Desindustrialização, Estagnação e Inflação

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Não tenho o prazer de lhe conhecer, pessoalmente, mas gosto de ler seus artigos. Em Valor (12/09/11), escreveu duas ou três ideias que vale a pena guardar.

  1. Sobre a chamada “desindustrialização” que economistas tupiniquins insistem que aqui ocorre: dados da Unido sobre a participação dos diversos países na geração do valor adicionado industrial ajudam a desmentir essa “tropicalização” de ideia de fora. “Em 2000, os Estados Unidos respondiam por 26,6% e a China por 6,6% do total do valor adicionado gerado pela indústria mundial. Em 2009, os números modificaram-se para 18,9% e 15,6%, respectivamente. Os dois países em conjunto, praticamente, mantiveram a participação (de 33,2% para 34,5%), evidenciando a extensão com que se deu a transferência de atividade industrial dos Estados Unidos para a China. Esse processo evidentemente não tem volta e aí reside a principal das dificuldades com que a economia americana precisa lidar no presente”.
  2. Sobre a conjuntura internacional: os Estados Unidos estão às voltas com um processo de deflação de ativos como o que levou o Japão a anos de estagnação. “Alguns analistas neoliberais agora se mostram surpresos com a tendência estagnacionista revelada pela economia americana. A despeito do trilhão e pico de dólares já injetados pelo FED (banco central americano) em sucessivas rodadas da política de afrouxamento monetário (quantitative easing), o fato é que a armadilha da liquidez, tão enfaticamente prevista pelos economistas keynesianos, prevaleceu: os Estados Unidos estão às voltas com um processo de deflação de ativos semelhante ao que condenou o Japão a uma década ou mais de estagnação. Os bancos não repassam a liquidez para os agentes econômicos simplesmente porque não há investimentos a realizar [portanto, não há demanda por crédito e esta dirige a oferta efetiva]. O mercado imobiliário não se recuperou nem dá sinais de que irá fazê-lo tão cedo enquanto o mini-ciclo que havia se instituído no mercado de bens duráveis de consumo (veículos, gadgets eletrônicos) já deu sinais de esgotamento”.
  3. Sobre o controle da inflação no Brasil: “dentro do arsenal de medidas disponíveis, a taxa de juros é sabidamente um instrumento vocacionado para atuar sobre a demanda agregada, quer dizer, tende a ter eficácia quando os índices estão sendo puxados pelos preços de bens e serviços de consumo que se mostrem elásticos em relação à renda ou pelos preços de bens e serviços intermediários cujo ritmo de produção esteja próximo do limite dado pela capacidade instalada existente. Uma inflação de alimentos, que é hoje a principal origem da alta de preços no Brasil, dificilmente pode ser combatida adequadamente pela elevação da taxa de juros. Idem para os preços de insumos que são commodities cotadas em mercados internacionais, outro grupo de produtos que vem contribuindo fortemente para o recente repique inflacionário.”

Críticas ao Modelo de Metas do Banco Central

Luiz Antônio de Oliveira Lima é professor do Depto de Planejamento e Análise Econômica da Escola de Administração de Empresas de São Paulo- Fundação Getulio Vargas. Ele publicou (Valor, 22/08/2011) bom artigo sobre a falta de transparência do Banco Central do Brasil e da política monetária. Vou reproduzi-lo, parcialmente, abaixo.

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