual da era vitoriana, que inspirou O Capital. Como já fui leitor inveterado dessa literatura, fiquei curioso de ler a resenha, que compartilho abaixo.

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