Todas as Viúvas são Alegres?

Ron Lieber (New York Times apud Folha de S. Paulo, 12/09/11) publicou matéria que podemos fazer leitura prudente: quais serão bons conselhos financeiros para viúvas? Todas elas estarão alegres com a partida do finado marido?

Segundo o articulista, “há poucas coisas mais dolorosas do que perder um cônjuge”. Será mesmo? E se o marido infernizava a vida da coitada? Não confortaria saber que ele deixou boa herança? Mas é bom estar alerta, porque mesmo o infeliz tendo partido desta para uma melhor (vida?), “para piorar a situação, a morte deflagra uma torrente de tarefas financeiras. E o mais provável é que seja a mulher, uma viúva, que tenha de enfrentá-las”.

Ele acha “comum achar viúva que conhece menos sobre investimento, seguros e impostos do que o marido. Mas, deixando isso à parte, é provável que encare uma combinação complicada de emoções”.

Os obstáculos são tão notórios que autores norte-americanos verificaram que há nicho de mercado a explorar no infortúnio alheio. “Há livros especializados em ajudar viúvas, como “New Widow Financial Lifeline” e “Moving Forward on Your Own“. E há até um guia de 20 páginas (“O que fazer agora?”) no site da Timberchase Financial, companhia de planejamento financeiro que atua com viúvas”.

Em suma, ele afirma que “as viúvas podem evitar dor de cabeça financeira se focarem quatro pontos”.

1) A pressa.

Algumas medidas financeiras precisam ser feitas, logo após a perda do cônjuge, como verificar se o que ele deixou foi apenas contas a pagar. Além disso, a viúva necessita buscar informações sobre plano de saúde, seguros a que tiver direito. O melhor é buscar saber, antes dele “partir”, onde é que ele guarda dinheiro – e onde achar informações a respeito. Ele faz planejamento financeiro? Previdência Complementar? Neste caso, a liberação do dinheiro não necessita nem passar por inventário, basta apresentar o atestado de óbito ao gerente, caso o “bom homem” a nomeou como destinatária.

“O resto pode esperar, pois é provável que o raciocínio não esteja 100%”. Racional ninguém deixa de ser com dinheiro, porque “nem maluco rasga dinheiro”, mas este custa a se ganhar e não deve merecer tratamento emocional e/ou sentimental. Há viúva que resolveu assumir o negócio com sua (vasta?) experiência: tornou-se planejadora financeira! Ela diz que proíbe seus clientes viúvos (homens e mulheres) de tomar decisões irreversíveis nesse período.

Pode ser difícil resistir a isso, dado os valores que podem vir do seguro de vida. Por exemplo, pode virar, subitamente, “viúva alegre”, caindo de boca em viagens e consumo! Mas, logicamente, qualquer decisão apressada pode gerar arrependimento.

A “vítima” tem de tomar cuidado com que se aproxima “querendo apoiá-la”. Alerta: “há os profissionais de olho em quem enviuvou, basta contar as pessoas que irão ofertar todo tipo de plano de benefício, do que só enriquece vendedor. Mesmo que defina qual será o tipo de fonte de sua renda, a viúva deve submetê-lo à avaliação de pelo menos três consultores, para tirar sua própria conclusão do confronto de opiniões.

2) A casa.

Um problema comum nos Estados Unidos é “quando há pressa em liquidar uma hipoteca é que talvez ficar morando na mesma casa não seja a melhor coisa. Mesmo que a situação pareça acessível, há os reparos constantes que a casa requer. São despesas que a maioria das mulheres não costuma antecipar. A casa vazia assusta. Mas, diante da ideia de morar com filho, é melhor decidir após passar certo período com o filho”. Se der para evitar, melhor!

3) O patrimônio.

“Não são só vendedores que veem as viúvas como fonte de renda. Filhos podem ver a chance de solicitar parte da herança. Alguns, mais ardilosos, usam a manipulação emocional. Sair ilesa a isso será fácil se houver um planejador financeiro ou contador. Mas, caso sucumba quanto à herança, o faça por escrito, para que não haja confusão no futuro”. Em outras palavras, cuidado com os próprios filhos, principalmente, se não soube educa-los bem quanto à ambição. Mas também as viúvas não devem ser ambiciosas a ponto de querer reter mais de 50% do patrimônio do finado…

“As viúvas também devem tomar cuidado com homens em busca de patrimônio. O ponto aqui é que a tristeza gera vulnerabilidade, e não é egoísmo dizer não consecutivos nos primeiros anos.” Prudente recomendação, pois “a carne é fraca”, e há quem saiba tirar proveito dessa vulnerabilidade. Portanto, basta de casamento! Chega! Se for repetir o erro, só com separação de bens! Evidentemente, esta inflexibilidade é se você, “viúva inocente”,  for mais rica que o pobre pretendente.

4) O fantasma.

“Outro fator é que cônjuges parecem ditar decisões financeiras da cova, no que se chama de ‘brigar com o fantasma’. Na busca de proteger a mulher [rs, rs, rs], o marido cria ‘vulnerabilidade’ [sic] ao definir que investimentos não podem ser alterados. O marido acerta às vezes. Na dúvida, a viúva deve agir”.

Morreu, “tá vendo grama crescer de baixo para cima”, acabou. A viúva deve assumir sua responsabilidade em eventuais erros nas decisões financeiras, não culpar o indefeso! Por que ela não se tornou independente dele? Por que não possui educação financeira?

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